Capítulo 57

    Eram cinco jurados. Mesmo que desce empate ainda haveria um para desempatar. Era a plateia, e os internautas. Era assim a votação do campeonato estadual. Três tipos de jurados.  

      A moça em cima do palco falava a gesticulava tentando ganhar tempo. Depois do clássico clichê de sempre ela começou a falar a decisão dos jurados.

    O primeiro, um homem, que ela disse ser professor de alguma universidade fora do pais, que ensinava dança, ficou com a menina loira. Ele disse as palavras clichês de que gostou das duas, porém, o par da Rafaela não parecia tão confiante quanto deveria estar.

    Eu não entendia nada, então pra mim ele é quem não viu direito. O segundo, outro homem, votou da mesma maneira.

   Comecei a maquinar um plano de explosão do teatro assim que o terceiro não escolheu a Rafa. Pelo mesmo motivo, sempre o Renan.

   Não gostava de falarem claramente esse motivo. A responsabilidade parecia cair em cima do Renan desesperadamente, e mesmo de longe eu podia ver o nervosismo que tomava conta dele.

   As duas últimas mulheres, que formavam a equipe técnica ficaram com a Rafaela. A sutileza e figurino foi o motivo extra para a escolha.

   A moça que dirigia a noite começou a enrolar. Escolheu um grupo de dança, também internacional para fazer uma apresentação para que os internautas e a plateia terminassem de votar.

   Não eram todos ali no teatro que tinham o poder de votar, as pessoas eram sorteadas durante a apresentação. Com o azar de sempre eu não fui escolhida.

   Finalmente a dança acabou, e o resultado foi apurado. Com 89% a Rafaela tinha levado para casa o troféu de campeã estadual, mais uma passagem para as semifinais do campeonato nacional, junto com um monte de patrocínio.

  Definitivamente, meu coração não aguentava mais nenhuma competição.

   Ela começou a chorar emocionada e a primeira pessoa ao seu lado era o Renan. Ela a envolveu pela cintura e a abraçou. Um abraço tão amável que mesmo alguns metros de distancia eu senti perfeitamente.

   As pessoas começaram a bater palmas, e um milhão de cliques começaram a brilhar dentro do teatro.

  - Nossa – uma voz estridente gritou ao meu lado – Ela é demais não é?

  Olhei para o lado e não vi ninguém. Abaixei meu olhar e dei de cara com uma menininha, que olhava maravilhada para o palco.

  Não sabia de qual das duas ela estava falando, então eu dei corda.

  - É… Ela é demais mesmo.

  A moça começou a anunciar as coisas que elas ganhariam e entre outras coisas, tentando encher a noite. Suspirei cansada, não tinha paciência para toda essa embolação.

       - Você a conhece não é mesmo? Já vi algumas fotos sua na rede social dela. – A menininha me perguntou.

  Olhei para baixo. Fiquei surpresa pela menina ainda estar ali. Ela havia parado de prestar atenção na apresentação e me observava com os olhos curiosos. Seu cabelo era muito liso e muito escuro, seus cílios eram grandes e seu nariz arrebitado. Ela aparentava ter apenas oito anos, porém o modo como me investigava fazia com que ela se passasse por gente grande.

  - É… Ela é… – Procurei as palavras pra dizer, a menina ainda me olhava curiosa, decidi que eu tinha que começar por alguém – Hum, ela é minha namorada sabe.

  Ela tombou a cabeça ligeiramente para o lado, aparentando estar intrigada. Senti meu coração gelar. Eu parecia mais nova que a própria menina. Ela franziu o cenho confusa, seu rosto se voltou para o palco e depois voltou-se para mim.

   - Que estranho… – Ela comentou finalmente.

  - Não é estranho – Eu sabia que no fundo era, porém não totalmente – Quer dizer, é… Sei lá, quando você ama uma pessoa você pode namora-la, ué. Hum, provavelmente a sua mãe vai me matar por eu estar te falando isso, mas é verdade…

    Levantei as mãos na altura do rosto me rendendo. Ela ainda estava com o cenho franzido, intrigada. Sua cabeça balançou de um lado para o outro em sinal negativo.

