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Obesidade e câncer - GEN Medicina
Por Dr. André Marcio Murad – Diversos estudos epidemiológicos correlacionam a obesidade ao aparecimento de câncer. Um estudo mais recente da União Internacional de Controle do Câncer (UICC) comprovou essa relação. Estima-se que, nos países ocidentais, 30% dos casos da doença estejam relacionados ao sedentarismo e ao excesso de peso. A obesidade é o segundo fator de risco para o desenvolvimento de câncer, ficando atrás apenas do tabagismo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A população mundial vem ganhando cada vez mais peso, o que torna a obesidade um problema de saúde pública. No Brasil, mais de 80 milhões de pessoas, ou seja, cerca de 60% da população, estão com excesso de peso, enquanto 15 milhões são consideradas obesas. Os números avançam rapidamente entre todas as idades e classes sociais. O número de obesos entre crianças e adolescentes cresceu nos últimos 10 anos de 3,7% para quase 13%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), uma criança obesa tem risco 30% maior de tornar-se um adulto obeso. Estima-se que 17% das crianças e adolescentes brasileiros tenham sobrepeso. Estudos mais recentes sugerem haver uma correlação da obesidade infantil com alguns tipos de cânceres pediátricos, como a leucemia linfoblástica. A obesidade pode acelerar a progressão da leucemia linfoblástica, tornando esse tipo de câncer mais grave em menos tempo, segundo estudo do Hospital Infantil de Los Angeles (EUA). Entre os adultos com excesso de peso, as maiores incidências de tumores são relacionadas ao rim, vesícula, pâncreas, intestinos, próstata, endométrio (a camada interna do útero) e mama. Nesses casos, a obesidade é considerada uma causa comum entre eles, embora existam também outros fatores envolvidos, como a genética. Em contrapartida, há tumores em que a correlação com a obesidade não pôde ser confirmada até o momento, como, por exemplo, o câncer de pulmão. É importante ressaltar que as hipóteses para justificar a associação entre câncer e obesidade se sustentam em quatro pilares: causas hormonais, processo inflamatório crônico, erro alimentar e causas diretas. Como causa hormonal, o excesso de tecido gorduroso leva a um aumento da quantidade de estrógeno circulante, que por sua vez está ligado ao aumento de incidência de tumores como os de mama, útero e intestino. Pesquisas também sinalizam nos obesos um aumento da quantidade de uma substância denominada IGF (fator de crescimento insulina-símile), responsável pelo crescimento e multiplicação