uns olhos

desculpe o transtorno, preciso falar sobre um relacionamento abusivo

Aos quinze anos é tudo um mausoléu. As coisas nos atingem com o dobro da intensidade do que quando se tinha doze e dói. Aos quinze anos com aquelas espinhas na cara, um casaco de general e o caderninho de poesias no bolso eu escrevia poemas sobre como o amor poderia curar. Porque aos quinze anos tem muito disso, se apaixonar por alguém e achar que isso vai nos salvar das noites mal dormidas chorando. 

[lembro de quando eu tinha uns cinco anos e vi um casal se beijando na rua, e achei aquilo asqueroso. minha babá riu, e disse que quando eu crescesse aquilo seria a coisa mais natural do mundo pra mim. Com sorte amor faz aquilo com a gente ela disse.]

Eu estava infeliz pra caramba, mas mantinha a pose de durão. Porque não havia no mundo coisa que o amor não podia curar. Eu acreditava nisso.

Foi aí que eu conheci o Tiago. Eu estava no segundo ano, lembro bem, eu tinha acabado de mudar de escola e lá estava ele, de longe o cara mais incrível e influente de lá. Tiago tinha um cabelo engraçado com uns tons de grisalho uns olhos castanhos claro meio puxadinhos e umas sardinhas no rosto. No quinto dia de aula eu tomei coragem pra conversar era aula de filosofia eu fingi não ter entendido e ele me explicou de maneira ilustre ficamos conversando o dia inteiro sobre n coisas sobre a vida sobre o universo o tempo voou. 

Na segundo Tiago não foi à aula. Na terça também não. O que haveria acontecido? Fiquei louco. Na quarta durante a aula de educação física eu cai e bati a cabeça. Até então nunca havia sentido tanta dor na vida. Tiago surgiu do nada me ajudou a levantar e buuuum. [a dor passou ao vê-lo] 

Aos quinze anos o amor cura tudo.

Na quinta Tiago me chamou pra lanchar. Na sexta me ligou chorando no meio da noite e ficamos conversando por horas. Ele me falou das suas bandas favoritas: me fez gostar de the doors, U2, simple plan e oásis. Eu lhe falei de los hermanos, the calling, kid abelha e creed. O poeta favorito dele era o Leminski assim como eu, ele até tinha uma tatuagem no antebraço “isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.” Tiago adorava contar piadas bestas que só ele ria, mas era tão gostoso ouvir aquela risada que eu nem me importava. Fomos dormir depois de umas três horas.

Escrevi o primeiro poema de amor pra Tiago. Aos quinze anos o amor cura tudo. Ah mas Tiago já tinha quase dezessete. 

Duas semanas passadas era a festa de aniversário de Tiago bebemos demais a noite inteira e até que Tiago me beijou

pausadamente.

Tiago não falou o dia seguinte inteiro comigo e na semana seguinte também não. No domingo me ligou bêbado chorando, se desculpou por não ter falado comigo e disse que não entendia porque não o procurei e que não se lembrava de nada da noite de seu aniversário.

Quase um mês depois num momento de distração meu Tiago pegou meu caderno de poesias e leu as coisas que escrevia. Tiago saiu esbaforido e sumiu por semanas. Nada nunca tinha doído tanto. Por que aquilo estava acontecendo comigo? 

Aos quinze anos o amor cura tudo.

Lembro que já era tarde da noite e chovia tanto, Tiago correu até minha casa e me deixou um bilhete “o destino quis que a gente se achasse, na mesma estrofe e na mesma classe, no mesmo verso e na mesma frase. – Leminski” [o nosso poeta favorito].  Eu nem acreditava em destino, mas acreditava em Tiago. Caralho o Tiago me amava. No dia seguinte fomos ao cinema e assistimos “medianeiras” [Tiago amou, falamos sobre ele por semanas] no mesmo dia aconteceu o nosso primeiro beijo [dessa vez sóbrios] foi doce e delicado [me lembrei de quando tinha 5 anos e vi aquele casal se beijando, agora eu entendia o que o amor fazia]

Aos quinze anos o amor cura tudo.

Na caminhada pra casa Tiago me recita um poema de um poeta novo nosso amor é impuro como impura é a lua e a água e tudo quanto nasce e vive além do tempo. Minhas pernas são água, as tuas são luz e dão a volta ao universo quando se enlaçam até se tornarem desertos e escuros. E eu sofro de te abraçar depois de te abraçar para não sofrer. “E toco-te para deixares de ter corpo e o meu corpo nasce quando se extingue no teu – Mia Couto” e no meio do sorvete sorrindo me pediu em namoro.

Aos quinze anos o amor cura tudo.

Três dias depois Tiago dês entrelaça nossas mãos nas ruas.
seis dias depois Tiago me renega aos amigos.
no dia seguinte ri de um comentário estúpido de um amigo sobre mim.
(na minha cabeça era tudo normal e eu o escrevia poemas)

Tiago me deixou plantado na porta do cinema pra curtir com amigos e me culpou por cobrá-lo. Tiago me culpava pelos comentários dos amigos. Tiago se embebedou numa festa e me culpou por não tê-lo impedido. Tiago me disse: cheira ai e me largou sozinho num lugar desconhecido completamente louco e me culpou por ter ficado louco. Eu me culpava e escrevia poemas bonitos pra Tiago na vã tentativa de que ele me perdoasse.

