william-heine

Capítulo 99

- Clara: Van? Que surpresa. Aconteceu alguma coisa? - Clara ficou nervosa.
- Vanessa: Oi Clarinha. Eu preciso falar com você, tem um minuto?
- Clara: Claro, vamos até minha sala. - Clara pediu licença a menina e se retirou. Vanessa cumprimentou a secretária e a acompanhou. - Sente-se. - Elas se sentaram. - Como você está?
- Vanessa: Bem. Muito bonita sua empresa. - Clara sorriu.

- Clara: Obrigada. - Elas ficaram se olhando. - Quer alguma coisa?
- Vanessa: Não, obrigada. Na verdade eu vim pra saber se aconteceu algo, você sumiu por esses dias desde…- Clara a interrompeu.
- Clara: Não, não. Naquele dia eu te expliquei na mensagem, ia te ligar ontem a noite, mas fiquei até tarde na empresa e não quis te acordar. Pensava em te ligar hoje. Você também não me procurou.
- Vanessa: Pensei que tivesse se arrependido e fiquei com receio de ligar. - Clara sorriu nervosa.
- Clara: Não me arrependi de nada. - Segurou as mãos de Vanessa.
- Vanessa: Tem certeza?
- Clara: Tenho. - Levantou-se e foi até Vanessa, ficando agachada em seguida. - Pra te provar vamos marcar uma janta amanhã?
- Vanessa: Só se você fizer aquele macarrão de novo. - Elas sorriram.
- Clara: Fechado! Te levarei uma surpresa também.
- Vanessa: Certo. - Ambas se levantaram. - Vou indo, não quero te atrapalhar.

- Clara: Você nunca me atrapalha. Elas ficaram se olhando, a vontade delas eram de se beijarem e abraçarem, mas uma tinha medo de chegar na outra, até que Clara lembrou que precisava agir.
- Clara: Qulaquer coisa me liga. - Aproximou-se e deu um selinho nos lábios de Vanessa, rápido, mas acabou sendo gostoso pra elas.
- Vanessa: Bom trabalho. - Sorriu e retirou-se.

Ao sair da empresa de Clara, o celular de Vanessa tocou, era Jaque querendo almoçar com ela. Durante o almoço Jaque deu algumas investidas, mas como Vanessa ‘estava’ com Clara, ignorou todas.
A tarde passou se arrastando e quarta-feira também, Clara não via a hora de chegar a noite pra ver sua Vanessa. Finalmente o final do expediente havia chegado, Clara passou em casa antes, pegou algumas coisas e logo foi para o apartamento de Vanessa que a esperava ansiosa.

- Clara: Me atrasei né? Eu sei! Mas foi minha surpresa que me atrasou.
- Vanessa: Como assim?
- Clara: Pera aí. - Largou suas coisas e foi para fora do apartamento, voltando em seguida. - Aqui está. Boi apareceu e ao ver Vanessa correu para ela pulando de felicidade.
- Vanessa: Nossa, que lindo. - Clara fechou a porta.

- Clara: É seu.
- Vanessa: Meu?
- Clara: Te dei ele uns dias antes do acidente.
- Vanessa: E como se chama?
- Clara: Boi.
- Vanessa: Nossa. - Clara sorriu.
- Clara: Você quem deu o nome.
- Vanessa: Eita criatividade. - Elas sorriram.

Assim que Clara chegou, elas conversaram um pouco e logo Clara foi fazer o macarrão. Após a comida ficar pronta, elas jantaram, arrumaram a bagunça e sentaram-se no sofá, uma em cada ponta.

- Clara: Senta mais perto de mim. - Vanessa sentou-se ao seu lado e segurou sua mão. - Como foi o seu dia, pequena?
- Vanessa: Tranquilo. E o seu?
- Clara: A mesma correria de sempre.
- Vanessa: Eu vou começar a tocar de novo.
- Clara: Vai ser DJ da sua boate ou de outra?
- Vanessa: Da minha. Hoje andei mexendo nos equipamentos, por mais que minha cabeça não ajude, parece que minhas mãos sabem bem o que fazer.
- Clara: É bom, assim você faz o que sempre gostou.

