vestidos compridos

Sentimentos São

Nota: Um fato engraçado sobre essa história, na minha aula de literatura meu professor contou uma história “real” da Bela e da Fera (minha história favorita da Disney) tipo o que ela representava antes do desenho e devo dizer que arruinou um pouco a minha infância e foi meio assustador, maaaaaas eu decidi pegar essa história e criar de um jeito mais fofo (?) Não é 100% o que ele falou porque né, eu não quero traumatizar vocês também :P

Espero que gostem <3

Originally posted by nnochu

Acordei com uma dor terrível nas costas, minha cama já não é mais macia como era antigamente, já que eu e meu pai íamos de mal a pior em questões financeiras, troquei de roupa colocando uma calça de moletom e uma blusa que cabia duas de mim, mas assim que desci as escadas vi o rosto contorcido do meu pai de me ver trajada daquele jeito “parecendo um garoto” como ele gostava de dizer, nós vivíamos em uma pequena aldeia, todos se conheciam e gostavam de falar da vida alheia, mas parece que a minha vida era o principal assunto.

Viviam falando da “garota que gostava de ler”, falavam que era errado uma menina fazer isso “logo começaria a ter idéias e pensar”.

Ridículo.

Mas isso importava muito para meu pai, já eu só revirava os olhos com os cochichos das velhas senhoras quando ia comprar pão pela manhã.

Eu era diferente, enquanto a maioria das garotas esperavam um “príncipe encantado” eu só me importava em cuidar do meu pai, que já tinha uma saúde precária, e ler meus livros, acho que a única pessoa que me apoiava nisso 100% era o Sr. Kim, dono de uma pequena biblioteca na aldeia, sempre me emprestava os livros com o maior prazer, até me deu alguns dos meus favoritos, os que eu tinha lido mais de 5 vezes e nunca iria cansar.

Eu era feliz daquele jeito.

Até aquelas 4 palavras saírem da boca de meu pai.

- Você vai viajar, (s/n)

- Como assim, papa?

- Eu te amo e você sabe disso mas… Querida, você nunca vai se casar se não mudar esse seu comportamento.

A xícara foi de encontro com o chão, talvez, só talvez, eu estava possessa.

- Você que que eu mude quem eu sou para que as outras pessoas gostem de mim, papa? Isso é ridículo!

- Olhe o linguajar! Nenhuma garota…

- “Nenhuma garota pode falar essas coisas” eu sei! Mas por favor, papa! Pense no que está me pedindo!

- Não vou mudar de idéia - Ele se aproximou e deixou um beijo na minha cabeça - Eu te amo, mas precisa arrumar um marido. Está na idade,

Suspirei.

- Então eu vou te mandar para ir ver um amigo meu, muito distante, ele me devia um favor… Ele vai te ajudar nisso.

Eu sabia que confrontar meu pai não era algo bom, então apenas dei as costas e fui em direção a biblioteca do Sr. Kim, ele iria me entender e me ajudar a pensar no que fazer.

                                                  🍥🍥🍥

Pense em algo bem estranho… Pensou? Certo, agora multiplique por 100.

Esse é o nível de estranheza que as pessoas estavam me olhando enquanto caminhava até a biblioteca, digamos que para uma aldeia onde as mulheres usavam apenas vestidos compridos, quando uma garota de 19 anos sai caminhando por aí com uma calça de moletom, não era algo tão normal.

Chegando lá eu finalmente pude sorrir quando Seokjin veio me abraçar

- Ah, minha pequena! Sinto muito.

- Você já sabe? - O abracei de volta, sentia falta daquele lugar, meu pai andava me proibindo de ir ve-lo dizia que era uma “má influência” já que Jin, como eu gostava de chama-lo, também era muito falado na aldeia já que era gay.

- Toda a aldeia anda sabendo - Ele se sentou em uma poltrona, e eu me sentei de frente pra ele com as pernas encolhidas

- Queria que papa me entendesse, o que tem de tão demais usar calça? é mais confortável e sobre ler… O que tem de tão errado uma garota pensar? Vivo ajudando meu pai a terminar suas engenhocas desde que começou a adoecer, ninguém reparou que era eu fazendo porque não sabiam e se soubessem nunca mais iríamos vender nada - Suspirei, provavelmente era a décima terceira vez, esse era um dos meus hábitos, suspirar quando estava incomodada com algo ou passar o polegar pelo lábio e puxar pelinhas - AÍ!

Jin deu um tapinhas na minha mão quando ameacei fazer isso.

