vanessa moraes

#Flanessa gets it done.

If every novella maker in Brazil would be so kind to pay attention for a tiny little second: 

Look. There. Just like that. It’s that simple.

So if you could all not make such a huge bleeding fuss about it next time, that would be great, thanks.

Thank you, gorgeous ladies, you are wonderful <3

McFarland

McFarland is one of those feel good movies from Disney that makes you want to do something more with your life. Kevin Costner plays Coach Jim White aka Blanco who sees the potential in a group of kids from one of the poorest towns in America. He notices that these kids seem to be able to run forever - from the picking farms to school and back to the farms after school. So he decides to create a cross-country team. This is their story. It’s a beautifully shot film about resilience and self-discovery. And some of the jokes aren’t half bad either. Like I said, Disney always knows how to create films that make you feel like you’ve wasted your entire life. So here’s a list of 10 ways the boys of McFarland made me feel completely inadequate.

1) When I found out that this movie was based on a true story.
“Based on a true story” usually always means that this person’s life was amazing and yours will never live up to it. Great.

2) When the boys’ alarm clocks go off at the ass crack of dawn.
They literally wake up at satan o’clock to go pick on the farms to make some extra money for their families. Makes me feel incredibly blessed to have the life I have.

3) They go to a full day of school after spending all morning picking cotton.
Damn these are some hard workers. I am seriously slacking.

4) They run 8-10 miles a day.
“They about that #fitlife,” I write while sitting on my couch after eating ice cream out of the tub.

5) They return to the farms after school to pick some more cotton.
They’ve probably been up for about 16 hours by this point or something. They only thing I can do in 16 hours is marathon tv shows.

6) No matter how bad their day was, they all sit down together to eat dinner as a family.
My family can watch tv together for about 30 minutes before everyone decides they’re sick of breathing the same air.

7) Not only do they all eat dinner together, they eat delicious home cooked Mexican food.
The rest of us can just give up now because none of us have enchiladas waiting for us at home.

8) They can get the entire town to rally together to support their cross-country team.
This one time I got 94 RTs on a tweet about Kristen Stewart. So I guess that’s kind of the same thing.

9) Did I mention they run 8-10 miles a day?
With hill training. And they don’t even have good running shoes or even real hills! 

10) Their coach really believes in them and actually wants them to succeed.
Last night my mother accidentally locked me out of the house.

Capítulo 1

Quinta-feira, véspera de réveillon e eu – VANESSA - sem ninguém da minha família nessa cidade, seria uma virada de ano espetacular e sem nada para se fazer, em outras palavras, tédio total. Eu estava totalmente entediada dentro do meu apartamento, atendi e liguei para alguns amigos e familiares desejando feliz ano novo e depois disso não tinha mais nada para se fazer. Olhei pela janela e vi um grande movimento lá em baixo, na rua. Peguei as chaves do apartamento e resolvi caminhar pela praia. A madrugada estava linda, havia uma lua cheia inspiradora que se refletia no mar. Eu estava com uma garrafa de champanhe, já que eu estava sozinha, brindaria a entrada do novo ano comigo mesma. Sentei-me na areia e fiquei viajando por alguns minutos olhando aquele mar até que senti um punhado de areia sobre minhas pernas.

Vanessa: Ei olhe por onde anda.
Xxx: Desculpe-me, estava distraída e não vi você aí.

Era uma loira, tinha olhos pequenos em um lindo castanho claro, um braço todo tatudo e pela expressão da sua face estava irritada.

Vanessa: Tudo bem, ninguém manda ficar sentada no meio da praia né?

Sorri tentando ser um pouco simpática e ela me correspondeu o sorriso. E que sorriso, era um sorriso inocente, doce, notei que seus olhos ficaram menores ainda.

Xxx: Também, mas o que faz aí?
Vanessa: To brindando a entrada do ano.
Xxx: Sozinha?
Vanessa: É. Não tenho parentes na cidade, e cá entre nós, com um mar e uma lua dessas, se dispensa qualquer companhia. – Menti
Xxx: A noite está linda mesmo. – Suspirou

Eu não a conhecia, mas pude notar seu tom de voz e seu olhar um tanto tristes, fui um tanto atrevida: E você? O que faz sozinha? – Ela me olhou e forçou um sorriso.

Xxx: Briguei com meu noivo.
Vanessa: Nossa, já começaram o ano assim? 
Xxx: Pois é, imagina como será o resto do ano – Fez uma cara de nojo
Vanessa: Ah nada vê! Não acredito nessas coisas, vai de você. – Ela estava linda, usava um vestido branco e em suas mãos segurava suas sandálias.
Xxx: Também não acredito nessas coisas não.
Vanessa: Quer se sentar? - Apontei para o meu lado
Xxx: Claro.