   - Não, não é disso que eu to falando – Ela voltou a olhar para o palco – É estranho por que você parece que é a melhor amiga dela.

    Senti meus olhos se arregalarem levemente de surpresa. A menina na minha frente achava estranho o fato de eu não ser a melhor amiga dela, mas não dera bola para o fato da gente namorar.

   - Ah… – Não sabia o que responder – Ela é minha melhor amiga também.

   - Mas pode? – Indagou.

  - Claro que pode, ué… As duas coisas andam juntas.

 Outra vez ela tombou o rosto para o lado, visivelmente confusa outra vez.

  - Mas… Minha nova mãe namora meu novo pai, só que eu sei que a melhor amiga dela é a tia Lucy. – A vozinha fina de criança cortava todo o barulho.

 Comecei a rir. Era incrível onde a simplicidade de uma criança podia ir. Seus olhos curiosos me encaravam, mas ela não parecia estar ali. Provavelmente ela estava perdida sobre o fato de a tia Lucy ser melhor amiga da mãe dela. Seus cílios gigantes mesmo para um criança fazia com que ela se parece comigo.

  - Você acha que eu posso conhecê-la? – Ela apontou com a cabeça em direção ao palco.

  - Claro, eu te levo lá depois se quiser. – Agachei-me para ficar na altura dela. – Mas, temos que falar com a sua mãe antes.

 A menininha aparentava ser bastante vaidosa. Percebi o cheiro bom da sua colônia assim que me aproximei.

   - Você acha que ela me ensina a dançar também? – Indagou.

  Afirmei com a cabeça sorrindo. Seus olhos voltaram para o palco e se iluminaram de imediato.

  - Vou ser melhor que ela um dia – Falou esperançosa.

  Não contive o riso. Convencida e exibida. Era quase a minha miniatura.

 - Um aluno nunca supera o mestre.

 - Então vou ser igual a ela, pode? – Perguntou outra vez.

 Afirmei com a cabeça ficando de pé.

 - Vamos negociar isso ao longo dos anos tudo bem? – Brinquei.

  Eu estava debochando, porém ela parecia falar sério. Afirmou com a cabeça e voltou a prestar atenção no final da apresentação. Assim que a dança final acabou, as pessoas ficaram de pé e começaram a aplaudir.

   - Vamos lá falar com ela. – A menininha gritou.

   Estiquei a mão para segura-lá, porém ela já estava a alguns metros a minha frente.

   - Helena – Uma voz familiar gritou. – Não corre.

   Olhei para o lado e dei de cara com a elegância e sofisticação da Paloma. Ela sorriu ao chegar perto de mim e colocou gentilmente a mão no meu ombro. Segui seu olhar e me deparei com as costas da menininha com que eu conversara.

   - Ela está com você? – Perguntei.

   A Paloma afirmou com a cabeça sorrindo.

  - O que achou? – Ela perguntou ainda olhando para a menina.

   Voltei a observar a menininha sem entender o fundamento da pergunta dela.

   - Eu a conheci há algumas semanas atrás… Estamos passando por um período de adaptação.

   Repassei a frase dela na minha cabeça. Olhei pra menina e depois para o rosto da Paloma, ela tinha um pequeno sorriso sapeca de canto. Eu entendi o que ela tinha dito, só não consegui acreditar.

   - Você vai adota-la? – Perguntei confusa.

   Ela simplesmente balançou a cabeça e não disse mais nada. Senti que meu coração iria sair pela boca. Eu nunca mais tivera contato com ninguém que adotasse outras crianças, ou com qualquer orfanato. Era estranho pra eu usar aqueles termos.

   - Não está fazendo isso por mim está? – Perguntei com cautela.

   Outra vez ela balançou a cabeça, dizendo não.

  - Eu estava visitando alguns orfanatos, pra… Tentar entender um pouco mais de você e desse seu amadurecimento. – Ela pareceu constrangida – Claro que eu sei que muita coisa mudou, mas enfim… Ela estava lá. Foi…

   - Amor – Completei. Ela sorriu – Amor à primeira vista. Eu sei.