- Você tem vários hábitos estranhos, sabe? - Ele dizia enquanto ia para uma prateleira procurando algo em especial - Mas esse é o que mais me incomoda.

- Desculpa, mama - Sorri, Jin realmente era como uma mãe, já que nunca a conheci, papa dizia que ela saiu de casa quando fiz 2 anos de idade, aparentemente não aguentava a pressão de ser mãe e alguns anos depois recebemos uma carta do novo marido dela dizendo que sentia muito, mas ela havia morrido para a peste negra - O que está procurando, Jin?

- Estou procurando… Isso aqui - Ele retirou um livro da estante, assoprou e me entregou.

Era um livro simplesmente maravilhoso, sua capa era marrom, parecia que tinha sido feita com pelo de algum animal já que era macia, tinha alguns detalhes em dourado, tinha uma flor vermelha como sangue no meio da capa e suas raízes continuavam na contra-capa, tudo com detalhes em dourado também.

- Jin… Isso é… Perfeito! - Não conseguia conter minha animação e abracei Jin tão forte que quase caímos - Você é a melhor mama que eu poderia ter!

- Certo… Obrigado - Ele falava com um pouco de dificuldade, já que eu estava o apertando muito - Não deixe seu pai ouvir isso.

Eu ri. De verdade. Depois de muito tempo eu estava rindo com Jin.

- Queria te levar comigo.

- Mas você vai, sabe (s/n) você sempre foi a filha que eu quis ter, e eu estou te dando um dos pertences mais importantes que eu tenho.

Olhei para o livro em minhas mão e depois para o seu rosto corado e cheio de lágrimas.

- Oh, Jin - E pela última vez do dia o abracei forte - Eu te amo, grandão.

- Eu também te amo, pequena.

                                                  🍥🍥🍥

Depois de todas as despedidas, finalmente fui em direção ao tal do castelo, não entendi como meu pai conhecia aquele homem que morava em um castelo gigante mas provavelmente nunca vou entender.

Encurtando um pouco depois de hooooras naquela carruagem, finalmente chegamos, papa me deixou ficar com os meus livros, mas apenas alguns, claro que eu não ia deixar de levar meus livros então como a boa trapaceira que sou peguei todos. Papa também disse que tinha uma surpresa me esperando quando chegasse então eu estava animada, mas ele me fez colocar um vestido que, diz ele, que era da minha mama.

Talvez ele só disse isso para aquecer meu coração.

Mas eu prefiro pensar que era, era de certa forma confortante.

Ele era completamente branco, suas mangas era ¾ com alguns babados, mas enquanto estava na carruagem peguei minha pequena adaga e cortei até a altura do meu ombro, agora ele tinha pequenas mangas e detalhes em dourado no fim dele

Era simples mais bonito.

Quando cheguei lá, as portas daquele grande palácio estavam abertas e três homens estavam parados lá aparentemente me esperando.

Dois deles eu não conhecia mas o último…

- JIN! - Corri como se não houvesse amanhã, tropeçando diversas vezes no meu vestido, pulei no colo dele e o abracei, eu pareço uma viciada em abraços eu sei, e olha que eles nunca foram minha praia - Você está aqui! Meu Deus…

- Eu nunca ia te deixar, pequena.

Me soltei dele, eu sabia que os outros dois estavam nos olhando mas nem me importei, o importante era que Jin estava aqui comigo como sempre.

- C-Como… Q-Q-Quando…?

- Pouco antes de você sair, seu pai falou comigo, disse que era o mínimo que podia fazer por mim e por você. Agora eu estou com você para te apoiar como sempre e eu posso me deslumbrar com a maior biblioteca do mundo.

- A MAIOR BIBLIOTECA DO MUNDO? EU QUERO VER!

Eu ia correr para dentro do castelo como a criança que sou, mas Jin me segurou e me virou para, provavelmente o amigo do meu pai, eles estavam me olhando de uma maneira divertida.

- Vamos ter um trabalhão com você não é mesmo? - O moço que usava óculos falou - Meu nome é Kim Namjoon, mas pode me chamar apenas de Namjoon.

- Meu nome é (s/n) (s/s/n) mas todo mundo me chama de estranha, então… - Tentei por um pouco de graça na conversa, aparentemente deu um pouco certo já que o tal de Namjoon sorriu

- Vou te chamar de (s/a), certo?

- Beleza

- Não, não, não…

- Oque? - Perguntei mal humorada, sério que eu já estava errando tudo? cheguei agora!