Ela se sentou próxima de mim, o vento trazia seu perfume, era delicioso, um cheiro tão agradável, que vontade de senti-lo em seu pescoço, epa! Me deixei levar rs. Me atrevi novamente: Qual seu nome? – Ela me olhou e logo olhou o mar.

Xxx: Clara. E o seu? – Clara, que nome lindo cara. - Pensei.
Vanessa: Me chamo Vanessa, mas pode me chamar de Van. – Sorri. Ela sorriu e ofereceu sua mão para mim.
Clara: Prazer Van. – Levei minha mão de encontro a dela e a apertei, sua mão estava um tanto gelada, talvez pelo vento da praia. – Prazer Clara! – Sorrimos juntas.
Vanessa: Quer beber? – Mostrei a garrafa de champanhe.
Clara: Opa demorou! – Sorriu. Com um pouco de dificuldade eu abri a garrafa – na verdade, não levo jeito pra abrir garrafas de champanhe, sou uma negação! 
Vanessa: Você tem copos ou taças aí? – Sim, que pergunta idiota.
Clara: Não costumo trazer copos comigo quando venho à praia – Sorriu debochada e eu sorri com ela.
Vanessa: Se importa se for no bico? 
Clara: Não, por mim tudo bem ou você tem alguma doença? – Ela fez uma careta como se estivesse assustada – Pelo humor dela nem parecia que havia discutido com o noivo.

Vanessa: Que eu saiba não, mas vai saber né? 
Clara: Eu corro esse risco, preciso beber algo. - Ta com sede? Eu mato ela de outro jeito! – Pensei e logo ofereci a garrafa a ela.
Clara: O primeiro gole tem que ser seu, ou eu roubo o seu namorado. Na verdade isso vale quando é um pacote de bolachinha, mas eu acho que vale pra bebidas também.

Eu não contive o riso, olha a bobagem que ela havia acabado de falar.

Vanessa: Tudo bem, não tenho namorado então não corro esse risco. – Ela pegou a garrafa da minha mão.
Clara: Sendo assim, tudo bem. – Ela deu um gole enorme, realmente estava com sede. Logo me devolveu a garrafa. –Me fala mais de você, Van.

Eu peguei a garrafa dela e tomei um gole enquanto a ouvia. - O que quer saber? – A olhei enquanto ela pensava por onde iria começar as mil perguntas.

Clara: Você mora aonde?
Vanessa: Aqui pertinho em um apartamento e você? – Eu aproveitava suas perguntas para saber dela também. Ela novamente pegou a garrafa de mim e foi bebendo.
Clara: Moro há umas quadras daqui, não muuuuito longe. Tem muitos amigos aqui? 
Vanessa: Não muitos. Não faz muito que cheguei aqui. – E ela não parava de beber.
Clara: Você disse que não tem parentes aqui, é de onde então?
Vanessa: Sou de Porto Alegre, sul do Brasil. – Eu acho que ela havia esquecido que eu bebo. Ela me deu um sorriso um tanto malicioso, acho que ela é do tipo fraca para bebidas.
Clara: Hum, gauchinha então? Bem que dizem que lá as mulheres são muito lindas. – Posso aceitar isso como uma cantada? Pensei e somente sorri. – O que faz da vida? Trabalha, estuda..? – Nossa, como gosta de perguntar! Pensei.

Vanessa: Sou DJ em uma boate aqui perto. E você?
Clara: Eu tenho uma empresa de marketing. Trabalha em qual boate? Vou em várias aqui, quem sabe já vi você por aí. – E a champanhe já estava pela metade!
Vanessa: Trabalho na boate Mix Sul, conhece? – Rapidamente ela me olhou.
Clara: É boate gls, certo?
Vanessa: É.
Clara: É lésbica? – Não contive o riso.
Vanessa: Não, mas sou bi, algum problema? – Percebi que ela passeou o seu olhar por meu corpo.

