victorcandiani

Eu vejo a galera aqui reclamando da causa dos “playboizinhos” da USP e tal, mas ninguém tira o cú da cadeira quando tem uma manifestação séria, Já fizeram dois meses da Manifestação do Anonymous e tem quase um mês que estão acampando no viaduto do chá. Pra mim toda forma de manifestação é válida, a única vergonha mesmo é ficar em casa achando que tá fazendo alguma diferença.

Eu vejo milhares de pessoas todos os dias. Vejo-as se apertando para entrarem em um ônibus lotado, que na verdade, mais parece um carreto de gados. Dessas pessoas é fácil reconhecer o estudante que ainda está com sono, a expressão de cansado naquelas que terão que trabalhar o dia inteiro em pé e a impaciência de quem ainda terá que pegar outro tipo de transporte. Na verdade aos meus olhos, vejo milhares de guerreiros. Desconhecidos que fazem a máquina funcionar a todo vapor, todos os dias. Sem parar, sem cessar.
Às vezes paro e reflito. “Será que essas pessoas estão felizes?”. “Será que isso foi o que sempre quiseram?” A sociedade é ridícula, acho-a hipócrita e imatura. E vejo isso no eterno reflexo de que ainda existe uma minoria comandando o país. Uma minoria que se julga superior e que garante estar preocupada com os problemas comuns e que nunca agirá pelos próprios interesses. E nesse país nada funciona se não rolar grana, o que acontece é que o interesse está ligado ao dinheiro e quanto maior for o seu montante, mais rápido seu interesse será atendido.
Pois bem amigos, eu sou um vírus. Um risco a está estabilidade, a está acomodação, sou primogênito, nascido de revoluções e períodos históricos conturbados e isso me torna perigoso. Eu sou um pouco de cada um de vocês. A sociedade inteira tornou-se um trem, que não pode e nem nunca deve sair dos trilhos. Não podem sequer cogitar soluções.
A máquina governamental que controla tudo isso fez um trabalho tão bem feito que deixou os velhos com medo  e os novos burros, porque assim é mais fácil tocar a massa. O trabalho é tão bem feito que muitos de vocês nunca entenderão ou sentirão o que quero dizer. Porque a esperança de mudança que deveria existir no coração de vocês, já foi bloqueada e o cenário para o qual foram designados é perfeito. Eles quiseram que você pensasse assim e você não pode evitar que isso acontecesse.
Mas nem tudo está perdido. Não estou atrás de uma revolução e nem pretendo um dia cogitar uma. Não sou reformista político. O que busco aqui é bem mais intenso do que qualquer reforma e muito mais duradouro do que qualquer sistema e, novidade amigos, intocável por qualquer um. O que busco é algo que está dentro de vocês, que não pode ser retirado e nem dominado. O nome disso é humanidade e está alem da sociedade e de qualquer teoria. Somos seres humanos por definição científica, mas esquecemos o que é ser humano. Ser humano é ser parte da vida, é ser além de tudo o que você queria que os outros fossem. É ser, de uma maneira um pouco mais utópica, bom, gentil e caridoso.
O que peço aqui, não é que se vista de preto, que coloque uma máscara e que deprede o patrimônio público – ou que apenas faça uma passeata pacifica – pra falar a real, fodam-se todas essas coisas. Peço algo que não podem retirar de vocês. Peço que sejam humanos. Que ajudem as pessoas, que mudem aquela visão enlatada e o conceito paleozóico de que temos que ser, quase por obrigação, uns melhores do que os outros, talvez a guerra mais longa de toda a história. Peço-lhes do fundo do coração que a partir de agora, aos que conseguiram ler todo o texto, e que entenderam o recado, que mudem o seu jeito de viver, que lembrem que somos humanos e talvez a ultima esperança da face da terra.
Ass. Poeta Anônimo

Ei, vem. Vem com jeitinho, de mansinho. Devagarinho.Entra no escuro do meu quarto, no calor do meu cobertor. Impregna meu travesseiro, lençol, eu com seu cheiro, com sua tentação. Com essa sua vontade vinda da minha, das minhas mensagens. Entra e entra outra vez. Entra fazendo carinho, puxando cabelo, batendo nas coisas, derrubando o que ficar de pé, torcendo os lençóis, descartando o cobertor e as roupas, arranhando as costas, mordendo os lábios, suando, cansando. Entra e fica, fica para dormir, que quando o sol sair eu faço um café-da-manhã pra você e levo na cama só pra te ver sorrir.
—  Victor Candiani
Identidade Nacional