- Nada de “beleza”, diga “certo”

- Beleza, certo… Quer dizer…

- Vai ser bem mais complicado do que pensamos, irmão - O outro rapaz disse - Meu nome é Jung Hoseok, mas todos me chamam de Hope ou Hobi.

- Eu vou te chamar de Jhope, certo? - Imitei Namjoon que deu uma risadinha assim como Jin.

- “Beleza, certo” - Jhope me imitou, me fazendo rir.

Até que não ia ser tão horrível quanto eu pensei…

                                                    🍥🍥🍥

Era a hora da janta mas eu não estava com fome então deixei Jin e Namjoon sozinhos já que “O Senhor Esperança” nem apareceu, a janta demorou um pouco já que Namjoon não aceitava que eu andasse de moletom pelo castelo, principalmente na hora da janta, vai saber, então tive que me trocar, por sorte encontrei dois rapazes, Jimin e Jungkook, ele iriam me ajudar com as minhas “necessidades” e tal.

- Eu não entendo o porque do vestido!

Meu quarto era maravilhoso, provavelmente era o dobro do tamanho da minha antiga casa, tudo tinha alguns detalhes em dourado, as paredes tinham uma cor de creme e a janela tinha uma vista linda para a floresta, no momento eu estava provando meu terceiro vestido, de dezenas que tinham naquele armário vintage, atrás de uma cortina que eu tinha certeza que o desenho era o mesmo que Michelangelo tinha feito na Capela Sistina.

O que? Eu sei história também.

Jungkook e Jimin estavam sentados na minha cama enquanto Jimin falava sobre o jardineiro que pintava as rosas de branco para vermelho, seu nome era Taehyung se eu não me engano, Jungkook não tinha uma cara muito boa.

Será que eu era a única que percebia que Jimin só fazia isso por que Jungkook tinha ciúmes dele e queria que ele desse o primeiro passo?

Enfim, saí de trás da cortina e “desfilei” com o vestido, quase cai duas vezes por causa da barra.

- E agora? - Perguntei fazendo Jimin finalmente calar a boca sobre o rapaz de olhos bonitos - Por favor me falem que está bom, eu estou cansada de trocar e trocar e troca…

- Você está maravilhosa! - Jimin pulou da cama arrumando algumas partes do vestido - Aaaaish eu queria cair bem em um vestido desse…

Eu percebi que todos aqui tinham uma peculiaridade que nunca iria ser aceita na nossa vila.

- Você ficaria ótimo em um vestido desse - Eu disse sorrindo, Jungkook fechou os olhos e suspirou, provavelmente imaginando a cena.

E eu não fui a única que reparou, Jimin sorriu cúmplice pra mim e falou

- Talvez você esteja certa… Eu deveria mesmo provar um vestido.

- Jungkook? - Eu falei, Jimin ainda estava me ajudando com o vestido - O que você acha?

- Do hyung com um vestido?

- Na verdade eu estava falando de mim nesse vestido mas já que tocou no assunto…

                                                     🍥🍥🍥

Agora eu estava perambulando pelo castelo procurando a tal da biblioteca usando algo tão pesado que parecia chumbo, Jin estava muito ocupado babando por Namjoon que nem percebeu eu saindo de fininho, depois de comer apenas duas colheradas daquela sopa.

Eu estava completamente perdida! Eu devia ter perguntado para Jimin ou Jungkook onde que era a biblioteca.

Revirei os olhos com a minha idiotice e abri a primeira porta que me apareceu pela frente, adentrei o comodo não se parecia nada com uma biblioteca, mas minha curiosidade diante daqueles quadros rasgados e uma bagunça enorme.

Por sorte eu estava descalça, meus passos fariam muito mais barulho se eu tivesse ouvido Jimin e colocado aqueles saltos enormes, provavelmente teria quebrado um pé também.

- Olá?

Ouvi um rosnado, por algum acaso eles tinham um cão aqui?

Andei mais alguns passos mas pude perceber que não, não era um cão, era algo… Diferente.

Era Hoseok, mas não o Hoseok de sempre… Não era o Jhope que eu conheci hoje a tarde.

Ele estava de costas pra mim, parecia estar rosnando e olhava fixamente para algo em cima de uma mesa a qual estava apoiado, retesava as costas de vez em quando como se estivesse se segurando para fazer algo.

- Jhope? - Minha voz soou mais baixa do que o esperado, mas mesmo assim ele me ouviu e se virou lentamente.

