genmedicina.com.br
Desafios no tratamento do indivíduo com diabetes tipo 2 e obesidade - GEN Medicina
Por Dra. Lenita Zajdenverg – Segundo dados levantados em 2016 por meio de inquérito telefônico realizado pelo Ministério da Saúde do Brasil, na última década houve um aumento de 61,8% de casos de diabetes no país. Esse incremento vem acompanhado da grande prevalência de obesidade no Brasil (18,9% da população). Este levantamento revelou que mais da metade dos brasileiros tem excesso de peso (sobrepeso ou obesidade). Existem diversos fatores associados ao risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Os fatores genéticos, embora ainda não completamente esclarecidos, exercem papel importante na etiopatogenia da doença. Além do risco genético, a obesidade está diretamente relacionada ao aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2 e suas complicações. O aumento quantitativo de tecido adiposo e a distribuição de gordura ectópica, ambos presentes na maioria dos indivíduos com obesidade, são associados ao desenvolvimento de resistência à insulina e também de insuficiência progressiva de secreção desse hormônio pelas células beta. Estudos mostram que a perda de peso pode levar à melhora significativa da função das células beta, além de aumentar a sensibilidade periférica à insulina. Perdas discretas de peso, em torno de 3%, já promovem efeitos benéficos no controle do diabetes e das comorbidades frequentemente associadas. A redução do peso corporal leva também à diminuição de outros fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia aterogênica. Esse resultado pode ser duradouro caso a perda de peso seja mantida. Apesar dessa estreita relação entre diabetes e obesidade, indivíduos com diabetes tipo 2 recebem pouco apoio no gerenciamento do seu peso. Ainda, o uso de alguns medicamentos eficazes para o controle glicêmico, paradoxalmente, pode resultar em aumento de peso. Estimular mudanças no estilo de vida, orientando escolhas de alimentos com baixo conteúdo de gorduras saturadas e trans, a redução do aporte calórico da dieta e o incentivo à prática de atividade física regular e adequada para cada indivíduo, são partes essenciais do tratamento da pessoa com diabetes e obesidade. No entanto, infelizmente, a adesão em longo prazo à mudança de hábitos é falha. A maioria das diretrizes atuais que orientam o tratamento medicamentoso do diabetes tipo 2 aceita que a escolha entre as diferentes substâncias disponíveis deva ser individualizada. A escolha individualizada de medicamentos para favorecer terapias que sejam neutras em relação ao peso ou resultam em perda de peso para indivíduos em quem a perda de peso é considerada uma prioridade. Em geral, os inibidores