O papagaio imponente no céu com os dizeres “USA” pairava para todos os lados e pensei como seria se o Brasil fosse um país patriota? Se desse valor ao seu povo e a sua cultura? É engraçado pensar assim porque não possuímos um herói atribuído a identidade nacional, nem na ficção nem na vida real. Temos belas histórias de repressão da liberdade e da luta contra essa alienação, seus protagonistas são principalmente Zumbi dos Palmares e Tiradentes, mas mesmo assim o que vem de fora nos agrada mais, talvez recentemente tenhamos atribuído o capitão nascimento, mas nas favelas onde o BOPE atua ativamente a polícia não é vista pelos olhos sofridos como os heróis do lugar, e sim, como um incômodo, porque não deixa de ser uma arma de proteção do estado e para o estado. Não que eles façam o trabalho da forma errada, mas acidentes acontecem e às vezes cidadãos que nada tem a ver com o que acontece estão no meio do fogo cruzado, longe das agulhadas ficam as crianças que anseiam por um super-homem ou um homem aranha que vai protegê-los quando o mal quiser triunfar diante do bem.
Acho que os heróis estrangeiros não iriam abandonar suas pátrias para resgatar donzelas em perigo em outros países, o super-homem mesmo, que pode voar e percorrer o mundo todo, nunca deu uma passadinha aqui pra visitar o Brasil, ou o Cristo Redentor a única referência brasileira lá fora. O Brasil pode ser a 6ª maior economia mundial – excluíram a educação dessa conta -, mas não tem um herói, aliás, o que o Brasil mais tem são sobreviventes, os pais de família que constroem essa cidade e as mães que conseguem alimentar 4 ou 5 bocas e ainda é possível ver filho ingrato por aí. O Brasil pode ter tudo, menos educação, dentro e fora dele ou dentro de cada lar que aqui existe e fora em cada pedaço público onde a educação iria gerar educação com apenas uma pequena dose de bom senso.
Mas voltando ao assunto, o Brasil ainda não tem heróis, não um que salve de uma grande invasão extraterrestre ou de um vilão maligno. O País tem seus heróis vivos em cada lar, heróis pessoais de cada filho ou filha e o seu maior vilão ainda é deixar as pessoas acreditarem que o que se tem lá fora é melhor do que a nossa diversidade cultural. O nosso vilão é corrupto e além de levar uma infância rica, mesmo pra quem é pobre, leva um pedaço do “bolo” e um tapinha nas costas, enquanto cega os olhos pra dignidade de quem precisa de heróis.

Inquieta Imaginação

Não consigo parar de imaginar você me consumindo.
Friccionando, apertado e a boca abrindo.
Olhando pra mim. Segurando, apertando, entrando e saindo.
A vontade de ver chegar o fim.

O calor da sua língua queimando em mim
com sua respiração ofegante, enfim.
O esforço do seu entusiasmo delirante
tentando me cansar sem sair daqui.

O seu sorriso calado aos meus olhos revirados.
Meus músculos contraídos dentro e fora de você.
Prazer sádico de sentir o corpo tremer.
Só eu e você. Eu e você. Eu-e-você.
Até a exaustão aparecer

- Victor Candiani

Saudade de quem nunca vimos.

Sinto falta da Isabella. A sensação de uma distância maior entre a gente faz com que a saudade também o seja. Isso só prova que a distância também é relativa, assim como o tempo e que tudo depende de quem a sente.

Mas como sentir a distância? De duas formas, a primeira, deve ser interpretada subjetivamente bastando assim analisar o “tamanho” do coração e quanto menor ele estiver maior é a saudade, sim, inversamente proporcional; e a segunda, é necessariamente, um gatilho à primeira. É só ter a pessoa em mente e lembrar o quão longe ela está.

De fato o onde não justifica o como, já que sinto a saudade no peito, no coração. Mas quando paro para raciocinar a falta é sentida pelo exterior. A saudade não vem como uma pessoa completa batendo à porta e dizendo “olá”, ela vem em pequenos fragmentos, vem como a falta do abraço, do beijo, da companhia, do cheiro, das conversas etc. O que torna tudo isso controverso, porque nunca vi nem toquei a Isabella. Somos como amigos imaginários um do outro. Se não existisse a vã referência virtual, o que de certo modo, implica ainda mais em algo irreal, não teríamos como provar, que de fato, existimos no mundo exterior e seríamos motivo de piadas entre os amigos.

E o que torna o contraponto ainda mais interessante é que possuímos apelidos de estórias imaginadas por outras pessoas. Ela me chama de Peter, aquele mesmo, da Terra do Nunca e eu chamo-a de Tinker (Sininho), sim, a da mesma Terra ou de Poulain do filme de Destinos Fabulosos.

Basicamente essa é uma parte da teoria: Saudade de quem nunca (ainda não) vimos.

Relato de um chato

Sabe, eu vejo que estou me tornando um chato, alguém insuportável, porque só sei falar do governo, das roubalheiras, das merdas que os dirigentes fazem, de anticapitalismo, de revolução, de mudança de cenário, alguns até dizem que eu só falo de utopias, mas na verdade eu só falo mesmo é de liberdade. Liberdade do povo, pra ser mais exato, porque essa pequena fração de pessoas colocaram o medo e a descrença dentro da cabeça das pessoas e para garantir essa submissão, dá dinheiro a troco de voto e passa novela na televisão, porque convenhamos qualquer capítulo de novela é mais emocionante do que a sua vida de acordar às 5:00 e ir trabalhar, acorda às 5:00 porque trabalha longe, quase em outra cidade e pega um trânsito infernal porque entra mesmo no serviço às 8:00, almoça correndo porque horário de almoço é o mesmo que jogar migalha pra pombo, tem que ser rápido porque, senão, outro vem e come no seu horário. Saí às 17:00 e chega às 20:00, horário dos jornais, que são um lixo por sinal, mas mesmo assim informam alguma coisa, a idéia é prestar atenção em tudo aquilo que não ultrapassa 3 minutos, porque é ai que mora o perigo, mas tem que tomar banho, cuidar das crianças e fazer o jantar pra assistir a novela das nove e, agora, das onze e ir dormir, pra avisar o galo que ele tem que cantar as 5:30 Eu entendo que perder o medo é difícil, que as pessoas não entendem e defendem essa porcaria vigente e aceitam tudo e me pergunto: Ser chato é pior do que ser acomodado?