Meu corpo todo me dizia para fugir de lá como se não tivesse amanhã mas… Não sei, era como se meus pés não estivessem mais conectados com o meu cérebro.

Tudo parou assim que vi seus olhos brilhando, meus olhos passaram dos seus olhos para a rosa que ficava em um vidro naquela mesa, ela brilhava em um tom cor-de-rosa, assim como os olhos de Hoseok estavam brilhando em um dourado muito bonito, mas não deixava de ser assustador.

Uma nova pétala tinha caído.

Hoseok  trancou a mandíbula e enrijeceu as costas

- O que está fazendo aqui? - Ele me perguntou, sua voz não tinha mais aquele toque brincalhão, estava mais grossa e série, um arrepio passou pelas minhas costas.

- E-Estava procurando a… a…. Biblioteca.

- Essa não é a biblioteca então SAIA DAQUI! VOCÊ NÃO PODE FICAR AQUI

Em um surto de coragem eu saí de lá correndo, Hoseok tinha ameaçado me perseguir o que me fez correr cada vez mais rápido, não sei como não tropecei, também não sabia onde estava indo mas quando me dei conta tinha chegado na floresta, parei e respirei, tinha corrido muito, minha respiração estava mais do que alterada e eu não sabia se voltaria viva.

Olhei pra cima e vi a lua cheia, me virei e vi a minha janela, então essa era a floresta que eu tanto achava bonita, bem ela é bonita vista de cima, agora que eu estava lá era mais… Assustadora.

- Hey! - Ouvi alguém atrás de mim - Está perdida?

- Mais ou menos - Suspirei - Quem é você?

- Ah eu sou o jardineiro! Mas todo mundo me chama de Taehyung

- Prazer em conhece-lo, Tae

- Tae - Sua cabeça virou de um jeito adorável e infantil, como se não tivesse entendido

- Tae… Curto para Taehyung, é um apelido sabe? Mas se você não gostou…

- Não gostei? EU ADOREI! Nunca tinha tido um apelido antes!

- Nunca?

- Nunquinha mesmo! Qual é o seu nome?

- (s/n) mas todos me chamam de (s/a)

- AAAAHHHH Gostei - Ele sorriu, seu sorriso era meio quadrado, achei isso uma graça - Você quer ir ver as flores? Eu as estou pintando de vermelho, talvez você poderia me ajudar um dia desses…

- Claro! Eu adoraria, mas o que você está fazendo na floresta?

Começamos a caminhar enquanto conversávamos, e eu esperava não tropeçar em nada, nem pisar em algo pontudo já que estava descalça.

- Eu vim pegar mais adubo, a terra aqui é muito boa mesmo o único problema de vir á noite na floresta são os…

Sua frase foi cortava por rosnados, pensei que Hoseok estava aqui para finalmente me matar mas acho que não estava ali para isso, na verdade os lobos que aparecem pela noite na floresta iriam nos matar, Taehyung ficou pálido e eu não conseguia me mexer, engoli em seco vendo os olhos negros dos 2 lobos que estavam ali se aproximando, olhando mais em cima, haviam mais 3 lobos em cima de algumas pedras ao longe, provavelmente esperando os seus amigos nos matarem para vir aproveitar do banquete de duas pessoas.

Hoje era o dia da nossa morte, segurei a mão de Taehyung que grudou seu corpo no meu e esperamos.

Mas nada.

Fomos só abrir os olhos quando ouvimos os outros lobos fugirem, ruivando.

Abri meus olhos lentamente e encarei Taehyung, ele estava olhando pra frente, assustado e paralisado, virei meu rosto para onde ele estava olhando e vi os dois lobos que estavam se aproximando da gente, mortos e Hoseok caído.

Quer dizer, não era bem Hoseok… Ele estava maior, peludo e… Sangrando?

- Céus - Corri em sua direção, depois de alguns segundos Tae acordou pra vida e foi me ajudar - Vamos levá-lo de volta para o castelo

Tae apenas se limitou a acentir com a cabeça,mas eu não o culpo foi um momento terrível para nós dois.

- Hoseokie… - Ele apenas olhou pra mim, seu rosto estava todo arranhado, assim como o reso do seu corpo e eu tenho certeza que teriam algumas moridas por aí - Você vai ficar bem.

Beijei sua testa e ele fechou os olhos

…………………………………………………

Como já está ficando meio comprido eu vou dividir em duas partes e posto outro dia. Talvez amanhã se der tempo.