Clara: Não, sou livre de preconceitos.
Vanessa: Ótimo! Se importa se eu beber um gole do champanhe? – Ela caiu na gargalhada, já estava bêbada.
Clara: Desculpe, tome. – Me ofereceu a garrafa. A peguei e tomei um gole. Ela estava inquieta como se quisesse perguntar mais alguma coisa e não demorou muito para que tomasse coragem e perguntasse. – Você tem namorada?
Vanessa: Não, sem namorada, sem namorado, sozinha e abandonada no mundo. – Ela riu
Clara: Besta! – Ela jogou a tampa do champanhe em mim, de leve.
Vanessa: E você? Já ficou com meninas?
Clara: Nunca.
Vanessa: Tem vontade, curiosidade, sei lá? 
Clara: Não sei. Quer dizer, nunca encontrei uma menina que me despertasse essa curiosidade. – Novamente pegou a garrafa de mim
Vanessa: Entendo.
Clara: Você é bi desde quando?
Vanessa: Desde uma decepção com um homem.
Clara: Se fosse assim eu seria lésbica há muito tempo. – Gargalhou novamente.
Vanessa: Não foi um homem, foi o homem, o único que amei em minha vida. – Desviei meu olhar para o mar.
Clara: Não entendo desses negócios de amor, nunca me apaixonei. – A olhei surpresa.
Vanessa: Como assim? E teu noivo? – Ela riu
Clara: Eu não vou me casar por amor. Como eu disse nunca me apaixonei e acho que nunca vou me apaixonar, devo ser anormal ou algo assim. – Sorriu - Vou me casar com ele pelos negócios que nossas famílias têm em comum. Coisa de sobrenome, entende?
Vanessa: Casamento é complicado, sem amor complica mais ainda, pode se transformar em um inferno!
Clara: Eu sei, mas melhor que ficar sozinha.

Vanessa: Já eu prefiro ficar sozinha. Antes só do que mal acompanhada. – E o champanhe acabou.

Assim foi nossa madrugada, ficamos conversando sobre tudo um pouco e quando vimos já era quase seis da manhã, o dia já estava querendo clarear.

Clara: Nossa, preciso dormir um pouco. – Se espreguiçou
Vanessa: O papo ta bom, mas preciso ir também. – Nos levantamos, na verdade eu não estava com a mínima vontade de ir embora, mas o sono ia me vencendo aos poucos.

Clara: Obrigada por não me fazer perder a noite.
Vanessa: Que isso, eu que agradeço por ter me feito companhia. – Sorri e logo a vi se aproximando de mim, meu coração disparou, desfiz o meu sorriso, minhas mãos gelaram, eu parecia uma estátua até que senti seus lábios em minha bochecha.
Clara: Tchau Van, feliz ano novo. – Sorriu
Vanessa: Tchau Clara, feliz ano novo pra você também. – Correspondi ao sorriso, por uma fração de segundos eu havia esquecido como se fala, sim, eu pareci uma idiota sem reação nenhuma. Fiquei observando ela se afastar e ir embora, por fim, fui embora também, meus olhos estavam pesados. Peguei a garrafa de champanhe vazia – Era tudo o que ela havia deixado pra mim – e a coloquei no lixo, guardei apenas a tampa do champanhe - Queria guardar algo de lembrança daquela noite – e fui embora.
Cheguei em meu apartamento e me joguei na cama, até que acordei com o meu celular tocando.

Vanessa: Alô. – Falei com voz de sono.
Xxx: Te acordei Van?
Vanessa: Sim, quem é?
Xxx: Oh cabeçuda, é eu, o Junior!
Vanessa: Ah! Oi Ju.
Junior: Que empolgação! Passou a noite na gandaia, só pode. – Não contive o riso.
Vanessa: Melhor que isso.

Junior: Depois quem não presta sou eu! – Ele sorriu – Liguei pra te convidar pra ir em um churrasco na casa de um amigo, a galera vai ta em peso, você vai curtir.
Vanessa: Que horas?
Junior: O rango vai rolar tarde, mas vamos cedo pra lá pra curtir a piscina, dar uma ‘pescada’, ta ligada Van? – Sorriu cheio de malicia – Essa ‘pescada’ nada mais era do que caçar uma ou algumas pra ficar. 
Vanessa: To. – Sorri
Junior: Vamos fazer assim, vem aqui no meu apartamento e a gente vai juntos. Pega um táxi até aqui, daqui uma meia hora, beleza?
Vanessa: Ok, em meia hora eu to chegando aí.
Junior: Falou, beijo na bunda! – Ele desligou.

