These guys. You gotta love em.

A little consolation after the epilogue ;.;  Although, I do like Boruto ^^;

What if we lived in a world where there were no standards? Would we be able to truly embrace ourselves or would we still fear the judgement of others. If such a world exists, is it a utopia, or is it a hell?
—  Late Night Thoughts #6
via littlemissimaginary

Nunca mais estaremos assim, nesse sentir exato. Com os mesmos ideais e devaneios e desejos inexprimíveis. Nunca mais seremos as mesmas pessoas que habitam o mundo, porque em questões de milésimos tudo se perde. Se eu não fizesse aquela má colocação, se não escolhesse aquele trajeto. Não somos os mesmos daquela tarde de outubro e não seremos imutáveis na próxima estação. Penso excessivamente sobre os momentos em que descartamos a razão e nos permitimos pisar no desconhecido. Creio ser sim, bonito, quando me vêem além das barreiras que nos constroem a todos.

Nunca mais seremos tão exatos ou bonitos quanto agora. É o tipo de coisa que vagueia minha mente enquanto recordo detalhes tolos, risos infantis, nuances de tons que a luz da fresta faz no cabelo. Isso talvez pudesse ser algo triste, o pensamento de que deixamos a vida passar de raspão pelo peito por medo das cicatrizes, mas a verdade é que não consigo ser fatalmente mórbida quando penso no sentir. Tenho conclusões trágicas todos os dias sobre os mais variados assuntos, mas o final das divagações contém sempre um fio esperançoso de céu azul. 

Tenho pensado muito no correr do calendário e nas reservas feitas pela vida sem nosso conhecimento prévio. As consequências de cada ato, por mais simplório que seja. Conversando com amigos noto que ninguém sabe muito bem para onde está indo, mas todos têm ideais sobre o destino final. Aprendi há tempos que planos se dissolvem a cada passo dado, os agentes mutáveis não se importam muito com nossa lista de tarefas daquele início de ano fugaz. É necessário viver na inconstância dos acontecimentos.

Nunca mais repetiremos todos os momentos que nos tornaram, ainda que num jeito sem-querer-querendo, quem somos. Não voltaremos ao ponto de partida. Seu olhar não será o mesmo de dois dias atrás e eu não terei a sensação equivalente àquela da última semana. Me recorda a explicação de que nunca mais tocaremos a mesma água do rio, serão outras na corrente que nos guia - admito gostar de lembrar, apesar da efemeridade me doer. 

Seremos outros. A cada segundo estamos um passo mais perto de. Um dia, semana, mês. Mais perto de. Daquela coisa sem nome ou definição que vezenquando nos pegamos esperando como se soubéssemos. Talvez assim que nossos olhos ou peito baterem de encontro, saberemos. 

Independentemente dos dias que seguirão, dos desalentos e afagos que virão, gosto de pensar que, assim como minhas conclusões esperançosas, o que espera do outro lado é bonito.

G.