O silêncio tomou conta daquela sala, Clara levou uma mão sua até o rosto de Vanessa e logo selou seus lábios nos dela. Lentamente a lingua de Clara foi procurando a de Vanessa que fechou os olhos.

Depois de alguns minutos se beijando, elas voltaram a conversar.

- Clara: Não sentiu mais dor?
- Vanessa: Agora a noite me deu um pouco de dor de cabeça.
- Clara: Tomou seu remédio?
- Vanessa: Tomei. Ta passando já. Acho que foi o som alto, desacostumei.
- Clara: Vamos deitar?
- Vanessa: Vamos, ta friozinho.

Elas levantaram-se e foram direto para a cama. O relógio de Clara acabou 'escorregando’ um pouco e Vanessa notou a tatuagem.

- Vanessa: Você tem uma tatuagem! Posso ver? - Clara olhou seu pulso e viu parte de sua tatuagem exposta.
- Clara: Ah é, tenho. - Mostrou a tatuagem.
- Vanessa: Que linda! - Aquele desenho, era o mesmo desenho do anel que Vanessa usava quando acordou no hospital. Será que tinha alguma coisa a ver? - O que significa?
- Clara: Hãm…o desenho? Ah…nada de especial. - Sorriu e colocou novamente o relógio acabando com qualquer expectativa de Vanesssa.

Na manhã seguinte elas tomaram café juntas e logo Clara foi para sua empresa. Clara estava arrependida por não ter dito o que aquela tatuagem realmente significava. Depois de muito pensar, resolveu que iria falar toda a verdade pra Vanessa. O fato de saber que Vanessa iria voltar a tocar influenciou um pouco, claro. Antes que pudesse pegar o telefone para ligar e marcar um almoço com Vanessa, sua secretária a interrompeu. Graças a uma viagem de última hora, essa conversa acabou sendo adiada.

Enquanto isso no apartamento de Mayra

May chegou em casa e viu as coisas de Edu bagunçadas, ela estranhou e foi até o apartamento de Junior.

- Paula: Oi May, entra. - Paula estava com William no colo e deu passagem a ela.
- Mayra: Como vai o amor da May, hein? - William sorriu pra ela.
- Paula: Só quer colo!
- Mayra: E o Junior?
- Paula: Esse só quer…enfim, deixa pra lá. - Elas sorriram.
- Mayra: Sabe do Edu?
- Paula: Ah ele teve que fazer uma viagem de última hora. Parece que o avô dele piorou e está em coma.
- Mayra: E ele foi sozinho?

- Paula: Foi. Seria bom você ir atrás dele.
- Mayra: Eu?
- Paula: Eu preciso cuidar do William, Ju acabou de subir de cargo e Clarinha está cuidando da Van. Deixa de ser boba, May! Vai logo! Ele precisa de um de nós.
- Mayra: Tem razão.

May voltou ao seu apartamento, arrumou umas coisas e foi pro aeroporto. Chegando lá ela comprou uma passagem pra cidade de Edu e em poucas horas lá estava ela. Por estar perdida, May ligou para Junior e pediu a ele que descobrisse o hospital que o avô de Edu estava internado e seguiu pra lá.

- Mayra: Edu! - Edu ficou surpreso.
- Edu: May? O que faz aqui?
- Mayra: Angel me contou, como ele está?
- Edu: Parece que teve mais uma parada cardiáca.
- Mayra: Sinto muito.
- Edu: Deixa eu te apresentar minha mãe. - A mãe dele se aproximou. - Essa é minha mãe, dona Helena. Mãe essa é a Mayra.
- Helena: Então você é a famosa Mayra? - Sorriu fazendo May sorrir sem jeito.
- Mayra: Prazer. - Elas trocaram um beijo.