Aos quinze anos o amor curaria tudo

Tiago me anuncia na véspera da partida que iria morar em outra cidade e me culpa por estarmos naquele estado; Tiago viaja e some por seis semanas, (na minha cabeça era tudo normal e eu o escrevia poemas) na véspera do meu aniversário Tiago reaparece e me culpa pelo sumiço e por termos chegado ao fim. Tiago põe relacionamento serio horas depois numa rede social com outro e me culpa pela traição.

Agora aos dezesseis o amor curaria tudo?

Eu ligava e ele não atendia
Eu ligava e ele não atendia
Eu ligava e ele n ã o  a t e n d i a

Eu chorei incessantemente durante seis dias e seis noites e escrevi os mais tristes poemas e me culpava por aquela merda toda. Aos dezesseis eu não queria sentir nada, mas de algum modo esperava que o amor dos quinze me curasse de tudo. Quatro meses depois eu pesava dezesseis quilos a menos seis meses depois Tiago retorna a escola após a morte do pai. Dois dias depois a gente discute e Tiago me empurra na escada e me culpa por ter sido tão agressivo. No mesmo dia Tiago me liga pedindo desculpas e diz estar com saudade. E eu só conseguia pensar que aquilo era o amor curando tudo (na minha cabeça era tudo normal e eu o escrevia poemas bonitos).

Aos dezesseis anos o amor cura tudo

Tiago agora ria dos meus poemas.
Tiago agora detestava Mia Couto ou Leminski.
Tiago agora sumiu freqüentemente por dias.
Tiago deixava escancarado que não se importava com o que eu sentia.

Aos dezesseis anos o (meu) amor (me) curaria de tudo

Eu já não acreditava tanto no amor que Tiago me oferecia naquela sala de cinema. [mas acreditava que ele me curaria]
parei de escrever poemas romantizados sobre ele.
Tiago agora era alguém que eu não conhecia, mas sentia falta de amá-lo [isso não doía].
Tiago agora era alguém que eu não conhecia e aqueles olhos castanhos claros e cabelos grisalhos logo logo seriam substituídos por outro.
Tiago agora era alguém que eu não conhecia e os poemas de Leminski já não eram como antes.
Tiago agora era alguém que eu não conhecia de cabelo loiro e piercing no nariz.
Tiago agora era alguém que eu não conhecia e a lembrança vaga não doía.
Tiago agora era alguém que eu não conhecia.

Aos dezessete meu amor me curou de tudo.

Reaction: A Revanche

  Opa opa, cheguei!
  Então pessoinhas, esse foi um dos meus pedidos favoritos, pois enquanto escrevia o reaction “Sendo Sexy Com Você” eu já imaginava um pouco se fosse o oposto, e cá estamos nós ashuashua.
  Caso queiram ver o reaction que antecede esse, é só clicar no link ali no topo. ^-^
  Uma boa leitura by
Miss Writer

  • Kim Namjoon

  Hoje especialmente era o aniversário de namjoon, e como sempre, depois de comemorarem “formalmente” com bolinhos e velas, foi a hora dos rapazes entrarem em ação, arrastando namjoon para uma festa de verdade, especialmente, numa boate. Afinal, vocês estavam a quilômetros de distância de casa, era tarde, e ocasionalmente ninguém teria nenhum compromisso pela manhã, aquela idéia era perfeita.
  Tinha luzes brilhantes para todos os lados, o som era alto e estridente, o balcão de bebidas parecia vibrar junto com os corpos que dançavam pela pista, não era o seu tipo de clima favorito, mas no fundo sabia que comemorações merecia exeçoes.
  — Jagi, isso é incrível, eu estou tão feliz! — Lhe dava diversos beijos enquanto sorria alegremente.
  — Aproveita que é só hoje. — Sorriu de volta. — Mas hey, hoje é seu aniversário, ao menos vai dançar uma música comigo, não é?. — Se virou para ele ao se lembrar desse fato.
  — Amor, você sabe que eu não danço fora do trabalho. — Disse num tom brincalhão.
  — Por favor Joonie. — Fazia manha enquanto agarrava em seu braço.
  — Nada me tira daqui. — A encarou crusando os braços e você o soltou automaticamente.
  — Então é assim kim namjoon? — Sussurrou se afastando do mesmo. — Você que pediu.
  Deixou seu copo sobre a mesa fazendo um barulho relativamente alto, seguindo em direção ao Dj.
  — Ponha essa pra mim por favor. — Passou o nome da música e se retirou apenas aguardando.
  Em seu corpo havia um vestido médio, vermelho, acompanhado de belos sapatos pretos com alguns brilhos na parte de trás, sua maquiagen era leve e seu cabelo era preso de forma singela também, era como se você tivesse transformado um visual chamativo em algo mais encorpado, digamos assim.
  Aos poucos você foi caminhando em direção a pista apenas aguardando aquela batida que tão bem conhecia, se iniciar. Em questão de minutos seu corpo se balançava de um lado para o outro, enquanto seus pequenos prendedores de cabelo caiam pelo chão, transformando suavemente o seu visual, indo para algo mais sexy.
  Rebolar e descer até o chão não faziam parte de seus costumes, mas algumas vezes arriscava uns pequenos passos mais ousados, rezando estar chamando a atenção do homem certo.
  Quando por uns pequenos instantes seus olhos se abriram, pode ver namjoon olhando diretamente para você, mesmo com aquela multidão ainda em sua frente. “Ótimo trabalho”, pensava.
  Derrepente uma mão toca em sua cintura e se vira rapidamente checando se realmente era quem esperava, e sim, era.
  — O que pensa que está fazendo? — Sussurrou contra seu ouvido.
  — Estou dançando sozinha, já que alguém me jurou que não sairia do lugar — Usou um tom de deboche enquanto ele passava a língua por seus lábios.
  — Fez isso comigo só por diversão (S/n)? — Sorria desacreditado.
  — Talvez, mas não ligue pra mim, continue lá me vendo dançar — Você ameaçou se afastar mas ele rapidamente a puxou de volta.
  — Eu não quero te ver dançar, quero dançar contigo. — Beijou seu pescoço.
  — Tarde demais — Se virou de frente para ele, mordendo seu lábio e o puxando, estava aí a sua deixa.
  — Te vejo no Hotel nenêm. — Mandou um beijinho no ar se retirando, podia ver os olhos dele se incendiarem, mas não voltaria trás.

