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Pantera Negra – Crítica
O filme Pantera Negra sem dúvida causou um grande impacto histórico no cinema de Hollywood e mundial. Confira agora a crítica que Ronaldo Gomes da Rockcine fez sobre essa produção Black Power!! Elevando o Nível Já disponível em serviços de streaming, uma vez que a chamada janela – o intervalo entre o filme sair de cartaz e estrear em outras mídias – está cada vez menor, “Pantera Negra” pode não ter sido a maior bilheteria do ano, perdeu em muito para “Vingadores: Guerra Infinita”, que teve um orçamento muito maior, mas certamente será muito mais lembrado na época do Oscar. [caption id=attachment_2211 align=aligncenter width=2950] Capitão América: Guerra Civil[/caption] Grande expectativa desde que o personagem apareceu em “Capitão América: Guerra Civil”, em 2016, o filme é um grande avanço para o universo Marvel. Embora seja uma superprodução, que se encaixa com perfeição no maior planejamento comercial da história do cinema, pensado há dez anos para agradar o grande público consumidor de pipoca, refrigerante e games. Mesmo assim, como “Mulher Maravilha”, que está muito longe de ser perfeito – principalmente por causa da pesada mão masculina de Zack Snyder – mas representou um salto de qualidade das produções da DC, este é um trabalho que eleva o nível dos super-heróis adaptados de quadrinhos. Grande espetáculo visual, a história de Wakanda e seu novo rei tem uma série de qualidades, mostrando que há um enorme espaço para ir além do politicamente correto, exigido pelos padrões vigentes em Hollywood, e mexe com muito mais do que apenas o universo geek. Black is the new black Como se passa quase só no país imaginário de Wakanda, tudo – direção de arte, figurino, música e até a grandiosidade das tomadas – tem um jeito africano. [gallery ids=2213,2212 type=rectangular] Embora mantenha o respeito à cultura e às tradições e se mostre ao mundo como um país muito pobre, há séculos foi atingido por um meteorito rico em vibranium e isso proporcionou um desenvolvimento incrível na tecnologia. Esse enredo justifica totalmente o visual afro-futurista, que não é uma invenção da equipe dirigida por Ryan Coogler, mas uma tendência que começou a aparecer (antes mesmo de ter nome) nos anos 1970, com o compositor e filósofo Sun Ra. Depois, alcançou a literatura (nos anos 90) e agora chegou à moda e ao mundo da música através do visual de Beyoncé e Janelle Monáe, entre outras, numa inversão do conceito de apropriação cultural. [caption id=attachment_2215 align=aligncenter width=752] Direção de Arte Pantera Negra[/caption] Os elementos africanos deixam de ser uma expressão de exotismo para se tornarem uma afirmação política e uma exigência de espaço. O filme apenas acompanha o movimento, dando-lhe visibilidade de forma perfeitamente integrada à trama. Como Wakanda nunca foi vítima do colonialismo europeu, não carrega nenhuma das cicatrizes impostas pelo processo. Lá, não há sinal de atraso ou subdesenvolvimento capitalista forçado pela ocidentalização. O país é uma amostra do que poderia ser a África se as nações consideradas civilizadas não tivessem ditado os rumos de sua história. E o resultado, embora seja só imaginário, é belíssimo. Black is beautiful Embora seja um filme de ação, com sequências que lembram até “Velozes e Furiosos”, as mulheres têm presença forte. Mesmo no trecho passado na Coreia, urbano e sofisticado, com clima de 007, elas não são “Black Panther Girls”, prontas a distrair ou seduzir os homens. Os personagens femininos têm papeis bem definidos e importantes. [caption id=attachment_2218 align=aligncenter width=1495] Mulheres-Pantera-Negra[/caption] E ainda tem o enredo. O conflito central não envolve apenas um brutamontes louco por lucro a qualquer preço. Também discute os erros e acertos da estratégia de isolamento do país. O antagonismo entre T'Challa e Erik Killmonger evoca, guardadas distância e proporção, as contendas entre Stalin e Trotsky. O primeiro defendia o comunismo num único país, isolando-o para preserva-lo, enquanto o outro queria a revolução permanente que conquistaria o mundo. [caption id=attachment_2219 align=aligncenter width=3072] T'Challa e Erik Killmonger[/caption] Mas o que vem à mente, por causa da maior proximidade com a luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, são as diferenças de visão e método de luta entre Malcolm X e Martin Luther King. O que não é pouco para uma produção de Hollywood adaptada de uma HQ da Marvel. [caption id=attachment_2220 align=aligncenter width=356] Malcolm X e Martin Luther King[/caption] Muito mais que em “Capitão América: Guerra Civil”, as questões levantadas fazem pensar. Há questionamentos, pela primeira vez numa história de super-herói, se Killmonger não teria, pelo menos em parte, razão em sua revolta. A polarização gerada por ele leva à guerra civil e os papeis se embaralham enquanto amigos e aliados de toda a vida se enfrentam em batalha. O filme só se completa, no entanto, com a cena após os créditos principais (uma marca do projeto Vingadores). Ela arremata a história e aponta para a nova posição do governo de Wakanda frente ao mundo, num discurso que leva o público do aplauso ao riso e parece endereçado a Donald Trump. [caption id=attachment_2221 align=aligncenter width=571] Wakanda e o Mundo[/caption] Num caso raro, a crítica foi unânime e entusiástica. Mesmo o diretor Spike Lee, famoso por boicotar trabalhos que envolvem negros por detalhes que considera incorretos, declarou estar apaixonado pelo filme. Um sinal de que esse é um caminho que se abre para arejar e iluminar as coisas em Hollywood. 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