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Estrelinha - Cloe Fenix
No céu nasceu uma estrela, mas esta, não era uma estrela qualquer. Era uma estrela, com um brilho especial, que iluminava todo o céu. Era uma luz, tão brilhante e pura, que fazia inveja ao próprio sol. Foi-lhe dado, pela grande mãe estrela, o nome de Estrelinha. Pois ela era, a mais pequena e formosa estrela, de todo o céu. Provocando também a inveja, nas suas irmãs estrelas. Por isso a Estrelinha, era muitas vezes deixada sozinha. Enquanto ouvia as outras, falarem coisas más sobre si. — Coitada da Estrelinha, eu não queria ter uma luz assim. – Fazia troça. – É tão forte, que não deixa sermos vistas, por mais ninguém. Outras acrescentavam. — Olha a Estrelinha tão vaidosa, com o seu vestido de luz. — Não é só ela, que brilha no céu. – Continuava outra. – Nós também queremos brilhar, para o céu iluminar. A Estrelinha é muito má, com ela ninguém pode ver o nosso brilho. A Estrelinha ficava muito triste, com o que as outras estrelas diziam dela. Ela não queria, que deixassem de brilhar. Gostava de brilhar com todas e divertia-se a fazê-lo. Também gostava do seu brilho quente e acolhedor. No entanto, sabia que este, magoava os sentimentos das outras estrelas. Daquelas, que não tinham um brilho especial. E nada podia fazer, para mudar isso. “O que havia nela, que a fazia especial?” Todos sabem, que os sentimentos das estrelas se revelam, nas suas cores. Quanto mais inocentes e puras, mais brilhantes e quentes estas são. Se por sua vez forem tristes, cheias de inveja e ciúmes a sua cor é fria, quase invisível no céu. Uma estrela não sobrevive sem calor e uma estrela fria é uma estrela morta. Que cai do céu em forma de pedra, fria e sem graça. Sozinhas as estrelas são apenas, um ponto de luz no céu. Juntas fazem um céu estrelado, tão lindo, que a lua se junta à brincadeira. Roubando um pouco de luz, para fingir ser o sol, que ilumina a noite. Por isso, elas não podem, simplesmente brilharem sozinhas. Precisam das suas amigas, para as ajudar a brilhar. Num jogo, que dura toda a noite e de manhãzinha, quando os meninos se levantam da cama. Elas fogem, numa brincadeira de esconde-esconde. Para as suas, fofas camas de nuvem. Tão macias como algodão, tão claras, que as vezes nem se veem do chão. Misturando-se com o azul do céu brilhante. Com o tempo a Estrelinha, começou a ficar preocupada, com as suas amigas. Elas tinham tanto ciúme dela, que aos poucos começavam a perder as suas cores brilhantes. Se continuasse assim, em breve deixariam de existir. E o céu, seria um enorme espaço vazio, sem ninguém com quem brincar. — Que se passa Estrelinha? – Perguntou a mãe estrela. – A tua luz está diferente, não tem mais aquele formoso brilho. Estás preocupada, com alguma coisa? — Não mamã estrela, estou apenas cansada. Tenho brincado muito a noite toda, mais nada. Assim ficava silenciosamente, não querendo admitir a sua dor e preocupação. Mesmo assim, continuava todas as noites a pedir às outras estrelas, para brincar com ela. Se pudessem brincar juntas, pelo menos uma vez, talvez elas percebessem os seus sentimentos. Assim, seriam mais felizes e as suas cores mais belas. No entanto, todas recusavam brincar com ela, dizendo. — Brincar contigo, porquê? Para apagares a nossa luz, com o teu brilho? Não obrigada. — Contigo eu não brinco, és estranha. E o teu brilho é diferente do das outras estrelas. Não gosto de ti. A Estrelinha ficava cada vez mais triste e sentia-se sozinha. Então isolava-se no céu e ficava a olhar as outras a brincar animadas. Perguntava-se… “Porque era tão diferente das outras estrelas?” “Porque tinha de nascer assim?” “Porque