Originally posted by slapmon

  • Kim Seokjin

  Como uma maravilhosa tarde de sábado, você e  seokjin decidiram dar uma volta pelo shopping, para comprar algo ou apenas perder um tempo fora de casa, não importava ao certo, o bom é que ao menos faziam algo juntos.
  — Hey Jin. — Chamou sua atenção. — Preciso ir naquela loja ver um vestido, se quiser pode ir resolvendo outras coisas. — Disse o apertando através do intrelaço de seus braços.
  — Não jagi, eu vou com você. — Sorriu.
  — Jin, não precisa, é sério, tenho certeza de que não vai gostar de ficar sentado num banco vendo a sua namorada experimentar vários vestidos.
  — Porque eu não gostaria (S/n)? Eu adoraria te ajudar, vamos logo, vamos! — Lhe arrastou para dentro da loja.
  Seokjin sempre foi um homem disposto a lhe ajudar com tudo, mas as vezes você entendia que algumas coisas, não necessariamente precisavam dele, mas mesmo assim se via contente quando ele insistia em ajuda-lá.
  Rapidamente você pegou algumas peças indo até o provador, Jin ficou sentado em frente a um puf que daria uma boa visão quando te visse sair da cabine.
  — Hey. — O chamou mostrando o primeiro vestido.
  Era um azul marinho, bem rente ao corpo, acentuava suas curvas maravilhosamente bem, mas mesmo tudo estando perfeito, queria a opinião dele.
  — Eu adorei. — Que, só isso, só adorou?
  Ainda ficou um tempo o encarando esperando mas alguma resposta, mas não vinha nada.
  — Deve ser porque é o primeiro. — Sussurrou para si mesma entrando no provador.
  Mas não era esse o motivo, você experimentou vários vestidos depois e a opinião continuava a mesma, aquilo estava começando a lhe entrigar, “Será que ele realmente estava prestando atenção?”
  Então por um impulso você decidiu buscar outro vestido, diferente de todos os outros, era curto, justo e sexy.
  O vestiu rapidamente e se encarou no espelho, claro que não levaria aquela roupa, mas o que ia valer seria a prova de que ele realmente não estava prestando atenção.
  — Hey. — O chamou mais uma vez. — O que achou?
  — Lindo jagi. — Dizia sem a olhar.
  — Gostou mesmo? Então eu posso sair com ele para uma festa? —   Perguntou com os braços cruzados esperando ele se tocar.
— Claro.
  Não dava para acreditar, ele mal a olhava, então percebeu que aquele era o momento do passo dois.
  Andou calmamente na direção de seokjin parando bem em sua frente, o dando plena visão de suas coxas, enfim reparando em você por completo.
  — Que bom que gostou, vou compra-lo. — Sorriu debochada enquanto ele engolia seco.
  — O que? Não jagi, está louca! — Se levantou.
  — O que foi? — Dizia debochada enquanto ele a empurrava de volta para o provador.
  — Se cubra antes que te vejam. — Num rápido movimento você o puxou para dentro do provador consigo.
  — E se verem, qual o problema? — Sorriu.
  — Não faz isso comigo. — Suas mãos estavam em sua cintura e sua voz parecia bem mais profunda agora.
  — Não faça você — Removeu as mãos de seu corpo, a subindo até seus ombros. — Agora com licença, eu preciso terminar de escolher meu vestido.   — O empurrou suavemente para fora.