Leão. Não existiria um animal que melhor representasse Angelic do que o rei das selvas, sempre controlando as coisas a sua volta, protegendo seu “bando”, forte e seguro. Era assim que a Di Fiore se via e sentia-se na maior parte do tempo, por conta disso, não precisara sequer pensar muito na escolha de sua fantasia. O vestido dourado, justo e comprido dificultava um pouco seus movimentos, para ele era apenas para sua entrada na festa, frente as câmeras, enquanto ainda estava “trabalhando”, precisava ter certeza de que tudo estava como o planejado, antes de realmente entrar e curtir a festa. Logo que tudo estava da maneira que ela queria, Angel foi até uma das salas da boate da família, e retirou a parte de baixo do vestido, o deixando mais curto e confortável para andar. Saiu de lá assim, se sentindo um tanto melhor, e os olhares que agora a acompanhavam pela pista. “Muito melhor assim.”

Capitulo 20 {Tudo ou Nada}

POV VANESSA MESQUITA

Passei o resto da semana sem contato nenhum com Clara. Ela parecia estar mais me ignorando do que qualquer outra coisa, e, eu tinha que admitir que aquilo estava me irritando um pouco. Que tipo de menina me beija e depois foge? Entretanto, aquilo só podia significar que estava se resolvendo e se contentando com Ariane. Não havia outra explicação na minha cabeça, afinal, não teria por que ela me ignorar.

A sexta-feira chegou logo e eu tive que conter a minha vontade de ir falar com Clara para ver como tinha sido a prova. Eu estava aflita por ela mais do que eu já ficara por qualquer outro calouro que ia fazer a prova de Anatomia. Então, fiz Mari descer até o andar de Clara e perguntar para ela se ela tinha ido bem na prova. Depois de algum tempo esperando do lado de fora da minha sala, Mari chegou pelo elevador.

- E aí, como ela foi? – perguntei, chegando perto dela. – Ela foi bem? Ou ela foi mal? Caíram que questões? Aquela questão do esternocleidomastóideo? Eu sabia que devia ter feito ela entender melhor esse nome! – Mari me encarava com a sobrancelha direita levantada. – Mari, por que você não tá falando nada?

- E você lá tá me dando espaço pra falar? – ela indagou – Relaxa, a Clarinha disse que a prova foi ótima.

Suspirei aliviada.

- ótimo – sussurrei.

- Hey, porque esse interesse todo na Clara? – ela perguntou.

- Como assim, Mari? – Bufei, fazendo uma expressão de indignação. Rolei os olhos. – Eu sou a tutora dela, oras! – Bufei de novo, e Mari levantou a mesma sobrancelha que tinha levantado anteriormente. – É cada uma, Mariana! – Que absurdo! – E saí pisando forte para o elevador, deixando Mari com cara de taxo no corredor. Ela nem veio atrás de mim. Devia estar pensando que eu estava enlouquecendo. E eu não a culpava. Eu meio que estava mesmo.

Praticamente corri até o meu dormitório e abri a porta dando de cara com Ângela e duas maquina fotográfica. Assim que ela me viu, focou a lente e tirou uma foto minha. O flash me cegou por alguns segundos e tudo o que eu consegui pensar foi o quanto aquela garota era louca.

- Hey, Van – ela disse sorridente quando abaixou a câmera. – Vai sair hoje?

- Vou, sim – falei. – Hoje tem Bubu, bora?

Ela torceu o nariz.

- Hoje não dá – Ângela disse. – Tenho que ir pra casa, meus pais já estão me esperando lá embaixo. – E então, deu um sorriso chateado. – Fica pra próxima.

E como o mesmo sorriso, saiu do quarto, me deixando para mais um final de semana sozinha. Minha mente viajou para o final de semana que eu havia passado com Clarinha e eu não pude evitar sorrir. Fora tão bom…

Tentei dissipar esses pensamentos e corri para me arrumar. A trupe inteira ia. Eu, Mari, Kadu e, é claro Akemi e Emily. Que praticamente batiam cartão naquela balada.

Arrumei-me rapidamente. Coloquei um vestido vermelho e sapatos de salto alto pretos. Os cabelos, deixei soltos e a maquiagem, fiz carregada de rímel e lápis de olho. Isso sempre realçava os meus olhos, e eu gostava disso, pois era a minha parte preferida do meu corpo.

