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Farmacodermia: um paciente, vários tipos de reação à droga - GEN Medicina
Por Dra. Valeria Petri – Paciente do sexo masculino, 36 anos, prurido intenso, generalizado, há 24 horas. Ao exame clínico apresentou eritema e placas edematosas, mais evidentes no tronco e membros superiores. O quadro se modificou nos dias seguintes, com o surgimento de lesão eritemato-violácea na palma direita. Sudorese profusa. Histórico: tratamento de enxaqueca com dipirona. Hipóteses diagnósticas: farmacodermia, urticária sudoral, urticária medicamentosa, eritema pigmentar fixo (palmar). Evolução: melhora com administração de cloridrato de fexofenadina 180 mg e prednisona (V.O., 40 mg no primeiro dia e redução progressiva nos cinco dias seguintes). Comentários A farmacodermia é a reação cutânea adversa a drogas que ocorre normalmente com doses indicadas para fins profiláticos, diagnósticos ou terapêuticos. Tem início em minutos, horas ou meses após a administração do produto, e surge com frequência sob a forma de reações inespecíficas. São comuns as reações urticarianas, exantema, eritema pigmentar fixo, entre outras. A urticária aguda caracteriza-se por lesões eritemato-edematosas papulares ou em placas (pápulas confluentes) de variados tamanhos, circundadas por eritema reflexo, formatos anular e/ou serpiginoso. As lesões são pruriginosas, migratórias e transitórias (duram, em geral, até 24 horas). O quadro histopatológico consiste em edema da derme superficial e média, com vênulas dilatadas e infiltrado inflamatório perivascular de linfócitos, neutrófilos, eosinófilos e macrófagos. O eritema pigmentar fixo expressa-se com lesão eritemato-violácea, arredondada ou oval circundada por halo eritematoso, às vezes com vesículas e/ou bolhas. As lesões podem ser únicas ou múltiplas e regridem com hipercromia de duração variável. Uma das medicações que causa farmacodermia com maior frequência é a dipirona. O tratamento consiste na suspensão do(s) fármaco(s) suspeito(s) e, em alguns casos, administração de anti-histamínicos e corticosteroides. No caso apresentado, o mesmo paciente apresentou formas distintas de reação à dipirona. Farmacodermia eritema extenso fugaz Farmacodermia eritema pigmentar fixo Farmacodermia pápula urticariana Referências bibliográficas Cousin F, Philips K, Favier B, Bienvenu J, Nicolas JF. Drug-induced urticaria. Eur J Dermatol. 2001;11:181-7. Criado PR, Criado RFJ, Maruta CW, Reis VMS. Urticária crônica em adultos: o estado da arte no novo milênio. An Bras Dermatol. 2015;90(1):73-89. Petri V. Guia de Bolso de Dermatologia. Farmacodermias. Rio de Janeiro: Atheneu. 2017, Cap. 22, p. 529-533. Colaborou Dra. Glauce Martins Neff, Médica Generalista e mestranda em Dermatologia pela Unifesp.