Logo os três começaram a conversar sobre tudo.

Edu aproveitou que May estava com sua mãe e foi fazer um lanche.

- Helena: Conhece Edu há muito tempo?
- Mayra: Sim, fazem alguns anos. A senhora tem um filho maravilhoso. - Helena sorriu.
- Helena: Pena que você não vê isso com os olhos do coração.
- Mayra: Como?

- Helena: Meu filho sempre foi louco por você. Desde que ele foi pra SP, sempre fala de você. - May ficou sem jeito e Helena sorriu. -Confesso que na adolescência Edu foi muito 'canalha’, podemos dizer assim. Seu pai o abandonou quando pequeno e acho que ele tentava substituir esse amor, por vários amores, até que um dia teve uma conversa com seu avô, de homem pra homem e mudou completamente. Até hoje não sabemos o que foi conversado, mas valeu muito a pena.

- Mayra: Eu nunca tive sorte com homens. - Sorriu. - Meus relacionamentos sempre foram um desastre e não quero que aconteça de novo.
- Helena: Gosta do Edu como homem? - May pensou um pouco.
- Mayra: Não posso cogitar a idéia de afastá-lo de mim, senhora Helena.
- Helena: E por isso foge do amor dele? - May não soube o que responder. - A vida é feita de momentos, May. E ela passa rápido, muito rápido, quando vamos o tempo passou e deixamos pra trás muitas coisas. Não faça coisas nas quais futuramente vai viver se lamentando por não ter feito diferente. Arrisque! Isso é a vida. - Sorriu.

Nesse momento May lembrou da história de Vanessa e sua prima, na vez em que Clara falou que se soubesse que aquele seria o último momento delas, faria tudo diferente. May viu que Clara teve uma segunda chance, mas sabia que nem todos tinham essa segunda chance. Enquanto pensava, Edu chegou. May ficou observando ele e lembrando de todos os momentos em que ele esteve ao seu lado. Era hora de May se tornar mulher e deixar pra trás aquela menina insegura.

Enquanto isso no apartamento de Vanessa

Vanessa mexia em seu computador quando seu telefone tocou.

- Vanessa: Alô.
- Clara: Oi Van, é a Clarinha. Tudo bem?
- Vanessa: Tudo e você?
- Clara: Vou bem. E a dor de cabeça?
- Vanessa: Passou.
- Clara: Que bom. To ligando pra avisar que tô indo viajar hoje no final da tarde. Vou pra uma cidade vizinha à negócios, mas volto no domingo. Promete se cuidar?
- Vanessa: Prometo.
- Clara: Ótimo. - Sorriu. - Mais tarde te ligo. Beijinhos.
- Vanessa: Beijo. - A ligação foi finalizada

Clara na verdade usou essa desculpa só pra ouvir a voz de Vanessa. Vanessa voltou a mexer em seu computador procurando algum sinal, algum rastro de quem era a pessoa pela qual gostava antes do acidente. Depois de mexer muito, ela achou uma pasta com o nome 'Pra sempre e mais um dia’. Sem pensar duas vezes, ela deu dois cliques mas a pasta estava vazia. Novamente ela voltou a procurar qualquer outra coisa. Era meio dia já, ela pediu algo e almoçou, logo sentou-se no sofá e começou a tentar lembrar de algo, mas o nome daquela pasta não saía de sua cabeça.

- Vanessa: Pra sempre e mais um dia. O que será que significa?

A tarde passou voando. No inicio da noite Clara ligou pra ela, elas conversaram um pouco e logo finalizaram. Na manhã seguinte, Clara viajou cedinho e Vanessa dormiu até umas dez horas. Thais foi passar o dia com ela. Elas almoçaram e depois ficaram fazendo nada juntas. Do nada elas resolveram jogar um pouco de video-game, alguém havia falado que era bom pra memória. O jogo tava chato, elas já tinham zerado e virado ele umas duas vezes.

