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O certo no incerto - Capítulo 11 - Cloe Fenix
O tempo passa realmente rápido, e eu não acredito que o aniversário da minha pequena esta a chegar. Neste meio tempo, muita coisa aconteceu e eu realmente não sei o que pensar. Depois da festa, eu fiquei mais próxima do Filipe, o que valeu alguns jantares, lanches e muita diversão. Já o Carlos mostrou-me um lado diferente, que eu nunca tinha visto. Ele mudou muito, desde a noite que o encontrei bêbado. Não sei o quanto ele se recorda daquela noite, do que disse ou fez. Se tem consciência do quanto aquilo mexeu comigo, ou se não toca no assunto, por puro orgulho. Acreditem, não existe nada pior no mundo do que o orgulho masculino, isso destrói relações e quando o orgulho e o ego andam justos, é como uma bomba atómica, prestes a explodir. No fim, não há nada que fique de pé e ele… quer dizer, ele… ele adormeceu, enquanto tentava fazer amor comigo… eu não sei se rio ou choro, por nada ter acontecido, pelo carinho perdido. Pode parecer loucura, a maior estupidez do mundo, depois de tudo o que aconteceu. Eu sei que viu ser criticada, mas… a verdade é que eu ainda o amo. Nestes últimos dias, eu tenho descoberto os motivos, que me fizeram apaixonar por ele. Esquecer o seu lado infantil de me provocar, seu lado egocêntrico que o leva a manipular-me e o seu lado orgulhoso que o leva a rejeitar o que faço por ele. Tudo são lados que eu conheço dele, desde que éramos crianças e mesmo assim, eu apaixonei-me. Pelo seu lado atencioso, divertido, sociável, meigo, apaixonado… dói, dói muito pensar do que tivemos, no que perdemos e no que nos estamos a tornar. Será que algum dia, eu o poderei perdoar? Será que a nossa relação, algum dia pode ser mais do que é hoje? Poderemos um dia ser, uma verdadeira família? — Lea, acorda… – Chamou a Sofia. – O que se passa, para estares a sonhar acordada? Não me digas que estavas a pensar no encontro escaldante, com o Filipe? — Filipe? Encontro o quê? – Perguntei confusa. — O quê? Não vai ter um encontro escaldante? Depois de tudo o que fizeram foi almoçar juntos algumas vezes e sair com a minha afilhada para algum parque, mais nada? — Não, o que mais poderia acontecer? — O que mais podia acontecer? – Ela perecia incrédula, com a minha reação. – O que mais pode acontecer com um homem e uma mulher livres? Porque não lhe dás uma oportunidade, apenas uma para te apaixonares novamente e encontrares um novo lar para o teu coração. — Porque as coisas não são assim tão simples. Mesmo nos romances que escrevo, eu não posso ditar o coração de ninguém sem uma razão, sem um motivo e muitas vezes, não existe motivos no amor, as coisas simplesmente existem… apenas são como são e nada as pode mudar. Eu não escolhi o Filipe no passado e hoje… por mais que eu pense nisso, por mais que eu ache certo e não consigo fazer o meu coração bater por ele. — Isso é porque, tu não o deixas entrar no teu coração. Porque trancas-te todas as portas e janelas para uma nova oportunidade, assim não pode ser, tu não estás morta. — Elas estarem abertas ou fechadas, não fazem qual diferença. — Ainda amas o Carlos? A sua pergunta, foi como um choque que atravessou o meu corpo. Apesar de eu já saber que era a verdade, era diferente ouvir aquelas palavras da boca de outra pessoa. Ainda mais, alguém que era capaz de me ler com facilidade e de saber o que eu pensava ou sentir, antes mesmo de eu notar. — Ultimamente, a atmosfera entre nós está… meio diferente. – Fiquei pensativa por momentos, observando os convites que estava a escolher para a festa da Lia. – As vezes