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Lost girl

@tlosttgirl

Having depression is like being homesick but not knowing where home is

Anonymous

meu amor carnval

faziam meses que eu estava apaixonada por você; desde a nossa primeira conversa, mesmo sem nunca termos nos visto pessoalmente, eu sabia que não poderia jamais me envolver com você. sabia que você iria embora um dia, que seria algo tão passageiro quanto o carnaval: quatro dias de loucura para depois voltar à vida real. mas eu não queria isso, ainda não quero! quero você todos os dias; quero que o nosso carnaval seja eterno. 

ainda lembro do primeiro dia que te vi: ambos bêbados e suados, e você ainda sim ME ligou e veio de longe só na esperança de me dar um beijo. mas aquela noite foi muito mais que só um beijo; me declarei por meio de olhares pra você, me belisquei várias vezes para ver se aquilo estava mesmo acontecendo. você me ganhou por inteira, nosso toque se encaixou tão bem que mesmo depois de meses sem te ver, ainda o sinto. você marcou meu corpo e minha alma. como você espera que eu te esqueça assim, de uma hora pra outra?? como você espera que eu siga em frente sendo que nossa história não teve um desfecho?? se você ao menos dissesse o que pensa... mas nem isso. uma hora fala que me quer, mas não faz o mínimo para que isso ocorra de fato. 

o pior de tudo é que, por mais que eu faça de tudo pra te odiar, não consigo por nada. porra, você mexe demais comigo. espero que não tenha posto um ponto final na nossa história. eu preciso que as palavras que tenham saído da sua boca tenham sido verdadeiras, não posso ter me iludido tanto assim. eu preciso do seu toque, do seu olhar em mim, do seu cheiro, da sua risada, do seu calor; preciso de você. 

ser medíocre

parece que eu estou sempre na média; seja na escola, nas amizades, nos relacionamentos. sempre vai ter alguém mais inteligente, mais marcante, mais tudo.

pra mim, isso é pior do que ser ruim em tudo, pq eu me sinto num marasmo sem fim. sendo ruim em algo, pelo menos você é dono de um extremo. quando se é medíocre, não é dono de nada ao mesmo tempo que é dono de tudo.

L

nosso namoro era um romance perfeito, tipo aqueles que aparecem nos filmes e livros que balbuciam palavras de amor. éramos o casal do ano, as pessoas só nos conheciam juntos. éramos inseparáveis. te amei tanto, tanto... mas a vida nos distanciou por um erro meu; o erro de querer ser livre quando a liberdade estava em você o tempo todo. ainda torço para nos encontrarmos de novo, mesmo que de longe. preciso te ver, sentir o frio na barriga igual senti naquela noite (3 de março de 2017) que nos beijamos pela primeira vez. eu nunca fui apaixonada por você; eu amava você. sempre amei e sempre vou amar. foi meu primeiro namorado, minha primeira vez, meu primeiro sofrimento amoroso real. o resto foi só passagem... o meu coração só tem espaço pra você, L. por favor, volta pra mim. eu sei que você não vai, mas só quero deixar claro o que eu sinto. desculpa de verdade o incômodo, mas perder o amor da sua vida não é fácil. mais difícil que isso, só ser rejeitada pelo mesmo (o que aconteceu, de fato). desculpa por não ter sido suficiente. desculpa ter te largado. desculpa por não ser ela.

ainda acho que nossos caminhos se cruzarão novamente.

te amo pra sempre.

tempos sombrios

cheguei num ponto em que sair da cama virou um desafio, ir pra escola virou um desafio, sorrir virou um desafio, me relacionar com pessoas virou um desafio. a vida virou um desafio. e isso cansa muito.

não consigo mais fazer coisas que antes eu amava, tipo fazer algum esporte, sair com meus cachorros, escrever, ler um livro, estudar. criei um bloqueio pra tudo isso, como se eu não merecesse ser feliz. uma das coisas que colaborou para que a minha depressão piorasse muito foi a escola. eles obrigam os alunos a saberem tudo sobre tudo e, caso você não saiba, é taxado de burro, incompetente. mas, me responde uma coisa: por que eu, que vou prestar ciências sociais no final do ano, preciso saber física? funções matemáticas? geometria? química? PRA QUÊ? como isso vai me definir como uma boa ou má aluna? não faz sentido algum.

mas enfim, isso é só a ponta do iceberg. eu estou ficando paranóica, com medo. isso, pra quem não sabe, é o início da síndrome do pânico. tenho medo que alguém entre na minha casa e me mate, de atravessar a rua, de pegar um uber, me sinto angustiada quando estou longe de casa. viver está ficando impossível. e, além disso, estou dormindo o dia inteiro. não consigo ficar acordada, e acho até melhor assim. desse jeito eu não penso, só sonhos atravessam minha mente. sonhos bons e ilusórios.

outro quesito é a relação com a minha família. consegui me distanciar de todo mundo em um período curtíssimo de tempo. minha mãe já não me liga mais (deve ter desistido de entrar em contato comigo), minha irmã a mesma coisa, meu pai ainda tenta, mesmo que o mínimo, e minha avó já está esquecendo meu nome. estou sozinha.

eu e a comida também não nos damos muito bem à um tempo. me olhar no espelho é difícil, ao mesmo tempo que parar de comer (por conta das compulsões) também é um fardo. e, obviamente, a culpa é inevitável. vira um ciclo infinito de comida, culpa e choro.

pra conseguir não surtar de uma vez, me ligo em prazeres carnais: sexo, bebida, internet, festas e mais festas. é o único modo de construir sobreviver. bom, bem vindxs a minha vida!