Vanessa: Beijo na bunda? Mereço! – Resmunguei sorrindo e fechei meus olhos novamente. - Opa, melhor levantar ou perco o horário - Levantei, tomei um banho, preparei um sanduíche pra mim com um copo de Pepsi e fiz meu lanche enquanto chamei um táxi. Não demorou muito e ouvi a buzina do táxi, peguei minha bolsa e corri até ele. Eu estava tomada pela preguiça, em 10 minutos ou nem isso cheguei ao apartamento do Junior, paguei o táxi e entrei no prédio. Logo de cara me deparei com ele, estava terrivelmente terrível me encarando e esperando alguma reação minha, ele me olhava de um jeito assustador – Como sempre – O encarei do mesmo jeito e me aproximei dele, mas mais uma vez não tive coragem de entrar no elevador! Sim, eu tenho pavor de andar sozinha de elevador. E resolvi ir pelas escadas mesmo, afinal, eram só 5 andares! E assim eu encarei as escadas, subi sem pressa pra cansar mais devagar, alguns minutos depois cheguei ao bendito apartamento, toquei a campainha e esperei alguém abrir a porta.

Junior: Pensei que não viria mais!
Vanessa: Acha fácil subir 5 andares?

Junior: Ah! Esqueci teu medo de elevador – Riu debochado e me deu espaço pra entrar no apartamento.
Vanessa: Não é medo! É cautela. – Falei enquanto entrava – E aposto que você ainda não terminou de se arrumar.
Junior: Não mesmo. – Ele fechou a porta – Só vou trocar de camisa e vamos. – Vi ele entrando em seu quarto, imediatamente me joguei no sofá, eu estava podre de cansada, aquelas escadas acabaram comigo e com certeza havia perdido as gramas que ganhei com o sanduíche e a Pepsi mais cedo.
Junior: To pronto, simbora! - Com muito esforço levantei e fui até a porta com ele.
Vanessa: Aí, a gente vai pelas escadas né?
Junior: Nem a pau! Eu vou de elevador, te espero lá em baixo.
Vanessa: Ah, Ju! Vamos descer pelo corrimão, olha que divertido. – Subi no corrimão e comecei a deslizar por ele devagar.
Junior: Você é maluca! Eu tenho saco, esqueceu? – Fui obrigada a rir.
Vanessa: Ajeita ele e vem, anda, é divertido! – Eu ia descendo devagar e fui descendo mais rápido aos poucos, fingindo não conseguir parar, queria zoar com ele.
Junior: Van, cuidado! – Continuei descendo rápido até que ouvi um grito atrás de mim.
Xxx: Cuidado! – Puta que pariu, eu temia bater na pessoa que havia gritado, imediatamente tentei parar, mas eu estava rápida demais, então joguei meu corpo para o lado das escadas e cai solta sobre elas. – Senti uma mão em meu corpo.
Xxx: Você está bem? – Essa voz, esse perfume, essa mão, olhei para trás pra descobrir quem era.

Cap 38


Claudia – ela veio te buscar? (incrédula)

Eu nem olhei pra cara dela, bati a porta e sai, cheguei no carro e o simpático motorista de Clara me cumprimentou, abriu a porta pra mim e foi dar continuidade no caminho até o restaurante….

Motorista – quanto tempo não vejo a senhorita…
Vanessa – pois é neh…como esta tudo?
Motorista – muito bem obrigado… A senhora Aguilar disse pra senhorita o restaurante?
Vanessa – não…
Motorista – é aquele que levei vocês uma vez… muito rústico, com vista por mar…

Meu coração desacelerou, chegou a ponto de parar, voltou a bater bem rápido novamente, aquela sensação… hoje seria uma noite bem estranha, chegamos na porta do restaurante…

Vanessa – e ela?
Motorista – deve ter chegado já, ela veio no próprio carro.

Sai do carro respirando fundo, fui entrando no restaurante, o recepcionista perguntou se tinha mesa reservada, eu disse que esperava por Clara, ele já a conhecia, então me levou ate a mesa onde ela já me esperava, ela estava olhando o cardápio, estava de blusa preta, não conseguia ver o que vestia na parte de baixo, devia estar de calça jeans também, estava simples, muito bonita como sempre, abriu um sorriso lindo, sabe quando um sorriso parece te salvar de um abismo? Era o que o sorriso dela significava pra mim, meu corpo sentiu uma fraqueza assim que a vi, ela se levantou pra falar comigo, eu nem sabia o que fazer, ela me deu um abraço, suas mãos em volta do meu corpo, retribuindo o abraço, eu não conseguia explicar a sensação que sentia naquele momento, senti o seu coração acelerado assim como o meu, acho que isso nos envergonhou e nos soltamos do abraço, as duas sem graça, mas continuando sorrindo, nos sentamos e ficamos nos olhando por um momento… ela resolveu quebrar o silencio…

Clara – que bom que aceitou meu convite…
Vanessa - …. não teria porque não aceitar Clara
Clara – vamos fazer nosso pedido?
Vanessa – claro…

Começamos a olhar o cardápio, eu nem sentia fome, mas observando as opções meu apetite foi aparecendo, eu escolhi o obvio, camarão, eu fui dizer o nome da comida que queria e na mesma hora ela disse o mesmo que eu, rimos da situação, ela chamou o garçom e pedimos o mesmo prato pras duas, ela aproveitou e pediu um vinho.