Originally posted by bwiseoks

  • Park jimin

  Aquele foi um longo dia de caminhada pelos parques de Seul, algumas vezes vocês precisavam se esconder das pessoas, mas no fundo achavam tudo bem divertido.
  Quando enfim chegaram em casa, ambos se jogaram no sofá e respiraram fundo.
  — Quem vai primeiro? — Perguntou se referindo a ducha.
  — Vai lá, enquanto isso eu vou guardando algumas coisas.
  Sendo assim, você foi tomar seu banho enquanto park jimin resolvia arrumar um pouco da bagunça.
  O banho estava calmo e relaxante, por vontade própria não sairia dali tão cedo, mas sabia que jimin provavelmente estaria cansado e doido para se deitar logo e dormir. Com esses pensamentos, rapidamente desligou o chuveiro se enrolando numa toalha, mas ao abrir a porta se deparou com o rapaz sentado aos pés da cama, fazendo algo no celular.
  — Aish! — Gritou se assustando. — Não sabia que estava aqui! — Disse.
  — Acabei de receber uma ligação do… — Parou para te encarar. — Jungkook… — Falou quase num sussurro.
  — O que tem ele? — Colocou uma de suas mãos na cintura.
  — Preciso ir na empresa… — Ainda dizia de forma baixa como se seus pensamentos estivessem em outro lugar.
  — Mas jimin, nós mal chegamos! — Cruzou os braços. — E PARE DE OLHAR PRA MIM ASSIM! — O despertou de seus devaneios.
  — Eu sinto muito jagi. — Ameaçou se levantar mas você se afastou.
  — Quer saber? Que ótimo que você vai sair, ao menos eu tenho a liberdade de fazer o que quiser. — Suas mãos desfizeram o nó da toalha a deixando cair no chão, quase junto ao queixo de jimin.
  Não se sabia exatamente o que você estava fazendo, mas era tarde demais para pensar nas consequências. Sendo assim, virou de costas retornando para o banheiro sentindo seu rosto se avermelhar, mas aquela não era hora para desistir.
  Quando foi se virar para trancar a porta, alguém mais estava contigo dentro daquele banheiro, retirando sua roupa rapidamente antes de a puxar para um beijo de perder o fôlego.
  Seus lábios foram em direção ao pescoço dele deixando algumas marcas visíveis, suas unhas passavam sem muita sutileza pelas costas daquele homem o ouvindo suspirar.
 — Agora todos vão saber o que você perdeu antes de sair de casa. — Sussurrou próximo ao ouvido dele, abrindo a porta para se retirar.

Originally posted by kpopidolaegyooo

  • Kim taehyung

  Ambos estavam deitados sobre a cama assistindo algo banal na televisão. As luzes já não estavam mais acesas e suas pernas se encontravam entrelaçadas debaixo do edredom, com certeza aquele era um dos melhores momentos que os dois poderiam ter juntos.
  Já fazia tempos que não se viam, por conta das viagens de tae era difícil estarem juntos com frequência, e as vezes a saudade era extremamente grande, mas você sempre se continha, já que depois de uma longa viagem ele merecesse um descanso.
  — Porque está tão quietinha hoje? — Perguntou passando a mão por seu rosto.
  — Nada, só pensando.
  O silêncio voltou a se instalar naquele cômodo, e o mínimo que podia ser ouvido era os suspiros pesados de taehyung.
  — Está com sono? — Te perguntou derrepente.
  — Não, porque?
  As mãos ágeis de kim taehyung foram até seu corpo o segurando de forma firme, ah, aquilo te aqueceu imediatamente, e só conseguia pensar em como parecia uma adolescente carente nessa situação.
  — Senti sua falta. — A beijou suavemente, se permitindo aprofundar aquele toque aos poucos.
  Você queria aquilo na mesma intensidade ou talvez até mais do que ele, sentiu falta de seu corpo todas as noites e por mais que quisesse ser dominada naquele momento, seus desejos ultrapassavam os dele, a permitindo tomar um impulso para algo diferente.
  Seu corpo rapidamente ficou por cima do dele se movendo vagarosamente, você sabia que aquilo era torturante, mas muito mais tinha sido para ti por todo esse tempo longe, aquele contato, realmente precisava daquele contato.
  E por mais que ele quisesse a tocar e comandar seus movimentos, você o repreendia voltando a estar no controle, era uma sensação boa.
  — Quer dizer que eu sou seu escravo hoje? — Sussurrou contra sua orelha a mordendo de leve.
  Você parou o encarando nos olhos, suas mãos seguravam no belo rosto do rapaz, se permitindo tocar suavemente em seus lábios, a imagem dominada de kim taehyung Era divina.
  — Menino esperto. — Sorriu sussurrando contra seus lábios.

