vou escrever algo

Lápis, papel, uma mesa. Aquilo era tudo que devaneasse ao vento. Ele nem percebia enquanto as pessoas da universidade se moviam perto de si, seus olhos mantinham o enfoque em uma única pessoa, perdida em meio a multidão. Tão típico dele. Heo Jun já havia perdido as contas de quantas pessoas havia desenhado sem perceber, era uma prática tão frequente e ele nem fazia questão de se mudar. Era só sentar e começar a mover o lápis para que algo, ou alguém, pegasse sua atenção. Entretanto ele ainda não podia negar que as pessoas eram seus modelos favoritos e por isso não hesitava em deslizar o lápis pela superfície plana. Foi só terminar o desenho, porém, que percebeu que mais uma vez desenhava um modelo sem autorização. De suas manias, aquela era a pior. Jun juntou suas coisas e guardou o que podia em sua mochila tiracolo, deixando apenas o bloco de folhas as mãos. Os passos que o homem começou a dar era em direção a pessoa distraída que, a poucos tempos, havia sido x musx de seus desenhos. “Com licença.” Indagou a frente da pessoa, observando-a de perto e sorrindo ao perceber que seu desenho havia sido, de fato, bem feito. “Eu acabei lhe desenhando sem querer, gostaria de perguntar se gostaria de ficar com ele e pedir desculpas por desenha-lx assim sem sua autorização.”

Querido John,
Estou escrevendo esta carta, e eu estou sofrendo porque não sei dizer o que estou prestes a dizer. Parte de mim gostaria que você estivesse aqui agora para que eu pudesse fazer isso em pessoa, mas nós dois sabemos que é impossível. Então aqui estou, escolhendo as palavras, com lágrimas no rosto e com esperanças de que você, de alguma maneira, me perdoe pelo que vou escrever. Nós vivemos algo maravilhoso e quero que você nunca se esqueça disso. Você é raro e lindo John. Eu me apaixonei por você, mas, acima de tudo, conhecer você me fez perceber o que realmente significa o amor verdadeiro. Durante os últimos dois anos e meio, olhei para o céu e a cada lua cheia lembrei tudo o que passamos juntos. Há tantas coisas. Quando fecho os olhos, vejo seu rosto; quando caminho, é quase como se conseguisse sentir sua mão na minha. Essas coisas ainda são reais pra mim, mas aonde uma vez elas trouxeram conforto, hoje provocam dor. De algum modo mesmo amando um ao outro, perdemos a ligação mágica que sempre nos manteve juntos. Não espero que você entenda, mas por tudo que passamos, não posso continuar mentindo para você. Vou entender se você nunca mais quiser falar comigo, assim como vou entender se você disser que me odeia. Mesmo que você não queira ouvir, quero que você saiba que sempre será parte de mim. E não importa o que o futuro traga, você sempre será meu amor verdadeiro, e sei que minha vida é melhor por causa disso.
—  Sinto muito, Savannah.
Nem sempre tenho versos prontos. Nem sempre sou gentil. Nem sempre sou boa o suficiente. Nem sempre cumpro o que prometo. Nem sempre gosto da noite. Nem sempre tenho paciência. Nem sempre vou sorrir. Nem sempre vou estar bem. Nem sempre vou querer prestar queixa. Nem sempre vou conseguir escrever algo que fará sentido. Nem sempre vou escrever certo. Nem sempre acordo inspirada. E nem sempre serei completa.
—  Katielle Alves.