Desci e já encontrei com Kadu e Mari do lado de fora, me esperando. Pegamos um táxi e fomos conversando até lá. Mari ainda me lançava um olhar desconfiado ora ou outra, mas eu sabia que ela não ia perguntar, e eu agradecia por isso. Não estava afim de um interrogatório quando nem eu mesma sabia o que estava sentindo por aquela menina.

Chegamos na balada e Kadu já me puxou para a pista eletrônica, dizendo que nem queria passar pela área de musica ao vivo, já que Ana Paula estava lá aquela noite. Concordei com ele e fui mas não consegui ficar mais que trinta minutos ali e a musica alta já estava ameaçando furar meus tímpanos e destroçar a minha paciência. Disse à ele que iria na área de musica ao vivo e ele me lançou um olhar decepcionado, mas concordou.

Saí praticamente correndo dali e fui para a área que eu mais gostava. Ana Paula estava com um shorts de cintura alta, uma camiseta branca e bota nos pés. A marca registrada das pintas de leopardo estavam ali em seu rosto, como sempre, e sua maquiagem parecia impecável.

Gostosa como sempre.

Ela começou a tocar uma musica qualquer.

- E aí, delicia! – ouvi uma voz familiar falar atrás de mim, e logo depois, senti minha bunda se apaertada.

- Akemi! – praticamente gritei quando a vi e pulei em seus braços.

- Que tá fazendo aqui sozinha? – ela perguntou, enquanto balançava em sua mão uma caipirinha. – Ah, não! Já sei. Aquele viadinho tá na pista eletrônica e você veio pra cá sozinha certo?

Apenas concordei. Quando foi que o meu relacionamento com Kadu ficou tão previsível?

- Acertou. Mas me diga, o que você esta fazendo sozinha? Cadê a Emily?

- A Emily não veio – ela disse, apertando o copo nas mãos e abaixando a cabeça. – Ela ta meio brava comigo. – Quando levantou a cabeça, deu um sorriso triste e eu vi que seus olhos estavam meio marejados.

- Por quê? – perguntei.

- Ah, ela ta querendo namoro, Van! Eu não quero namorar.

- Não quer namorar a Emily ou não quer namorar uma garota?

- Qual a diferença? – ela perguntou, comprimindo os olhos. – É a Emily é uma garota.

- Tem muita diferença, Akemi.

AnaP. Continuava tocando, mas eu estava dispersa demais para que eu conseguisse ouvir qualquer coisa que saísse da boca dela, já que assim que olhei para quem estava na “plateia” vi que, há poucos metros de mim, Clara estava em pé, observando AnaP. Com admiração. Tive de admitir que aquilo me deu uma pontinha de raiva, o que eu estranhei, é claro, afinal, eu não nutria sentimentos por AnaP. Há muito tempo.. Olhei para ela enquanto ela terminava de cantar, tentando procurar em seu rosto a resposta para os meus problemas, mas tudo o que veio foi um sorriso (lindo, diga-se de passagem), e, pasmem, não era na minha direção. Quando segui o olhar que ela estava dando, pude observar que era na direção de Clara. Ela pareceu envergonhada, e eu, obviamente tinha que segui-la.

- Já venho – disse à Akemi. – Vou ao banheiro.

E então, fui atrás de Clara. Chegando lá, vi que ela estava molhando o rosto com a água da pia, e aquela cena me deu mais raiva ainda. Ela já tava com fogo pra cima da Ana P.? Puta que pariu, essa menina não perde tempo mesmo.

Coloquei minhas duas mãos na cintura e esperei que ela me encarasse, e assim que ela fez, quase tropeçou no próprio pé de tão surpresa que ficou.

- Você não tem nada melhor pra fazer além de ficar me encarando no banheiro de uma boate? – ela perguntou, sarcástica, ainda me olhando através do espelho.

Que garota metida!

- E você não tem nada melhor pra fazer além de ficar secando a vocalista da banda? – perguntei no mesmo tom. Ou pelo menos eu achava que era o mesmo tom.

Clara sorriu, e se virou para mim.

- você não tem direito nenhum de ter ciúmes de mim, Vanessa.

Bufei com a falsa indignação.

Ciúmes? Eu? Dela? Faça-me o favor.

- Eu não estou com ciúmes!

Clarinha levantou a sobrancelha direita e se apoiou na pia com as duas mãos.

- E tá aqui no meio do banheiro fazendo essa ceninha por que mesmo?

