vanessa rosa

SO, in Brooklyn Nine-Nine we get Boyle’s dad, Gina’s mom, Jake’s parents, Terry’s family, and Holt’s sister, all as guest stars… but no family love for Amy and Rosa? 

I’m sure that when we finally get to see some of their family members (a shortass clip of Rosa’s nameless sister and kids for the Thanksgiving episode doesn’t count), we won’t get blatant stereotypes, but I am nervous that there might be little to no indication that they come from Latin American roots (whichever they may be) or be just very generic Latin American families with no regard for certain differences between Latino cultures.

My two hopes are these: that the show hasn’t shied away from revealing that both Amy and Rosa speak Spanish, and Stephanie and Melissa are both proud Latinas who could have a say in the representation of the characters.

PS. pls get Lin-Manuel Miranda as a Santiago brother and Hector Elizondo as Amy’s dad

youtube

Laura Marano Signs Record Deal, Talks Final Austin & Ally Song - Kids Choice Awards 2015

Capítulo 41.1

Vanessa: É… o… como…

Ela gaguejou e não conseguiu finalizar uma frase, até ficar com uma cara de “WTF?!”

Clara: Ô mulher, deixa eu entrar!

Falei já invadindo o quarto, já que ela não tinha ação alguma. O medo que antes até estava controlado voltou a tremer pelo meu corpo. Minhas mãos estavam frias e molhadas, bateu logo uma síndrome de não ficar quieta, ora eu mexia no cabelo, ora balançava as pernas, ora estalava os dedos. Eu era uma pilha de nervos em quanto ela era uma estátua. Me encostei na cama e tentei controlar a loucura do Thor e felicidade do Boi. Ela ficou de frente a mim, como se quisesse entender aquela situação.

Vanessa: Clara…

Ela falou com um fio de voz, que me fez voltar a tentar soltar as palavras.

Clara: Van… Eu queria te pedir desculpas, por ter colocado minha mãe entre a gente.

Vanessa:É…

Ela fez um olhar confuso, e eu notei que além de linda, ela tava bem lenta.

Clara: Tô falando de quando tudo começou, Van. Quando eu tava naquele hospital, mil coisas passavam pela minha cabeça, tudo eu imaginava que você tava se relacionando com aquele médico. Pra mim, era mais do que amizade, aquele ciúme foi me corroendo, eu fui dando voz as loucuras que minha mãe dizia. Eu tinha acabado de sobreviver! Porra, eu me acordo e você tá de amorzinho com aquele doutorzinho!

Vanessa: Amorzinho o caralho! Cê tá louca, Clara?! Cê sabe o que eu passei naquele tempo?! O quanto de desaforos escutei da tua mãe e o quanto eu tive que me esconder naquele hospital?!!!

Vanessa conseguiu simplesmente me calar, ela me gritou com uma raiva que dava pra sentir pelos olhos dela. Eu, simplesmente desabei. Eu tinha minhas dúvidas! Eu não sabia o que tinha se passado ali. Porque não conversaram comigo?

Clara: E por causa da minha mãe você tinha que ficar pra cima e pra baixo com aquele médico?! Você não via as segundas intenções dele?!

Vanessa: É lógico, não sou criança e nem ele! Mas ele me respeitava, ele sabia o quanto eu estava sofrendo por você!

Clara: Ah ta! Agora, você que não vê a maldade, né?!

Vanessa: Mano! Se você acha que eu sou filha da puta desse jeito aí, então não sei o que você tá fazendo aqui!

Vanessa deu as costas pra mim e foi em direção a porta. Nesse momento eu me desesperei, cobrei de mim, uma atitude, corri até ela e a puxei pelo braço. A força dela era bem maior que a minha, mas o meu puxão a pegou desprevenida, e ela virou-se já enxugando as lágrimas.

Vanessa: Você não concorda comigo, Clara?! Eu vendo a mulher que eu amo em cima de uma cama de hospital, tendo sobrevivido de um acidente que até mesmo eu julgava ser minha culpa, e eu apesar disso ainda conseguir me relacionar com outra pessoa… Eu tenho que ser uma tremenda filha da puta! Não acha?!

Era como se tudo entrasse em mim como fogo, me queimava até a pele, tudo que a Vanessa soltou. Mas “a mulher que eu amo”, me marcou. Eu estava passando a ver tudo com outros olhos. Quando nós amamos alguém é assim, nós fantasiamos momentos, criamos sentimentos inexistentes, tudo o que o ciúme nos oferece é criar um mundo onde quem nós amamos queira nos fazer de besta a qualquer custo. Mas quando o nosso amor, nos cita como “O meu amor”, tudo se derrete, inclusive, acho que até nosso cérebro. Porque é impressionante como surge um arco íris nos nossos olhos, um novo caminho, uma nova descoberta. Descobrimos que existe a reciprocidade.

Clara: Calma, Van! Pera, volta aqui… Vamos sentar aqui.

Falei a puxando para nos sentarmos no tapete que tinha ali.

Clara: Me perdoa! Por isso também! Me perdoa por ter sido tão idiota… Eu não enxergava dessa forma! Eu..

Vanessa: Clara…

Clara: Vanessa! Eu vim atrás de você, sua mãe me falou que você tinha saído, e quando eu cheguei na boate vi você ficando com o Jonas! Então tudo o que tinha na minha cabeça se confirmou, entende!?

Vanessa: E eu, Clara? Você só pensou em você! Não sabe como foi difícil pra mim, e quando eu pensava que tudo ia melhorar, pois você tava melhorando, você praticamente me expulsou da sua vida! Você nem imagina o quanto eu sofri e me preservei esperando por você que não vinha nunca! Aí você vem atrás de mim, justo no dia que eu resolvi seguir minha vida?! E ainda se acha no direito de criar teorias loucas a meu respeito?!

Clara: Van… eu…

Vanessa: Você mesmo! Você é uma trouxa, mano. Quantas vezes te chamei pra conversar, e você sempre colocava algo na frente, você me tirou da sua vida sem uma conversa!

Clara: Eu sei, eu sei! Mas só agora eu sei. Mas eu tb sofri, Van. Eu senti saudades de você! Eu estava perdida todo esse tempo e só eu não enxergava isso.

Vanessa: Eu deveria ter insistido em conversar contigo…

Clara: Iria adiantar?! O destino, poderia muito bem atrapalhar, poderia ter dado errado outras coisas. Acho que a gente precisava desse tempo. Pelo menos, eu, precisava.

Ela baixou a cabeça e abraçou os joelhos com o braço, logo em seguida me olhou. Ela não sabia como dar continuidade na nossa conversa, Vanessa apesar de demonstrar toda a sua mágoa, estava com um pé atrás comigo.

Clara: Eu sei que aquilo que eu te disse naquele hospital, é real. É o que eu sinto por você! Você lembra?

Vanessa: Óbvio.

Clara: Então, precisei me enganar nos braços de outras pessoas, me afundar em bebidas, e sofrer a cada dia que passou.

Vanessa: Nós sofremos de maneiras diferentes.

Clara: Exatamente.

Eu não consegui conter um pequeno sorriso, envergonhado e fraco.

Vanessa: Para! Não sorri!

Clara: Você tá feliz com aquele Sr. Jaleco?!

Vanessa: HAHAHA!! Para, Clara!

Clara: Me responde, você tá feliz?

Vanessa: Eu não tô com ele…

Clara: Mas, você…

Vanessa: Eu o que?! Você que tá com aquela baixinha louca!

Clara: Eu não tô com ela, depois que fizemos amor, no dia do casamento, eu já não queria mais voltar com ela. Depois da briga, pra mim, foi o fim. Eu só…

Vanessa: Só o que?!

Clara: Ah, mano, ouvi você dizendo que ia chamar ele pra almoçar, ai quando veio falar comigo cê começou avisando que tinha conversado com o Jonas, tava toda estranha, me deu um pavor, e eu inventei e deixei no ar coisas que não existiam.

Vanessa: Mano!!! Oh como cê é trouxa! Eu ia te falar, que já não conseguia mais ficar com ele, e que iria terminar na manhã seguinte.

Eu simplesmente me achei a pessoa mais idiota do planeta, eu tava morrendo de vergonha de ser tão paranoica! Eu entendi tudo errado, e ainda quase acabei afastando a gente de novo. Me encolhi e claro que fiquei visivelmente fora dali.

Vanessa: Clarinha, porque você veio aqui?!

A resposta dessa pergunta abrange muita coisa, mas é compreensível só com uma frase.

Clara: Porque Eu te amo…

Ela levou uma das mãos até a sua boca, deixando tapar o sorriso que ia de orelha a orelha, esse gesto demonstrava como ela tava com muita vergonha, mas também muito feliz.

Eu fui até ela e parei bem próxima do seu rosto, nós duas estávamos com os olhos vidrados uma na outra, nossas bocas ora sorriam, ora arfavam de vontade contida. Primeiro eu a abracei, nossos corpos se encaixaram como se um precisasse do outro, o beijo foi consequência.

Vanessa: Olha aqui pra mim…

Nós estávamos deitadas, nos beijando, até que ela puxou meu queixo, pra que eu a olhasse.

Vanessa: Eu te amo…

Clara: Tá, mas agora nós precisamos começar direitinho.

Vanessa: É sim… Sem meias conversas, meias pal…

Clara: QUER NAMORAR COMIGO?!

Ela gargalhou e mais uma vez tentou tapar a boca com a mão.

Clara: ah, tá… você não quer, né vagabunda?!

Me desfiz do abraço dela e fingi estar com raiva.

Vanessa: ÓBVIO, CLARO QUE EU QUERO!

Clara: Rum…

Vanessa: Vem cá, minha bicudinha linda!

Ela falou rindo e me abraçando, distribuindo tapas por todo o meu corpo, óbvio, estou falando da Vanessa, tapas não poderiam faltar.

Vanessa: Agora, cadê?!

Clara: O que?!

Vanessa: O buquê de rosas, caixa de chocolates… ué!

Clara: Te trouxe algo bem mais precioso e gostoso do que isso tudo!

Vanessa: Hum… xeu ver! É bolotinha, loirinho, uma peste igual a você?!

Clara: Isso mesmo!

Vanessa: Obaaaa!! Obrigada, amooooor… melhor presente de todos os tempossss!!

Vanessa levantou-se e me deixou lá estirada no chão, correu pra porta e sequer fechou. Eu fiquei lá rindo da cena. Nossa, como eu tô… Em paz! Meu coração bate tranquilamente e eu sinto uma alegria ferver em todo o meu corpo. Sim, eu tava sorrindo pro teto, pro vento e pro nada.

PS. Kamy <3

Capítulo 74

Junior: E ai Van. Posso me sentar com você?
Vanessa: Pode, claro.
Junior: Chateada?
Vanessa: Por que?
Junior: Pelo comentário. – Vanessa sorriu forçado.
Vanessa: Capaz! Depois da noticia que vocês nos deram, impossível se aborrecer com algo. – Junior sorriu bobo.
Junior: É, quem diria, eu papai!
Vanessa: Eu vou ser uma ‘tia’ coruja, já aviso.

Junior: E eu não sei? – Ele riu. – Mas agora é sério, você ficou mal né?
Vanessa: Deixa isso pra lá Ju.
Junior: Não adianta negar. Mas você sabe, o cabeçudo do Fabian não sabe de nada, falou por falar aquilo e o beijo….- Vanessa o interrompeu.
Vanessa: É sério Ju. – Ela segurou a mão dele. – Já não importa mais isso.

Junior sabia que ela estava bastante chateada, mas como sempre, não gostava de expor o que sentia. Clara ao ouvir Vanessa falar que não importava mais desistiu de tentar conversar, depois disso, não havia razão pra nenhuma explicação e assim, voltou pra sua mesa.

