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O certo no incerto - Capítulo 15 - Cloe Fenix
O tempo passou rápido, mesmo assim não tão rápido como eu gostaria e foi incrivelmente doloroso. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu, mas pouca que mereça ser relembrada. Depois do aparecimento da amante do meu marido, a nossa possível reconciliação, foi encerrada de vez. Os papeis foram finalmente assinados, agora eu sou oficialmente uma mulher divorciada e mãe solteira. Como eu fui durante tantos anos, enquanto ele curtia a sua vida de solteiro, com outras mulheres. Mesmo assim, eu sou uma mulher de palavra e o Carlos tem autorização para ver a filha, para isso só tem de me pedir autorização com antecedência. Tudo para que a minha filha possa manter uma rotina e a ligação com o seu pai, sem processos burocráticos. Ao mesmo tempo, que não precisa de criar expectativas sobre o mesmo, por não aparecer no dia designado para a visitar. A paz parecia ter voltado a minha vida, mas tudo não passou de uma ilusão e mais uma vez, eu vi o chão de perto. Eu fiquei em pânico, completamente desesperada, como se o mundo esteve prestes a entrar em colapso, destruindo tudo a nossa volta. Tudo porque um dia fui buscar a minha filha na escola e descobri que ela tinha saído de lá, com uma desconhecida. Ainda por cima, com a autorização do meu ex-marido, ele não podia ter feito isso. Ele perdeu esse direito, no momento em que assinou aqueles papeis, se bem que ele na realidade nunca o mereceu. Como que um homem, que é pai durante apenas alguns dias, tem direitos sobre a vida completa da sua filha? — Olá Leandra, aconteceu alguma coisa? – Perguntou preocupado, ao atender o telefone. — Onde está a minha filha? – Gritei desesperada com ele. — A Lia? – Ele parecia surpreso, o que me deixou em alerta, enquanto o meu pânico apenas aumentava. — Onde está a minha filha, Carlos. – Gritei desesperada. – Onde vocês meteram a minha bebé. — Ela não está na escola? – Perguntou, alguma coisa parecia diferente na sua voz. – Como assim nós? Eu ainda estou no trabalho Leandra, eu não tinha como ir buscar a Lia e também nós não combinamos nada. Eu nunca levaria a Lídia da escola sem te avisar antes, eu cometi erros no passado, mas não sou nenhum inconsequente. — Então onde está a minha filha, quem levou o meu bebé, eu quero a milha filha de volta. Eu chorava desesperada, atraindo a atenção das pessoas a minha volta, mas pouco me importava. Tudo o que eu queria, era ter a minha filha de volta nos meus braços. — O que aconteceu Leandra? A Lia não está na escola? – A sua voz também mostrava desespero, mas ele estava muito mais controlado que eu. — Uma mulher veio-a busca-la, ela a levou… – Vais uma vez entrei num choro compulsivo, que me fez perder as forças nas pernas e cair desamparada no chão. — Por favor tem calma Lea, nos vamos encontrar a nossa menina. – Suspirou frustrando. – Com que autorização, ela foi levada da escola? — Com a tua autorização. – Disse assim que ganhei forças, para lhe responder. – Uma mulher levou-a, com a tua autorização. — Uma mulher? Que mulher? – Ou ele era bom ator, ou realmente não sabia de nada e a minha filha tinha sido raptada. — Uma mulher Carlos, uma mulher veio buscar a minha filha. Levou-a daqui com a tua autorização, quem foi Carlos, onde está a minha filha. – Gritei totalmente desesperada, como se a minha vida dependesse da verdade, depende-se da vida e do bem-estar da minha pequena. — Tem calma Lea, eu não dei autorização a ninguém. Não foi a nenhuma das minhas irmãs? – Perguntou preocupado? — A Educadora conhece a