- Vanessa: Vou procurar outro, esse cansou.
- Thais: Tá, enquanto isso eu viro esse de novo.
Vanessa foi até seu quarto e começou a procurar alguns dvd’s de jogos. Depois de mexer bastante em seu guarda-roupa, acabou achando uma caixa, nem muito grande, nem muito pequena, coberta por algumas roupas. Vanessa pegou a caixa, abriu e viu alguns dvd’s lá. Três deles estavam com o mesmo nome da pasta do seu computador: 'pra sempre e mais um dia’. Imediatamente ela pegou os dvd’s e colocou em seu notebook. Haviam fotos, vídeos, textos e mil declações dela e de Clara.

- Vanessa: Era ela o tempo todo!

Vanessa começou a sentir mil coisas dentro dela: felicidade, raiva, tristeza, alegria, ódio..Aquelas fotos e aqueles vídeos fizeram ela forçar sua mente pra lembrar daqueles momentos até que ela começou a ter uma dor muito forte na cabeça. Thais estranhou sua demora e foi a sua procura até o quarto.

- Thais: Achou alguma coisa? - Thais a viu com as mãos na cabeça e correu até ela. - Van, o que foi? - Ela acabou vendo o conteúdo dos dvd’s.
- Vanessa: Por que ela mentiu pra mim? Por que?
- Thais: Calma Van, você não pode se alterar assim.
- Vanessa: Minha cabeça. - Apertou suas mãos na cabeça. - Minha cabeça tá doendo muito!

Nem mais uma palavra e Vanessa desmaiou. Rapidamente Thais chamou uma ambulância e logo elas estavam no hospital. Thais chamou Junior e ele foi até ela.

- Junior: Como ela está?
- Thais: Ta fazendo exames.

Thais contou como tudo aconteceu e que tudo indicava que Vanessa havia descobrido quem era Clara na verdade. Eles pensaram em ligar pra Clara, mas resolveram que ainda era muito cedo.

Sala de exames

- Médico: E então dona Vanessa, o que eu havia dito sobre ter emoções fortes?
- Vanessa: Foi sem querer.

- Médico: Felizmente não foi nada, você apenas forçou de mais sua mente. É a Clara que está aí fora?
- Vanessa: Não.
- Médico: Essa é uma menina de ouro, não saiu do seu lado um só dia se quer durante esses anos. Você tem sorte de tê-la por perto.
- Vanessa: Foi ela quem ficou comigo no quarto?
- Médico: Você não sabia?
- Vanessa: Não.
- Médico: Então não diga que eu contei. - Sorriu. - Vou ali fora avisar como você está enquanto a enfermeira te aplicará um remédio. Você vai dormir um pouco e assim que acordar poderá ir pra casa. Até mais e se cuide dona Vanessa.
- Vanessa: Obrigada. - O médico retirou-se.

Agora muita coisa fazia sentido pra Vanessa: a tatuagem no pulso de Clara, o perfume dela pelo seu apartamento, o fato dela ter sido a primeira pessoa que viu ao acordar. Mas ao mesmo tempo, muita coisa não fazia sentido.
- Vanessa: Se era ela, por que ela não disse quem era? - A enfermeira aplicou o medicamento. - Será que ela não gosta mais de mim como antes? Será que conheceu outra pessoa? Mas e aquela noite de amor? Será que foi só saudade, afinal de vez em quando ela some? E foi pensando nessas coisas que ela adormeceu.