Mais umas horas de festa e o pessoal foi embora. A semana passou voando, Vanessa sempre ocupada com a Boate e Clara com sua empresa. Mesmo com a cabeça ocupada, elas tinham tempo pra pensar uma na outra. 

Vanessa e o DJ conversaram e decidiram divulgar um pouco mais a boate, agora em bairros mais distantes e até em cidades vizinhas, pra isso, Vanessa e Clara precisariam trabalhar juntas novamente. Vanessa pediu pra uma de suas funcionárias ligar e marcar uma hora com Clara para acertarem isso. O dia tinha chegado e elas estão nervosas, pra variar.

Clara: Boa tarde, Vanessa.
Vanessa: Boa tarde, Clara. Pode entrar e sentar-se. – Clara entrou no escritório e sentou-se.
Clara:Vai estender as divulgações, então?
Vanessa: Vamos sim. Vamos aproveitar a temporada pra dar um estendida na divulgação da boate.
Clara: Eu já vim com algumas idéias, posso te mostrar?
Vanessa: Claro, por favor.

Elas ficaram umas duas horas conversando e nessas duas horas a conversa foi profissional, nem pareciam que elas já foram um dia bastante intimas. Vanessa a tratou assim por ainda estar mexida com o comentário e o beijo e Clara, por ter ouvido Vanessa dizer que já não importava mais. 

Um mês se passou e nesse um mês Vanessa e Jaque ficaram juntas, sem compromisso sério, apenas se conhecendo. Jaque estava bastante interessada em Vanessa, mas Vanessa nem tanto.

Depois de um mês e alguns dias e Jaque resolveu deixar as coisas sérias. Um dia, no meio do expediente e ela resolveu fazer uma surpresa pra Vanessa.

Jaqueline: Oi linda! – Vanessa sorriu.
Vanessa: Oi Jaque. Que surpresa boa.
Jaqueline: Gostou mesmo? – Deu um selinho nela.
Vanessa: Claro.
Jaqueline: Pra você. – Entregou uma rosa vermelha.
Vanessa: Nossa, que linda. – Pegou a flor. – Obrigada.

Nesse mesmo dia Clara resolveu mostrar a Vanessa o que já havia adiantado do novo projeto e ela acabou chegando bem no momento onde o clima ficava sério. Como já era conhecida na boate, Clara entrou e foi até o escritório de Vanessa em precisar ser anunciada. Um pouco antes de bater na porta ela ouviu o riso de Vanessa e resolveu escutar um pouco da conversa, aproveitando que a porta estava entreaberta. 

Depois de mais alguns minutos de conversa e Jaque resolveu ir direto no ponto.

Jaqueline: Eu vim aqui por um motivo especial.
Vanessa: Hum. E o que é?
Jaqueline: Nós já nos conhecemos há um tempinho, estamos juntas há um mês e nesse mês foi tudo maravilhoso, não foi?
Vanessa: Foi. Foi sim. – Vanessa temia que essa conversa resultasse em um pedido.
Jaqueline: Então, não acha que esta na hora de deixarmos as coisas mais sérias?
Vanessa: Sérias? – Jaque pegou a mão de Vanessa e olhou dentro de seus olhos.
Jaqueline: Quer namorar comigo, Vanessa?

Vanessa estava pasma, não esperava por isso e não sabia o que dizer. Clara escutava e observava tudo do lado de fora do escritório e no momento do pedido, seu coração acelerou. Ela estava há segundos de perder a mulher que amava para outra qualquer.

Vanessa: Nossa, eu não esperava por isso. – Sorriu forçado.
Jaqueline: Eu sei, mas eu preciso saber sua resposta. Você não imagina o quanto esse mês foi especial pra mim. Desde o primeiro momento em que eu te vi naquela foto, eu me apaixonei.

Vanessa: Jaque, esse mês foi muito bom pra mim também, mas você sabe que eu trago cicatrizes dentro de mim que ainda não foram curadas e eu não quero correr o risco de te machucar.
Jaqueline: Deixa eu curá-las, Van. Não dizem que se existe alguém capaz de te deixar cicatrizes é porque existe alguém capaz de te curar? Deixa eu ser essa pessoa, Van. Deixa eu cuidar de você, deixa eu te amar. Eu vou te dar tudo o que ela não te deu e vou fazer você esquecer ela. Deixa eu te fazer feliz, Van. Por favor.

Clara estava tomada pela raiva, sua vontade era de invadir aquela sala e tomar Vanessa em seus braços, mostrar pra Jaque que Vanessa era dela e de mais ninguém, mas não podia. Ela seguiu firme ouvindo tudo e esperando pela resposta de Vanessa.

Vanessa: Eu não sei.
ClaraDiz que não meu amor, por favor, diz que não, eu te imploro! – Pensou. 
Jaqueline: Só uma chance, sem cobranças e se não der certo, a gente termina. 

Roberta pensou um pouco e respirou fundo.

Vanessa: Acho que eu mereço ser feliz também, né?
Jaqueline: Merece e muito.

Clara prestava atenção na conversa até ver que alguém vinha na direção do escritório e assim, ela entrou em uma porta que havia quase em frente a porta do escritório e ali, ouviu o resto da conversa.

Quando Vanessa ia responder, uma funcionária entrou em sua sala.

xXx: Com licença senhora Vanessa. Desculpe estar incomodando, mas o fornecedor de bebidas chegou e precisa acertar logo a nova quantidade de bebidas.
Vanessa: E o DJ não pode ver isso pra mim?
xXx: Ele ainda não chegou. – Vanessa olhou Jaque.
Vanessa: Você se importa se…- Jaque a interrompeu.
Jaqueline: Não tem problema, não quero te causar problemas meu amor. – Vanessa olhou agora pra sua funcionária.
Vanessa: Tudo bem. Pode dizer que eu já vou descer. – A funcionária retirou-se.

Vanessa: E quanto a nós. – Vanessa abraçou Jaque pela cintura e a mesma envolveu seus braços em volta do pescoço de Vanessa. – Que tal eu passar pra te pegar no mesmo horário de sempre pra irmos jantar? Assim podemos finalizar essa conversa.
Jaqueline: Ótimo. Vou passar o dia ansiosa. – Elas sorriram. – Deixa eu ir então, não quero mais causar problemas. – Jaque deu um selinho nela. – Até mais tarde meu amor.
Vanessa: Até a noite. Se cuide.

Um pouco antes de Jaque sair na porta, ela virou-se pra Vanessa.

Jaqueline: Ah! Deixa eu te falar mais uma coisa. Já vou te avisar agora antes de saber a resposta, pra depois você não se arrepender.
Vanessa: Ih, vem bomba. – Jaque sorriu.
Jaqueline: Se você aceitar, o mais rápido possível eu vou querer te levar na minha casa e te apresentar pra minha família e meus amigos.
Vanessa: O que? Conhecer os sogros assim, já de cara?
Jaqueline: Exatamente. Quero que todo mundo conheça a mulher linda que você é e claro, que eu fisguei. – Vanessa sorriu.
Vanessa: Bela maneira de se referir a mim. Mas tudo bem, não esquecerei disso.

Jaque foi embora enquanto Clara arranjou um jeito de sair de dentro da boate antes que alguém lembrasse que ela estava lá. Vanessa foi pegar alguns papéis e ficou pensando no que Jaque havia falado. Nem estavam namorando ainda e ela já queria apresentá-la para toda sua família e amigos, coisa que Clara jamais faria, talvez.

Enquanto Vanessa cuidava de sua boate, Clara correu para a casa de sua amiga e procurou consolo no colo de Paula.

Paula: O que foi amiga?
Clara: Ai Paula. – Abraçou ela e começou a chorar baixinho. – É a Van.
Paula: O que foi dessa vez? – Clara a olhou.
- Clara: Ela foi pedida em namoro hoje.
Paula: Como assim? Ela aceitou?
Clara: Eu fui na boate pra falar com ela e acabei ouvindo a conversa, ela não respondeu mas deu a entender que vai dizer sim.
Paula: Vai pro quarto que eu vou pegar uma água pra você e já vou lá.

Clara foi para o quarto e logo em seguida chegou Paula, entregando-lhe um copo com água.

Agora com Clara um pouco mais calma, Paula pediu que ela a explicasse tudo direito e assim ela fez.

Paula: Você a ama? – Clara a olhou nos olhos.
Clara: Muito.
Paula: Você se arrepende de não ter feito diferente na primeira vez em que vocês ‘namoraram’? 
Clara: Demais. Jamais imaginei que a Van iria embora sem ao menos se despedir. Se eu tivesse feito de outro jeito, hoje acho que não estaríamos assim.
Paula: E porque você não aproveita agora pra fazer o que não fez?
Clara: Como assim? 
Paula: É Clarinha, fala tudo o que você não disse, se abre, diz o que realmente sente por ela.
Clara: Não posso. Ela vai aceitar namorar com aquela garota e isso demonstra que ela sente algo por ela. Acho que finalmente ela superou o que tivemos um dia.
Paula: Eu não acho isso. O que vocês tiveram, apesar dos pesares, foi forte.
Clara: E o que você sugere?
Paula: Vai até ela e se declara.
Clara: Mas…mas e se eu levar um fora? Vai doer muito. Eu tenho medo de ouvir uma resposta negativa dela ou de ouvi-la afirmando que não sente mais nada por mim. Não posso Paula. Ela estava tão contente com a garota.

Antes que Paula pudesse falar qualquer coisa, May invadiu o quarto, pra variar, ela estava ouvindo atrás da porta.

Mayra: É esse o seu problema Clara! Você tem medo de arriscar. Será que você não vê que a vida ta te dando uma segunda chance? Você vai jogar fora como da primeira vez? Você quer ver a Van indo embora novamente e agora acompanhada por alguém?
Clara: Você não viu o jeito que a Van tava tratando a menina. Foi carinhosa, cuidadosa, bem como era comigo.
Mayra: A Van te ama, droga! Deixa de ser covarde e vai atrás de quem você ama! Você tem mais uma chance e essa pode ser a última. Diz tudo o que você sente sem medo da resposta e se no fim você ouvir uma resposta negativa, pelo menos você tentou. – Clara não falou nada, apenas voltou a chorar. – Você passou esses anos todos imaginando como seria a vida de vocês se vocês tivessem ficado juntas. Quer passar o resto da vida assim de novo? – May ao ver Clara chorando, percebeu que tinha pegado pesado e diminui seu tom. – Deixa, uma vez na vida esse orgulho de lado prima. Depois desses anos longe, vocês não ficariam juntas de novo se ainda não existisse algo entre vocês.
Paula: A May tem toda razão. Se a Van voltou e vocês passaram a noite juntas, não foi por simples prazer. Se ela não te amasse ainda, não ficaria chateada quando Fabian falou aquelas coisas na boate.

Paula e May a abraçaram forte e assim elas ficaram durante alguns minutos, enquanto Clara continuava chorando. Ela tinha que tomar uma decisão importantíssima e tinha pouco tempo pra se decidir. Depois de pensar bastante, chegou a uma conclusão.

Clara: Vocês tão certa. Eu preciso tentar e se eu ouvir um não, a vida vai continuar, mas agora com a certeza de que sem a Van. Não posso perder a minha pequena de novo. Não posso. – As meninas sorriram.
Mayra: Essa é a minha prima!
Paula: Eu sabia que você tomaria a decisão certa. Agora lava esse rosto e corre que ainda dá tempo.

Clara não pensou duas vezes, correu para o banheiro, lavou seu rosto, retocou a maquiagem e foi para a boate atrás de Vanessa. Para o seu azar, Vanessa tinha saído mais cedo e provavelmente estaria em seu apartamento. Novamente ela correu a procura de Vanessa. Chegando ao apartamento, Clara tocou várias vezes a campainha, mas ninguém atendia.

