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Conduta nos incidentalomas hipofisários - GEN Medicina
Por Dra. Diana Lara Pinto de Santana – Incidentalomas hipofisários são lesões na topografia da hipófise encontradas por meio de um exame de imagem previamente solicitado em razão de sinais e sintomas que não os característicos das lesões nessa região. A prevalência de incidentalomas hipofisários em adultos que fizeram uma tomografia computadorizada (TC) de crânio varia entre 4 e 20%; e entre os que foram submetidos a um exame de ressonância magnética (RM), de 10 a 38%. Em estudos de autópsia, essa prevalência varia entre 1,5 e 31%.1,2 A etiologia das lesões encontradas nesta região é, em geral, predominantemente composta por adenomas hipofisários, mas também podem existir cistos de Rathke, hiperplasia da glândula, infarto, hemorragia ou inflamação. Outros subtipos de tumores mais incomuns, como craniofaringeomas, meningiomas, metástases, cistos dermoides e epidermoides e aneurismas também podem ser encontrados.3 Mas qual é a história natural destas lesões encontradas acidentalmente na topografia hipofisária? Infelizmente na literatura, existem poucas informações baseadas em estudos científicos com excelente qualidade técnica a respeito da etiologia dos incidentalomas hipofisários, destacando-se uma metanálise na qual os artigos analisados nesta publicação tinham um número limitado de participantes, alguns com um curto período de seguimento e critérios de inclusão inconsistentes. Mesmo com essas limitações, é possível afirmar que a incidência de aumento de tamanho nas lesões > 1 cm foi de 12,5/100 pacientes-ano, e nas lesões < 1 cm foi de 3,3/100 pacientes-ano. O risco de apoplexia e perda visual (complicações graves que podem acontecer nos adenomas hipofisários) foi relativamente baixo: 0,2/100 pacientes-ano e 0,65/100 pacientes-ano, respectivamente. Ainda de acordo com o estudo, nos pacientes que apresentavam crescimento tumoral acima de 3,5 mm, a incidência de apoplexia e perda visual foi substancialmente maior: 14,3% e 64,3%, respectivamente.4 Com base nessas evidências, a Sociedade de Endocrinologia Clínica e Metabolismo estabeleceu algumas recomendações de conduta diante dos incidentalomas hipofisários.5 Em primeiro lugar, esses pacientes devem ser submetidos à uma avaliação inicial que consiste em história e exame físico direcionados para sinais e sintomas de hiper/hipossecreção hormonal e perda visual (Tabela 1). Todos esses pacientes, inclusive os assintomáticos, devem ser submetidos à uma avaliação laboratorial de hiper/hipossecreção hormonal (Tabela 2). Recomenda-se realizar RM de hipófise para melhor avaliar e delinear a natureza e a extensão dos incidentalomas, principalmente nos pacientes cujo diagnóstico inicial tenha sido feito por meio de uma TC de crânio. Por último, deve-se realizar um estudo de campimetria visual formal, caso