- Enfermeira: Boa noite. Como se sente?
- Vanessa: Um pouco enjoada, tonta e com dor de cabeça. - Falou um pouco sonolenta.
- Enfermeira: É efeito do remédio que foi aplicado em você. Daqui alguns minutos passa. Tome um copo com água, sua boca deve estar seca também. - Entregou o copo.
- Vanessa: To com um gosto horrível na boca. - A enfermeira sorriu e Vanessa pegou o copo.
- Enfermeira: É do remédio também, ele foi aplicado em sua veia.
- Vanessa: Há quanto tempo estou aqui?
- Enfermeira: Há algumas horas. Lembra do que te aconteceu?
- Vanessa: Lembro. - Ela abaixou o olhar e pensou um pouco. - Eu sofri um acidente de moto, se eu não me engano fiquei em coma também. Eu estava em meu apartamento vendo umas fotos e…- Vanessa calou-se e olhou para a enfermeira. - Eu lembro de tudo!
- Enfermeira: Esse tudo seria o que, exatamente?
- Vanessa: Antes do acidente eu namorava, havia ganhado um cachorro, também. Eu já me lembro de tudo! - Falou um pouco eufórica.

- Enfermeira: Acalme-se Vanessa. Vou chamar o doutor pra falar com você.

A enfermeira retirou-se e logo voltou com o doutor.

- Médico: Então voltou sua memória?
- Vanessa: Voltou. Me lembro de coisas antes do acidente.
- Médico: Diga-me algumas coisas que você lembre.
- Vanessa: Lembro que um pouco antes da minha viagem pro Canadá eu e alguns amigos fomos a praia, lá vi um cachorrinho e mais tarde me deram ele de presente. Eu namorava também.
- Médico: Ótimo, ótimo. Não force muito sua memória por enquanto. Vou te passar uma receita com alguns remédios a menos, enquanto isso pode trocar de roupa para ir embora. - O medico retirou-se.
- Junior: E aí doutor, ela acordou?
- Médico: Acordou e eu tenho ótimas noticias. Me digam, Vanessa namorava antes do acidente?
- Thais: Sim.
- Médico: Ela foi a praia um pouco antes do acidente?
- Junior: Sim, no domingo.
- Médico: E depois que ela saiu do coma, alguém comentou isso com ela?
- Junior: Até onde sei não.
- Médico: Perfeito. Como era de se esperar, a falta de memória da Vanessa foi temporária e ela acordou lembrando de muitas coisas, como essas que falei agora.

- Thais: Sério? - Sorriu feliz.
- Médico: Eu vou passar uma receita com alguns remédios a menos. Me aguardem, por favor. - Retirou-se.

Enquanto o médico fazia a receita nova, Vanessa juntou-se a Junior e Thais.

- Thais: É verdade que você lembra de tudo? - Correu até ela.
- Vanessa: Lembro sim.
- Junior: Ae, nossa Van voltou!
- Vanessa: Pois é, temos de conversar mais tarde, ouviram?
- Thais: Xii, e a cabeça dura também voltou.

O médico passou a nova receita e novas recomendações, logo os três foram para o apartamento de Vanessa.

- Junior: Bem, esta entregue, vamos indo.
- Vanessa: Nada disso! - Vanessa largou as chaves no balcão. - Por que ninguém me falou nada da Clara?
- Thais: Ela pediu pra gente não falar quem era ela.
- Junior: Thata! - Ela o olhou.
- Thais: Desculpa Ju, mas a Van tem que saber a verdade. - Thais voltou a olhar Vanessa. - Por vezes eu quis te contar tudo, mas a Clara nunca deixou.
- Junior: Eu tenho certeza que a Clara deve ter tido um bom motivo pra isso, Van. Liga pra ela.

