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A morte de Marielle e outras mortes - Zona Curva
Quando eu era criança, lá em Morro Agudo, sempre que alguém era assassinado, e volta e meia isso acontecia, a mãe da gente limitava ao quintal de casa a área pra criançada brincar. A rua, o campinho, o beco, tudo mais além do portão se tornava zona de grande perigo, segundo elas. Até que o medo se dissipasse, a vida geral prosseguisse, elas, e sobretudo nós, garotos e garotas criadxs de pés descalços naquelas ruas de barro e poeira, enfim, a gente ficava confinado ao quintal até que todo mundo se esquecesse do grande perigo cotidiano, e o campinho, o beco, tudo mais além do portão voltasse a ser ocupado pela nossa pelada de futebol, por nossas bolas de gude, por nossas amarelinhas, nossas brincadeiras de pique-lateiro, nossos jogos de queimada e bandeira, por nossas linhas de pipa.