ClaraNão me diz que você já foi pro encontro, por favor, não. Abre essa porta Van, abre!

Capítulo 67

Cinco anos depois



Mais um tempo se passou, ao todo eram seis anos desde que tudo havia mudado. Vanessa finalmente havia se formado em administração e logo que sua faculdade acabou, ela foi para o exterior procurar novidades que pudessem dar um ar diferente em sua carreira de DJ. Lá ela encontrou com seu amigo DJ (Leonardo) e fez mais um bom número de amigos. Aquela velha idéia de abrirem um negócio em conjunto no Brasil, voltou com força total. Como Vanessa havia se formado em administração e o DJ já tinha experiência nesse ramo, eles resolveram arriscar em algo concreto. Durante alguns meses eles conversaram muito e analisaram algumas idéias e propostas até que finalmente decidiram por a idéia em prática. Durante esses anos, Vanessa havia feito alguns estágios em sua nova área e acabou se fixando em uma empresa bastante famosa, onde fez uma carreira curta porem brilhante. Sendo assim, ela conseguiu juntar uma boa quantia no banco, sem contar com o que ela tirava tocando em festas particulares e em boates.

Depois de muita conversa, Vanessa e o DJ voltaram ao Brasil para dar início a nova fase em suas vidas. Durante algumas semanas eles olharam algumas boates que haviam sido fechadas e que estavam a venda, até que depois de muito analisarem e conversarem, eles acharam o lugar perfeito. Era em São Paulo mesmo, próximo da praia e de onde Vanessa morou enquanto esteve lá. Durante umas três semanas o local ficou em reforma, eles deixaram o ambiente com a cara deles, e enquanto a reforma acontecia, eles iam tratando de outros assuntos relacionados à nova boate. 

Na sexta-feira Vanessa conseguiu ter um tempo livre e resolveu ir até o prédio onde morava Junior, Edu, May e Paula. Com o passar do tempo eles foram perdendo contato aos poucos. No começo eles falavam por telefone e internet todos os dias, depois foi sendo algumas vezes por semana, depois algumas vezes por mês, até que perderam contato de vez. Obviamente não porque eles quisessem, mas a correria do dia-a-dia de cada um não fazia os horários baterem e acabou acontecendo.

Durante esses anos, Vanessa havia ficado com outras mulheres e com outros homens, alguns poucos relacionamentos deram certo, mas a falta de tempo por causa do trabalho acabou fazendo nenhum dar certo no final. Houve apenas uma garota que teve paciência e soube entender Vanessa, mas quando soube que ela voltaria ao Brasil, não pensou duas vezes e acabou tudo. Essa garota tinha negócio próprio onde morava e não teria como vir com Vanessa, então ambas decidiram terminar.

Vanessa estava muito ansiosa para reencontrar o pessoal. Ela não sabia se eles ainda moravam ali e nem o que aconteceu nesses anos todos. Assim que entrou no prédio, ela olhou em volta, não havia mudado muita coisa, apenas alguns quadros novos, a nova cor do carpete e alguns vasos de flores mudados de lugares. Ao começar a subir as escadas, ela levou sua mão até o corrimão e foi dando passos lentos. A cada passo, ela lembrava de coisas que haviam acontecido ali há algum tempo atrás. Seu sorriso saía normalmente a cada lembrança boa, ela ria até mesmo das lembranças não tão boas vividas ali. A cada metro vencido, seu coração acelerava mais; ela estava há alguns passos do seu passado.

Ao chegar ao andar, ela andou até a porta do apartamento de Junior e bateu na porta. Não havia ninguém lá, talvez ele estivesse trabalhando, ou quem sabe, nem morasse mais ali. Minutos depois e ela estava em frente à porta do apartamento das meninas, seu coração acelerou mais ainda, ela começou a sentir seu corpo tremendo e suas mãos geladas. Sem perder mais tempo e nem dar-se chance de desistir e ir embora, ela bateu na porta. Segundos depois e ela ouviu um barulho, em seguida viu a maçaneta se mexer, não demorou muito e alguém apareceu. 

xXx: Eu não acredito no que eu to vendo. – A pessoa a olhou dos pés à cabeça. Vanessa sorriu um pouco sem jeito.
Vanessa: Ainda lembra de mim?
xXx: Apesar de você ter mudado, ter virado esse mulherão, jamais esqueceria esse sorriso bobo. – Ambas riram e se abraçaram.
Vanessa: Que saudade, May!
Mayra: Saudade é pouco! – Se afastaram. – Deixa eu te ver mais um pouco. – Novamente May a olhou dos pés à cabeça. – Como você está mudada!

Realmente, Vanessa havia ganhado mais corpo e bastante maturidade. Quem não a conhecia tinha ela como uma mulher séria, reservada e bastante profissional. Mas pra quem a conhecia, era a mesma pirralha brincalhona de antes. 

Não demorou muito e May a convidou para entrar. Assim que Vanessa se sentou, May chamou Paula e minutos depois chegaram Junior e Edu. Todos estavam feliz por revê-la e ela mais ainda. Durante algumas poucas horas eles conversaram, cada um contou sobre sua vida durante esses seis anos e ficaram abismados em como Vanessa havia dado a volta por cima e refeito sua vida. Em um momento Junior perguntou se ela havia casado e ela disse que ainda tinha alergia de casamento, soou como brincadeira, mas todos entenderam que ela estava sozinha. Mais uns minutos e ela disse que precisava ir embora, ficando de voltar um outro dia. Antes disso, eles trocaram telefone.

Enquanto ela entrava em seu carro, Clara desembarcava do seu. No começo ela achou aquela mulher parecida com Vanessa, mas logo pensou ser impossível. Clara pegou sua bolsa e entrou no prédio para visitar seus amigos, como fazia há seis anos. Enquanto ela andava em direção ao elevador, ela sentiu o perfume de Vanessa, mas mais uma vez achou loucura aquele pensamento bobo. Ao chegar ao apartamento das meninas, encontrou o pessoal todo reunido. Uns faziam o jantar enquanto outros conversavam sentados no sofá. 

Clara: Boa noite, gente. – Todos a olharam sérios achando que as duas haviam se encontrado lá embaixo, mas logo viram que isso não aconteceu porque se acontecesse, Clara não estaria com esse sorriso nos lábios. Logo eles a cumprimentaram. - Acreditariam se eu dissesse que vi uma mulher tão parecida com a Vanessa? – Sorriu.
Paula: Vocês não se encontraram lá em baixo?

Clara: Quem?
Junior: Você e a Vanessa! – Assim que ouviu esse nome, o coração de Clara acelerou.
Clara: Como assim?
Mayra: A Van ta aqui na cidade.
Edu: Ela chegou há alguns dias e veio nos visitar hoje. 
Clara: Então foi ela que eu vi.

Não demorou muito e Clara puxou Angel para um canto e perguntou tudo o que Vanessa havia falado. Paula contou toda a conversa e logo elas foram jantar.

Vanessa não havia falado sobre seu novo negócio, seria surpresa, então o pessoal achava que ela estava a passeio ali. Clara ficou um pouco decepcionada ao perceber que Vanessa não havia perguntado sobre ela, mas não comentou nada. Pra Clara, Vanessa havia refeito sua vida e virado a página, sendo assim, ela não significava mais nada pra Vanessa.

O pessoal disse o dia que Vanessa voltaria, mas Clara não apareceu por lá nesse dia. Ela não sabia como reagir ao ver Vanessa e preferiu não arriscar. Na visita de Vanessa, ela marcou com o pessoal de irem a uma nova boate que estava abrindo ali perto. Em nenhum momento ela disse que era a dona dessa nova casa, queria deixar pra dizer no dia apenas. Por vezes sua língua coçou para perguntar sobre Clara, mas ela preferiu não tocar no assunto. Não, por enquanto.

Seu amigo DJ também tinha uns amigos por ali e resolveu ir visitá-los. Alguns não moravam mais ali e poucos continuavam naquele bairro. Enquanto almoçava em um restaurante, um homem chegou a sua mesa.

xXx: Leonardo? – Ele olhou para o homem de terno e gravata.
DJ: Fabian?
Fabian: Eu mesmo. Quanto tempo meu bom! – Eles apertaram as mãos e deram um abraço, seguido daquele velho tapa nas costas.
DJ: Que bom te ver, cara. O que faz por aqui?
Fabian: Meu escritório é nesse prédio em frente, me mudei pra cá porque estamos construindo uns condomínios novos pra esses lados. Mas e você? Decidiu voltar ao Brasil?
DJ: Decidi, cara. To abrindo uma boate nova aqui no bairro.

Fabian: Ta brincando? Que bom! Quando será a inauguração?
DJ: Daqui uma semana, mais ou menos. É uma boate em parceria com uma velha amiga. Ainda estamos dando os toques finais.
Fabian: Se você quiser marketing da boate eu posso te indicar uma excelente profissional.
DJ: Quem?
Fabian: Minha noiva! – Eles sorriram.
DJ: O cara já pensa em família! Já tem filhos?
Fabian: Não, ainda não. Mas logo teremos.
DJ: Quero conhecer ela!
Fabian: Com certeza! 
DJ: Ela trabalha com marketing mesmo?
Fabian: Trabalha. Uma das melhores aqui da região.

DJ: Faz assim, manda ela passar nesse endereço amanhã de manhã. – Entregou o cartão da boate. – E diz pra ela falar com essa minha amiga que também é dona e se ela aprovar, por mim já ta mais do que aprovado!
Fabian: Valeu cara! Deixa eu ir lá que meu horário de almoço ta acabando. Foi bom te rever. 
DJ: Digo o mesmo. Quero você e sua noiva na inauguração da minha boate, hein!
Fabian: Vou estar lá certo! Se cuida cara! – Retirou-se. Assim que chegou em casa, DJ ligou para Vanessa avisando dessa visita.

Em uma das visitas de Vanessa ao apartamento de seus amigos, Clara a viu entrando no prédio, por alguns segundos brigou com sua vontade de entrar também, mas o medo e o nervosismo falaram mais alto. Sendo assim, ela ficou em um barzinho que havia ali em frente, apenas observando enquanto Vanessa chegava, e antes de ir embora, Clara deixou uma rosa em seu carro junto com um bilhete.

Bilhete: ‘Busque no fundo de sua alma e você saberá quem eu sou. ’

Ao entrar em seu carro, Vanessa viu aquela rosa e a pegou. Ela olhou em volta, mas não havia ninguém, logo começou a ler o tal bilhete. A primeira pessoa que veio a sua cabeça foi Clara e nesse momento, seu coração disparou, mas aquela letra não era a dela e sua decepção veio à tona. Sem querer perder mais tempo com aquilo, ela largou a flor e o pedaço de papel em cima do banco ao lado e deu a partida em seu carro.

Ao chegar ao seu novo apartamento, ela largou a flor e o bilhete na cômoda ao lado da cama e foi tomar um banho. Assim que saiu do banho, ela foi para a cozinha preparar algo para comer e sem muita demora, jantou e se jogou na cama para assistir um pouco de televisão. Passava um filme meia boca e como não havia nada de mais interessante para se fazer, ela o assistiu assim mesmo. Ao dar propaganda, ela se espreguiçou e a olhar para o lado, viu aquela flor junto daquele bilhete. Mais uma vez ela o leu e novamente pensou que poderia ser Clara, mas logo decidiu que aquilo era loucura e balançou sua cabeça em sinal negativo, desaprovando seu pensamento.

Assim que o filme começou, ela largou o bilhete e voltou sua atenção a televisão, depois de mais duas partes e ela desligou a televisão, virando-se para o lado e pegando no sono minutos depois. 