Procurei por uma resposta na minha cabeça, mas não encontrei nenhuma. Na verdade, eu encontrei algumas sim, mas nenhuma das quais eu iria admitir em voz alta. Clara bufou da minha falta de reação, e voltou ao espelho, ajeitando a sua maquiagem. Sorriu para o espelho e se virou para mim.

- Seu namoradinho deve estar te esperando lá fora – ela disse. – Vai lá e se joga nos braços dele. É isso o que você faz de melhor mesmo.

E então, se virou para a porta e fez menção de sair, mas eu a puxei pelo braço, fazendo com que ela voltasse e chocasse seu corpo contra o meu. Algumas vozes surgiram do lado de fora do banheiro e a minha única reação foi puxá-la para dentro de uma das cabines. Encostei Clara na parede de uma delas, segurando-a pela cintura. Ela não recusou o meu toque e não resistiu um segundo sequer.

- Eu vou te mostrar o que eu faço de melhor – sussurrei próxima ao seu ouvido e senti seu corpo estremecendo de encontro ao meu. Passei meus lábios pela extensão de seu rosto e desci até o seu pescoço, acariciando-o com a ponta do meu nariz, e sentindo os pelos dali se arrepiarem. Eu adorava as reações que o corpo de Clara dava ao mais simples toque que eu fazia. Beijei seu pescoço com delicadeza. Os braços de Clara estavam ao lado de seu corpo, como se isso fosse protesto o suficiente para que eu parasse. Mas eu sabia que ela estava cedendo. Ela sequer me empurrou; ela sequer tentou de desvencilhar do meu corpo; ela sequer disse para que eu parasse. Ela queria tanto quanto eu.

Subi meu rosto até o seu e a encarei nos olhos. Aqueles mel que invadiram os meus sonhos durante aqueles meses. Encarei seus lábios, rosados, perfeitos. Sua respiração estava ofegante, e eu podia apostar que a minha também estava, mas eu não estava dando muita atenção para mim mesma. Tudo o que importava era Clara. Seus olhos estavam presos em meus lábios, e em um movimento ela mordeu o lábio inferior, e foi aí que eu não resisti. Apertei seus lábios contra os meus e já fui pedindo passagem com a minha língua. Ela cedeu com facilidade e iniciamos um beijo lento que logo foi se tornando rápido. As mãos dela saíram da defensiva e vieram de encontro ao meu cabelo. Clara enroscou seus dedos neles e me puxou para mais perto, como se isso fosse possível. O beijo daquela garota era o mais incrível que eu já havia provado e eu não queria parar tão cedo. Eu não queria ir rápido, não queria mesmo. Quer dizer, eu queria sim. Queria muito, mas eu não iria rápido, pois não sabia absolutamente nada da opinião de Clara sobre aquilo. Entretanto, estar naquela cabine, com o corpo dela pressionando ao meu, com a minha coxa entre as suas pernas e suas mãos enroscadas nos meus cabelos, estava fazendo com que eu perdesse todo e qualquer autocontrole que me restava. Clara desceu a mão até a minha coxa e ali, a acariciou. Meu vestido não era tão comprido, então ela logo chegou na minha pele. Encostou na minha coxa e subiu um pouco a mão, para debaixo do meu vestido. Logo que escorregou a mão para trás e encontrou a minha bunda, ela parou. Olhei para ela e notei seu rosto corando furiosamente.

- Desculpe – ela disse, sem graça. Eu sorri.

- Clarinha – eu disse. – Desencosta da parede.

Assim que ela o fez, levei minha mão até a sua bunda. Eu queria encorajá-la a fazer o que ela quisesse fazer. E aquilo só me excitava cada vez mais. Passei minhas mãos até abaixo de sua bunda, peganda-a pelas suas coxas e ela precisou colocar a mão na boca para não gritar em surpresa. Mas mesmo com a surpresa, ela envolveu minha cintura com as pernas dela. Trouxe suas mãos até o meu rosto e desceu o  seu para me dar um beijo, bem mais quente dessa vez. O toque dos lábios dela me fez estremecer todinha por dentro, e apenas com aquele contato, eu já sentia minha intimidade completamente molhada. Céus, como eu a queria. Quando a língua dela entrou em contato com a minha, eu quase bambeei as pernas, e isso resultou em ter que segurá-la com mais força. Com esse movimento, Clara tentou se arrumar no meu colo e deu uma rebolada involuntária. Eu apertei sua bunda com mais força, desci minha cabeça até o seu pescoço novamente, e ela deixou escapar um gemido quase inaudível próximo ao meu ouvido.

