Esses são sinais do novo campo de construção da subjetividade a que a relação conjugal está submetida. A resposta a essa crise tem se dado por uma multiplicidade de modelos que implicam diferentes papéis, implicitamente incongruentes e conflitantes. O discurso corrente fala de relação amorosa, na qual é preciso preservar o “espaço”, garantir a “individualidade” e a “privacidade” dos parceiros. A construção de novas formas e configurações familiares, por outro lado, tem servido de campo para novas formas de subjetivação, na qual os modelos tradicionais de famílias nucleares parecem não oferecer suporte (Féres-Carneiro, 1999; Ferro-Bucher, 1999; Diehl, 2002; Falcke, Diehl & Wagner, 2002; Wagner, 2002; Féres-Carneiro, 2003). Essa situação convida a uma reflexão sobre a prática da psicoterapia de casal e de família e seu papel na construção da subjetividade na pós-modernidade. Multifacetado, com uma variedade enorme de funções, sem tempo para perceber-se em cada mudança que acontece, o sujeito da pós-modernidade vê-se fragmentado, mais do que nunca, cindido entre o sentir, o pensar e o agir. Essa diversidade de modelos provoca crises e sintomas, realimentando-se deles.