Na manhã seguinte, ela acordou as sete, tomou seu banho e tomou um belo café da manhã, sua fome era grande, ela mesma estranhou. Em seguida, ela escovou seus dentes, olhou mais uma vez seu visual e ao olhar para o relógio, viu que mais uma vez estava atrasada, sendo assim, pegou sua bolsa às pressas e foi para o seu trabalho. Pra ajudar, o trânsito estava horrível.

Na casa de Clara



Clara e Fabian, como de costume, acordaram cedo e sentaram-se para tomar café juntos.

Fabian: Vai ir à boate hoje, meu amor?
Clara: Vou assim que tomar o café. 
Fabian: Acha que vai gostar desse tipo de divulgação?
Clara: Creio que sim. Boate é algo fácil de divulgar com sucesso, as pessoas procuram coisas novas todos os dias, acho que terei um bom resultado. 
Fabian: Eu não tenho dúvidas! – Clara sorriu.
Clara: Obrigada. Agora eu vou indo porque não quero me atrasar. – Ela levantou-se e aproximou-se de Fabian, dando-lhe um selinho rápido em seus lábios. – Bom trabalho.
Fabian: Obrigado. Boa sorte! – Ela retirou-se. 

Alguns minutos e Clara já estava em frente a nova boate. Ela olhou em volta e gostou do que viu. Em passos lentos e ela entrou na casa, procurando encontrar alguém. Não demorou muito e ela ouviu uma voz.

xXx: Bom dia! Posso ajudar? – Ela virou-se para a pessoa.
Clara: Bom dia. Meu nome é Clara, eu tenho hora marcada com uma das donas da boate.
xXx: Ah sim. Meu nome é Roberta, eu vou trabalhar aqui no bar. Você deve ser a divulgadora daqui, não é? – Clara sorriu.
Clara: É, se a dona gostar da minha proposta serei a divulgadora sim. – Roberta sorriu.
Roberta: Venha comigo, vou te levar ao escritório. – Clara a seguiu. Elas subiram uma escada e logo estavam na sala. –Pode aguardar aqui, ela ainda não chegou, mas já deve estar chegando. Sinta-se a vontade.
Clara: Obrigada. – Sentou-se.
Roberta: Qualquer coisa estou lá embaixo. Boa sorte. 
Clara: Obrigada! – Vanessa retirou-se.

Clara olhou em volta e novamente gostou do que viu, logo lembrou que ainda não sabia o nome da tal dona.

ClaraDroga! Que cabeça a minha!

Enquanto a dona não chegava, Clara aproveitou para rever sua proposta e ver o que poderia acrescentar que fosse a seu favor. 



No andar de baixo da boate



Vanessa: Bom dia pessoal! – Dava passos grandes por já estar bastante atrasada. Os funcionários que estavam ali a cumprimentaram.
Roberta: Bom dia dona Vanessa. A moça que veio falar com você já chegou.
Vanessa: É? E onde ela está?
Roberta: Esta no escritório a sua espera.
Vanessa: Ótimo. Faz tempo que ela chegou?

Roberta: Faz alguns minutos já. 
Vanessa: Vou lá falar com ela então.
Roberta: Quer alguma coisa?
Vanessa: Sim. Leve um café pra nós, por favor.
Roberta: Pode deixar. – Vanessa subiu as escadas. 

Assim que Vanessa entrou na sala, viu a tal moça de costas e logo desviou seu olhar.

A Prova de Fogo - Capítulo 15

Clara se sentia um lixo, e sentada na cama abraçava as pernas. Assistia atenta o seu celular tocar, tocar e tocar. Dudu ligou durante anoite toda e hoje de manhã continuava a ligar. Ela perdeu as contas das inúmeras ligações e mensagens enviadas, tentou resistir as mensagens mas não conseguiu. Leu elas com lágrimas nos olhos, ela deve perdoá-lo e já tinha em mente que faria isso… Não só por ela. Clara tem vários conceitos em si, e um deles é ser feliz com uma família formada. E mesmo que não quisesse, Dudu seria sua família?! O celular tocou mais uma vez, só que não era Dudu e sim sua esposa. Ela estranhou, pois ela estava em casa. Bem, ela achava que Vanessa estava. Limpou as lágrimas que caíam dos seus olhos, e respirou fundo.

– O que quer e aonde está? – Perguntou ela com a voz abatida.

– Quero que passe o dia comigo. Mandei limparem a piscina e para te alegrar mais pedi que May trouxesse a Star e o Igor. - Disse ela fazendo-a sorrir.

– E porque as crianças por perto? - Perguntou interessada.

– Treinando para sermos uma família. - Disse divertida e as palavras ditas se fixou em sua memória.

– E porque não bateu na porta do quarto? - Perguntou curiosa.

– Você chegou chorando e não quis incomodá-la durante a noite, mas aí escutei seu choro novamente agora pela manhã… Achei melhor te ligar. - Vanessa disse a verdade.

– Combinado então… Depois disso, ela tirou a bateria do celular e jogou na cama. Se levantou em um pulo e não teve medo na escolha do biquíni. Ela desejava Vanessa, e prometeu a si mesma que a teria. Seria um benefício a ela e um troco para o Dudu. Ela tem se tornado meia vingativa, não gosta que brinquem com o seu coração… Tanto é que ela troca a vingança pelo o conceito de devolver o sentimento. Escolhido o bíquini, correu para o banheiro tomou um banho e se vestiu. Próximo passo é encontrar um short jeans curto, pra ela é delicioso a ideia de saber que a cada dia Vanessa se torna mais louca por ela e sabia bem como aperfeiçoar isso.

Vestida, desceu as escadas e se deparou com a May nervosa. Olhou para o sofá onde Star está de braços cruzados com um bico grande e Vanessa do lado da nervosa garota. Ela ria. Clara limpou a garganta tentando chamar a atenção da amiga e conseguiu. Ela olhou para a Clara abrindo a boca e depois a olhando maliciosamente, como que dissesse “É pra Vanessa, né? Safadinha.” e Clara não se aguentou rindo.

– Uau. - Vanessa exclamou, vendo como a parte de cima do bíquini abraçava apertado os seios da esposa. Desceu seu olhar para a barriga lisa e o short jeans, que mais parecia a segunda pele das suas coxas. Imaginou como aumentou a bunda de Clara e rezou para que de alguma forma ela virasse, dando ar a sua imaginação. Lógico que Clara esbelta percebeu e abriu um sorriso grande.

– O que aconteceu, May? – Perguntou interessada, pois sua Star está emburrada.

– A Star e seu Igor, espantaram a décima terceira babá. - May disse furiosa.

– Décima quarta, mãe… - Star a corrigiu. E May abriu um sorriso cínico.

– E porque não estão na escola? – Clara perguntou, pois estavam no meio da semana ainda.

– Igor tem aulas em casa, e já assistiu a elas. E a Star se nega a ir no colégio porque brigou com Enzo. - May explicou respirando fundo.

– Enzo é um idiota. - Igor falou fechando o rosto angelical. E Clara riu, ele só podia estar com ciúmes da prima de consideração. O celular de May começou a tocar e ela se despediu. Só depois que ela saiu e fechou a porta, Star pulou do sofá animada.

– Vamos tomar banho na piscina? - Perguntou já pegando sua malinha rosa.

– Sim. - Vanessa respondeu, olhando mais uma vez para Clara. Só que dessa vez foi em sua direção e passou suas mãos carinhosamente sobre a cintura dela, que fitou os olhos dela.

– O que? - Perguntou quase em um sussurro.

– Você é linda, mas já sabe né? – Vanessa respondeu sorrindo e pressionando seus lábios nos dela. Depois a soltou quando ouviu o “Eca” da Star, que só fez para irritar.

– Tia, você me ajuda a fazer um bolo pequeno para o Enzo? Mas tem que está escrito “Pardon” - Star perguntou vibrando por dentro.

– E o que diabos é “Pardon”?

– É perdão em francês. - Igor respondeu antes que a pequena abrisse a boca.

– Quem te deu essa ideia? – Vanessa perguntou pensando ter o dedo de Angela nisso.

– Um homem que conheci ontem. Ele tem olhos claros igual o seu, tia! - Star informou.

– Sua mãe e eu sempre te falamos para não conversar com estranhos. - Indagou ela, andando para a cozinha e sendo seguida pela Star.

– Ele não é estranho. Ele é pai de uma nova amiga minha, ela se chama Bia e tem 10 anos. - Sorriu a pequena, lembrando-se da nova amiga loira dos olhos verdes claros e de seu pai que a tratou super bem.

– E o que mais ele disse? - Clara pode respirar melhor, em saber que é pai de uma amiguinha. Pegando os ingredientes para fazer bolos.

– Eu elogiei os olhos dele e disse que queria ter olhos igual ao dele Aí ele me disse que eu deveria ter olhos como os dele… Porque meu pai tem! – Star parou pensando no resto da conversa.- Mas meu papai não tem os olhos cristalinos assim… - Falou confusa e pensativa.

A mente da Clara gelou e Vanessa entrou na cozinha só de biquíni. Clara até se esqueceu no que estava pensando, prendeu o ar pois achou que ali mesmo a agarraria.

– Eu e Igor vamos pra piscina… – Vanessa avisou, sorrindo de lado.

– Sacos de preguiça, não vão ajudar? - Perguntou Star, com as pequenas mãos na cintura e Igor riu.

– É chato nessa parte de fazer, bater e tal. Nos chame na hora de decorar! – Igor explicou e bateu na mão da parceira grande. Então se foram.

– Então… Quantos bolos tem em mente? - Perguntou com os pensamentos embaralhados, e respirou finalmente.

– Três. Um grande pra mamãe e pro papai, um pequeno pro Enzo e cupcakes pra gente. - Star respondendo se atrapalhando e contando nos dedinhos.

– Está bem.

Fizeram todos os bolos, e colocaram no forma industrial que tem na cozinha. Clara limpou a pequena garota e disse que podia ir até a piscina, que por incrível que pareça não ficava ao ar livre. Então organizou a cozinha, e decidiu só se limpar um pouco. Tirar o excesso, pois achou que chamaria a atenção de Vanessa do jeito que estava… Um pouco suja de farinha. Se direcionou no corredor que tinha sua academia particular, e logo se deparou com uma porta grande de vidro e de correr, que já estava aberta. Entrou no lugar com a piscina grande e viu as crianças com coletes e boias. Havia bolas coloridas na piscina e macarrões grandes. O lugar é coberto, mas bem iluminado pelas três grandes paredes de vidro e podia ver na lateral direita à área aonde tomou café com Vanessa e Star, no outro dia. A lateral esquerda guardava a area da churrasqueira juntamente com a área da frente, onde tinha um grande espaço livre. Usaram esse lugar somente duas vezes, está é a terceira. Vanessa saiu da água quando viu sua esposa chegar, que novamente prendeu a respiração. É uma cena dos deuses, vê-la daquela forma. Mas organizou suas emoções, era visível que Vanessa quer mexer com ela e esta conseguindo, o fato é que nesse jogo Clara é mestre. Ela andou devagar até Vanessa, que já estava fora da piscina e enxugando os cabelos e envolveu suas mãos em seus longos cacheados cabelos, fazendo um coque desleixado mas bonito. Antigamente, ela gostava de seus coques pois desfazia eles entre amassos. E desde o dia do vestido vermelho ela perceberá que o efeito ainda é o mesmo.

– Tentando me seduzir, Sra. Mesquita? - Vanessa perguntou com a voz calma e sorriu de forma maliciosa.

– Está funcionando? - Perguntou também sorrindo maliciosamente.