Clara – assim que você saiu da sala hoje eu li seu trabalho…
Vanessa – imagino que sim, você ligou logo depois…(ficamos sem graça de novo)
Clara – você esta cada dia progredindo mais…no trabalho!
Vanessa – obrigada…eu fico muito Feliz ouvindo isso de você.
Clara – sério? (sorrindo)
Vanessa – claro, você é um espelho para todos na empresa…
Clara - …………. é sobre essa sua progressão que vim falar…
Vanessa - ……. sei
Clara – ninguém esta sabendo ainda, mas o seu chefe vai sair….
Vanessa – como assim?
Clara – ele quer trabalhar numa nova área, conseguiu um trabalho muito bom e vai esta se despedindo de vocês essa semana…
Vanessa – nossa… estou surpresa com essa noticia, todos vão ficar muito triste…mas porque você esta dizendo isso pra mim primeiro?
Clara – hahaha porque eu quero que você assuma o cargo!
Vanessa – eu???
Clara – acho que você esta preparada pro cargo…
Vanessa – mas eu sou umas das mais novas la dentro, não sei se seria o certo…
Clara – eu não estou perguntando pra você se é certo ou não, eu estou te oferecendo o cargo de chefia do seu setor, você pode aceitar ou não, mas é uma oportunidade que pode ser única na sua vida…
Vanessa – mas porque eu?
Clara – nossa… nunca ofereci um cargo tão bom a alguém e me fizeram tantas perguntas…
Vanessa – eu tenho direito de saber neh?
Clara – eu só acho que você é a pessoa certa pra isso, tem competência pra chefiar, existem muitas pessoas ali que também tem, mas eu acho que você seria a melhor pessoa, depois do trabalho que você me mostrou então, isso ta mais que provado…

Eu fiquei meio desconfiada daquilo, parecia que ela tava me compensando por alguma coisa, eu sei da minha competência, mas tinham pessoas com muito mais tempo de serviço lá, que inclusive poderia começar a surgir boatos dela ter me promovido tão rápido, eu era sua assessora, todo mundo sabe que eu já tinha um contato maior com ela, talvez não fosse bom pra mim e trabalhar na chefia, seria trabalhar diretamente com ela, porque tudo do setor teria que chegar a mim pra poder chegar a ela, Claudia ia fazer um escândalo achando que eu fui pra cama com ela, porque ela não ia pensar na minha competência, so ia pensar nas vezes em que eu e Clara já estivemos juntas e olha que ela não sabe nem metade…

Vanessa – eu aceito
Clara – que bom…. Junior vai trabalhar com você…eu já tinha colocado ele no cargo, mas não tinha dito quem seria o chefe do setor…ele vai ficar feliz de trabalhar com você!
Vanessa – eu que fico feliz de ter meu trabalho reconhecido tão cedo…

O jantar chegou, continuamos falando sobre trabalho, bebíamos o vinho, meu celular vibrava no meu bolso loucamente, eu peguei e desliguei ele…

Clara – sua namorada ligando?
Vanessa – é…
Clara – não vai atender?
Vanessa – não.
Clara – algum problema?
vanessa – não…
Clara - ………. okk…
Vanessa – ela ta pensando besteira por causa desse jantar…
Clara – (me olhando e bebendo seu vinho) rsss nem sei o que dizer…
Vanessa – não precisa dizer nada…
Clara – ela deve ta chateada neh?
Vanessa – um pouco…
Clara – a minha namorada…. (ela travou, olhou pra mim e parou de falar)
Vanessa – pode falar…
Clara – não tem importância…
Vanessa – tudo bem, se você acha isso…

O clima tinha ficado meio pesado, eu não entendia porque e acho que ela também não, voltamos a falar sobre trabalho, nosso refugio ali era esse, a sobremesa foi servida, não falávamos sobre nada pessoal…