- Vanessa: Não, ela está viajando a negócios. Sinceramente não sei se quero falar com ela.
- Thais: Van, vocês precisam conversar.
- Vanessa: Ela mentiu pra mim Thata e você sabe que eu odeio mentiras! Por vezes paguei de palhaça pra ela, quase chorando falando do meu medo que a tal pessoa que eu gostava pudesse nem saber que eu já tinha acordado e nesse tempo todo ela sabia de tudo e ficou quieta.
- Junior: Calma, Van.
- Vanessa: Obrigada por tudo gente, mas acho que preciso ficar um pouco sozinha.
- Thais: Qualquer coisa nos ligue.
- Vanessa: Obrigada.
- Junior: Se cuida baixinha. - Deu um beijo em sua cabeça. - To feliz por você ter lembrado de tudo. - Retirou-se.
- Vanessa: Acho que preferia não ter lembrado de nada. - Sussurrou pra ela mesmo enquanto via a porta se fechando.

Vanessa foi até seu quarto e deitou-se em sua cama. Ela tentava entender por que motivo Clara não teria dito quem era ela realmente. Quanto mais ela pensava, mais confusa ela ficava até que lá pelas três e vinte da madrugada ela pegou no sono.

Na manhã seguinte Vanessa acordou com a mesma confusão da noite passada.

- Vanessa: Por que Clara? Por que você preferiu ser uma desconhecida ao ser o amor da minha vida?

Talvez Clara não gostasse mais dela como antes, talvez existisse uma outra pessoa entre elas, afinal, em três anos muita coisa pode acontecer. Talvez Clara queria só matar a saudade sem compromisso. Eram essas as dúvidas de Vanessa.

Mais umas horas deitada na cama pensando em tudo e Vanessa resolveu voltar a viver.

- Vanessa: A vida recomeça!

Vanessa levantou-se, tomou um banho, comeu algo e se arrumou pra ir a boate. Antes de sair de casa, seu celular tocou, era Clara, ela ficou observando alguns segundos seu nome na tela e logo largou o mesmo no sofá.

- Vanessa: Não atendo números desconhecidos.

Vanessa deu as costas e retirou-se de seu apartamento. Ao chegar em sua boate todos babaram nela. Ela estava linda, usava um short jeans, botas longas e uma jaqueta de couro.

- Vanessa: Bom dia. - Os funcionários a cumprimentaram.

Vanessa falou que havia recuperado sua memória e com ela veio muitas idéias envolvendo a boate. Ela queria revolucionar, apresenter sua boate não só pra cidade de SP, mas quem sabe pro mundo. Ela reuniu seus funcionários e o DJ e falou sobre suas idéias.

O dia passou voando, Clara tentou várias vezes ligar pra Vanessa, mas foi em vão.

 
Na cidade de Edu

Mayra não saiu do lado de Edu um só minuto. May ligou pra Vanessa e conversou um pouco com ela que contou a novidade sobre ter recuperado a memória. May ficou muito feliz e logo Vanessa quis conversar com Edu. Eles conversaram durante alguns minutos e logo finalizaram a ligação. Mais uns minutos conversando e o doutor veio conversar com eles.

- Diego: E então doutor, como ele está? - O doutor ficou uns segundos em silêncio e eles entenderam o que havia acontecido.
- Doutor: Eu sinto muito. Fizemos o possível, mas seu Antônio não resistiu a terceira parada cardiáca.

 
Edu ficou alguns segundos com o olhar perdido e logo uma lágrima escorreu por seu rosto. Sua mãe o abraçou forte e eles ficaram assim por alguns segundos. May apenas ficou olhando eles enquanto uma lágrima escorria por seu rosto. Edu, ainda no abraço de sua mãe, olhou May que se derreteu toda ao ver aqueles olhos tão tristes. Ela andou até eles e os abraçou. Eles ficaram assim durante um tempo e logo foram pra casa. O advogado e amigo da família providenciou tudo a respeito do velório.

As horas passaram voando, já era hora do enterro e Edu ainda não havia falado uma palavra se quer. A missa foi rezada e seu Antônio enterrado, antes de ir embora, Edu quis ficar um pouco em um lago que havia ali perto, May foi junto, mas não disse uma palavra também.