– Talvez. - Respondeu duvidosa, e virou a esposa de costas. E sem vergonha nenhuma, envolveu o braço direito na sua cintura puxando ela para si. Mas não foi tudo, pois com a mão esquerda passou sobre a lateral do corpo de sua mulher e apertou sua bunda. Que reprimiu um gemido entre os lábios. Então Vanessa beijou o pescoço da mulher, que sorriu envergonhada.

– Vai mesmo fazer isso na frente das crianças? - Perguntou Clara, se virando e pousando as mãos no pescoço de Vanessa.

– Estava funcionando, acho que não mais… - Vanessa fez um biquinho e Clara riu, a beijando de leve. Era uma grande desculpa da parte dela. Pois Star e Igor estavam entretidos em suas brincadeiras. A campainha tocou e Vanessa sabia quem era, então logo se disponibilizou em atender a porta e pedindo pra Clara ficar de olho nas crianças.

– Até que fim. - Vanessa falou rápido ao ver Fernanda na sala de sua casa, ela tirou os óculos escuros do rosto e levou para o topo da cabeça deixando-os lá e sorriu amável.

– Como estou? - Perguntou ela, dando uma volta para Vanessa verificá-la.

– Vestidos como sempre colados no corpo e tomara-que-caia, está bem normal. - Vanessa disse rindo da expressão do rosto da secretária.

– Eu não acredito! O vestido é mais longo, como você pediu que eu me vestisse… - Nanda resmungou irritada. Como ela não percebeu a diferença?, pensou. Sua chefe riu de forma divertida, ela tinha notado sim o vestido ser mais longo mas só que não foi como ela pediu. Lembrou-se das suas exigências: Vestidos mais longos, menos decotados e muito menos colados. Não queria ter grandes problemas com Clara por causa da amiga e funcionária, mas Nanda decidiu ir devagar nesse estilo proposto.

– Está bem confesso que me achei velha e escondida com tanto pano. - Fernanda riu e colocou em cima da mesa uma caixa grande e preta.

– Mas tentei fazer meu melhor com isso… - Ela acrescentou e sorriu, sincera.

Clara tinha tirados as crianças da piscina e vestido uma roupinha por cima da roupa de banho deles. Queriam brincar no jardim e ela deixou, pois estava curiosa em saber quem estava fazendo Vanessa demorar na sala. Escutou gargalhadas femininas e parou na entrada do corredor que dava à sala. Observou um pouco distante a rival pousar as mãos no ombro de Vanessa e ela sorrir, simpática e nervosa por aquela atitude. Pegou meu amante e quer minha mulher, é muito puta, pensou com raiva. Pelo menos está com uma blusa, pensou.

– Você sabe que pode descer o zíper do meu vestido quando desejar… - Fernanda sorriu e olhou nos olhos da Vanessa.

Era estranho fazer isso, pois tinha um filho e sabia o quanto foram ruins seus relacionamentos. Mas tinha algo além no jeito da chefe, o olhar dela, a simpatia, a beleza e acima de tudo, a fidelidade que carregava intacta. Fernanda não queria que ela fosse infiel da mesma forma que a esposa, mas deixava claro sempre que podia que ela estava ali e ajudaria ela a conquistar a mulher, somente por isso dormiu com Dudu. E fazia mais, diz sempre que pode que quando Clara deixar claro que não a quer e ela cansar de sofrer fosse atrás dela… Prometia nunca decepcioná-la. E não a fez e nunca faria. Seus vestidos e seus modos demonstravam uma Fernanda de corpo, mas seus valores eram imensas em vista de tudo que já sofreu na vida. Uma promessa é sempre cumprida, mesmo que seja difícil de faze-la. Ela é vestida de sinceridade e ambição de ser feliz. E via em Vanessa uma mulher diferente… O que sonha pra si. Mas antes de seus sonhos, vinha sua lealdade.

– Você nunca vai desistir? – Vanessa perguntou, tirando as mãos dela de cima do seu ombro. Nanda sorriu, admirando-a.

– Só quando me provar que está bem com sua esposa. - Ela disse firme e Vanessa compreendeu.

– O que ela veio fazer aqui? – Perguntou Clara, entrando na sala fitando-a com raiva.

– Pedir para minha chefe me dar a pasta relacionada com o interior… - Nanda respondeu olhando ela de cima a baixo e sorrindo.

– Eu vou no escritório imprimir e pegar… - Vanessa disse e assim que fechou a porta do escritório, Clara estava pronta pra questioná-la.

– Quantas vezes dormiu com Dudu?

– Quatro vezes. - Fernanda respondeu a verdade, e sentiu seu rosto queimar.

– Porque quer tudo que eu tenho? Dudu, May, Vanessa..

– Eu não quero o Dudu! - Ela interrompeu quase gritando.

– Mas transou com ele. - Clara rebateu.

– Para ver se você acorda.

– Vai dormir com minha mulher também, pra me acordar? - Ficou nervosa.

– Deixa eu te esclarecer uma coisa: Ela é maravilhosa e você tem que se decidir. Ela está ficando louca, agora sei porque.

– Porque? - Perguntou confusa.

– Você andando pela casa assim e aposto meu carro, que a nega. Ela é MULHER! VÊ SE ACORDA! Logo ela não vai se aguentar e eu só vou receber ela na minha vida, se você realmente não a quiser e a chutar. - Ela informou mais irritada ainda. Então Vanessa voltou com papéis nas mãos e entregou para Fernanda.

– Ela não tem um tablet ou notebook ou um celular não? - Clara perguntou à Vanessa, que riu.

– Ela queria me ver. - Ela disse e Fernanda concordou. Fernanda se despediu delas e foi embora.

Demorou muito para Vanessa acalmar Clara e os bolos ficaram prontos, era hora de confeitá-los. Em pé nas cadeiras estão Star e Igor, com duas latas de chantilly… Comendo mais que enfeitando os bolinhos. Vanessa ficou ajudando Clara com os dois bolos grandes e o pequeno, que seria para Enzo.

– Coloco calda de chocolate, Star? - Perguntou Vanessa atenta no que fazia e Clara a encarou, querendo dizer que é óbvio que deveria. E por incrível que pareça, a pequena garota fez o mesmo e Vanessa entendeu o recado.

O celular de Vanessa tocou e deixou tudo para atender, antes um selinho foi depositado nos lábios da esposa. Demorou muito no escritório, e ela entendeu que deveria ser emergência do trabalho. Terminaram de confeitar o bolo e os cupcakes, mas faltava um pequeno detalhe no bolo pequeno… Pardon.

– Escreve direito tia… Ele tem que gostar! - Star disse animada e o menino que estava do seu lado revirou os olhos.

– Par… don. - Clara repetiu enquanto manejava a escrita no bolo.

– Vai fazer corações ao redor também? - Perguntou Igor cético.

– Seria muito direto… - A pequena garota ficou pensativa e Igor bateu na mesa tirando-a de seus pensamentos. Ela emburrou.

– Está bom querida?

– Está perfeito… Mamãe nunca faria isso comigo… - Star disse abraçando Clara de forma carinhosa.

Clara deixou as crianças comendo dois cupcakes e preparou um para Vanessa. Ao entrar na sala, viu ela saindo do escritório e sorriu. Chegou perto e antes que pudesse entregá-la dizendo algo, Igor apareceu a empurrando de forma que parte do chantilly deixou não só o colo das duas mas também a parte que estava amostra delas. O garoto pediu desculpas e voltou pra cozinha na qual recebeu um tapa da pequena garota.

– Era pra ter empurrado a tia nela… Não afastado. - Ela o advertiu e os dois foram discutindo até a mesa da cozinha, voltando a atenção aos cupcakes.

Podia ouvir a risada de Vanessa seguido por um sorriso malicioso. Clara também levou na brincadeira e passou um dedo sobre o seio direito limpando uma parte e levando a boca. A malícia foi levado mais a sério por Clara.

– Vem cá que vou te ajudar a limpar isso. - Vanessa falou normal e a puxou para escritório.

Assim que a porta foi fechada ela se encarregou de pressioná-la na parede e erguê-la um pouco. A mesma o prendeu entre as pernas para de forma alguma fosse perder o equilíbrio. Vanessa sorriu de lado e passou a língua no colo dos seios dela, de forma que foi preciso prender o ar. A sensação era revivida em sua mente, chantilly já tinha sido um dos ingredientes que usaram para pegar fogo na noite do terceiro dia no primeiro apartamento que adquiriram. Clara passou as mãos pelos cabelos dela, prendendo no seu pescoço e incentivando-a continuar. Esqueceram por longos minutos das crianças que estavam na sala. E como não esquecer com Vanessa saboreando-a daquela forma? O biquíni dela colaborou, pois é daqueles chamado de cortininha… Depois desses longos minutos, tinha-se esquecido de quão alto é seu gemido e Vanessa lembrava a cada momento aproveitar aquilo. Seus volumosos seios na sua boca, sugados e mordiscados. Por maldição do destino, a campainha tocou e batidas na porta do escritório pode ser ouvidas. Vanessa parou e tapou a boca de Clara, que a olhava com desejo. Mais uma vez ela a queria, sem romantismo, sem rosas no quarto ou com velas aromáticas. Ela a queria fisicamente, sem nenhuma interrupção e queria logo. A campainha tocou novamente e os chamados de Star foram ouvidas. Vanessa desceu Clara da parede, que fixou seu olhar no corpo de Vanessa só de biquíni.

– Eu vou indo, porque acho que tem coisas importantes pra resolver. - Clara falou e saiu do escritório dando muitas risadas.

Era May que estava apressada, então pegou os bolos e levou para o carro, agradeceu a amiga e foi embora com as crianças. Clara, subiu as escadas rapidamente pois temeu que Vanessa vinhe-se ao seu encontro querendo terminar o que começaram. Entrou no seu quarto e fechou a porta, parecia uma adolescente surpresa. Deu risadas sozinha e foi para o banheiro, no chuveiro pensou o tanto que é errado o que deixou acontecer. Ela teria que pedir o divórcio antes que começasse aparecer o que ela temia. Sim, ela queria sentir a sensação novamente de alegria… Mas que fosse com Vanessa. E não é dela. Sua felicidade estava com Dudu, pensou convencida. Saiu do banheiro de roupão e colocou novamente a bateria do seu celular. Está anoitecendo e se vestiu, pois ligou para o Dudu avisando que estava indo para o apartamento dele. O homem ficou feliz ao saber que poderiam se acertar. Ela saiu de casa quase que escondida, mas Vanessa a viu. Ela deixaria Clara ir, pois adiantaria algo… Os dias se passavam e ela enfim decidiu tentar unir um elemento de seu caderno.

– Não me toque. - Clara falou irritada ao ver o amante querendo tocá-la.

– Mas, eu pensei…

– É o seguinte: Por mim, não olharia mais na sua cara e devo informar que perdeu o emprego. - Ela sentou no sofá e sorriu.

– O que? Como assim perdi o emprego… Você não pode me demitir. - Dudu ficou indignado.

– Posso porque sou dona do lugar e estou fazendo isso. Comece a procurar um lugar pra trabalhar, eu te dou dois dias para recolher as suas facas do meu restaurante! – Falou determinada.

– E quanto a nós? - Dudu perguntou sentando na mesinha do centro na sala e em frente a ela.

– É sua última e única chance. Eu te repito: Não é por mim mas pelo futuro… – Sua voz falhou. E ele abriu um sorriso, segurando o rosto dela nas mãos.

– Você não vai se arrepender… – Ele sussurrou e a beijou.

É muito tarde, por volta das duas da manhã quando ela abri a porta de casa e a sala está iluminada. Estranha, joga a bolsa em cima do sofá e é surpreendida com braços envolvendo-a por trás. Seu coração chora. Ela tenta se irritar e ser fria novamente, não permitindo-a que a toque… Mas as palavras de Fernanda vem a sua mente, se repetindo várias vezes e decidi não fazer. Clara não a quer com ninguém… Então só se virou e fitou os olhos dela.