Originally posted by girlmeetsyoongismixtape

  • Jung Hoseok

  — Hobi, já é a vigésima vez que te ligam, você vai se atrasar! — Dizia enquanto seu namorado continuava a te dar selinhos.
  — Okay chatinha, já estou indo. — Lhe deu um último beijo indo em direção a porta.
  Hobi tinha que se encontrar com os rapazes para resolver umas coisas de trabalho e comeback, mas mesmo sabendo que estava atrasado, continuava ali, como se aquele pequeno tempo ao seu lado fosse mais importante.
  — Chatinha? Até parece que está falando com uma criancinha. — Cruzou os braços levemente emburrada.
  — Não estou falando com uma criancinha, tô falando com o meu bebê. — Mandou beijinhos enquanto você fazia cara de nojo.
  — Bebê hobi?, sério? — A cara de nojo ainda permanecia.
  — Mas é claro, já olhou pra você? Parece um bebê de tão fofa. — Fez barulhinhos estranhos enquanto a sua cara só piorava.
  — Ah tá, fofa. — Revirou os olhos.
  — Preciso ir jagi, ou então vão me matar, tchauzinho bebê — Fez um coração enquanto você o mandava o dedo do meio, qual é? Bebê? Não mesmo!
  Esperou uns 20 minutos até que tivesse certeza de que ele já havia chegado na empresa, sendo assim, buscou seu celular pronta para mostrar para ele quem era o bebê.
  (S/n): Hey nenem, já estou sentindo a sua falta.
  (S/n): Esse quarto parece tão vazio sem você.
  (S/n): Por um instante eu parei para pensar na noite passada, minha saudade por você só aumentou.
  (S/n): Eu realmente vou ter que fazer isso sozinha?
  Você gargalhava imaginando o que hobi pensaria ao ler essas mensagens, afinal, não era típico seu, então ou ele poderia ficar excitado ou confuso. Bastava apenas esperar.
  Hobi: O que está fazendo (S/n)?!
  Hobi: Como acha que eu posso me concentrar agora?
  Hobi: Eu mal posso entender o que eles dizem, só penso em ir pra casa.
  Hobi: Não ouse se tocar até que eu chegue baby
  (S/n): e se eu me tocar?
  Hobi: Vai pagar o resto da noite por isso.
  (S/n): Minhas mãos estão sobre as minhas coxas, não muito distantes do perigo.
  Hobi: (S/n)…
  (S/n): Meu toque é reconfortante, mas nada que se compara ao seu, oppa..
  E então foi como um silêncio total, não havia mais nenhuma mensagem sendo respondida, e mais uma vez você gargalhava se orgulhando do possível resultado, mas derrepente foi possível se ouvir um baque vindo da porta.
  — Hoseok…— Disse assustada.
  — Eu não quero mais brincar.. — Se aproximou de você com os olhos mais sedentos que já havia visto.
  — Quem é o bebê agora?
  — Eu sou o que quiser, só vamos para o quarto agora, seu Oppa vai te ensinar algumas coisinhas, e uma delas é não o provocar em uma reunião. — A pegou no colo caminhando firmemente em direção às escadas.

Originally posted by silenhciosa

  • Min Yoongi

  Especialmente hoje, era uma data importante na família min, mais um ano de vida era comemorado pela mãe de yoongi, e como ele estava de folga, achou justo ir até lá visita-lá, te levando, claro.
  A família de yoongi sempre gostou de você, te achava uma menina tranquila de personalidade pacífica, e isso te fazia cada vez mais bem vista perante eles, mas no fundo, apenas yoongi que te conhecia bem sabia que aquilo era meramente superficial, existiam vários momentos em que você se mostrava pouco fofa e amigável, ele dificilmente admitia, mas adorava isso em você.
  — Estou bem? — Girou em sua frente esperando ele falar algo do vestido.
  — É um aniversário, não a coroação da rainha (S/n) — Dizia colocando as mãos nos bolsos.
  — Nossa yoongi, obrigada. — Seu rosto se fechou e seus pés faziam caminho de volta para o quarto quando ele a segurou pelo pulso.
  — Não seja boba, está linda.
  — Qual a sua dificuldade em ser um pouquinho mais amável? — Questionou.
  — (S/n), eu sou assim, você sabe, eu não costumo me render fácil.
  — Voce acha? — Perguntou erguendo uma das sobrancelhas.
  — Com toda certeza — A deu um beijo rápido. — Agora vamos antes que minha mãe me mate. — A puxou pelo pulso indo em direção ao carro.
  Demorou algumas horas até vocês chegarem naquela casinha bem arrumada e aparentemente cheia de vida.
  — (S/n), querida, que saudades! — A mãe de yoongi a abraçou apertado. — Achei que ele não fosse te trazer nunca mais.
  — Ele é cabeça dura Sra. Min — Riu.
  — Venha cá filho, pare de fugir de mim. — Ela o abraçou e ele fingiu não gostar.
  — Nunca fugiria da senhora. — A abraçou apertado, aquela era uma das melhores cenas que havia visto.
  Com o passar do tempo ambos já estavam sentados a mesa conversando descontraídamente.
  “Eu não costumo me render fácil…”, aquela frase martelava em sua cabeça, então quer dizer que min yoongi não costuma se render, uh? Veremos.
  Enquanto ele parecia empolgado num assunto com um de seus primos, sua mão pousou vagarosamente em sua coxa, e como reflexo ele a olhou, mas você permanecia conversando com uma das moças na mesa como se nada estivesse acontecendo. Então ele prosseguiu em seu assunto achando que não era nada demais, porém sua mão  caminhava sutilmente em direção ao fecho de sua calça, até ele a segurar.
  — O que está fazendo? — Sussurrou.
  — É melhor você soltar a minha mão antes que eu faça um escândalo. —   Disse por fim dando um risinho antes de se voltar novamente a uma das mulheres.
  Seu pulso foi solto e você esperou alguns instantes antes de retornar à o que fazia, seus dedos ágeis desceram o zíper da calça de yoongi, massageando sua área sensível.
  Você não podia ver seu rosto mas imaginava o quanto ele se continha no instante.
  — Hey yoongi, quer que eu ligue o ventilador? — Ouviu um dos primos dele falar. — Voce está suando cara.
  — Deve ser a jaqueta. — A voz de yoongi estava mais grave e profunda. — Mãe, posso mostrar a casa para (S/n)? — Disse suavemente apressado tentando arrumar suas calças discretamente.
  — Claro filho.
  Num impulso ele a puxou escadas a cima, então quando já não podiam mais ser vistos ele a empurrou contra a parede pressionando seu corpo contra o dele, a fazendo sentir o que havia causado.
  — O que deu em você? — Perguntou próximo ao seu ouvido, fazendo uma trilha de beijos por seu pescoço.
  — Estava só provando para você que quando eu quero, eu te faço se render. — Seu sorrisinho vencedor ainda estava ali.
  — Te digo o mesmo…

