white cay

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NWA 6603 CV3 Carbonaceous Chondrite Meteorite slice. This class of meteorite is the most primitive of all the meteorites and contains ancient chondrules (round grains) and calcium aluminum inclusions (CAI’s) (white irregular patches) that are sit in a dark matrix of solar nebular dust. The CAI’s are the oldest solid material in our solar system. Radioactive dating has shown the calcium aluminum inclusions to be 4.57 billion years old. These inclusions are 1.5 to 3 million years older than the chondrules and 10 to 50 million years older than the planets. Upper photo illustrates the features. Lower photo is a close-up of a CAI. This is the oldest thing that I own!

“ Cai e ralei o joelho, certamente não havia dor maior do que essa no mundo. ” – Alice, 5 anos.
     Levei um bom tempo para acostumar, mas enfim percebi que crescer não é nada legal, por que quando criança só queremos crescer? A infância é a melhor fase da vida de todos, não temos preocupações reais, não vemos maldade em nada e a única dor que sentimos é por algum machucado que resultou de alguma brincadeira.
     Agora machucados físicos acabam nem fazendo tanta diferença, sentimos a dor de crescer passando por cada fase torturante. Na adolescência somos pegos de surpresa por pessoas falsas e maldosas, somos iludidos e aprendemos a iludir, crescemos com maldade que aprendemos na rua. E ai que notamos como coisas simples são as melhores, dói saber que precisamos crescer e nada do que passamos voltara. Dói ver como as pessoas realmente são e como o mundo é.
     Mas claro, crescer não é tão ruim, temos liberdade, experimentamos coisas novas, pessoas novas, lugares novos, diversões novas, e tudo tão novo e excitante, temos nossas felicidades momentâneas.
     E então estamos em outro estagio da fase, conheci alguém, nos beijamos, agora namoramos, estávamos felizes, ele me machucou, terminamos, voltamos, terminamos e vi que ele não queria nada sério comigo, ele pegou meu coração e o estraçalhou, e meu Deus como dói aqui dentro, qual remédio eu tomo? O que faço para essa dor passar?
     Ei, aprendi uma coisa com essa dor, acho que reconheço bem o tipinho dele, não me aproximo mais de caras assim e não me entrego tão facilmente mais, nunca saberemos quem quer te completar realmente e quem quer te esvaziar até doer, então cuidado.
     Estou correndo contra o tempo, já tenho 17 anos e tenho responsabilidades como um adulto, não tenho tempo para fantasiar nada e nem para brincadeiras, acho que estou em outro estagio, meus pais só falam sobre meu futuro, devo estudar e correr atrás dele, não quero ser decepção para eles e nem ficar para trás. Conheci um cara novo, acho que fui para o próximo estágio do namoro, ele me pareceu confiável e cuidou tão bem do meu coração que quis entregar meu corpo para ele também, nos damos bem e acho que encontrei a pessoa certa.
     Bom, meus amigos? Quando era criança não conseguia contar com as duas mãos de tantos que eram, hoje com uma mão eu os conto e sobram dedos, é deprimente, mas prefiro eles do que ter várias mãos cheias de pessoas falsas e invejosas, outro estagio da vida, pois esse eu preferia que não existisse, talvez seja falta de maturidade minha, mas nunca entendi o por que algumas pessoas são tão cruéis umas com as outras e até com quem não merece.
     Ok, acho que está para acontecer, sou adulta agora? Ou apenas uma jovem? Acho que jovem, não tenho nem maturidades suficientes para ser considerada adulta, lembra do meu cara certo, pois é, não foi dessa vez de novo, dessa vez tive uma dor mais profunda, bem intensa, como pode um sentimento ser uma cura e uma arma ao mesmo tempo?
     Tenho uma vida na qual sempre imaginei, mas nunca imaginei que chegaria tão rápido, estou trabalhando e é tudo tão corrido por aqui não tenho tempo para olhar para trás, tenho 23 anos agora, não sei se deveria me considerar adulta, mas não considero, penso como uma jovem, talvez seja minha falta de maturidade, ao menos vejo que algumas coisas não mudam, papai sempre me dizia “não olhe para trás, Alice” e eu sempre olhei, e olhando agora consegui várias lições para a vida e amadureci muito, não tive uma infância e adolescência cheias de traumas, mas tudo o que passei foi um aprendizado e se estou aqui hoje nesse estágio da vida é porque aprendi com tudo o que passei.
     Não posso fugir mais, tenho 35 anos e carrego uma vida dentro mim, passei por vários estágios, finalmente adulta, finalmente alguém certo e uma vida certa, mas não 100% pois nunca seremos assim, nada nunca será totalmente certo e nem perfeito, mas podemos imaginar que seja, só para não perder a magia da vida digamos, depois de várias descobertas não só sobre mim, mas sobre o mundo, as pessoas, a vida, acho que realmente estou pronta para esse estágio de vida adulta e um estágio mais complexo, ser mãe, por escolha, claro, isso não faz parte do pacote e ninguém é obrigado a isso, mas por escolha carrego uma vida dentro de mim e pela primeira vez desde que sai da infância tenho uma felicidade verdadeira e uma sensação boa, meu pai sempre me disse para não olhar para trás, mas sempre tive uma certa curiosidade para ver tudo o que já havia alcançado.
     Há 30 anos atrás quando estava sentada em minha primeira bicicleta e pela primeira vez estava andando sem as rodinhas, quando não aguentei e olhei… Apenas ouvi “não olhe para trás Alice!!”
Cai e ralei o joelho, certamente não havia dor maior do que essa no mundo.
—  Não olhe para trás Alice, cicatrizando-a.