– Já é tarde… - Ela sussurrou e nada disse Vanessa.

Segurou sua face com uma das mãos admirando os olhos da esposa, depois deixou-se analisar os detalhes de seu rosto e sem querer lembrou-se no dia que bateu nela. Um dia de indignação e fúria, o único dia que esqueceu o quanto ela já sofreu. Elas nunca falaram antes disso. Mas Vanessa sabia que parte da culpa da reação dela foi completamente de Clara… Se tivesse calado quando ela mandou. Mesmo assim, ela a olhou com carinho e sabia que faria iria passar em cima do orgulho dela. Seus olhos lagrimejaram e ela percebeu, com o coração na mão por Vanessa.

– Você seria capaz de me perdoar? - Vanessa perguntou algo que ela nunca pensaria ouvir. Seu interior gritou em vou a pergunta.

– Por? - Respondeu perguntando. Queria conferir tudo que Vanessa pensava ter feito a ela.

– Passar dias e dias trancado em um escritório planejado, não ter te dado a atenção que precisava, me importar somente em ter mais e mais dinheiro, esquecer de você a ponto de não levá-la na inauguração da primeira loja… Oh Deus, são tantas as coisas. Mas principalmente pela minha reação quando me contou dele… - Explicou sem desviar o olhar dela.

– Claro. - Foi direta e um pequeno sorriso se formou nos lábios de Clara. Ela se sentiu que esse dia não iria chegar.

– Obrigada. - Vanessa disse selando seus lábios nos lábios dela.

A puxou em direção a porta da área da piscina, onde ela deixou a surpresa transparecer normalmente e não acreditou no que via. A superfície da piscina está cheia de pétalas de rosas vermelhas e uns corações de balão jogadas entre as pétalas. Talvez de todas as coisas que Vanessa fez a ela nos últimos dias, esse foi seu preferido.

– Percebi que você não nadou na piscina. - Vanessa a informou, tirando as roupas e a intrigando.

– Então eu vou me vestir? – Perguntou confusa, pois Vanessa estava tirando a blusa. E ela fez um “não” com os movimentos da cabeça.

– O que está fazendo? - Ela a perguntou com um sorriso estampado não só nos lábios, mas no seu olhar.

– O que acha? Tirando a sua roupa. - Vanessa diz em tom óbvio e desabitou as calças dela, depois descendo-as.

Clara interferiu, ajudando Vanessa e tirou qualquer coisa no seu corpo mas deixando a roupa íntima. O cabelo dela ficou bagunçado pois se atrapalharam, porém ela amou aquele momento. Vanessa a pegou no colo e a girou, a mesma gritou divertida. Então pulou na piscina, as duas de roupa íntima e se divertiram até o dia amanhecer.




Será que a Clara ta gravida mesmo?!?

Capítulo 55

Paula: Nossa, mas como ela ta uma gata!
Mayra: Já vai indo Van? Não é cedo demais? – Vanessa olhou pra elas.
Vanessa: Eu vou cancelar tudo, quanto mais cedo, melhor.
Paula: Como assim, cancelar? Não me diz que vocês brigaram! 
Vanessa: A Clara ligou, não vem mais pra casa, vai ficar com Fabian. – May e Paula se olharam sem acreditar.
Mayra: Pega Paula. – Entregou as sacolas a ela. – Eu vou com a Van.
Paula: Ta bom, é…se cuidem. – May correu até Vanessa.

Vanessa: Não precisa May, eu vou sozinha.
Mayra: Que isso, faço questão de ir junto. 

Elas continuaram descendo as escadas e logo entraram no carro, durante o trajeto elas não trocaram uma palavra sequer. May estava morrendo de dó de Vanessa, já que ela estava tão entusiasmada com a idéia, e Vanessa estava com vergonha pelo papel que fez durante a semana. 

Vanessa: Chegamos. – Ela estacionou o carro. – Vai descer ou me esperar no carro?
Mayra: Tem certeza que você quer cancelar tudo? Quer dizer, você vai pagar uma multa caríssima por não ter cancelado com mais antecedência e já que estamos aqui. Eu sei que não sou a companhia que você queria que estivesse aqui, mas eu divido a conta com você. – Vanessa sorriu.
Vanessa: E no motel, você vai comigo também?
Mayra: Motel? – Ela arregalou os olhos e se passaram mil coisas por sua cabeça. – Bem, eu até….- Vanessa começou a rir.

Vanessa: To te zuando guria.
Mayra: Ah vai se catar Van, quase enfartei aqui.
Vanessa: Vou te poupar desse trabalhinho. 
Mayra: Muito engraçado! E então?
Vanessa: Eu aceito. Espera aí. – Ela desceu do carro e abriu a porta pra May, logo ofereceu sua mão. – Vamos? Namorada por uma noite. – Sorriu. May segurou sua mão.
Mayra: Não vem com papinho mole só pra me levar pra cama, ok? – Vanessa gargalhou.
Vanessa: Besta! – Soltou a mão de May e fechou a porta. – Vamos então.

O restaurante era incrivelmente lindo, tocava uma música suave e o ambiente era bastante calmo. Sem demorar muito elas entraram, foram até a sua mesa acompanhadas pelo garçom que as guiou e logo pediram algo pra beber enquanto não decidiam o que iam comer. 

Mayra: Até eu me surpreendi com esse restaurante.
Vanessa: Isso que você quem o indicou. – Sorriu e bebeu um gole de vinho.
Mayra: E esse vinho ta muito bom!

Elas conversaram mais um pouco e logo pediram a comida. Assim que o garçom trouxe o jantar, elas jantaram e voltaram a conversar. No meio da conversa e de muitos risos, e a surpresa chegou.

Garçom: Com licença, pediram pra entregar esse buque aqui. – May olhou pra Vanessa.
Vanessa: Obrigada. – Sorriu e pegou do garçom. – Era pra Clara. – Largou o buque no canto da mesa.
Mayra: Entrega pra ela amanhã. 
Vanessa: Quero apenas uma rosa. Quer o buque pra você?
Mayra: Se eu não aceitar você vai colocar no lixo?
Vanessa: Vou.
Mayra: Então me dá aqui! – Vanessa sorriu.
Vanessa: Quer mais alguma coisa?
Mayra: Não, to cheia e se eu beber mais uma taça você vai ter que me carregar.
Vanessa: Então, vamos?
Mayra: Claro. 

Elas compraram uma garrafa de vinho a mais e seguiram para o carro.

Mayra: Pra casa?
Vanessa: Não sei. Quer dar mais uma volta?
Mayra: Podíamos dar uma volta na praia, né?

Vanessa não gostou muito da idéia, afinal, praia lembrava Clara e isso não seria uma boa idéia depois de algumas taças de vinho que ela havia ingerido, mas como ela não queria ir pra casa, ela aceitou. 

Vanessa: Vamos. – Ela ligou o carro e logo foram em direção a praia. Alguns poucos minutos, e elas já estavam lá. –Chegamos.
Mayra: Ainda bem que ta calor hoje. – Elas desceram do carro e caminharam pela areia.
Vanessa: E aí, você vai abrir esse vinho ou vai esperar ele esquentar mais?
Mayra: Deixa comigo. – Ela começou a abrir o vinho. – Pronto! É…você tem copos aí? – Mais uma vez Vanessa lembrou de Clara.

Lembrança de Vanessa

.

Vanessa: Quer beber? 
Clara: Opa demorou! – Sorriu. Com um pouco de dificuldade eu abri a garrafa. 
Vanessa: Você tem copos ou taças aí? 
Clara: Não costumo trazer copos comigo quando venho à praia – Sorriu debochada.

Final da lembrança

.

Vanessa: Vai ter que ser no bico mesmo.
Mayra: Não tem problema! – Deu o primeiro gole e logo ofereceu a garrafa a Vanessa.
Vanessa: Nossa, mas que sede! – Sorriu e pegou a garrafa dando um gole também. 
Mayra: Vamos sentar ou caminhar?
Vanessa: Vamos sentar um pouco.
Mayra: Depois a preguiça sou eu! – Vanessa riu. Elas se sentaram.
Vanessa: Gosto de vir a praia e ficar olhando o mar e o horizonte. – Livrou-se do salto.
Mayra: Também gosto, ainda mais com essa lua cheia que ta simplesmente linda. – Livrou-se do salto também e logo pegou a garrafa de vinho.

Enquanto bebiam elas iam conversando, alguns minutos depois e o silêncio tomou conta das duas.

Mayra: Ta pensando nela? – Vanessa a olhou e logo voltou a olhar o mar.
Vanessa: To. Quando acontecem essas coisas, eu fico pensando no que fui me meter. – Ela abraçou suas pernas e encostou seu queixo em um joelho seu.
Mayra: Quais coisas? – Bebeu mais um gole.
Vanessa: Quando ela me deixa em segundo plano.
Mayra: Apesar da Clara ser a minha prima e de adorá-la, sinceramente, eu no seu lugar já teria terminado há muito tempo.
Vanessa: Tem pessoas que me acham uma boba por continuar com ela, já que ela faz tudo o que faz comigo. Mas não é assim. Eu já pensei em deixar ela, terminar tudo e ir embora, mas eu não consigo me imaginar longe dela. 
Mayra: Você realmente ama ela.
Vanessa: Eu não sei o que dói mais, se é estar com ela ou estar sem ela. É como se…se…estando com ela me matasse e sem ela eu morresse, entende? 
Mayra: Não.
Vanessa: Nem eu. – Pegou o a garrafa e deu um gole, entregando-a em seguida. 
Mayra: Se as coisas já estavam difíceis, agora então nem se fala. 
Vanessa: O que me dói mais foi ela ter esquecido o dia de hoje. Na verdade, ela nunca lembrou. – Sorriu com os olhos cheios de lágrimas.

Mayra: Como assim nunca lembrou?
Vanessa: É, sempre quando a gente completava mais um mês ela não falava nada, quem falava era eu e ela vinha na onda, como se lembrasse. 
Mayra: É o jeito esquecido dela.
Vanessa: Eu sei. Mas sei lá, sempre fiquei com garotas detalhistas, talvez. Todas sabiam o dia em que havia rolado nosso primeiro beijo, nossa primeira transa, o primeiro presente que eu dei, o número de mensagens que eu mandava por mês, e a Clara é tão diferente. Eu dou presente, eu mando mensagens, eu faço coisas contra minha vontade e ela não fala nada, nem se quer um ‘que linda a mensagem que você me mandou’. 
Mayra: Que dó! – Ela percebeu o biquinho de choro de Vanessa e sentou mais perto dela. – Não chorona não Beta, aquela vaca da Clara é uma sem coração mesmo! Toma um vinhozinho que passa essa dorzinha no peito, toma! – Ofereceu a garrafa e abraçou Vanessa que não conseguiu segurar duas lágrimas.

Vanessa deu o último gole no vinho e como não gostava de chorar na frente dos outros, arrumou uma desculpa pra sair de fininho até que aquela vontade de chorar passasse.

Vanessa: Eu vou ali no quiosque buscar outra bebida pra nós.
Mayra: Ta bom, faça isso que eu to com sede. – Soltou Vanessa. 
Vanessa: Já volto. – Retirou-se.
Mayra: E não me esquece aqui! – Gritou fazendo Vanessa sorrir.

Rapidamente Vanessa comprou quatro garrafas de cerveja, já que era tudo o que tinha pra vendar naquela hora e voltou pra junto de May que estava deitada na areia.

