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Amar, com certeza, tem um lado ruim e um lado bom. Ruim é sofrer, é sentir o coração doer de saudades ou de decepção. É querer estar com a pessoa o tempo todo e não poder, é não ser correspondido, é esperar uma atitude e não tê-la. É tentar provar pra alguém um sentimento, que todo mundo vê, um sentimento visível nos olhos, no sorriso, nas palavras, nos atos. Ruim é correr atrás sem saber se valerá a pena, é se sentir pouco importante pra quem se ama, ou não se sentir importante. É sorrir com vontade de chorar, é se calar quando se querer falar, mas não quer decepcionar. Ruim é abraçar querendo beijar, é dizer “tchau” querendo dizer “fica mais um pouco”. É procurar sabendo que não será procurado, se esforçar sem receber nada em troca, é olhar com veneração e receber um olhar frio de volta, é sorrir com o coração e receber um sorriso forçado. Mas o lado bom, ele é muito melhor, lado bom é ver a pessoa sorrindo e sorrir junto, pelo simples fato de que ver a pessoa feliz te deixa bem. É ver a pessoa totalmente desarrumada e achar ela linda da mesma forma. O lado bom é quando o coração bate mais forte, as pernas ficam bambas, as mãos soam frio e tremem sem parar, é quando você se satisfaz com um abraço. É quando tudo que você precisa é da pessoa, quando você tem todos os motivos pra desistir, mas o seu amor é mais forte que todos eles. Bom é ser o motivo de um sorriso do seu amor, é querer o bem dele mais que o seu bem. É tentar proteger e cuidar mesmo longe, é colocá-lo em suas orações. É correr atrás, sem deixar a esperança morrer. O bom é ficar com a imagem da pessoa na cabeça, é sonhar com ela todas as noites e acordar sorrindo, é sentir segurança ao segurar sua mão. É ter um abraço preferido, ter um cheiro preferido, um olhar preferido, um sorriso preferido, e a pessoa ser a sua preferida. É desejar vê-la todos os dias, incansavelmente, é sorrir ao passar por lugares que te lembram ela. Bom mesmo, é não ter medo de ir até o final, de amar sem se sentir ridículo, é mudar seus hábitos e fazer o que você não gosta pela pessoa. Vejamos então, de todos os fatos citados e vários outros que existem, o lado bom sempre prevalece, amar sempre será ver apenas o lado bom. Em relação a você, estou aqui ainda vendo apenas o lado bom, será que é amor?
—  Vitória, amor.
Eu queria estar com você agora. Bobagem minha, talvez. Não seria possível, nem que eu estivesse perto. Não somos mais os mesmos, novidade? Nenhuma. Talvez, eu nem seja mais a sua paixão, vai saber, só Deus e você sabem! Mas você continua sendo o meu amor, mesmo as vezes eu negando com todas as forças, é só você. Poderia dizer agora que tudo bem, que estou esperando com paciência, se for pra ser será, mas é mentira. Eu não estou esperando nada, só estou desistindo de nós, bem de pouquinho, pra ver se dá tempo de não desistir. Não é fraqueza, é só cansaço, sabe, uma hora a gente cansa de dar tanto de sí e não receber nadinha, me desculpe amor, mas eu não vi nada que viesse da tua parte. Mas olha, eu to aqui, desistindo bem devagarinho, pra dar tempo de você me mostrar que eu não preciso desistir, pra dar tempo de você me mostrar que eu ainda sou a sua paixão, e que ainda há possibilidades. E que hajam inúmeras, que quando eu querer estar junta de ti, eu tenha certeza que estaria em você, no seu coração, assim como você está no meu, mas não da maneira que está, pois hoje, eu te escondi embaixo de tudo que tinha aqui, morrendo de medo que você pudesse aparecer de surpresa, espero que eu possa te achar de novo, aqui dentro, e que seja logo.
—  Vitória, amor.
Mas eu sempre soube que não seria fácil. O problema é que nunca imaginei que seria tão difícil. Eu havia prometido pra mim mesma que ficaria um dia (um diazinho só), pelo menos, sem falar ou pensar em você. Frustração, isso que sinto no momento. Eu não consegui, acordei pensando em você, amor. O resto do dia todinho foi assim. E quando me dei conta, lá estava eu, falando de você, preocupada contigo por uma bobagem. Estou decepcionada comigo mesma, pois se um dia já é difícil, imagina a vida toda. Ok, tudo passa. Passa sim, mas tem coisas que ficam, e por mais escondidas que estejam, elas vão ressurgir em algum momento. Sempre foi assim com você, tudo bem, nunca tinha sido assim, tão forte, mas você já entrou e saiu da minha vida algumas vezes… Essa tem sido a pior, eu estou viciada em você. E vícios são tão complicados. É tão difícil largar, e eu estou estragando tudo, por causa desse maldito vício. Vejamos, um ponto em comum, nós dois temos um vício difícil de largar. Você é viciado em bebida, e eu, bom, sou viciada em você. Imagino se é assim tão difícil pra você, quanto é pra mim. Porque eu, amor, estou tão dependente, tão fissurada… Todo mundo quer me ajudar, mas eu recuso ajuda, eu minto pra mim mesma que sei lidar bem com situação, mas eu não sei, amor. Eu preciso de você, você precisa da bebida. Talvez eu pudesse te ajudar, e você talvez pudesse me ajudar. Ok, sem dúvidas, você é o único que pode me ajudar, mas eu, eu não sei se poderia te ajudar, porque por mais que eu queira, talvez não seja esse o seu desejo. Mas eu acho que seriamos bons ajudando um ao outro, teríamos grandes chances de superar o vício, e talvez criaríamos um novo vício juntos, mas um vício bom. Só que são tantos “talvez” “mas”. Enquanto isso, todos estão desistindo de mim, da mesma forma que estão desistindo de você. No meio disso tudo, eu estou aqui, a ponto de desistir de mim, mas sem conseguir desistir de você. E amanhã tudo vai continuar igual, você vai querer a bebida, eu vou querer você. Você irá estragar seu fígado e eu meu coração. Você depois de provar um pouco do seu vício vai rir, e eu vou chorar. E logo eu, tão viciada, com um vício ainda pior do que o seu, quero te ajudar, quero te fazer deixá-lo. No vão de todas essas palavras, eu continuo querendo você, e você, amor, continua querendo a bebida.
—  Vitória, amor.