Voltei a beijá-la, meu desejo explodindo dentro de mim. Eu estava com tanta vontade de ter aquele corpo de Clara que chega soia. Tirei minhas mãos de suas coxas e ela se apoiou no chão. Então, a imprensei na parede novamente e minhas mãos já buscavam por seu vestido. Subi um pouco a barra dele, deixando a mostra parte de suas coxas deliciosas… digo, bem torneadas. Passei a mão por ali e fui subindo até chegar na sua calcinha. Coloquei a mão por cima dela e para a minha surpresa, Clara estava tão molhada quanto eu. Entretanto, antes que eu pudesse fazer qualquer movimento, uma voz do lado de fora do banheiro nos tirou do nosso mundinho.

- Vanessa! –reconheci Akemi gritando do lado de fora.

Maldita, Akemi! Maldita! Maldita!Maldita!

- Quem é? – perguntou Clara, ainda ofegante.

- É uma amiga – respondi sussurrando.

- Vanessa? – Akemi perguntou de novo. – Vem, delicia! Não quero terminar noite sozinha hoje!

Eu sabia que Akemi estava brincando. Ela estava completamente chapada e nem tinha noção do que dizia, além do quê, nos chamávamos de “delicia” e de “gostosa” o tempo inteiro. Pra mim era norma. Para Clara não.

Ela me olhou com um olhar magoado que logo foi transformado em raiva. Puxou as minhas mãos e retirou do contato com o seu corpo. E, antes que eu pudesse falar ou fazer qualquer coisa, abriu a porta da cabine e saiu pisando forte. Eu estava atônita demais até para me mexer. Puta que o pariu, Akemi!

Sai da cabine e procurei por Akemi.

-  Akemi! – gritei, girando os calcanhares e procurando por ela no banheiro. – Onde diabos você está?

- Van – ouvi a voz rouca de Akemi. Procurei-a e a encontrei sentada no chão do banheiro com a cabeça inclinada na direção de um dos vasos sanitários. Ela tinha acabado de vomitar.

- Akemi! – gritei. – Puta que o pariu, garota! Você vai pra casa agora! Vou te levar.

- Mas Van.. – ela disse. – A Emily nem apareceu ainda.

- A Emily não vai vir, Akemi. Você trate de se recompor antes de querer qualquer coisa dela.

Ok, eu estava sendo pouco má com a minha melhor amiga, mas eu estava chateada também. Ela parou o possível melhor sexo que eu teria na minha vida. Ela me interrompeu com Clara e ainda a fez sair brava comigo dali. Sempre tinha alguém pra me interromper com ela, e isso já estava me estressando.

- Você acha que ela não me quer? – Akemi perguntou depois de alguns segundos, quando envolvi sua braço nos meus ombros. Ela estava cabisbaixa, parecia realmente chateada. Uma pontinha de culpa me invadiu.

- O que você ta dizendo não faz sentindo, Akemi – eu disse, tentando ser mais dócil dessa vez. – A Emily te ama. Ela te pediu em namoro! Você que tem medo do que sente.

Saí da Bubu com Akemi ainda escorada a mim e chamei um táxi.  A minha noite tinha sido um misto de “ótima” com “trágica”. Assim que deixei Akemi em casa, mandei uma mensagem de texto para Kadu, dizendo que tive que ir embora. Eu sabia que ela ia ficar puto da vida, mas eu não podia fazer nada.

Cheguei no meu dormitório e me joguei na cama, com meu celular em mãos. Ele vibrou. Imaginei ser Kadu, ou até mesmo Clara com uma mensagem de ódio. Mas quando olhei o visor, me surpreendi com um nome que há tempos não via.

lovespizza: Parece que você é a única que consegue me entender, por isso, sinto tanto a sua falta. Podíamos parar com essa bobagem de deixar em segredo quem somos não acha? Que tal nos encontramos? Quero tanto ver seu rosto..

Meu coração disparou no mesmo instante. Eu não sabia como diabos eu conseguia ter emoções similares com pessoas diferentes ao mesmo tempo, e isso me irritava profundamente. Eu estava tendo sentimentos por outras pessoas quando na verdade já namorava. Isso era ridículo.

Respirei fundo antes de responder. A mensagem fora digitada devagar, como se eu tivesse vontade de prolongar o momento, para que mais para frente eu pudesse me lembrar de cada detalhe. Mas, assim que enviei, tive certeza de que era o que eu realmente queria. Já estava na hora.

blackeyes: à qualquer hora, em qualquer lugar.