világcsúcs

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Organizada pela Ariane Rauber em parceria com o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), a exposição Heroica reuniu 5 ilustradoras com a proposta de reimaginar personagens femininas dos comics. Com foco na diversidade e na ruptura com os padrões estéticos consagrados, a mostra foi um sucesso e eu fico orgulhosíssima por ter participado com a minha versão da Hera Venenosa <3


“Kamirrã, como as demais meninas da tribo Kamayurá, passou a viver enclausurada em uma grande oca ao entrar na adolescência. Viveu assim por um ano, aprendendo as artes e ofícios reservados às mulheres da tribo.

Contudo, durante esse período, perceberam nela um tino especial para lidar com as plantas - manipulá-las na criação de remédios e venenos, influenciar seu crescimento e até mesmo usá-las como extensões do próprio corpo. Então, Kamirrã passou mais anos dentro da oca, desenvolvendo suas habilidades especiais para, ao fim de seu treinamento, tornar-se pajé da tribo.

Durante todo esse tempo trataram-na como um ser sagrado e evitaram trazer-lhe as más notícias: cada vez mais territórios da tribo usados para a caça, o plantio e a pesca, estavam sendo invadidos por homens brancos interessados em fazer dinheiro.

Quando saiu da clausura, Kamirrã teve uma triste surpresa. As terras de sua tribo haviam sido quase completamente tomadas por usinas e fazendas, e os seus irmãos que não morriam de fome, alcoolismo ou outras doenças trazidas pelo homem urbano, matavam-se diante da falta de perspectiva de dar continuidade a suas tradições. Tampouco sentiam-se pertencentes à cultura branca, não lhes restando lugar no mundo que se desenhava à sua frente.

Como pajé da tribo, a jovem tomou para si a missão de salvar os Kamayurá. Dirigiu-se aos governos e à grande mídia, contudo não teve sucesso. Os posseiros que se apropriaram de suas terras já haviam comprado o direito de expulsar dela os seus verdadeiros donos.

Diante disso, Kamirrã decidiu vencer seus inimigos no seu próprio jogo. Ela passou a oferecer suas habilidades com plantas e venenos a quem pagasse mais, buscando conseguir um dia comprar de volta a liberdade de sua tribo. Tornou-se, então, uma das maiores mercenárias do submundo, viajando por todo o planeta cometendo roubos, assassinatos, golpes políticos e o que mais o dinheiro conseguisse pagar.

Em sua tribo, ao contrário da fama que adquiriu internacionalmente como a Hera Venenosa, é tida como uma grande heroína, e já conseguiu comprar de volta imensos lotes de terras em que seus irmãos são livres para caçar, pescar e manter vivas as tradições Kamayurá”.