Clara – nossa… esse vinho é maravilhoso…
Vanessa – é gostoso sim, mas você sabe que eu não entendo nada de vinho neh?
Clara – hahaha eu sei…mas é muito bom neh?
Vanessa – é… e to meio tonta já com ele, mas é ótimo…
Clara – hahahaha eu também to…e nem posso, tenho que dirigir
Vanessa – então é melhor parar neh?
Clara – eu consigo chegar em casa, estou acostumada com vinho…(ela sorria lindamente, eu já olhava ela como boba)
Vanessa - ……………………………
Clara – acorda Vanessa…ta pensando em que?
Vanessa – nada….
Clara – ta preocupada com a Claudia? Quer ir embora?
Vanessa – nãoooo…. não to pensando nela não, alias eu nem quero ir pra casa…(eu não disse isso, pqp)
Clara – não? (cara ela sorrindo, pqp muito linda)
Vanessa – não… não quero olhar pra cara dela hoje…
Clara – ela ta na sua casa?
Vanessa – ela mora comigo!
Clara - …………………. ah sei… (parecia decepcionada)
Vanessa – então não vou voltar…simples.
Clara – e vai pra onde?
Vanessa – não importa…ligo pro Junior ou pro Edu, fico na casa de um deles…
Clara - …………………… eu também não estou a fim de ir pra casa…então… aceitar beber comigo essa noite?
Vanessa - ……………… aceito!

Sabe quando você tem certeza que não ta fazendo a coisa certa? Eu tinha certeza absoluta que não era pra fazer isso, por isso mesmo que eu fiz. Ela pagou a conta, não aceitou dividir comigo de jeito nenhum…

Clara – porra eu pago, quem tem dinheiro aqui sou eu…

Sempre escrota, eu adora aquilo nela, saímos do restaurante e ela disse que conhecia uma bar muito legal, ficava na estrada, como se tivesse saindo da cidade, fomos ouvindo musica no carro, ela me falava sobre o bar, falava de boates, de varias coisas, o assunto ia surgindo, a gente ria das nossas coisas, ela estava com um senso de humor melhor do que aquele que eu conhecia, eu sempre animada, falava varias besteira, depois de uns 40 minutos no carro, chegamos no tal bar, o caminho ate ele tinha mato, achei que fosse um lugar vazio, mas estava cheio, tinha um estilo como se fosse aqueles bares antigos, era numa cor de madeira velha, eu nunca ia saber que ali era uma bar, estacionamos o carro e fomos entrando, de cara vi duas mulheres se beijando, o bar ainda era gay, fomos caminhando ate uma mesa, nos sentamos e vieram nos servir, já colocaram dois chopes na mesa, sem nem mesmo pedirmos…

Clara – aqui é como se fosse um festival de chope, eles te servem o tempo todo, você tem que mandar para de servir…adoro esse lugar, eu descobri a pouco tempo…

O bar era muito maneiro, tinha uma mulher tocando musica ao vivo, estava rolando uma MPB, a mulher tocava de tudo…o clima do lugar era ótimo, a gente estava no quinto chope, nosso papo estava bem descontraído, o telefone dela tocou…

Clara – alo?
Edu – oi Clara me desculpa te ligar essa hora, mas a Vanessa ta com você?
Clara – ta sim, porque?
Edu – posso falar com ela? O telefone dela esta desligado…
Clara – claro, vou passar pra ela..

Minha cara sem entender nada…

Vanessa – fala
Edu – Van, desculpa atrapalhar qualquer coisa, mas a tua mulher esta como uma louca atrás de você, me ligou pedindo pra ligar pra Clara…eu não sei o que fazer…
Vanessa – manda ela tomar no cu hahaha (eu no efeito do chope jah) zueira, eu vou ligar pra ela, foi mal Edu…

Desliguei o telefone irritada…

Vanessa – cassete, não tenho paz… (pegando o meu celular e ligando ele)
Clara – sua mulher deve ta louca atrás de você..meu deus…
Vanessa – odeio que fiquem pegando no meu pé…
Clara – ela não confia em você? (rindo ironicamente)
Vanessa – ela não confia em você!

Clara ficou calada depois do que eu disse, eu liguei pra Claudia da mesa mesmo…Clara me observava…

Capitulo 87

A mão pesada de Acrisio se levantou contra a filha. Vanessa não se intimidou. Os dois travaram um duelo de olhares que minavam uma vida de ressentimentos e decepções mútuas, até o senador baixar a mão e lutar para se recompor.


– Você não cumpriu nosso acordo, vim aqui exigir que o faça agora.


– O senhor não conseguiu nada com a Clara, pensando que seria mais fácil manipulá-la, ameaçá-la e agora me procura com esse papo de nosso acordo? Ora senador, vamos poupar a hipocrisia, sejamos práticos e objetivos, vá direto ao ponto.


– Essa caipira insolente não me deu ouvidos. Um tanto ingrata a meu ver, acaso não sabe o que fiz por ela?


