verão de poesia

Amor.

Amor é vício; o oposto do ódio; é querer não sair do momento presente; é quando você começa sentir medo por se importar demais; é quando começa a sentir medo de perder a pessoa; é quando você começa a pensar sobre; é o que você sente por si mesmo; é felicidade; nem sempre é recíproco; é acordar cedinho e fazer café; é o boa noite, bom dia, boa tarde; é o “você é tão linda”. Amor foi quando você disse que não era mais a mesma pessoa, porque entrei em sua vida e mudei tudo. Amor foi quando chorei pensando que tudo ia acabar por causa de uma briga boba. Amor foi quando você disse “meu amor” pela primeira vez. Amor foi quando mandei uma foto minha horrível, só para fazer você dar risada. Amor é minha preocupação com seus sentimentos. Amor é querer o bem do outro. Amor é chocolate. Amor é banho quentinho depois de um dia cansativo. Amor é muito muito valioso. O amor é azulzinho.

Obs: amor não é paixão.

—  Érika Silva
Meus bisavós são bem velinhos, minha bisavó tem 90 e meu bisavô tem 92. Meu bisavô sofre de um problema de esquecimento, ele não lembra quem são seus filhos, não lembra o nome dos seus pais, não lembra nada mesmo... Exceto que ela é sua mulher, sua esposa, lembra o nome dela, lembra o que viveu ao lado dela.. E na minha opinião, eles só continuam vivo por causa do amor que sentem um pelo outro. Eu acho isso lindo, pra mim é mais uma prova que o amor existe e que ele supera qualquer coisa, até as dificuldades e os obstáculos da vida. O amor sempre vence, não importa o problema se estivermos amor, temos tudo, temos MUITO.
A lo mucho sé tu nombre…
Pero hay cosas que no son trascendentales…
Sé, por ejemplo, que tus ojos brillan
de una extraña manera,
que tienes un auto raro, una sonrisa linda,
muchos sueños, empatía y corazón verde…
Que la barba te viene bien…
que si sonríes se abre el mundo…
que si ríes me derrumbo 
como cubito de hielo…
Que desde que te vi me da más por escribir
prosa cursi, versos sin sentido, y que sonrío
todo el día, a todas horas,
sobretodo si te veo, aún de lejos…
Porque llenas el espacio, abarcas el silencio,
construyes la idea más bonita con sólo pensarte…
nomás de verte, sin acercarme…
sonrisa que mata suavemente…
y sigo pensando en el brillo de tus ojos,
que me pone tan cursi…
—  Clara Ajc
O Relicário de Xavier: Gato escaldado

Um dia ela deixou a panela na pia
Eu estava com tanta fome
Só pensava em comer
E nem pensei que a comida fervia.

“Shhhhhhh”
Foi o som da pele
“Aaaaaaai”
Foi o som da boca.

Agora fujo de toda panela
Dando sopa.

“Gato escaldado tem medo
De água fria”
Mas que papo é esse de água?
Eu tenho medo é de panela na pia.

A frigideira que não é
Nada fria
A panela de pressão que me
Dá tensão.

Até durante o café da manhã
Penso asneira
E morro de medo quando
Vejo a leiteira.

No almoço, na janta
Na hora do chá
Quando o bule
Assovia.

Não dá pra parar
Nem dá pra confiar
Já sei que quando crescer
Cozinheiro não vou ser.

A não ser que eu
Possa fazer
Comidas mornas
Naquele micro-ondas.

< Thiago Pedrosa >

Quem será capaz de prever a tempestade?
O rádio adverte:
A saudade de hoje, acordará como inimizade
Reme, concentre-se e liberte o inerte…

Além da cegueira que lhe detém,
Por quem estás a exibir o teu infinito?
Paixão pelo aflito, toda a unanimidade ao erudito
Trezentos vivas para o amor de três dias…

Deixei o dado rolar, deixei a previsão se assustar
A cartomante leu a mão, eu pedi segredo
Mas o olhar pôde ser lido como livro
E assim soube de todos os passos desde cedo

Semeia-te a colheita
Responda com enderenços a todos as desfeitas
Convite extraviado, desforra a linha, no traço ao laço
O voluntariado fora pescado e exibido na televisão

Transcreva o plano de voo a punho
O precioso tapete persa aterrissará em junho
Temos data e hora ao ocorrido
A pane do sistema já fora reconhecido, o pânico se detém desde que ele fora concebido…

Que pena, os panos nobres não serviram para os ânimos
Hora animados, adormecem em anemia
Calem-se por um instante, perdemos a rota do arquipélago
Doutor arqueólogo, defina-nos o arque-inimigo

O perigo está por um pulso
Compulsivo e sui generis, não sabes mais o sabor da maioria
Modernidade escancarada, times perdedores dissecados
O terno está passado, o discurso repassado e cheio de frases de impacto

Roa as palavras do indecente
Infâmia rende manchetes ao jornalismo
O populismo és severo!
O mercado espera o salvador próspero…

—  Modéstia A Parte, O Pior Dos Piores Está Em Nossos Espelhos (A Rota De Colisão Do Carma) - Pierrot Ruivo
¡Que te como!
con mis besos
¿acaso el lugar debe de importar?
aquí o allá
en marte o Venus
tus labios seguirán siendo labios
anhelados
llenos de misterios
sedientos de mi
testigos del amor que siento por ti.
—  R. Vela.

O Sentido Normal da Palavra

O sentido normal das palavras não faz bem ao poema. 
Há que se dar um gosto incasto aos termos. 
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera. 
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxúria convém.

Manoel de Barros