- Edu: Meu avô costumava me trazer aqui quando pequeno. - May o olhou.
- Mayra: É muito lindo aqui. - Edu estava com seu olhar fixo no lago.
- Edu: Meu avô que me criou. Me fez ser quem eu sou hoje.
- Mayra: Com certeza, onde ele estiver ele está orgulhoso por ver o homem que você se tornou.
- Edu: Ele morreu sem me ver um homem por completo.
- Mayra: O que? Edu, você é um homem por completo!
- Edu: Não sou, May. Uma vez meu vô me disse que um homem só é homem quando conquista o amor da mulher que seu coração escolheu. E ele foi sem ver isso acontecer.
- Mayra: Eu acho que não. - Edu a olhou.
- Edu: Como assim?
- Mayra: Seu Antônio percebeu naquela visita que ele nos fez aquela vez, que meu coração já era seu. Eu só não tive coragem pra assumir.
- Edu: Por que ta me falando isso agora? Não quero que tenha pena de mim, May.

- Mayra: Eu tenho pena de mim, Edu. Por todo o tempo que eu perdi fugindo desse sentimento. - May olhou o lago e logo olhou Edu novamente. - Por que você nunca desistiu de mim?
- Edu: Porque sempre foi amor May, e quando é amor, a gente não consegue desistir.
- Mayra: Se eu disser que dessa vez responderei com um sim, você me pediria em namoro de novo?
- Edu: Se você me garantir que dessa vez será um sim, eu posso pensar no caso. - Eles sorriram. - Mayra. - Segurou as mãos dela. - Quer ser minha namorada?
- Mayra: Quero. - Mais uma vez eles sorriram e se beijaram por um momento. Foi o primeiro beijo de verdade deles.
- Edu: Eu sempre soube que valeria a pena te esperar.

Edu e May foram pra casa dele e contaram a novidade pra dona Helena.

- Helena: Acho que nossa conversa valeu a pena.
- Mayra: A senhora me abriu os olhos. Tudo o que aconteceu me fez ver que hoje estamos aqui, mas amanhã não se sabe. Não quero mais perder tempo com bobagens.
- Helena: Tenho certeza que você fará meu filho muito feliz.
- Mayra: Eu prometo!

May e Edu despediram-se de dona Helena e voltaram para seu apartamento. Na amanhã seguinte, May ligou para Vanessa e elas marcaram um almoço.

- Vanessa: May, coisa boa te ver. - Se abraçaram.
- Mayra: Vanzinha! Como é bom ver você com a memória recuperada!

Elas conversaram mais uns minutos e logo fizeram seus pedidos.

- Vanessa: May, me tira uma dúvida. Quem era a pessoa que ia doar o coração pra mim?
- Mayra: Não sei Van, o hospital não falou muitos detalhes, mas acho que era de alguém que não sobreviveu em um acidente.

May queria falar que era Clara, mas Clara também havia proibido o pessoal falar a respeito disso também. Depois de mais alguns minutos de conversa e May se arrependeu de não ter dito, afinal, Vanessa estava com raiva de Clara.

- Mayra: Tenta entender o lado da Clara.
- Vanessa: Como May? Eu precisava muito dela naquele momento e ela me fez pensar que eu não a conhecia tão bem, que éramos apenas amigas.

May tentou por alguns minutos convencê-la, mas foi impossível. Vanessa estava cega de raiva. Minutos depois e elas resolveram trocar de assunto enqunto iam almoçando.

- Mayra: Eu tô namorando. - Vanessa a olhou.
- Vanessa: Com quem? - May deu um sorriso diferente, cheio de felicidade. - Não! Não me diz que é com o…- May terminou a frase.
- Mayra: Edu. - Sorriu boba. Vanessa sorriu mais ainda e segurou uma mão sua.
- Vanessa: Finalmente você viu o homem maravilhoso que está ao seu lado. Que bom, May, fico muito feliz por você. Mas me conta tudo, como foi?