– Ela não se curvou ao seu poder, Clara é forte, pode ter estado por um tempo vulnerável no seu primeiro ano aqui, mas já superou isso, não se submeteria ao senhor por essa dívida. Veio cobrar de mim essa dívida?


– Você é minha filha Vanessa! Não negocio com você, estou aqui como seu pai, vim exigir respeito a nossa família! O meu partido tem uma moral a defender, você como minha filha deve ser exemplo disso!


– Pai o que é respeito para o senhor? Esse partido que o senhor é membro, não respeitam homossexuais, mas tolera sua prática política? E todas as acusações de crimes que cercam o senhor? Belo respeito ao eleitor.


– Vanessa chega! Você já me tirou a paciência!


– Então me diga de uma vez por todas o que quer aqui!


– Quero que venha comigo para Campo Grande estar ao meu lado, ao lado da sua família nessa reta final de campanha. Encerre essa sua brincadeirinha com a caipira insolente e aja discretamente fazendo todos acreditarem que tudo que foi divulgado foi uma armação do meu adversário para sujar minha imagem.


– O senhor só pode estar louco! Nunca faria isso! Nunca!


– Está preparada para as consequências?


– Ah… Estava demorando… Começaram as ameaças. O senhor não negocia comigo, mas me chantageia… O que vai ser dessa vez? Vai cortar minha mesada? Uma novidade para o senhor: isso não me amedronta. Já fez isso e sobrevivi. Nada vai me separar da Clara. Eu a amo. Já enfrentamos muitas barreiras para ficarmos juntas, o senhor será só mais uma. Vai me deixar sem dinheiro? Não me importa, estou trabalhando e posso me manter no final do ano me formo, e vou fazer da minha vida o que quiser, longe das suas rédeas.


– Eu imaginei que reagiria dessa forma. Por isso, me precavi.


Como um mágico que esconde um truque, Acrisio lançou sobre a mesa uma pasta cheia de papéis e continuou a falar:


– Você ama essa garota? Suponho que tanto amor envolva sua nobreza em proteger também a família dessa moça.


– Do que o senhor está falando?


– Essa pasta tem um dossiê sobre a vida da família dessa caipira. Extratos bancários, empréstimos, dívidas, bens, declaração de impostos, até mesmo histórico médico do senhor Álvaro Aguilar.


– O senhor mandou investigar a família da Clara? Aposto que não encontrou nada!


– Nada criminoso é verdade. Mas, em minhas mãos, essas informações podem ser muito úteis. Você sabia que recentemente o pai da sua amiguinha fez um empréstimo altíssimo para ampliar sua loja e comprar propriedades na região e colocou como garantia, todos os bens? Até mesmo a casa que mora?


Vanessa permaneceu estática. Sabia que era verdade, há dias Clara comentou com ela a imprudência do pai.


– Pelo que vi, o homem é um empreendedor, conseguirá quitar essa dívida.


– Mas?


– Mas, se eu intervier, ele pode perder o credenciamento para fornecer material para financiamento de bancos do governo para construção, isso seria péssimo para os negócios dele, afinal seus principais clientes são aqueles que conseguem financiamento público para habitação… Suas propriedades podem ser desvalorizadas se eu mexer meus pauzinhos e os arredores abrigarem um lixão, ou uma fábrica poluidora… Ele teria dificuldade em honrar suas dívidas e em poucos meses sua derrocada será vertiginosa. Sua amiguinha seria abalada por isso?


– O senhor é um monstro… – Vanessa se sentou com os olhos marejados.


– Ainda tenho informações que acabaria com a credibilidade do senhor Álvaro Aguilar, colocando-o como alvo de investigação de sonegação de impostos com as devidas manobras o faria receptador de mercadoria roubada. Veja que drama: falido e na cadeia!


Vanessa balançava a cabeça negativamente, incrédula com a crueldade do pai.


– Quem sabe Clara conseguiria ganhar a vida fazendo fotos sensuais, vídeos pornôs, já que ela já tem alguma experiência nisso…


O comentário do pai encheu Vanessa de ódio. A loira levantou-se subitamente, e cuspiu na face do senador recebendo de imediato uma violenta tapa que a fez perder o equilíbrio.


– Fui muito condescendente com você Vanessa! Deixei que sua mãe te protegesse, olha o que você se tornou! Vou te colocar nos eixos, custe o que custar!


Erguendo-se com alguma dificuldade, Vanessa enxugou o rosto banhado em lágrimas silenciosas enquanto o pai limpava o rosto com um lenço de seda.


– Não sei que tipo de monstro é você que chantageia a própria filha envolvendo inocentes gratuitamente… Tenho nojo de você, vergonha de ter seu sangue, hoje o senhor perdeu sua única filha.