Vanessa: Aconteceu alguma coisa?
Mayra: Não, to só observando as estrelas, deita comigo. 
Vanessa: É melhor você não ficar balançando essa cabeça muito porque a coisa vai ficar mais feia! – May gargalhou e Vanessa deitou ao seu lado. 
Mayra: Olha como o céu ta lindo hoje.
Vanessa: Ta muito lindo. Fazia tempo que eu não olhava para as estrelas.
Mayra: Sério? Eu também não lembro da última vez que deitei pra vê-las. A correria do nosso dia-a-dia nos deixa cegos pras coisas simples da vida. – Vanessa a olhou.
Vanessa: Pronto! Bebe e vira poeta? – May gargalhou.
Mayra: Me deixe!

Vanessa: Cadê minha cerveja? – Sentou-se.
Mayra: Atrás de você. – Vanessa virou-se.
Vanessa: Ah é! – Pegou a cerveja e tomou um gole. – Hum, geladinha!
Mayra: Eu quero beber, mas não quero parar de olhar esse céu lindo.
Vanessa: Bebe deitada, oras.
Mayra: E se eu me afogar? – Vanessa sorriu.
Vanessa: Eu faço respiração boca-a-boca.
Mayra: Deixa de ser safada! – Vanessa gargalhou.
Vanessa: É sério! Pera aí. – Ela deitou de lado perto de May e aproximou a boca da garrafa de sua boca. – Bebe vai.
Mayra: Devagar! – Ela abriu a boca aos poucos e Vanessa deixou um pouco de cerveja cair em sua boca.
Vanessa: Aee. – Afastou a garrafa. – Viu como não foi tão difícil assim?
Mayra: Ah eu também quero fazer! – Sentou-se.
Vanessa: Nem a pau vou deixar você fazer isso em mim. Você ta pra lá de Bagdá! 
Mayra: Ah não seja má! E não é justo!
Vanessa: Ta bom, ta bom. Birrenta! – Vanessa deitou na areia de barriga pra cima e a entregou a garrafa. – Mas com cuidado!
Mayra: Confia em mim! – May aproximou a garrafa da boca de Vanessa e aos poucos foi virando-a, enquanto deixava cair cerveja dentro da boca dela, um mosquito pousou em seu braço e ela se assustou, balançando-o e derramando a cerveja pelo pescoço e na blusa de Vanessa.

Vanessa: AAAAAAAAAAAH que negócio gelado! – Sentou-se rapidamente.
Mayra: Desculpa Van, tinha um bicho no meu braço! 
Vanessa: Você me deu um banho de cerveja, sua destrambelhada. 
Mayra: Ué, tira a blusa e lava no mar.
Vanessa: Só se eu ficar pelada aqui!
Mayra: Fica de sutiã, só ta nós duas. 
Vanessa: To sem sutiã. Comecei a trocar de roupa ante de sair de casa e desisti antes de terminar. – Querendo ou não, aquela blusa branca de Vanessa ficou um tanto transparente e May acabou vendo o que queria evitar. 
Mayra: Se joga no mar então, pior não fica. – Sorriu e bebeu um gole de cerveja.
Vanessa: Eu vou me jogar no mar sim. – Levantou-se e May levantou junto, rindo muito e com certa dificuldade, claro. –Mas eu não vou sozinha.
Mayra: Que? – Fez cara de nojo.
Vanessa: Você me jogou cerveja. – Começou a se aproximar de May, olhando fixo em seus olhos.
Mayra: É, foi. E?
Vanessa: E que você vai comigo.
Mayra: No mar? Nem a pau! A água deve ta fria.
Vanessa: Ah vai sim, por bem ou por mal. Você escolhe.
Mayra: Vou nada, vou buscar outra cerveja. – Deu as costas.

Vanessa: Ah mas vai mesmo! – Vanessa se aproximou de May e a pegou por trás, levantando-a alguns poucos centímetros do chão e a carregou pra dentro mar. 
Mayra: Não Van. Não faz isso. Não! Não! Nããããão! – Pedido em vão, já era tarde e as duas já estavam na água.
Vanessa: Amiga que é amiga, passa por tudo com a outra. Não reclama!
Mayra: É? Mas agora eu vou te afogar e não vou passar por isso! – May se jogou em cima de Vanessa fazendo-a mergulhar rapidamente.
Vanessa: Sua doida! – Elas riam muito. 
Mayra: Pior que a água não está muito fria.
Vanessa: A noite ta abafada, deve ser por isso.
Mayra: Só espero que você não fique resfriada mais uma vez!
Vanessa: Relaxa, já melhorei. Só assim, cura teu porre também.
Mayra: O que? Quem ta bêbada aqui?
Vanessa: Você!
Mayra: Eu não, to legal. 
Vanessa: May! – Ela arregalou os olhos.
Mayra: O que?
Vanessa: É você que ta cutucando minha perna?
Mayra: Eu não. OMG, tem um bicho na água???
Vanessa: Pára de frescura May! É você, né?

Mayra: Não, minhas pernas estão aqui. – Ela colocou pra fora da água uma perna de cada vez.
Vanessa: Se não é você, então…
Mayra: Foge, vem! – May agarrou a mão de Vanessa e começou a puxá-la pra fora d água, enquanto Vanessa se matava rindo. –Não ri carai, tem um bicho e você fica rindo!! Depois a bêbada sou eu, corre! 
Vanessa: To te zuando May!
Mayra: Ah sua sem graça! – Jogou água no rosto de Vanessa. 
Vanessa: Vamos sair da água? 
Mayra: Vamos. – Elas voltaram pra areia. – Quero ver a gente secar.
Vanessa: Missão impossível! – Sorriu e bebeu um gole da cerveja. – Esquentou.
Mayra: Vamos comer algo no quiosque? Deu fome.
Vanessa: Vamos. Pega suas coisas.

Elas recolheram suas coisas e foram até o quiosque.

Vanessa: O que você vai querer?
Mayra: Não sei. Acho que um xis ta bom.
Vanessa: Lanchinho light né? – May sorriu.

Mayra: Quer dividí-lo comigo? Não vou conseguir comer um inteiro.
Vanessa: Eu também não consigo comer um sozinha. De que você quer?
Mayra: De que? Você só come de carne!
Vanessa: As vezes eu como de outras coisas.
Mayra: Ta bom, pede um de carne mesmo. Vou ao banheiro enquanto isso.
Vanessa: Ta bom, não demore. – May retirou-se.

Enquanto May foi ao banheiro, Vanessa fez o pedido e sentou-se em uma cadeira, onde, mais uma vez, ficou observando o mar. Ela não podia ficar um minuto sozinha que sua mente a traía e novamente ela voltava a pensar e a sentir falta de Clara. 

VanessaComo eu queria que você estivesse aqui. Talvez, agora, fosse mais pelo porre que ela havia tomado que a fez ter vontade de chorar ao pensar nisso. O dia já estava quase amanhecendo, provavelmente Clara e Fabian já teriam feito tudo o que teriam pra fazer e agora ela dormia nos braços dele. Por mais que tentasse, Vanessa só conseguia pensar nisso. Minutos depois e May voltou para ‘salvá-la’.

Mayra: Voltei gatinha! – Sorriu. Apesar da tristeza ter vontado, Vanessa sabia que não seria justo ficar pra baixo, depois de tudo que May estava fazendo pra distraí-la, então respirou fundo e deu um enorme sorriso. 
Vanessa: Demorou! Encontrou alguma piriguete lá?
Mayra: Essa hora só nós duas estamos acordadas. – Elas ririam. – E o lanche?
Vanessa: Deve ta saindo já. 

Dois minutos depois, e o xis chegava a mesa delas.

Mayra: Vai beber Pepsi?
Vanessa: Não gosto de comer tomando cerveja.
Mayra: Mas é uma fresca mesmo! – Vanessa riu.
Vanessa: Come o xis, ok!

Elas comeram, beberam mais um pouco, conversaram, brincaram e quando notaram já era mais de cinco da manhã.

Vanessa: Putz, ta tarde!
Mayra: Vamos indo?
Vanessa: Vamos, eu só não sei onde deixei meu carro. Você lembra?
Mayra: Ta pra lá. – Apontou. – Você ta em condições de dirigir?
Vanessa: É obviu! – Assim que começaram a ir em direção ao carro, ela atropelou a mesa. – Mas quem colocou essa mesa aqui?
Mayra: Que mesa idiota, né?
Vanessa: Demais pro meu gosto!

Um pouco antes de chegarem no carro, alguém gritou.

xXx: Ei vocês duas aí, paradas!

Capítulo 56

Mayra: Fudeu! Vamos ser assaltadas.
Vanessa: Fica quieta e entrega tudo! 
xXx: O que vocês fazem aqui a essa hora? – May virou aos poucos.
Mayra: Ah seu cretino! Eu vou te matar! – Começou a dar sapatadas na pessoa.
Vanessa: Pára May, é o Edu!
Mayra: Eu sei que é ele, você acha que se não fosse ele eu taria batendo?
Edu: E por que você ta me batendo?
Mayra: Porque você me assustou, filho da mãe! – Edu começou a rir.

Vanessa: Liga não Edu, ela ta bêbada.
Edu: Pelo jeito ela não é a única, né? O que estão fazendo aqui? E a essa hora?
Vanessa: Então, eu fui descartada pela Clara e a May me acolheu.
Edu: Vocês duas estão ficando?
Vanessa: Claro que não Edu! Só viemos beber um pouco.
Edu: E agora estão indo pra onde?
Mayra: Não te interessa!
Edu: Me interessa sim, olha o estado de vocês duas.
Vanessa: Estamos indo pegar meu carro pra ir pra casa.
Edu: Você não vai dirigir desse jeito.
Mayra: Eu já disse pra você não se meter, seu metido! Volta pra festinha com as tuas peguiguetes!
Edu: Com as minhas o que?
Vanessa: Peguetes! Ela tentou dizer peguetes. – Edu riu.
Edu: Me dá a chave, eu levo vocês embora.
Vanessa: Ah eu não quero ir pro apartamento não.
Edu: Você vai pra onde então?

Vanessa: Eu quero ir pro meu apartamento. Não to afim de ir pro outro.
Edu: Ta, no caminho você me diz onde é e eu te deixo lá.
Vanessa: Ta bom. – Ela entregou as chaves e eles entraram no carro. 

O apartamento de Vanessa não era muito longe dali, então alguns minutos depois eles chegaram lá.

Vanessa: Valeu Edu. Pode ficar com o carro. Leva a May com você.
Mayra: Não! – Ela desceu do carro. – Quero ficar com você.
Vanessa: Não precisa May. – Desceu do carro também. - E vou ficar legal.
Mayra: Mas com o Edu no carro, eu não vou ficar legal. Quero ficar!
Edu: Fica com essa chata Van. – Desceu do carro.
Mayra: Chato é você!
Edu: Você quem é!
Vanessa: Chega! Vocês dois vão acordar o bairro todo. Beleza Edu, a May vai ficar comigo, mas você pode ficar com o carro.
Edu: Eu vou direto pra casa mesmo. Não precisam de nada?
Vanessa: Não, obrigada por tudo.
Edu: Tchau May. – Ele se aproximou dela e quando foi dar um beijo em seu rosto, ela o virou e acabou pegando de raspão na boca.
Mayra: Abusado! – Edu riu.

Edu: Foi sem querer! Você virou o rosto.
Vanessa: Chega vocês dois, mas que coisa. – Ela pegou umas chaves no carro e deu pra May. – Vai entrando May, eu já vou. – Ela retirou-se.
Edu: Tem certeza que vocês não precisam de nada?
Vanessa: Tenho sim, valeu mais uma vez. – Ele se aproximou dela e deu um beijo em sua testa.
Edu: Não fica mal não, valeu?
Vanessa: Pode deixar. – Sorriu sem muita vontade. – Boa noite ou bom dia, sei lá.
Edu: Cuida bem da teimosa. – Entrou no carro e o ligou.
Vanessa: Deixa comigo.

