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Estimulação cerebral profunda - GEN Medicina
Por Dra. Vanessa M. Holanda – A estimulação cerebral profunda, ou deep brain stimulation (DBS) em inglês, é uma terapia efetiva, ajustável e reversível para tratamento de alguns distúrbios do movimento, como doença de Parkinson, distonia e tremor essencial.1 Começou a ser utilizada há 30 anos e estima-se que, atualmente, mais de 160 mil pacientes já tenham sido beneficiados. A técnica consiste no posicionamento preciso do eletrodo cerebral em estruturas profundas do cérebro, mais comumente no núcleo subtalâmico, no globo pálido interno ou no tálamo.2 Antes da cirurgia, é necessária uma ressonância magnética de alta qualidade, com sequências e protocolo específicos. No dia da cirurgia, é feita uma tomografia computadorizada de crânio multislice para que, a partir da fusão com a ressonância, o alvo para a DBS seja localizado de forma precisa. Durante a cirurgia, o paciente permanece acordado para avaliação clínica do resultado obtido e realização de microrregistro, que funciona como uma leitura do funcionamento dos neurônios, extremamente importante para mapear o alvo. Esse procedimento neurocirúrgico é realizado de forma minuciosa e com dedicação extrema da equipe interdisciplinar, que envolve neurologia, neuroanestesia, fisioterapia, fonoaudiologia, psiquiatria, neuropsicologia e neurorradiologia. Algumas enfermidades, como doença de Parkinson, distonias e tremor essencial, são liberadas no Brasil e constam no rol da Agência Nacional de Saúde para terapia com DBS, cujo intuito é melhorar sintomas motores, como tremor, rigidez e contrações distônicas. Para saber se é candidato à cirurgia, o paciente deve passar por uma avaliação multidisciplinar com experts em DBS, quando só então é decidida a melhor opção cirúrgica. Alguns estudos clínicos têm demonstrado melhora promissora com o uso de DBS em outras doenças, o que pode representar uma alternativa para casos em que o manejo clínico medicamentoso não foi suficiente para aumentar a qualidade de vida do paciente, como na epilepsia, no transtorno obsessivo compulsivo e nos tiques na Síndrome de la Tourette.3-5 Outras doenças também estão em fase de estudo, e a DBS pode ser uma alternativa para melhorar as sequelas de ataxia e tremor no acidente vascular encefálico (AVE), transtornos alimentares, depressão, drogadição e Alzheimer.6,7 O investimento em estudos nesta área poderá trazer resultados ainda mais promissores. Foto: visão lateral de uma tomografia 3D, demonstrando uma estimulação cerebral profunda do globo pálido interno Referências bibliográficas Williams A, Gill S, Varma T, Jenkinson C, Quinn N, Mitchell R et al. Deep brain stimulation plus best medical therapy versus best medical therapy alone for advanced Parkinson’s disease (PD SURG