– Isso é o que veremos Vanessa. Deixe essa dramaticidade de lado e vamos ser práticos como você mesma sugeriu. Você tem três dias para chegar a Campo Grande com essa situação completamente resolvida, caso contrário não hesitarei em cumprir minhas ameaças.


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Ainda atordoada com o ultimato do pai, Vanessa não voltou para casa na hora de sempre, deixando Clara preocupada especialmente porque a fotógrafa desligara o celular propositalmente. Solitária refletiu nas consequências de não levar a sério as ameaças do pai, por mais que lhe doesse, todos os seus instintos apontavam que o senador não hesitaria em cumpri-las. Clara e sua família sofreriam de maneira catastrófica os efeitos de involuntariamente estar no caminho de Acrisio Mesquita, e seu relacionamento não resistiria a tamanha provação, seria uma carga de infelicidade muito alta para arrastar numa vida a duas já tão marcada por acontecimentos desgastantes.

Refletia ainda sobre como e o que dizer a Clara. A valentia e personalidade fortes da moça a impulsionaria a não ceder às chantagens do senador. Tal atitude intempestiva nesse contexto seria ingênua, Vanessa sabia que Clara não calculava do que seu pai era capaz, facilmente as consequências evoluiriam para desfechos mais sórdidos, arquitetados pelo senador se fosse desafiado. Assim, a fotógrafa concluiu: Clara não pode saber a verdade, era necessário proteger ela e a família da sua inocente coragem.

Se Clara não podia saber a verdade, o que justificaria a separação delas? Vanessa sentia seu peito romper antevendo sua alma dilacerar com tal evento iminente. Ainda lhe restava a dura pena de ser responsável por isso, era preciso colocar sua própria inteligência a serviço do seu sofrimento, uma vez que não seria fácil enganar a namorada, a relação delas estava sólida, a cumplicidade lhes permitia traçar um futuro juntas de uma maneira absolutamente natural, como se fossem predestinadas uma a outra. A alternativa era tocar o ponto fraco de Clara: seu ciúme e insegurança.

Apesar de Vanessa manifestar de todas as formas sua fidelidade e seu amor por Clara, a moça era tomada por várias vezes pelo sentimento irracional que lhe deixava insegura ao imaginar sua namorada cercada por belíssimas mulheres no trabalho, sem contar seu vasto histórico de lésbica solteira nas noites paulistanas. Era nessa fraqueza que Vanessa se concentrava para magoar Clara a ponto dela mesma terminar tudo.

Cogitava ainda a possibilidade de que o rompimento fosse temporário, até que as eleições passassem e seu pai a deixasse em paz depois de alcançar seu objetivo. No entanto, não estava certa que Clara aceitaria essa situação, especialmente pela invasão à vida de sua família que o senador executou, cobraria de Vanessa outra postura, a qual a loira sabia que só as colocaria ainda mais na linha de fogo suicida com seu pai. Para que ela pudesse manter Clara e seus pais à salvo era necessário fazê-la acreditar nessa separação, depois lutaria para reconquistá-la, longe dos desmandos de Acrisio, esse era seu plano mais sensato.

A noite já estava avançada quando Vanessa decidiu voltar para casa e enfrentar os últimos dias na companhia de sua amada ou pelo menos antes de mais um período, afastada dela. Quando caminhava para o carro estacionado, avistou um rosto conhecido que lhe sorria. Era Angelique, sua boa amiga.


– O que é a vida de uma mulher casada agora! Nem tem mais tempo pras amigas!


Angelique abraçou Vanessa amigavelmente, e notou o abraço se prolongar de maneira atípica, não se afastou ao sentir que a amiga soluçava em seu ombro.


– Ow minha querida… O que houve?


A sempre descolada e forte garota revelava abruptamente sua face vulnerável, despertando na psicóloga seu instinto de cuidado com a amiga.


– Quer conversar um pouco?


Vanessa recusou com um gesto enquanto Angelique enxugava o rosto da amiga com suas mãos.


– Van, sabe que pode contar comigo não é?


Dessa vez a loira acenou em acordo e resumiu:


– Preciso fazer a coisa mais difícil de toda minha vida, quando me falavam sobre lutar por amor nunca imaginei que essa luta podia implicar também em perdas e separação. Que raios de sentimento é esse?


– Nem sempre as lutas são justas não é?


– Não, não mesmo.


– Encare da seguinte forma: há um momento oportuno para tudo, isso é bíblico. Essa luta também tem sua hora de acabar, espero que o amor vença no final.