Originally posted by bwiseoks

  • Jeon Jungkook

  — Isso não vale jeon! — Dizia mais uma vez depois dele ganhar mais uma partida.
  — É, as vezes a vida é injusta. — Debochava.
  — Você tem prática nisso, já conhece esse jogo a séculos, oras. — Bufava.
  — Não é uma questão de prática, mas sim de atenção. — Não tirava os olhos por um segundo da tv.
  Idéias borbulharam em sua mente como um champanhe quente sendo aberto.
  — Então você precisa prestar atenção, certo? — Se levantava sutilmente do sofá.
  — Uhum
  — Seus olhos precisam estar vidrados na TV,  certo? — Seu corpo parou bem ao lado da tv, mas mesmo assim ele não mudava a direção de seu olhar.
  — Uhum
  — Então não se importaria se eu tirasse a minha blusa assim. — Suas mãos pegaram na barra de sua camisa a puxando para cima ficando apenas de sutiã, e logo percebeu jungkook entrar em conflito interno.
  — (S/n)..
  — Eu só estou com um pouco de calor, uh? — Foi a vez de seu short deslizar por suas pernas, novamente jungkook se via apreensivo, hesitando em olhar.
  Você estava começando a ficar frustrada, então realmente um jogo era mais importante que você?
  — Jungkook… — Começou a Chama-lo manhosa.
  Então ele pausou o jogo e a observou por um tempo.
  — Voce prefere o jogo então? — Brincou com o elástico de sua calcinha.
  Ele continuava sem se mover apenas a olhando fixo, suas mãos fingiram escorregar para dentro de sua calcinha, mas num impulso, jungkook levantou segurando seus pulsos contra a parede, a pressonando, aquele era o resultado que você desejava.
  — Qual o seu problema sobre perder? — Respirava pesadamente.
  — Eu nunca perco.  


Originally posted by theking-or-thekid

Ficha-resumo 3 - Português | Figuras de linguagem 

1. Figuras de palavra
As figuras de palavra consistem do emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.

🍧 Comparação
Aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, qual, que nem - e alguns verbos: parecer, assemelhar-se, e outros. Ex.: “A liberdade das almas, frágil, frágil, como o vidro”. (Cecília Meireles)

🍧 Metáfora
Pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido. Ex.: “O tempo é uma cadeira ao sol, e nada mais.” (Carlos Drummond de Andrade)

🍧Metonímia

Substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de sentido, ou implicação mútua. Tal substituição realiza-se de inúmeros modos:

  • O continente pelo conteúdo e vice-versa:
    Ex.: “Antes de sair, tomamos um cálice de licor. (Um cálice = o conteúdo de uma cálice).
  • A causa pelo efeito e vice-versa.
  • O lugar de origem ou de produção pelo produto:
    Ex.: “Comprei uma garrafa do legítimo porto” (porto = vinho da cidade do Porto).
  • O autor pela obra:
    Ex.: “Ela aprecia ler Jorge Amado” (ler Jorge Amado = a obra de Jorge amado"
  • O inventor pelo invento:
    Ex.: “Edson ilumina o mundo. (Edson = o inventor da energia elétrica)
  • A coisa pelo lugar:
    Ex.: "Vou à Prefeitura.” (Ao edifício da Prefeitura)
  • A matéria pelo produto e vice versa:
    Ex.: “Vou ao mercado comprar Maizena” (Maizena = uma marca de amido de milho).