  Ela suspirou forte, como quem esta tentando se acalmar.

   - E ela se parece com você.

   - É, ela se parece comigo. – Comecei a rir - Acho que… Vamos nos dar bem – Não consegui segurar o largo sorriso que se formava.

  Senti a mão dela apertar de maneira firme meu ombro.

   - Vou ter uma família agora. – Falou.

  - Já somos uma. – Afirmei – Você… Não tem vontade de ter mais filhos, tipo, de verdade?

  Ela franziu o cenho e balançou a cabeça negativamente.

  - Não… Não agora entende? O Pablo também está apaixonado pela Helena, então… Agora não é o momento. Além do mais Hanna, você ainda é como um bebe pra mim… Cada vez que eu posso estar com você é como se eu aprendesse algo a mais, como ver você dar os primeiros passos, falar, e quem sabe um dia… Me chamar de mãe.

   Senti meu coração diminuir no peito. A Rafa já havia me dito que algum dia a Paloma iria sentir necessidade de que eu a chamasse de mãe, assim como ela também sabia que era difícil pra mim.

    Eu estava feliz e contente com tudo ao meu redor, e principalmente com ela. O fato de eu não chama-la de mãe, era simplesmente falta de costume.

   - Tudo bem… – Comentei vagamente. – Vai ser uma vida longa, não vai?

   - Ah vai, ô se vai! – Respondeu.

   Começamos a rir até que nossa risada foi abafada pelo barulho de mais aplausos. Parecia que finalmente o evento havia chego ao fim.

    Despedi-me da Paloma assim que ela teve que ir atrás da garotinha sapeca. Sentia minha cabeça a mil. Queria saber como a Rafaela estava se sentindo em relação ao resultado, e como andava a cabeça dela. Tentei ir para o camarim, mas havia um fila enorme de pessoas esperando por ela. Resolvi ir esperar lá fora, junto com os meus amigos.

    Acompanhei o resto das pessoas que estavam por ali, esperando paciente que elas saíssem primeiro que eu. Assim que me aproximei da porta de saída vi o Renan ao lado da Mariana conversando com os pais dela.  

     Ele não me viu se aproximar, assim como eu também não chamei sua atenção.

   - Eu não sabia que você dançava – O pai dela comentou.

   - O Renan sabe fazer muitas coisas da qual você não sabe pai… – A Mari ajudou – Ele, por exemplo, é colunista no jornal regional… filho da Bruna, a ex dona do jornal.

    O Renan concordou com a cabeça sem falar nada.

   - É tão bonito e elegante também – A mãe dela deu uma forcinha.

    Ele esticou o pescoço ficando mais ereto depois do comentário dela.

    - Talvez, nós pudéssemos sair para jantar amanha… Eu, adoraria que vocês pudessem – Ele falou.

     Cruzei a porta de saída finalmente e não consegui mais ouvir uma palavra do que ele dizia.

     A brisa salgada chegou até mim, fazendo com que eu me sentisse extremamente confortável.

     Eu havia fechado os olhos, vi minha família, claramente esperando por mim.

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Welp, file this one under "Things We Could Stare At For Hours." There are many things within this post that we love: LEGOS, StarCraft II, DIY tenacity: it's fan-made geekery of the highest order. It's extra impressive when you consider the fact that this is not just one StarCraft unit, but an entire frakkin' map of it! All your LEGO builds pale in comparison — admit it. Not for lack of trying, we're sure, but when you consider how much work this international team — yes, these Terrans came from all over the place, including the United States, Canada, Belgium, and Norway — did over three years to piece the whole thing together, and well! You can sort of understand why we're in awe of it. The details themselves are incredible: there are battles and skirmishes happening all across the 14 feet (SERIOUSLY!!) of StarCraft goodness. Look at all them Zergs and Protoss causin' a ruckus! Marvel at all them starfighters! It's a thing of impressive beauty, isn't it? The group of artists and