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O que Fazer pelo Médico com Síndrome de Burnout? - GEN Medicina
“O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.” (Aristóteles) A expressão “síndrome de burnout” foi cunhada pelo psicanalista americano Herbert Freudenberger em 1974. O nome deriva da locução verbal inglesa to burn out – queimar por completo, consumir-se. As pessoas apresentavam um processo gradual de desgaste do humor e/ou desmotivação, com sintomas físicos e psíquicos, como um “estado de exaustão”, em resposta ao estresse emocional crônico causado por atividades no trabalho que envolviam um alto grau de contato com outras pessoas (Freudenberger, 1974). Em 1986, a psicóloga Christina Maslach estudou a despersonalização de como os profissionais da saúde misturam a compaixão com o distanciamento emocional e evitam o envolvimento com a enfermidade ou patologia que o paciente apresenta, utilizando a “desumanização em defesa própria”, isto é, o processo de proteger a si mesmo contra situações estressoras, de forma despersonalizada. A síndrome de burnout é composta por três dimensões (Maslach et al., 2001): Esgotamento emocional ou exaustão. Tensão básica com sensações de sobre-esforço e de não poder dar mais de si em termos afetivos, que se produz como consequência das contínuas interações que o profissional deve manter com as pessoas e seus colegas de trabalho. O profissional sente a energia e os recursos emocionais de que dispõe se exaurirem como resultado do intenso contato diário com os problemas de outras pessoas. Despersonalização ou cinismo. Desenvolvimento de sentimentos negativos e de atitudes cínicas em relação às pessoas para quem o profissional presta serviços. Há ausência de sensibilidade, manifestada como endurecimento afetivo, e “coisificação” das relações interpessoais, excessivo distanciamento das pessoas, silêncio, atitudes depreciativas e tentativas de culpar os outros pela própria frustração. Baixa realização pessoal ou ineficácia. Representa a avaliação que o indivíduo realiza de seu desempenho ocupacional e pessoal, e é refletida por perda de confiança nas suas próprias realizações, com autoconceito negativo. A pessoa com essa síndrome mostra dúvidas em suas próprias capacidades, nervosismo e fadiga, dificuldade de se concentrar em tarefas, preocupação excessiva com trivialidades, tende a imaginar cenas negativas, perturbadoras ou assustadoras, e apresenta depressão (Martin et al., 2009). Burnout como um fenômeno provavelmente existiu em todos os tempos e em todas as culturas. Os interessados em literatura encontrarão no Antigo Testamento descrições do que hoje chamamos de burnout remontando às tarefas de Moisés (Êxodo 18:17-18) e ao “cansaço de Elias” (1 Reis 19:4-9). Entretanto, o trabalho é parte integrante da vida da maioria das pessoas. Muitas vezes, ele