ninguém gostava dela?” “Porque ninguém a amava?” “Ficaria sozinha para sempre?” Os dias passavam pouco a pouco e a Estrelinha, sentia-se cada vez mais sozinha e triste. E a sua luz, por sua vez, estava cada vez mais fraca e invisível. E as outras estrelas ficavam a cada dia, mais resplandecentes e vivas. Dizendo sem parar, umas para as outras. — Olha a Estrelinha. Este é o preço a pagar, por nos tentar roubar o céu. — Sem ela, somos mais felizes, todas somos belas. – Cantarolava outra. Seus olhos enchiam-se de lágrimas e o seu coração ficava frio, como o gelo. “A morte se aproxima.” Pensava ela, tímida e sozinha. O seu belo vestido de luz, parecia agora, um velho e gasto vestido sem graça. “É assim que tudo termina? Alguém sentirá alguma vez a minha falta?” Perguntava-se sem parar, preocupada, mas ao mesmo tempo aliviada. Por as outras estarem bem, mesmo que fosse às suas custas. “Uma vida pela outra” Pensou mais uma vez. É um bom sacrifício, elas serão felizes, ninguém sentiria a sua falta. E mais uma vez, ficou no silêncio. — Estrelinha, Estrelinha no céu tão linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida. A Estrelinha olhou em volta. De onde veio aquela voz? — Estrelinha, Estrelinha no céu tão linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida. -Voltou a ouvir a Estrelinha. “Quem era? Porque chamava por ela?” O seu vestido estava agora tão gasto, que quase já não emitia mais luz. No entanto, a Estrelinha, decidiu fazer mais um esforço. E emitiu uma luz suave e quente, como não fazia há muito tempo. — Estrelinha, estrelinha no céu tão linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida. Ouviu-se mais uma vez, seguido com o som de um riso. — Quem és? – Perguntou a estrelinha. – Onde estás? Não te vejo. — Aqui em baixo. – Respondeu a voz. A Estrelinha olhou então para baixo. Lá viu um menino, vestindo umas roupas velhas, tão estragadas, como o seu vestido. — Porque estás assim? – Perguntou curiosa. — Assim como? — Tão sujo e com uma roupa tão velha e estragada. Também vais morrer em breve? — Morrer? Porque morreria por estar sujo e com roupas velhas? – Perguntou o menino. — Porque nós morremos, quando os nossos lindos vestidos de luz ficam velhos e estragados. Quando desaparecem, não somos mais que simples pedras. Então caímos do céu. — Mas eu sou um menino. – Respondeu confuso. – Eu não morro por estar sujo, ou porque as minhas roupas são muito velhas e estragadas. Nós morremos de fome, de sede e de doenças. Não somos capazes de virar pedras, mas os nossos corpos, podem se tornar pó quando morremos. — Então és diferente de mim. – Ficou triste. – Por isso é que falas comigo, mais ninguém o faz. — Qual é a razão, de os outros não falarem contigo? – Perguntou curioso o menino. — Porque ninguém gosta, do meu vestido de luz. Quando eu nasci, a mãe estrela, disse que eu era especial. Era mais pequena, que as minhas irmãs estrelas, mas era capaz de produzir um brilho puro e quente. Quase tão brilhante como o sol. As outras estrelas acham o meu brilho estranho, demasiado forte. Ao meu lado, o brilho delas quase não se nota. — Isso é triste. – Confessou o menino. — Mas em breve, tudo será como se eu nunca tivesse existido. E ninguém mais lembrará, que eu existo. — Lembrará sim. – Respondeu o menino. – Eu lembrarei e a mãe estrela também, se irá lembrar. Ela ama-te. — Porquê? — Existe motivos para se amar alguém? – Perguntou apoiando-se na beira da janela, da sua velha casa. – A minha casa, as minhas roupas e até os meus brinquedos são velhos e eu amo-os. Os meus pais, os meus irmãos, são pobres, atarefados e muitas vezes rabugentos. E eu amo-os. O sol chega todo o dia e vai