🍧 Sinédoque
Substituição de um termo por outro havendo ampliação. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:

  • O todo pela parte e vice-versa:
    Ex.: “A cidade inteira viu assombrada, se queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo (Cidade inteira = o povo; cascos = parte das patas).
  • O singular pelo plural e vice-versa:
    Ex.: O paulista é tímido; o carioca , atrevido. (Paulista = todos os paulistas; carioca = todos os cariocas). 
  • O indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum): Ex.: Para os artistas ele foi um mecenas . (Mecenas = protetor). 

🍧Catacrese

É um tipo especial de metáfora, é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação.

São exemplos: folhas de livro dente de alho céu da boca pé da mesa braço do rio leito do rio 

🍧 Sinestesia
Consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão.
Ex.: “Olívia era atraente, tinha uns olhos quentes, uma boca vermelha de lábios cheios.” Clarice Lispector.
(olhos quentes = sensação visual, sensação tátil, térmica)

🍧 Alegoria
Acúmulo de metáforas referindo-se ao mesmo objeto.
Ex.: “A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, com presença do baixo e dos comprimários..” Machado de Assis.

2. Figuras de pensamento
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.

🍧 Antítese
Aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.
Ex .: “Amigos e inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem e nos trazem o mal.” Rui Barbosa.

🍧 Paradoxo
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido oposto, mas de ideias que se contradizem. É uma verdade enunciada com aparência de mentira.
Ex.: “O mito é o nada que é tudo”. Fernando Pessoa.

🍧 Eufemismo
Uma palavra ou expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante.
Ex.: “O rapaz saltou da ponte da vida.” Manual Bandeira.

🍧 Hipérbole
Exagero de uma ideia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.
Ex.: “Rios te correrão dos olhos, se chorares!”. Olavo Bilac.

🍧 Ironia
Pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras soam. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Ex.: “Moça linda, bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor.” Mário de Andrade.

🍧 Prosopopeia
Atribui-se movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou imaginários.
Ex.: “Um frio inteligente(…) percorria o jardim…” Clarice Lispector.



São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança,
Uns olhos por que morri;
Que ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
—  DIAS, Gonçalves. “Olhos Verdes”
Da porta pra dentro

É tudo poesia.
Teus olhos
a me fitarem
incessantemente
Mãos entrelaçadas
Pernas enroladas
Boca que não cala
Palavra dita
Palavra não dita
Entrelinhas
E os olhos…
Uns
nos
outros
É tudo poesia.

Lá fora
existe o mundo
e os seus poréns
e as suas incertezas
e as problematizações
e objetificações
Mas aqui,
da porta pra dentro
É tudo poesia.

(Tua)
Júlia.

todo astronauta aprende logo cedo que somos solidão

sento no braço do sofá e assisto animações depois da meia noite,
eu falo sozinha e rio sozinha também.
tô cansada de tentar me colocar pra cima
quando tá tudo indo pra baixo.
olho para o teto a porta a cortina fora do lugar
me pergunto em que canto me perdi.
as paredes ecoam o meu caos:
nenhuma grade pode prender o silêncio no meu peito.
e o pássaro azul já não canta mais.

passam os anos se acumulam os danos
a vida é um borrão.
há esperança em ter esperança?

o chão dança sob meus pés:
vou fechar os olhos
não vai doer
se eu não me ver
cair

estou caindo pela toca do coelho,
essa queda não parece findar,
eles dizem que o Chapeleiro é maluco
mas quem não é nesse lugar?
vou pintando rosas de vermelho
equilibrando cartas
eu não gosto de chá
os relógios estão no congelador

queria encolher até entrar por uma porta e encontrar outro lugar.
mas minha querida
isso não é o País das Maravilhas
e você não é Alice.

quando tudo é confuso
não é preciso pálpebras cerradas para o mundo parar de girar.
não tenho muitos medos
nem pesadelos
a realidade sufoca qualquer réstia de pureza
falta oxigênio no ar.

meus poemas são fagulhas no escuro

eu tenho que manter o controle
eu tenho que manter o controle
eu tenho que manter o controle

enquanto buracos negros colidem
mas a Teoria da Relatividade não explica
porque eu consigo implodir a partir do vazio.

e se eu morresse agora,
nem um grão da galáxia se moveria.
isso me conforta.
o ser humano quer viajar no tempo
mas não sabe lidar com o tempo que tem.

e nós olhamos a poeira estelar
caímos ao mais leve sopro
reagindo ao toque mais suave
o universo não se importa conosco.
o espaço é vazio frio e escuro
como os nossos sonhos são.
mas há certa beleza na inexistência.
esquecer é se deixar levar.
e esse não é um poema sobre tristeza,
decerto é um poema triste
mas sobre a esperança que reside nas manhãs.

porquê eu consigo esquecer que estou quebrada por uns instantes
quando olho o céu e vejo estrelas por todos os lados.

e se todas as estrelas que vemos já estão mortas há tempos?
mas nós nascemos para morrer.
e nada disso é importante.
afora a âncora que te segura
e não te deixa flutuar no espaço.

esse céu estrelado é um pedaço da liberdade que procuramos.

