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O progresso nos cuidados com os recém-nascidos prematuros extremos e sua vida até a adolescência - GEN Medicina
Por Dra. Clery B. Gallacci – A partir da década de 80, e com o advento do uso do surfactante exógeno, houve um grande impacto na sobrevida dos prematuros. Dessa época para cá, os desafios estão focados em diminuir a mortalidade dos prematuros extremos e as morbidades que acometem esse grupo de neonatos. Nos últimos 20 anos, novos prematuros com idade gestacional inferior a 28 semanas têm sobrevivido e, atualmente, o limite de viabilidade chega a 23-24 semanas de idade gestacional. O que conhecemos desse novo grupo populacional? Em 17 de novembro, comemora-se o Dia Internacional da Prematuridade. A Organização Mundial de Saúde estabeleceu como meta para 2035 a diminuição da mortalidade entre os prematuros e a melhora na qualidade de vida entre os sobreviventes desse grupo populacional. Em pesquisa realizada no ano de 2015 apontou-se que a prematuridade é a principal causa de óbito em crianças abaixo de 5 anos em todo o mundo. No Brasil, cerca de 345.000 crianças nascem prematuras ao ano (11% dos nascidos vivos). Nos EUA, o nascimento prematuro representa 12% do total de nascimentos. Várias práticas para o cuidado com a gestante com risco de parto prematuro foram desenvolvidas e são atualmente aplicadas. O uso do corticoide antenatal na hipótese de nascimento prematuro é uma delas, ajudando na produção de surfactante e alteração estrutural pulmonar, bem como na redução de morbidades, especificamente no que diz respeito à enterocolite necrosante, hemorragia intracraniana, leucomalácia, displasia broncopulmonar e retinopatia da prematuridade. Além disso, as Academias de Obstetrícia também recomendam o uso do sulfato de magnésio na gestante para promover efeito vasodilatador, anti-inflamatório, antiapoptótico e inibidor de aminoácidos excitatórios, de modo a proteger o cérebro do prematuro extremo. De forma semelhante, a assistência do prematuro na sala de parto tem seguido protocolos internacionais, cujos efeitos impactam no aumento da sobrevida e diminuição das morbidades acometidas a esse grupo. O Programa de Reanimação Neonatal de capacitação dos neonatologias destaca a importância à imediata manutenção da temperatura corpórea do prematuro, suporte ventilatório gentil e menos agressivo. As Unidades de Terapia Intensiva Neonatal vêm aprimorando seus cuidados tanto do ponto de vista tecnológico quanto da perspectiva humana, tudo visando os melhores cuidados dos prematuros extremos. Entre as novas práticas, a adoção da nutrição parenteral já nas primeiras horas de vida é fundamental para estimular um crescimento e adaptação metabólica mais adequados. As primeiras gerações de prematuros extremos estão na idade de