embora no final do dia. E eu amo-o. A lua que brilha no céu, as estrelas, o mar, as flores, as nuvens. Todos existem, vem e vão e eu amo-os. Não existe motivo para amar, eu amo porque amo. Não tenho motivos para o fazer, mas quero o fazer. — És estranho. – Riu a Estrelinha. — Rir dos outros é maldade. A minha mãe diz que não devemos rir dos outros, a menos que seja para rir com eles. — O que isso significa? – Perguntou curiosa. — Que podes magoar os outros, mesmo que não seja o que queres. — Rir não é bom? — Não quando deixa, os outros tristes. – Continuou o menino. – Todos somos diferentes, eu sou pobre e esfarrapado. A minha casa é velha, a minha roupa é velha, os meus brinquedos também são velhos. Até os meus livros e mochila são velhos. Os meninos com coisas novas riem de mim, chamam-me coisas feias e troçam das minhas coisas. Isso é maldade, só porque tem tudo o que querem, não devem criticar os outros. — É maldade? – Perguntou, pensativa a Estrelinha. — Sim é, mas eu não estou triste por ter coisas velhas. Os meus pais, não tem dinheiro para mais. Já se esforçam muito, para eu e os meus irmãos temos teto e comida. Para mim, ir para a cama com a barriga cheia, já é um luxo. Ter uma cama quente, já é um luxo. Sabes, existem muitos meninos no mundo, que dormem ao frio e ao relento. Bebem água da chuva e passam dias sem comer nada. Eu estou feliz por ter um teto, mesmo que seja velho e pequeno. — Eu não sabia. – Ficou triste. — Não fiques triste por mim, eu sou feliz como sou. — Porque me chamaste? — Porque a minha mãe me disse, que cada um de nós, tem uma estrela guia. — Uma estrela guia? — Sim, não sabias? — Não. — Talvez seja, porque nós humanos, temos uma mente fraca para acreditar. Somos seres, com muitos medos e receios. Trabalhamos sem descanso, para atingir os nossos fins, mesmo que custe a nossa saúde. Somos fracos e frágeis e muitas vezes esquecemos o que é mais importante. A minha mãe conta, que os nossos antepassados pediam ajuda as estrelas. As suas estrelas guia, mas hoje, ninguém mais se lembra delas. Por isso, as estrelas também esqueceram. E por isso perderam o brilho especial. — O brilho especial? — Sim. O brilho da esperança. Aquele, que nos guia no caminho certo e nos da força para continuar a lutar. — Porque procuras, o brilho da esperança? — Porque eu quero, ajudar os meus pais. Eles estão velhos e cansados. Precisam de descansar, mas nunca o fazem. Tem de me criar e aos meus irmãos. — Mas, não seria melhor se descansassem? — O meu pai sempre diz, que a maior profissão de um adulto é ser pai. Apesar de esse ser um trabalho muito difícil e cheio de sacrifícios. — Então porque os adultos têm filhos? — Não sei. Talvez, para ter quem cuide deles, quando forem velhinhos. Mesmo assim, o meu pai diz que é muito feliz. Mesmo pobre ele, têm um grande tesouro. — Têm um tesouro? — Sim. Eu, minha mãe e meus irmãos, nós somos o seu maior tesouro. Ainda ontem, ele me pediu para nunca me esquecer disso. E também, para sempre lhe lembrar que, esse é um bom motivo para viver. Mesmo quando crescer e tiver os meus filhos. Eu devo sempre cuidar deles, como um dia quero ser cuidado por eles. — Porquê? — Não sei. Ele disse que entenderia, quando for mais velho. — Porquê, quando fores mais velho? — Também não sei. — Não sabes as respostas, para muita coisa. — Eu sou uma criança, ainda tenho muito a aprender. Minha avó diz que, a sabedoria vem com o tempo. E um dia, se eu quiser, posso-me tornar o homem mais sábio do mundo. No entanto, tudo na vida tem um preço, e eu tenho de estar preparado para o pagar, quando o momento chegar. — Porque tens de pagar? — Nada é de graça. A pouco contaste, que as...