nossa família, ela os vê desde que a Lia era bebé, conhece cada um pelo seu nome. Ela não a conhecia, se fosse algum deles ela conheceria, saberia quem levou a minha bebé… Eu sentia as lágrimas cair sobre a minha mão trémula, eu estava à beira de um ataque de pânico. As pessoas ofereciam-me ajuda, mas eu afastava toda a gente, não queria ninguém apenas ela. — Talvez, não… não pode ser, ela não faria isso. – Pensou alto, deixando-me em alerta. — Isso o quê Carlos? De quem estás a falar? – Exigi saber. — A Júlia, é a única pessoa que pode ter fingido a minha autorização e ter pegado a Lia. — Porque a tua amante, está com a minha filha? – Voltei a gritar. — Eu não sei, eu não falo com a Júlia a uns dias, pensava que ela tivesse voltado para casa. – Respondeu em pânico, enquanto ouvir alguma coisa a ser remexida do outro lado. — Eu quero a minha filha Carlos, eu quero a minha filha agora. – Exigi, como se ele tivesse o dom, de a fazer aparecer na minha frente. — Por favor tem calma Leandra, nós vamos encontra-la. – Pediu, parecendo controlado. – Eu vou ligar para a Sofia e vou pedir para ela ir ter contigo, ela vai cuidar de ti. Enquanto isso, eu vou procurar a Lia e vou a encontrar, onde quer que ela esteja. Tudo vai correr bem prometo-te, vou fazer tudo para te entregar a nossa filha segura e bem eu juro-te, pela minha vida. Estás a ouvir Leandra? Por favor tem calma, eu vou trazer a nossa menina, tudo vai ficar bem. É apenas um susto, nada mais do que um pesadelo, quando acordarem tudo vai estar no lugar. Eu prometo. Ele realmente prometeu e cumpriu, a minha bebé estava em casa, segura e bem, mas isso não me deixou em paz. Eu não me sentia segura e no mesmo dia, eu contratei um homem para trocar todas as chaves da casa e colocar câmaras de segurança no exterior. Os portões nunca mais ficaram abertos, nem a minha filha ficava mais sozinha no exterior da casa. A segurança dela era a minha prioridade e nada escapou a minha reforma, nem a escola dela. Exigi que a mesma aumentasse a segurança e principalmente fossem mais críticos, sobre as pessoas com autoridade para irem buscar uma criança na escola. Claro que os outros pais, ao descobrir o que tinha acontecido com a minha filha, logo me deram o seu apoio e as regras foram alteradas. A minha filha estava finalmente segura e eu estava feliz por isso, mesmo assim a paz ainda não tinha voltado. A Lia tinha pesadelos contastes, recusava-se a dormir sozinha no seu quarto, ou onde quer que seja. Mesmo nos meus braços, ela tinha pesadelos e chorava a noite inteiro, o que eu podia fazer? É tão frustrante para uma mãe, não poder fazer nada pela dor de um filho, o que mais se pode tentar? O que mais eu podia tentar? Estava a chegar ao meu limite, quando descobri que a minha filha, andava a ser observada. Não foi uma, nem duas vezes, foram várias as vezes em que o pessoal da escola e também alguns pais, viram uma mulher lá perto observando as crianças. Ficava lá durante alguns minutos e depois ia embora, demorou algum tempo, para perceberem quem ela procurava. Até descobrirem, que ela sempre ia atrás da turma da Lia, do seu grupo. Só depois é que a reconheceram, era a Júlia a mulher que andava a assombrar a minha vida. Foi então que toda a frustração que eu sentia, deu lugar a uma raiva inigualável. Claro que não ia deixar barato, eu viro uma verdadeira fera, quando o assunto é a segurança da Lia. Por isso, resolvi tratar do assunto com as minhas próprias mãos, procurando pela raiz do meu problema. Logo a descobri, num pequeno apartamento, a pouco quilómetros da cidade. Não foi difícil, ainda mais