eu sinto, como se nós fossemos uma família… estar com o Filipe, depois disso… cria-me uma sensação de traição, tudo parece errado, além disso… o sentimento não está lá, não existe pura e simplesmente, ele não é diferente das outras pessoas que nos rodeiam. — E o Carlos é. – Ficou-me compreensiva, sem qualquer julgamento. — Sempre foi. — O coração é um verdadeiro mistério, mesmo assim eu não sei se o meu irmão te merece. Se ele alguma vez, poderá te fazer feliz e ser o pai que a Lídia precisa. Eu tenho as minhas dúvidas e depois, ainda existe aquela mulher. — Pois, eu sei. – Falei triste. — Eu nunca te contei, mas eu uma vez falei com ela no telefone. — Tu o quê? — Foi logo após descobrir, que ele tinha outra mulher. – Ignorou por completo, a minha pergunta e continuou. – Eu telefonei-lhe pretendia o chamar a razão e também, ia contar-lhe sobre a Lídia. Eu sabia que se ele soubesse que era pai, ele voava para cá e esquecia aquela ilusão. — Mas não contraste, caso contrário à sua reação seria diferente. — Nesse dia, foi ela que atendeu a chamada. – Ela fechou os olhos, enquanto parecia remoer a lembrança. – Ela ficou a tagarelar toda alegre no telefone, tentando bajular-me, ela queria conquistar a minha confiança. A sua forma de ser, apenas fez a minha raiva aumentar, imaginar que ela agia de uma forma tão íntima e familiar. Tudo enquanto o meu irmão ainda era casado e mais, tinha sido pai a pouco tempo, mesmo sem saber. Eu não gostei dela e ainda tive um mau pressentimento, quando lhe contei. — Ela sabe sobre a Lídia? – Perguntei assustada. — Não, apenas contei-lhe que o Carlos era casado e qua a mulher estava a sua espera, que ele te amava. – Suspirou. – Disse que ele nunca te iria trocar por ela, para ela desistir e o deixar em paz. — E ela? — Apenas riu. – Apoiou a cabeça na mão e continuou. – Eu não sei como ela o seduziu, como iludiu o Carlos, eu não conheço a história deles, mas conheço a vossa e vejo a sua reação. Ele cometeu um erro no passado, um bem grande e por isso não sei se ele merece ou não o perdão. Apesar, de quando ele está ao teu lado e ao lado da Lia, eu vejo o meu irmão… eu vejo o brilho dos seus olhos, quando ele esta ao vosso lado, o quanto ele vos ama… – Vi ela tentar esconder uma lágrima, enquanto controlava o seu tom de voz. – Mesmo assim, eu preferia que te apaixonasses pelo Filipe, ele nunca te abandonaria como o Carlos fez, ele não te ia trocar por uma qualquer. Ia-te amar como mereces, como deves ser tratada e tudo ficaria bem. — Desculpa. – Pedi observando as minhas mãos, especialmente o dedo, que um dia carregou a minha aliança. — Não precisas de pedir desculpas, o Carlos é que fez asneiras e mesmo assim… eu acho que ele merece ser feliz, ter a família que ele ama ao seu lado. Eu sinto-me tão contraditória, não sei o que pensar realmente, se devo repreende-lo ou encoraja-lo. — Isso é uma decisão que deve partir dele. – Suspirei fundo. – Não faria sentido lutar por algo, se não é isso que ele quer, se ele não é capaz de lutar pela sua felicidade. — Tens razão. – Suspirou também, mal logo se animou. – E agora, qual será o tema da festa da nossa menina? — O mundo dos doces? – Sorri — Mundos dos doces… hum… – Ficou pensativa. – As crianças vão adorar, mas os pais não sei. — Vai ser giro, podemos decorar todo o espaço com doces falsos gigantes, fazemos alguns doces de várias partes do mundo e podemos fazer alguns salgados com aspeto de doces. — O mundo dos doces, a Lídia certamente vai adorar, aquela menina adora tudo que seja fantasia e culinária. Com três anos ela já é uma mini chefe, imagina em adulta? — Ela é