May contou toda a história e logo elas acabaram de almoçar. Conversaram um pouco mais e logo May foi para seu apartamento e Vanessa para sua boate.

Clara tentou por vezes falar com Vanessa, mas foi em vão também. Ela estranhou e resolveu ligar para May, afinal ela estava peoupada.

- Clara: Oi prima, como está?
- Mayra: Muito, muito, muito bem e você.
- Clara: Nossa, esse bem estar todo tem nome?
- Mayra: Tenho uma coisa pra te contar.
- Clara: Já to curiosa.
- Mayra: Eu to namorando.
- Clara: Que? Como assim? Quando? Com quem? Eu saí daí e você estava solteira, eu me ausento dois dias e você começa a namorar? -May sorriu.

- Mayra: Com o Edu.
- Clara: Eu ouvi direito? Você finalmente aceitou ele?
- Mayra: Sim.
- Clara: Graças a Deus, tava mais do que na hora né?
- Mayra: Ta Clarinha, menos. - Clara sorriu.
- Clara: To brincando amor, to muito feliz por vocês espero que sejam muito felizes. Por falar nisso, como Van está? To tentando ligar pra ela desde ontem e não consigo.
- Mayra: Te falei que o avô do Edu faleceu?
- Clara: Sério? Quando? - May fugiu do assunto e Clara não percebeu.

 
May contou como as coisas aconteceram e Clara ficou chocada, depois de alguns minutos e Clara insistiu.

- Clara: E a Van? Tem noticias dela? - May sabia que teria que contar cedo ou tarde.
- Mayra: Hãm..eu tenho outra coisa pra te contar. - Clara ficou em silêncio do outro lado da linha enquanto seu coração acelerou. -A Van, ela…é…ela sentiu uma dor muito forte e foi pro hospital.

- Clara: O que? Como assim? Por que ninguém me avisou? Como ela está?
- Mayra: Calma Clara. Ela está bem, sentiu uma dor forte, mas foi medicada. Com essa dor que ela sentiu, sua memória voltou.
- Clara: Ela já lembra de tudo? - Sorriu feliz.
- Mayra: Sabe. - May sentiu seu coração apertar ao ver o quão feliz estava sua prima e por saber que essa felicidade duraria pouco, antes que Clara criasse ilusões, ela precisava dizer o que realmente estava acontecendo. - E ela está muito brava com você.
- Clara: Comigo? - Clara ficou séria. - Mas por que?
- Mayra: Porque você mentiu pra ela ao dizer que eram só amigas.
- Clara: É por isso que ela não me atende?
- Mayra: Sim.
- Clara: Não acredito nisso. Depois de tanto tempo, depois de tudo e eu to perdendo ela de novo.
- Mayra: Calma prima, quando você voltar vocês conversam. Ela tem que entender você.
- Cçara: Sabemos o quanto ela é cabeça dura e não suporta mentiras, e eu menti pra ela.

- Mayra: Não pensa nisso agora Clarinha, como estão as coisas aí?
- Clara: Estamos há um passo de fechar negócio. - Falou totalmente desanimada.
- Mayra: E quando você volta?
- Clara: Amanhã a noite. No almoço eles vão dizer se iremos fechar negócio ou não e a tardinha to voltando já.
- Mayra: Ótimo. Se concentra aí e amanhã quando você voltar a gente vê um jeito de amolecer aquela pentelha cabeça dura. - Clara deu um breve sorriso.
- Clara: Vou tentar. Cuida dela por mim, May.
- Mayra: Pode deixar. Boa sorte viu?
- Clara: Obrigada. - A ligação foi finalizada.

Assim que Clara desligou ela desabou na cama, com o olhar fixo ela tentava imaginar o que estava passando pela cabeça de sua pequena uma hora dessas. Será que perderia Vanessa novamente? Clara pensava em mil coisas enquanto sentia um aperto enorme em seu peito.