Assim que se despediram, Vanessa entrou no prédio e May a esperava no elevador. Elas subiram, May fez mil comentários de como o apartamento de Vanessa era lindo, elas conversaram mais um pouco, logo tomaram um banho e caíram na cama. May adormeceu na cama de Vanessa, enquanto ela tomava seu banho. Vanessa não quis acordá-la, então a deixou ali mesmo.


‘Eu que não fumo queria um cigarro.
Envelheci dez anos ou mais nesse último mês.
Eu que não bebo, pedi um conhaque pra enfrentar o inverno que entra pela porta que
você deixou aberta ao sair’

-

Já era seis da manhã e Vanessa tinha em suas mãos um copo de whisky, ela andava do quarto para a sala, ia na sacada, olhava o pouco movimento que tinha lá embaixo, voltava para o quarto, deitava, tentava dormir, bebia mais um pouco quando o sono não vinha, até que deitou pela milésima vez e acabou pegando no sono, ao lado de May. 

Como ninguém sabia que elas estavam lá, ninguém as incomodou, afinal, seus celulares estavam descarregados e elas nem se deram conta. Lá pelas duas da tarde e com bastante dificuldade e pouca vontade Vanessa foi abrindo seus olhos aos poucos. A claridade que passava por entre a cortina de seu quarto a incomodava, então ela virou para o outro lado e teve uma bela e assustadora surpresa: May estava deitada, dormindo seminua ali mesmo, em sua cama.

Rapidamente Vanessa se sentou na cama e percebeu também estar seminua. Por causa das doses extras de bebida alcoólica e ao sono que ainda sentia, ela não se lembrava ao certo do que havia acontecido na noite anterior, depois que já estavam em seu apartamento. Mas se as duas haviam bebido até não poder mais e se estavam – seminuas - na mesma cama, com certeza o instinto de Vanessa havia falado mais alto e ela teria se rendido, ficando com a prima da mulher que amava.

VanessaPuta que pariu, não acredito que eu fiz isso! Cara, que mancada! 

Ela se enrolou em um lençol e começou a andar de um lado para o outro no quarto. 

VanessaA May vai achar que eu a embebedei só pra trazê-la aqui pro meu apartamento. Eu não acredito que eu fui fraca mais uma vez! Mas que porra! Como vou contar isso pra Clara? E com que cara vou olhar pra May quando ela acordar? – Aos poucos, May começou a acordar. – Não May, não acorda agora não, por favor, eu não pensei em nada ainda. Será que se eu cantar como fazem nos desenhos, ela dorme de novo também? Aff, claro que não. Ih já era, ela acordou! – Ela arregalou os olhos. 
Mayra: Bom dia! – Sorriu espreguiçando-se. Vanessa estranhou.
Vanessa: Bom dia? – Será que eu disse que a amava?

Mayra: Não é bom dia?
Vanessa: Não é que…é..eu e você…nós duas…você vai me achar uma cafajeste, mas o que aconteceu ontem a noite aqui nesse apartamento? – May começou a rir.
Mayra: Não, nós não transamos. 
Vanessa: Não? Tem certeza?
Mayra: Se eu tivesse transado com uma mulher, com certeza eu não iria esquecer. Nós chegamos, bebemos, tomamos um banho e dormimos. Bem, foi isso que eu fiz, agora se você me molestou enquanto eu dormia, daí já não sei.
Vanessa: Não brinca com isso May.
Mayra: Viu como é bom zuar os outros. – Sorriu. – Que horas são?
Vanessa: Duas ou três da tarde.
Mayra: Vamos fazer assim, enquanto eu ligo pro apartamento das meninas pra dizer que estamos bem, você coloca uma roupa e pede algo pra almoçarmos, ok?
Vanessa: Ta bom, to cheia de fome. Já volto. – Retirou-se. 

E assim como combinado, elas fizeram e logo foram almoçar. Enquanto almoçavam, conversavam.

Vanessa: Você tem certeza que não rolou nada?
Mayra: Tenho Van, desencana. Até porque se você tivesse transado comigo, você não iria esquecer!
Vanessa: Nem se acha né? – Elas ririam. – Falou com as meninas?
Mayra: Falei, Paula estava louca atrás de nós.
Vanessa: O Edu não disse onde estávamos?
Mayra: Ele não acordou ainda.
Vanessa: E a Clara?
Mayra: Bem, é… Paula disse que ela ainda não tinha chegado. 

Depois disso e o assunto acabou. Vez em outra May falava qualquer besteira, mas estava na cara que Vanessa não tinha gostado nada do que May havia falado antes. Depois que almoçaram, elas limparam a bagunça, conversaram mais um pouco e la pelas cinco da tarde, resolveram voltar ao apartamento das meninas.

Ao mesmo tempo que Vanessa estava louca pra chegar e ver Clara logo, ela tinha medo de como agir ao vê-la e de que Clara não estivesse lá. Por vezes, durante o trajeto, ela pensou em adiar um pouco mais essa chegada, mas era tarde, elas já estavam no elevador, indo em direção ao apartamento delas. Assim que saíram do elevador, ela começou a dar passos inseguros e lentos. Segundos depois e elas já estavam no apartamento.

Paula: Bonito hein? Saem pra gandaia, não avisam e chegam só no outro dia tarde! 
Mayra: Viramos a noite bebendo na praia.
Paula: Teve que carregar ela, Van?
Vanessa: Não, ela já ta se saindo bem. – Elas riram. – E a Clara? – Paula olhou May e desfez o sorriso.
Paula: A Clara ligou agora pouco perguntando por você e pediu pra te avisar que…que ela vai vir só amanhã a tarde, depois que levar Fabian pro aeroporto.
Vanessa: Ah. – As duas notaram que Vanessa ficou bastante desapontada.
Mayra: Aeroporto? Ele vai embora amanhã? – May falou isso na tentativa de animar, um pouco que fosse, Vanessa.
Angel: Parece que sim.
Vanessa: Eu vou pro quarto ver os meus e-mails. Com licença. – Retirou-se

Vanessa deixou May e Paula na sala e foi para o quarto, ligou seu notebook, abriu seus e-mails, respondeu o e logo saiu da internet. Aquele seria mais um dia sem Clara. Ela deitou na cama, ficou olhando para o teto e lembrou que tinha algo no bolso. Ela colocou sua mão dentro dele e pegou a rosa que ela havia tirado do buque e que daria hoje pra Clara e ficou olhando-a.

VanessaPois é, mais uma vez sobrou nós duas, rosinha. – Começou a acariciar a rosa.

Era nove e pouco da noite e Vanessa ouviu seu celular vibrar em cima da cômoda onde estava carregando. Ao olhar no visor, viu que era Clara, ela fechou os olhos e deixou chamar até a ligação ser finalizada. Dessa vez ela estava muito chateada com Clara. May ficou um tanto preocupada ao notar que Vanessa não tinha saído do quarto pra nada então foi vê-la como estava.

Mayra: Posso entrar, Van? – Vanessa guardou a rosa na gaveta e respondeu.
Vanessa: Pode sim, May. – Ela entrou e foi até a cama onde sentou-se.
Mayra: Como você está?
Vanessa: To bem. – Sorriu.
Mayra: Vamos jantar?
Vanessa: To sem fome.
Mayra: Você tem no estomago só o almoço, precisa comer algo.
Vanessa: Antes de dormir eu como.
Mayra: Vai passar a noite aqui?
Vanessa: Não sei. Acho que vou dar uma volta.
Mayra: Quer ir a boate?
Vanessa: Não. Preciso relaxar e só relaxo fazendo uma coisa.
Mayra: Vem ela com putaria de novo. – Vanessa riu.
Vanessa: Isso também me relaxa, mas não é isso.
Mayra: Então é o que?
Vanessa: Quer mesmo saber?
Mayra: Claro.
Vanessa: Pega um casaco e vem comigo então. – Levantou-se colocando o casaco.
Mayra: Aonde vamos?

Vanessa: É surpresa. Vamos logo.
Mayra: Você não vai aprontar né?
Vanessa: Claro que não. Confie em mim! 
Mayra: Ta bom, só espero não me arrepender depois. – Levantou-se. – Vou pegar meu casaco então.

Enquanto May pegava o casaco, Vanessa avisou que elas iriam sair mais uma vez. Sem perder tempo e as duas seguiram para o carro.

Mayra: Quero só ver que surpresa é essa! – Vanessa deu a partida no carro e começaram a andar.
Vanessa: Não prometo que você vai gostar.
Mayra: Não vai me levar a nenhum puteiro lésbico né?
Vanessa: Claro que não.
Mayra: E hetero?
Vanessa: Menos!
Mayra: Então não vai ter graça. – Vanessa sorriu. – É longe?
Vanessa: Não muito.

Uma meia hora depois e elas estavam no tal lugar misterioso.

Mayra: Pera aí, a sua surpresa é essa? Uma estrada deserta?
Vanessa: Não é simplesmente uma estrada deserta, é um palco pra pegas.
Mayra: Aquelas corridas doidas?
Vanessa: Exatamente.
Mayra: Entendi. Espera aí! Você vai fazer um pega e eu to dentro do seu carro?
Vanessa: Bingo! Faz tempo que eu não faço isso e to precisando.
Mayra: Você é louca, Vanessa! Onde já se viu relaxar correndo o risco de morrer.
Vanessa: Não é pra tanto também.
Mayra: Você deve ta de porre ainda, só pode! Não, quem ta de porre ainda sou eu, to imaginando isso, é, é isso mesmo!– Vanessa sorriu.
Vanessa: Quer ver como é um pega ou quer esperar do lado de fora?
Mayra: Tem certeza que isso é seguro e que não vamos morrer aqui?
Vanessa: Cruzes May, não vamos morrer. E prometo fazer com carinho. - Sorriu. 
Mayra: Já que é assim, eu topo então.
Vanessa: Aperta bem teu cinto. 
Mayra: Como é?
Vanessa: Questão de segurança, você sabe. – May não gostou, mas assim fez.

Vanessa esperou May apertar seu cinto e logo ligou o carro, dava pra notar de longe que May estava nervosa demais. Vanessa acelerou o carro algumas vezes e logo tirou o pé da embreagem fazendo o carro queimar pneu e logo começar a correr. May se segurava no banco e no painel do carro, seus olhos estavam arregalados e sua boca entreaberta. A estrada era reta, havia apenas uma curva há alguns metros de onde elas deram a saída e um pouco antes de chegar nessa curva, Vanessa deu um cavalo de pau, e em alta velocidade voltou ao lugar de onde saíram, dando outro cavalo de pau e parando o carro em seguida.

Vanessa: E aí May, gostou?
Mayra: Eu disse que você era louca?
Vanessa: Disse.
Mayra: Você não é louca, você é retardada! – Vanessa sorriu.
Vanessa: Ah, confessa que é emocionante. 
Mayra: Tem emoção demais pra mim!

Enquanto elas conversavam, alguns faróis altos vinham na direção delas.

Mayra: Putz, só falta ser a policia! 
Vanessa: Relaxa.
Mayra: E se forem assaltantes?
Vanessa: Relaxa. 
Mayra: Pára de me dizer pra relaxar porque eu fico mais nervosa!

Os carros que vinham pararam ao lado delas.

xXx: Olha o que eu achei, duas gatinhas perdidas na beira da estrada.

Haviam uns quatro ou cinco carros, todos com três ou quatro integrantes em cada um, entre homens cheios de marras, haviam algumas mulheres, parecia ser uma gangue.