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A Voz do Imperador: As Raças de Lenda dos Cinco Anéis: Nagas - RedeRPG
Na coluna que tratei sobre a História de Rokugan, falei muito pouco sobre as outras raças que habitam o mundo de a Lenda dos Cinco Anéis, além dos humanos. Essas criaturas são uma ótima oportunidade para variar sua campanha, seja permitindo que os jogadores assumam papéis dessas criaturas ou adicionando-as na campanha e vendo como os personagens lidam com elas sem causar um desastre diplomático. Vou começar tratando sobre a minha raça favorita, as Nagas, mas abordarei as outras em artigos futuros. Homens-Serpentes As nagas são consideradas criaturas fantásticas, mesmo pelos humanos de Rokugan acostumados com as incursões das criaturas demoníacas da Terra das Sombras. Por ser muito raro ver uma naga, são seres envoltos em lendas e mistérios. O que se sabe de concreto por aqueles que estudam o assunto é que são criaturas com a cabeça, o torço e o braço humanos e a cauda de uma grande serpente da cintura para baixo, com cerca de 3 a 5 vezes o tamanho da metade humanoide. Elas podem medir de 1,20 até 3 metros altura quando se apoiam sobre a cauda para ficarem “em pé”; mas, dependendo da linhagem, podem medir de 3,5 até 7,5 metros da ponta da cauda até a cabeça. Seu corpo é totalmente coberto por escamas finas, iguais as de uma serpente. As fêmeas têm a habilidade de transformarem sua cauda de serpente em pernas humanas por meio de um ritual, e assim conseguem se mesclar mais facilmente na sociedade humana. Mas o que poucos sabem é que esses seres compartilham uma mente coletiva que eles chamam de Akasha. Isso faz com que todas as nagas estejam conectadas de alguma forma e possuam um forte senso de irmandade entre elas. Apesar de possuírem cabelo, seus corpos não possuem quaisquer outros pelos e, assim como as serpentes, trocam de pele quando atingem a maioridade. A reprodução da espécie é por meio de ovos que as fêmeas botam cerca de três vezes durante a sua vida, e nem sempre o ovo foi fecundado. Desde o Grande Sono, a fertilidade da raça caiu drasticamente. Às vezes, os recém-nascidos podem sofrer mutações que causam deformações. Quando uma deformidade é severa, ela pode chegar a afetar a conexão da naga com Akasha, o que é considerado uma aberração. Essas criaturas são chamadas de Abominações pelas outras nagas e são abandonadas para morrer na floresta. Aquelas que sobrevivem e atingem a maioridade por seus próprios méritos são aceitas de volta a sociedade naga. As nagas também acreditam ser filhas do sol e da lua, respectivamente o Olho Brilhante e o Olho Pálido de Atman, que creem ser o deus universal. Diz a lenda que a raça nasceu de uma lágrima que caiu do Olho Brilhante de Atma, essa lágrima se transformou em uma grande pedra que rachou ao cair na terra, e de dentro dela saíram as nagas. Todas as nagas nasceram da mesma pedra, vários corpos surgidos de uma mesma alma, Akasha. Por serem parte de uma mesma alma, as nagas compartilham laços muito fortes entre elas, conseguindo inclusive se comunicar telepaticamente. Além disso, uma naga com uma conexão forte com Akasha consegue se comunicar com seus antepassados, uma vez que suas memórias fazem parte da mente coletiva Akasha. Uma conexão forte também permite a naga manifestar poderes mágicos a partir de pérolas, e certas linhagens tem maior propensão a manifestar esses poderes. A Civilização Naga A civilização naga é baseada na meritocracia, as ações de um individuo determinam o seus status na sociedade. Por isso, nagas não possuem nomes, ao invés elas recebem um título que definem seu papel na sociedade, caso mudem seu status social, elas recebem um novo título que refletem essa mudança. A sociedade é dividida basicamente em três castas: Védicos – os guardiões do conhecimento e guias da raça, Guerreiros – protetores e batedores que combatem os inimigos da raça, e Jakla – guardiões do conhecimento proibido e mestres da magia das pérolas que protege toda a raça. Os líderes geralmente são escolhidos entre aqueles com maior capacidade para uma determinada tarefa, de acordo com Akasha. Em um conflito, o Guerreiro de maior status será nomeado o líder, em uma missão diplomática, um Védico liderará as negociações. Em épocas de paz, aqueles com uma ligação mais profunda com Akasha liderarão a raça. O Qatol é o líder supremo da naga, mas o título está vago desde que o Qatol