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Evidências de bons resultados com doses baixas antimoniato de meglumina por via sistêmica em pacientes leishmaniose cutânea - GEN Medicina
Por Dr. Armando de Oliveira Schubach – Apesar da experiência satisfatória aos esquemas terapêuticos alternativos com antimoniato de meglumina para tratamento da leishmaniose cutâ­nea (LC) no Rio de Janeiro, tais esquemas não têm sido adotados em outras re­giões do paí­s.1-12 Isso pode ser parcialmente explicado pela crença de que a utilização de subdoses de antimônio poderia implicar no desenvolvimento de resistência aos antimoniais, ou poderia ser um fator de risco para o desenvolvimento de leishmaniose mucosa (LM).13-16 A maior parte do antimônio pentavalente administrado é eliminada na urina nas primeiras 24 a 72 h (meia-vida 76 h), resultando em níveis séricos subterapêuticos em poucas horas.17-19 Assim, sugeriu-se que os esquemas de tratamento em séries, com intervalos sem medicação entre elas, seriam farmacologicamente infundados e que altas doses de antimônio (Sb) seriam necessárias para manter os níveis séricos.18 Um estudo posterior, embora tenha confirmado que mais da metade do Sb administrado seja eliminada na urina nos primeiros 3 dias, revelou que essa fase de excreção rápida (com meia-vida de 24 a 72 h) é seguida por uma fase lenta (com meia-vida > 50 dias). Desse modo, 150 dias após o término do tratamento, quantidades elevadas de Sb ainda podem ser detectadas no sangue, na urina e nos cabelos.20 O estudo também evidenciou, pela primeira vez in vivo, a conversão do antimoniato de meglumina na espécie iônica Sb5+ e sua biorredução para Sb3+.20 Esses resultados suportam a hipótese de que o Sb3+ formado pode ser responsável tanto pela toxicidade tardia do antimoniato de meglumina quanto por sua ação terapêutica.17,18,20 Tais resultados, associados ao achado de que a maior parte do antimoniato de meglumina é excretada na urina de forma praticamente inalterada, podem explicar porque uma baixa dose de antimoniato de meglumina pode resultar em eficácia terapêutica similar à dose padrão, 4 vezes mais elevada.20 Tal hipótese encontra suporte na observação que pacientes idosos que descon­ti­nuaram o tratamento devido a efeitos adversos con­ti­nuaram a melhorar suas lesões durante o perío­do sem medicação.6 Adicionalmente, não foram encontradas na literatura consultada referências quanto à concentração de Sb5+ alcançada na pele e mucosas durante o tratamento, nem se tais níveis te­ci­duais diferem com as doses de 20 ou 5 mg Sb5+/kg/dia. A observação de que os efeitos adversos ao antimoniato de meglumina costumam surgir na segunda ou terceira semanas de tratamento explica porque os esquemas intermitentes são mais bem tolerados que os esquemas contínuos, pois cada série termina com 10 dias, antes do surgimento ou agravamento