genmedicina.com.br
Relação de ansiedade ou depressão com dor crônica - GEN Medicina
A Dra. Laura Helena Andrade, coordenadora do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, é uma das autoras do estudo que identificou uma forte relação bidirecional entre ansiedade ou depressão e algumas doenças físicas crônicas. Nesta entrevista, ela detalha esses achados. GEN – Como foi desenhada a pesquisa? LHA – Nosso objetivo foi mensurar essa relação em pessoas adultas residentes na Região Metropolitana de São Paulo. Identificamos que a dor crônica foi a mais comum em indivíduos com transtorno de humor – como depressão e bipolaridade –, com ocorrência em 50% dos casos, seguida por doenças respiratórias (33%), doença cardiovascular (10%), artrite (9%) e diabetes (7%). Os distúrbios de ansiedade também são largamente associados a dor crônica (45%) e doenças respiratórias (30%), bem como a artrite (11%) e doenças cardiovasculares (11%). A hipertensão foi associada a ambos os distúrbios em 23%. O resultado do estudo mostra que indivíduos com transtornos de humor ou de ansiedade tiveram 2 vezes mais chance de apresentar doenças crônicas. GEN – Estudos anteriores mostraram, de forma consistente, a associação entre doenças crônicas e transtornos de humor e ansiedade. Esta pesquisa também comprova essa relação? LHA – Os dados mostram a necessidade de maior atenção ao tema. Já era esperado que houvesse uma relação forte entre essas doenças. O problema é que a prevalência de ansiedade e depressão em São Paulo é muito alta, talvez pelo estresse excessivo de viver em uma metrópole como essa. Além disso, é comum as pessoas apresentarem comorbidade entre transtornos ansiosos e depressivos, que as torna ainda mais vulneráveis a ter dor crônica. Assim, considerando que a probabilidade desses três diagnósticos ocorrerem na mesma pessoa é alta, mais de 1 milhão de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo apresentariam depressão e/ou ansiedade e dor. Com esses números, precisamos atentar para a necessidade de passar a informação para o médico que está na linha de frente, no atendimento primário, de que é preciso, nos pacientes que apresentam dor crônica, reconhecer a comorbidade com ansiedade e/ou depressão, para que se tenha sucesso no tratamento. E não deixar de considerar também a comorbidade desses transtornos psiquiátricos tão comuns com as doenças crônicas em geral, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e outras doenças de base inflamatória. GEN – Com base nesses achados, o que é possível ser aplicado? LHA