adorável, sabe mais de cozinha que muita gente adulta e ensina como ninguém. Mesmo que nunca tenha cozinhado sozinha, ela realmente ama tudo o que seja gastronomia. Eu desconfio que a minha filha seja super-dotada, isso explicaria muita coisa. — Ou talvez seja apenas, influencia de uma mãe louca por livros e de duas avós extremamente cuidadosas, que adoram meter o nariz em tudo. – Riu-se – Especialmente, gostam de estragar a neta com mimos e mais mimos. A Lídia desde bebé que as vê a cozinhar e elas gostam de narrar cada passo para ela, como se a estivessem a ensinar. Já disse não sei quantas vezes, a minha mãe que esse é um hábito estúpido, mas ela não me ouve. Felizmente os meus filhos não são assim, são crianças normais, que apenas gostam de comer os doces da avó. — E a minha filha por acaso é anormal? – Perguntei com o meu orgulho de mãe ferido. — Claro que não, mas não achas estranho por acaso? – Perguntou curiosa, levantando-se para pegar no álbum de fotos da afilhada. – A Lia aprendeu a falar cedo, bem antes de conseguir andar direito. Ela com apenas três anos, fala tão bem como uma criança com o dobro ou o triplo da sua idade. Ela é extremamente educada, inteligente e humilde e adora tudo que envolva cozinha. Tu até crias-te alguns livros infantis com esse tema, apenas para ela, com pequenas receitas e tudo. — Eu faço qualquer coisa pela minha filha. — Eu sei, mas porque ela teve de crescer tão rápido? – A sua pergunta deixou-me um pouco confusa, eu estava a fazer alguma coisa errada? — Ela devia brincar mais como uma criança normal e não como uma mini adulta, mas isso também é um lado fofo nela. — É… O resto da tarde foi passado a planear, todos os pormenores para a festa da minha pequena, fizemos algumas encomendas e tratamos de toda a lista de convites. A Sofia já tinha saído, quando o Carlos chegou do trabalho, acompanhado pela nossa filha. — Mamã… – Correu para o meu colo, assim que me viu. — Olá filhota, o dia foi bom? – Perguntei beijando-lhe a testa. — Sim foi, brinquei muito na escolinha e o papá foi me buscar, ele também levou a Isabel para casa. Sorri com o seu entusiasmo, enquanto o Carlos nos observava, encostado ao batente da porta. Eu tentei ignorar o que os seus olhos sobre mim provocavam, mas eu estava cada vez mais consciente da sua presença. O que me fazia acreditar, que a Lia não seria a única a sentir a sua falta, quando ele partisse. — Mamã posso convidar a Isabel, para o meu aniversário? – Perguntou, com os seus olhinhos tão parecidos com os meus, a brilharem de expetativa. — Claro querida, vamos também convidar os teus amiguinhos e os teus primos, queres convidar mais alguém? — Os avós, os tios e os padrinhos, também veem? — Claro fofinha, não perdiam o teu aniversário por nada. – Sorri ainda mais. — E o papá. – Perguntou apontando para ele, fazendo com que a minha atenção também se virasse, para o homem que sorria na minha frente. — Sim o papá também vem, mais alguém? – Perguntei recebendo um aceno de cabeça negativo, como resposta. – Então vai lavar as mãozinhas, para fazemos o jantar. Vi a minha filha correr feliz, com a sua pequena mochila rosa nas costas e sorri com aquela imagem. A minha vida era como um sonho, eu tinha um emprego que adorava, uma vida sem preocupações e uma filha adorável. — O Filipe também foi convidado? – Perguntou tirando-me dos meus pensamentos. — Talvez, porque perguntas? – Perguntei afastando-me dele, enquanto tentava parecer misteriosa. — Eu peço-te, deixa-o de lado… – Suplicou. – Pelo menos desta vez, não o convides para a festa da minha princesa, por favor. — E porque faria isso? –...