quando se tem dinheiro e recursos para se usar. Apenas precisei contratar um detetive e em pouco tempo tinha a sua localização e rotina. Só precisei de esperar o momento certo para atacar, como uma verdadeira estratega faria. Dias depois, deixei a Lia aos cuidados da sua madrinha e fui atrás da justiça, que a muito tempo a minha mente exigia. Quando cheguei no apartamento, vi que era um velho prédio em ruínas, com cinco andarem e sem elevador. Como a porta não fechava, entrei facilmente e subi até ao terceiro andar e toquei na campainha sem hesitar. — O que fazes aqui? – Respondeu a mulher, com aparência simples, vestindo uns calções curtos confortáveis e um top de alças. — Quero que deixes a minha filha em paz. – Respondi com raiva, direta ao assunto. — Que deixe a tua filha em paz? – Riu-se da minha cara. – Isso é uma ameaça? — Sim é uma ameaça. – Aproximei-me dela, tentando parecer ameaçadora. – Sei que andas a rondar a escolha da Lia, já foste vista várias vezes e a educadora reconheceu-te numa dessas vezes. — Aí foi? – Ela estava a achar graça? – Então a mamã leoa resolver fazer-me uma visita, para eu me afastar da sua cria. — Não brinques comigo. – Rosnei. – Não te aproximes da Lia, não te quero nem a cinco metros dela, melhor, não te quero ver a menos de um quilometro da minha filha. — Que exagero. – Gargalhou, mas logo voltou a ficar séria e a encarar-me. – Eu nunca vou deixar a tua filha em paz, não sem me vingar. — Vingar? – Perguntei surpresa. – Ela é só uma menina de quatro anos, que mal ela pode ter feito, que mereça que uma adulta se vingue? — Ela nasceu. – Disse simplesmente, não desviado o seu olhar do meu. – Ela veio a este mundo e deve ser castigada por isso. — Tu queres te vingar de uma criança, pelo simples facto de ela ter nascido? Só podes ser louca, completamente louca, quem mais teria coragem para fazer mal, a um ser tão frágil e inocente. — Sim eu sou louca, sou louca pelo Carlos, pelo homem que me roubaram. – Ela parecia um cão com raiva. – Ele é meu e vai voltar a ser, nós vamos ter um filho, vamos nos casar e sermos muito felizes juntos. Só tenho antes, de me certificar que não exista mais nenhuma distração, nada que se meta no meu caminho. — O que planejas fazer com a minha filha? Eu não sei quem era mais doida naquele momento, se era ela ao pensar que podia tocar na minha filha, ou se seria eu, por a estar a enfrentar. De qualquer forma, eu não saia daqui sem me certificar que ela ficaria segura. Sem me certificar, que a minha filha poderia voltar a dormir em paz, sozinha no conforto do seu quarto. — Nada de mais. – Riu com malícia. – Apenas a vou tirar do meu caminho, apagar a sua existência. — Não te atrevas a tocar um dedo que seja, num fio de cabelo da minha filha, nem que o mesmo esteja caído no chão. Percebes-te? – Perguntei com raiva, pressionando o meu dedo indicador no seu peito. — Achas mesmo que me podes impedir? – Perguntou, avançando na minha direção. — Para impedir que faças mal a minha filha? Sim eu posso, não sabes o que uma mãe é capaz de fazer, para garantir a segurança da sua filha. — E tu não sabes, o que uma mulher apaixonada é capaz de fazer, para garantir os braços do seu homem. – Respondeu, ainda me ameaçando. — Não pode fazer nada, quando o outro coração não é teu de livre vontade. – Disse segura, avançando na sua direção, era a minha vez de a ameaçar e garantir que ela se afastasse da Lia. – E pelo que sei, a Lia não é nenhum impedimento, para que o Carlos não esteja aqui. Ele pode ver a filha quando quiser, desde que respeite a sua rotina e que me avise com tempo. Ele já não...