original desapareceu e entrou para as lendas. Abaixo dele, o Qamar lidera em épocas de guerra e o Dashmar em épocas de paz. Esses dois títulos são seguidos pelos Campeões de cada linhagem. O Shahadet é o gênio militar que lidera as nagas em todas as batalhas, o Shashakar é o feiticeiro mais poderoso e os Lordes Védicos distinguem o certo do errado. Os generais com o título de o Isha, o Taquar e o Malekish servem os Campeões de cada linhagem. As nagas também possuem um conceito diferente de moralidade, onde três virtudes são as principais: pureza, autocontrole e verdade. As nagas classificam outras virtudes, como as sete do Bushido, como aspectos das três principais: a coragem está dentro da pureza, por exemplo. Para eles é dificil compreender o Bushido e os conflitos que surgem entre as sete Virtudes, uma vez que as nagas consideram as moralidades sempre claras e harmônicas. As Linhagens A sociedade naga, assim como a Rokugani, é bem organizada. As nagas se organizam em linhagens, que estabelecem padrões de comportamento aos seus membros, assim como os clãs Rokugani. Mas, assim como na sociedade humana, podem haver indivíduos que destoem do lugar comum da linhagem. Vamos a elas: Víbora As nagas nascidas dessa linhagem geralmente são grandes e fortes. Por confiarem demasiadamente em seu porte físico, elas dedicam sua vida a aprimorar suas habilidades marciais, o que faz com que se organizem de maneira similar a um exército. No entanto, elas são um tanto arrogantes e acreditam que são as mais aptas para comandar toda a espécie, o que é a causa de vários conflitos com as outras linhagens. Camaleão Essas nagas gostam da escuridão e são adeptas da furtividade e de subterfúgios. Por essas características, elas geralmente desempenham o papel de batedoras e frequentemente recebem a incumbência de proteger templos e berçários da espécie. As naga camaleão tem uma grande propensão a apresentar mutações, inclusive a maioria possui a habilidade de respirar debaixo da água, mas raramente se tornam abominações. Naja As najas possuem uma ligação muito forte com a Akasha, e apesar de as nagas de outras linhagens conseguirem manipular as energias mágicas, as najas o fazem com muito mais naturalidade. No entanto, essa proximidade também faz com que seja a linhagem que mais manifeste mutações. Dificilmente uma naja não apresenta uma incapacidade física. Por sua proximidade com a Akasha, as najas se consideram abençoadas, o que as tornam arrogantes, de maneira similar as víboras. Constritora As nagas dessa linhagem são as maiores e mais fortes, podendo chegar a 9 metros de comprimento do rabo a cabeça, no entanto são as mais pacíficas e tranquilas da espécie. Elas são as juízas que resolvem os conflitos entre as linhagens. Elas também sãos as nagas mais próximas da Akasha, e são grandes astrólogas, vasculhando o céu em busca do futuro. Atualmente são a linhagem em menor número, com nascimentos cada vez mais escassos. Cobra Verde São as menores da espécie, medindo cerca de 3 metros da cauda até a cabeça, mas em compensação é a linhagem mais numerosa. Por serem curiosas, elas podem desempenhar os mais variados papéis na sociedade, desde soldados nos exércitos até sábios feiticeiros. Por terem uma visão mais positiva da vida e das outras raças do que as outras linhagens, geralmente agem como diplomatas quando a situação assim o exige. Abominação Mutações não são raras nas nagas, especialmente nas najas. No entanto uma mutação severa pode desconectar uma naga da Akasha, tornando-a uma abominação. Ela ainda faz parte da Akasha, mas por algum motivo é incapaz de senti-la. Essa criatura é abandonada a sua própria sorte e deve passar a infância enfrentando a morte. Caso sobreviva e alcance a maioridade, ela pode retornar a sociedade naga. No entanto, muitas se tornam desorientas e fogem para longe da sociedade naga. A História das Nagas Pouco se sabe sobre a história das nagas, uma vez que o apogeu de sua civilização aconteceu antes da consolidação do Império Esmeralda. Poucas histórias sobreviveram e o que as nagas se lembram ou descobrem com seus antepassados por meio da Akasha, elas raramente dividem com outras raças. A história mais antiga que se tem conhecimento fala de um povo jovem e sem muito conhecimento sobre o seu lugar no mundo, numa época que a Akasha ainda era nova e suas conexões tênues. Nessa época remota, um gênio militar da linhagem da Víbora chamado