18.06.2022
Mais uma vez eu buscando um meio de extravasar a minha dor sem comprometer a minha relação com outras pessoas ao meu redor, é difícil não ser você mesmo nem com quem você ama.
Por mais que hajam pessoas próximas a mim que eu ame muito e eu tenha um nível de intimidade consideravelmente alta, eu não creio que alguém me conheça de verdade, as pessoas são programadas para ouvirem apenas o que convém, o que é ruim ou o que não é esperado tende a ser ignorado, evitado, hostilizado em grande parte das vezes.
Eu sou uma pessoa complicada, meu exterior é uma bomba de piadas constantes, um humor ácido forçado para fazer todos rirem, concluo toda fala séria com uma piada inconscientemente para ter um pouco de aceitação, sabendo que independente do que eu faça, pense ou fale, a aceitação que eu tanto busco nunca vai ser o suficiente, eu mesmo não me aceito e não quero me aceitar, eu quero morrer.
Aquele clichê de "Quem faz o palhaço rir" é uma coisa muito irônica para mim, porque é algo que eu satirizo constantemente e ao mesmo tempo é algo que facilmente se aplica a mim, até mesmo na terapia, que deveria ser um momento de desabado e anseio por melhoria eu continuo com esse comportamento, e quando não estou com forças para manter esse personagem, a minha psicóloga age com estranheza. Isso ocorre em todos os meus cenários.
Outro dia eu estava sem nenhum humor no escritório em que trabalho e uma colega achou que eu estava preocupado com uma tarefa que preciso fazer, ela agiu com uma empatia muito fofa, mas eu não estava preocupado ou algo do tipo, eu apenas não estava com disposição para manter o personagem que eles esperam. Eu tenho um amigo que por mais que não tenhamos um contato tão forte e não nos vimos muitas vezes, eu me sinto confortável com ele a ponto não precisar segurar essa máscara, eu não forço piada, eu não finjo que tô bem, eu me sinto bem com ele, é como chegar em casa depois de um dia cansativo e poder tirar o sapato apertado.
Sobre a vontade de morrer, é muito frequente na minha cabeça, uma parte de mim acredita que a morte seja como um sonho onde eu ando flutuando e cantando minhas músicas favoritas no meu limbo particular, mas ao mesmo tempo que eu quero muito ir para esse mundo, eu não quero me matar, eu não quero me dar o trabalho de sujar as minhas mãos e fazer com que os meus próximos tenham a sensação poderem me ajudar de alguma forma, eu não quero essa ajuda, eu quero o fim.
Caso alguém esteja lendo isso, não se preocupe, eu não vou me matar, eu vou continuar seguindo a minha vidinha patética trabalhando, estudando, e vendo o que eu faço além de procrastinar no meu tempo livre até quem o universo decida implodir ou até eu cair em um buraco e morrer, em qualquer uma das hipóteses, daqui vinte anos ninguém vai saber quem eu sou.

