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Se existisse definição, talvez muitos nem saberiam viver.


Era como se por mais que ao acordar de um novo dia tudo se tornasse ainda mais difícil, eu não desistia. Nada me fazia ficar no chão. Meu almejo era vencer. Mostra para todos que sou capaz do que muitos duvidariam que eu fosse. Porém essa vitória parece que se distancia cada vez mais de mim. Por mais que eu esteja sendo forte, o coração já havia entrado em estado de calamidade. Parecia anormal, mas o fato era que a mente tentava por diversos meios fazer com que o coração sorrisse novamente. Era como se a mente gritasse: “Vai, bate mais uma vez que eu estarei aqui para te amparar”, entretanto de nada adiantava. Ele já havia sido totalmente desgastado pela dor, e ainda não haviam encontrado a tal “cura milagrosa”. O trabalho e a busca eram intensos e severos. Muitos sofriam desse mal. O louco era o motivo pelo qual choravam tanto. Soa clichê, mas é a realidade. Questionava-me tudo aquilo que sempre vi passarem. Por que sempre vinha à dor antes da felicidade? Por tempos busquei essa resposta… E creio que a encontrei. Do que adiantaria ser feliz antes de ter aprendido a ser forte? Será mesmo que conseguiriam se reerguer depois de uma queda? O correto é que primeiro apreendêssemos a sermos fortes. Temos que saber qual nosso ponto fraco. Qual seria o lugar do nosso corpo que fosse atingido cairia logo em seguida? E como fazermos para levantar do chão? O segredo é termos fé e acreditarmos em nós mesmos. Independentemente do estado que nos encontrássemos, não perdemos o foco. “Depois da tempestade, vem à calmaria” conhece esse velho ditado? Só não desacredita. Seu dia a de chegar! Sei que seu interior aparenta estar morto. Nem o melhor psicólogo, nem mesmo o melhor filósofo poderá desvendar o que se passa aí dentro. Só você pra tentar entender. Não, não queira ousar em me questionar e procurar enlouquecer junto a mim. Já basta eu e os meus sentimentos loucos, pra que mais um? Deixa que apenas eu me perca nessa prisão cercada de inquietações. Não sou comum, sou indescritível, inexplicável, indecifrável. Digo que muitos que tentam me entender acabam ficando loucos. As lágrimas andavam de mãos dadas comigo. De repente me pegava sentada no chão do banheiro, com um lenço enxugando-as. Qual o motivo para tanta mágoa? São testes de resistência. Toda dor concebida é como uma prova para testar se você é capaz de suportar uma ferida no peito, a cada vez que não conseguir se reerguer e pedir: “dois altos, desisto!” outro teste é lançado automaticamente até a mente obter a certeza de que você terá capacidade de enfrentar qualquer dor e passar por cima dela. Não se deixe abalar, não permanece tão fria e triste. Sorria. Lágrimas eram desperdiçadas como gotas d’água perdidas numa pia com a torneira semiaberta.

—  Só não afogue-se na própria piscina feita de lágrimas… Letícia (cabana de Ilusões)

Quantas vezes o erro foi meu, porém não fui capaz de enxergar?


Sempre fui aquela que todos procuravam quando queriam algo. Sabe, quando necessitavam de um “help!” vinham a minha procura. Numa amizade a confiança é essencial para que ela floresça a cada nascer de um novo dia. É necessária a reciprocidade, o entendimento, o carinho, a compaixão. Todo ser humano erra isso é inevitável. Mas às vezes, cometem erros graves. Como uma deslealdade talvez. Não, a gente não sabe quem são nossos verdadeiros amigos. Amizade pode durar pra sempre, pode se eternizar, mas quem vai dizer isso? Só o tempo, jovem. Durante os dias de convivência você conhecerá ainda mais quem julga como seu amigo. Perceberá os detalhes, as manias, as bobagens. Entretanto o que irá se passar na tua cabeça quando ocorrer uma traição? Tudo ficará tão incerto… Você vai julga-lo como falso, como hipócrita. Irá conceitua-lo com os piores adjetivos que possam existir. Mas isso é apenas uma fase, depois que a mágoa passa que a ferida praticamente cicatriza você o perdoa. E sabe que muitas vezes esse é o teu erro? Quem trai uma vez, trai duas. Como obter a certeza de que aquela seria a última vez? Não importa quantos anos vocês se conhecem, não importa o que um fez pelo outro, o fato é que ele traiu a tua confiança. Erro banal o perdão concebido. Para de ser tão inócua. Pequena, amizades vêm e vão. Sei que você dará mil e uma desculpas para poder provar que é realmente seu amigo. Isso é o amor tomando a tua cabeça. Tem aquele ditado: “Todos merecem uma segunda chance”, isso todos sabem. Porém o correto agora será confiar não com os olhos totalmente fechados, porém um aberto e outro quase se fechando. Quando será a outra vez em que ele irá apunhalar-te pelas costas? Vai lá saber não é mesmo? Então princesa, vai com calma. O perdão não te faz esquecer o que esse tal lhe fez passar. A palavra “desculpa” já foi totalmente banalizada pela sociedade. Acham que com esse simples pedido toda dor se apagará. Acham que tudo que fez de mal para o próximo será apagado como se a memória tivesse a função do “delete” e apagasse todos os teus erros. Mas não, não tem. Como fazer agora? Caminha, vai segue o teu rumo. Você não precisa de ninguém para dar-te a mão, você pode andar só. Lute pelo que quer, vai à busca da tua felicidade e não desacredita. Difícil será, mas a desistência não pode te dominar. Tu és capaz, se recorda? Nunca deixará de ser só pelo fato de estar sozinha. O dia depende do nascer do sol para amanhecer tão brilhoso e radiante, mas você pode acordar e seguir teus passos sem ninguém para te segurar. Se cair, olha pra cima e diz: “Mesmo caída, não desistirei. Obstáculos surgirão, mas nenhum me derrubará para sempre”. O mal de muitos é não ter amor próprio, não ter a certeza de que sozinho pode caminhar. Se ame primeiro. Primeiramente o teu bem, depois o dos outros. Geralmente os amigos tem um instinto maternal, sempre querendo proteger a todo o momento quem ama, mas quando vai saber que a tua cria já pode voar sozinha? Deixa-a cair do alto do céu, diz que ela terá capacidade de voar. Com o total apoio, ela não desacreditará. Por mais que possam existir defeitos nas tuas asas, ela dará um jeito de voar. E quando conseguir vai sentir um bem enorme por ter aprendido a voar sem que ninguém fizesse curativo nas tuas asas. O maior bem que você faz ao coração é mostra-lo que não depende de outros para construir a tua felicidade. Os materiais necessários para construir o teu ninho você mesmo vai buscar. Irá se surpreender com tamanha capacidade. Mas ninguém é feliz sozinho, na solidão. Uma coisa é construir a própria felicidade, outra é viver só. Tem momentos que precisaremos rir com os amigos, desabafar e ter alguém para compartilhar as besteiras. O que nos resta saber é: “Quem será esse alguém?”.

—  Às vezes perdoamos demais por medo de perder… Letícia (cabana de Ilusões)