Shahismael tentou submeter todas as outras linhagens a sua vontade e iniciou uma guerra sangrenta que só acabou quando o guerreiro Qatol se opôs a ele e conseguiu rechaçar suas forças. A pena de Shahismael foi ser magicamente banido da Akasha para que sua influência nunca mais corrompesse a naga. A união das linhagens para banir Shahismael formou as bases para o Império Naga, que floresceu na Floresta Shinomem, muito mais extensa naquela época. As nagas viviam em paz e harmonia, inclusive com os nezumi e trolls, povo vizinhos menos civilizados. No entanto, uma sombra sinistra chamada pelos nagas de a Corrupção reuniu uma força que atacou o império e causou muitas mortes e destruição. Essa passagem da história é conhecida como A Primeira Incineração da Terra. Muito se especula sobre a natureza da Corrupção, uns afirmam ser a primeira manifestação das forças do Jigoku, enquanto outros consideram que ela era a Escuridão Traiçoeira, uma vez que é uma grande inimiga das nagas. Alguns poucos sussurram temerosamente que essa Corrupção poderia ter sido uma união entre as duas forças, uma vez que as nagas não veem distinção entre elas. O final da guerra resultou na derrota da Corrupção, mas o preço foi a transformação de uma parte da Floresta Shinomem no deserto das Areias Ardentes (ou Burning Sands, ou Yakeru yoni Atsui em Rokugani). Um efeito colateral do resultado da Primeira Incineração da Terra foi que o povo que habitava aquela região, conhecido como Ashalan, também entrou em conflito com a naga. As nagas foram atraídas para as Areias Ardentes caindo em uma cilada, pois ao entrarem no deserto as nagas sucumbiram a sua magia e se tornam Naar Tebaan (ou Salamandas de Fogo). Suas escamas se tornaram douradas, suas caudas cairam e nasceram pés reptilianos e elas adquiriram a habilidade de cuspir fogo, mas elas também perderam a sua conexão com Akasha e enlouqueceram. Os Ashalan esperavam destruí-las durante a transformação, mas foram surpreendidos por um contra-ataque imediato e foram rechaçados. As Naar Tebaan nunca mais voltaram para a Floreta Shinomem. Os Ashalan conta uma história diferente sobre a Primeira Incineração da Terra, mas isso é assunto para outro artigo… Após esses conflitos, a civilização naga voltou a florescer, mas os astrônomos Constritores previram a extinção das nagas, e viram nas estrelas que a Corrupção voltaria a assolar o mundo dentro de mil anos. Eles concluíram que as nagas seriam necessárias no conflito que chamaram de a Segunda Incineração da Terra, e foi decidido que elas deveriam dormir por mil anos e só acordar quando fossem necessárias. E assim começou o Grande Sono. As nagas acordaram durante a época turbulenta conhecida como A Guerra dos Clãs. Elas encontraram um mundo muito diferente onde os humanos eram a raça dominante, e mesmo a Floresta Shinomem abrigava criaturas estranhas e ameaças outrora inexistentes. A princípio as nagas desconfiaram dos humanos, já que lutavam entre si numa grande guerra civil, mas depois, com a ajuda do jovem samurai Mirumoto Daini, elas vieram a conhecer a civilização Rokugani e se uniram a eles para combater Fu Leng e o exercito da Corrupção. Após o Segundo Dia do Trovão, os avanços da Escuridão Traiçoeira foram notados pela naga, e seus esforços para detê-la causaram novos desentendimentos com os humanos. As nagas roubaram o cadáver de Hida Yakamo, trovão do Clã Caranguejo, e o feiticeiro Shashakar usou um poderoso artefato e deu sua vida para ligar o espírito do samurai a Akasha. Yakamo retornou a vida como homem e naga, e liderou as nagas na Guerra Contra a Escuridão. Yakamo acabou por se tornar o novo Lorde Sol, o Olho Brilhante na cosmologia naga, encerrando os 27 dias de escuridão e salvando o mundo. Após a Batalha no Portão do Limbo, os astrônomos da naga continuaram a prever o retorno de um grande mal, e consideraram que acordaram prematuramente. No entanto, o Grande Sono afetou a fertilidade da raça a pontos alarmantes, e a extinção da raça parece inevitável. Uma vez que a Segunda Incineração da Terra ainda está por vir, decidiram retornar ao Grande Sono. Mas antes, deixaram um de seus ovos com aliados do clã Unicórnio. Do ovo nasceu uma criança humana com traços naga, ela assumiu o nome de Akasha e perpetuou a presença da naga no Império Esmeralda. A AEG já confirmou que as nagas voltam ano que vem durante o desenrolar da Edição de Ônix. Por Rafael Viana Silva Equipe REDERPG