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@wk-heart

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with our hands tied

Dançando sincronizados num grande salão cheio de rostos e olhares, cheio suposições sobre nossos corações. Vencemos a atenção de nossos observadores e roubamos momentos tão cruciais, apenas para poder esconder entre arbustos nossas mãos ainda atadas. Olhos nos olhos, anelares colados, respirações conectadas, éramos imparáveis e obstinados. Mesmo ali meu coração trazia um mau pressentimento de que nos soltaríamos. Desde que meus olhos escuros puderam explorar seu rosto corado, das têmporas a ponta do nariz, tive medo que o mundo nos caçasse com suas garras. Desde que a bagunça que sou encontrou seu coração necessitado de furacões, tive medo de que algo nos varresse do mapa como um grande desastre. Você sabe, meu amor, que penso demais. Não sei amar sem temer profundamente, não sei seguir dia após dia sem sentir a despedida se aproximando. Algo ecoando em meus ouvidos sempre me disse termos dias infinitos e contados, que nossa eternidade seria rompida. Dançando com as mãos atadas, desfrutando cada pedaço da liberdade doce que encheu nossos pulmões, sem deixar escapar qualquer sinal visual de que estávamos queimando como velas, prestes a encerrar a luz. Tudo isso porque, meu amor, nós dançamos juntos através da avalanche. Tudo isso porque penso demais no medo de perder seu coração ecoando tão junto ao meu.

[and I had a bad feeling but we were dancing]

Source: refeita
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A gente simplesmente não se permite mais parar. De mexer no celular, de fazer planos, cursos, projetos, estimativas e contas. E se a gente parar, a gente morre. Morre por conta dos conflitos que não somos capazes de resolver, das brigas que insistem em nos colocar, dos amores que não nos correspondem, dos sonhos que a realidade não nos permitiu viver, das pessoas que se foram e levaram consigo partes do nosso coração, das palavras que a gente não merecia escutar mas ouviu, dos traumas terríveis que a gente fingiu não doerem mais, mas que ainda doem.

-Cristian.