(penso em você) somos página virada?


imaginava um contato mais afetuoso, caloroso, na verdade não sei qual palavra usar, mas eu esperava um contato diferente depois de tanto tempo sem um diálogo.
penso que talvez tenha sido maravilhoso esse fim “sem fim”. é gostoso pensar que um dia, talvez, a gente se encontre, já que o adeus não existiu.
no fundo eu sei que o “o mundo é pequeno demais pra nós dois”.

sua complexidade, minha simplicidade.
minha complexidade, sua simplicidade.

nosso amor inventado e extremamente real.
talvez você tenha sido o homem mais importante pra mim até esse momento da minha vida, talvez não, você foi! mas repito: até ESSE momento da minha vida.

as vezes eu só quero te escrever, escrever porquê sinto vontade de agradecer, mas as gente faz mais sentido quando a pele encosta uma n'outra e quando meus olhos encontram a luz que seus olhos brilham, como o perfume que exala da rosa, as vezes fraco e quase imperceptível, mas presente.
bom, seus olhos foram um dos mais bonitos e expressivos que já vi, se não o mais. e talvez seus lábios sejam os mais saborosos, tanto quanto, o café que amo tomar às 17h da tarde.
você sempre falava que café faz mal, seria um aviso?

as vezes me pego em uns flashs: seus olhos, sorriso, você fumando, você virando os olhos, você saindo do banho, você.
você ao som de Jimi Hendrix.
você ao som de Tupac.
você no silêncio.
como uma pessoa pode ser tantas coisas, digo, como você pode ser tantos Philippes e ser tão único?

você sempre me dizia que era um labirinto, seria um aviso?
quantos avisos você me deuu ao longo desse curto tempo em que estivemos juntos?

as vezes eu queria saber se você ainda lembra de mim quando escuta “Sweet Child O Mine”, sei lá, só queria saber porquê eu lembro de você quando escuto “I Need You” e sinto saudade dos seus lábios.

as vezes eu só queria mais um pouco de você, o seu sofá, e um beijo que durasse o tempo dessa música (i need you). é como se esse beijo fosse recarregar uma “bateria" em mim, ou talvez só fizesse eu me sentir viva.

me sinto estranha quando lembro de você. por que acabou?
omissão minha?
desejo do destido?
karma da nossa vida?
não importa. hoje já não é. não foi, ou foi?

“o que é bom dura tempo bastante pra se tornar inesquecível” é o que dizem, torço pra que você tenha sido um péssimo acontecimento na minha vida, Deus que me livre lembrar de você pra sempre e não poder te tocar. Deus que me livre.

Ele até tinha uma voz bonita, uns olhos legais, um carinho bom e piadas engraçadas… E eu só conseguia pensar em como tudo seria infinitamente melhor se fosse com você.
—  Bia.
Eu penso até que fui uma criança normal. Tirando o fato de que eu adorava prender mosquitos dentro de um vidro e colecionar os cadáveres, eu acho que era absolutamente normal. Um dia, eu tava vendo a novela com a mamãe e vi um casal se beijando. Achei aquilo um negócio nojento… Mamãe ignorou, não esboçou nenhuma reação, então deduzi que adultos estavam acostumados a serem nojentos, fosse o sentido que fosse. É difícil dizer a exata fase em que você começa a sentir atração física por alguém, quando você passa temer o “parabéns pra você” porque sabe que depois vem o “com quem será”, quando você começa a matar aula pra brincar de verdade ou desafio, quando você começa a dizer que “gosta” de alguém… Simplesmente acontece e quando você menos imagina também saí por aí achando as nojeiras da vida a coisa mais normal do mundo. Foi assim comigo também. Ao contrário do que muita gente pensa, eu não nasci já programado pra amar as pessoas ao meu redor. Já perto do ensino médio, quando eu achava que nunca ia gostar de ninguém, recebi minha primeira declaração. Foi um choque. Aí achei que as coisas funcionavam meio que assim. Você era escolhido e, num passe de mágica, passava a escolher também. Todo mundo dizia que éramos perfeitos juntos. Eu me perguntava o motivo. Mas o que é que eu poderia esperar? Mamãe me disse que quando os adultos se amam, os adultos se beijam, constroem família, esse tipo de coisa. Não me pareceu muito interessante, mas todo mundo da minha sala já estava na fase de comprar balas de menta e gastar dinheiro com brilhos labiais de sabores diferentes. Eu não tinha nada a perder. Um dia, num passeio da escola, dei meu primeiro beijo. O encontro dos lábios foi mais um esbarrão, e minha língua se recusava a sair do canto dela. Mais do que normal, eu presumo. Gostar de alguém é se esbarrar na estampas das blusas que achamos infantis demais, nos brinquedos jogados no chão, na programação da TV que não é mais a mesma. No ano seguinte, saí do colégio. Conheci o Thiago. Acho que eu podia dizer que ele era meu melhor amigo. Thiago tinha uns olhos verdes tão bonitos que eu não conseguia parar de olhar pra ele. Mas eu não gostava de Thiago, não, eu nunca gostei. Ele era meu melhor amigo de verdade. Mas quando ele falava de garotas, eu me incomodava. “Gostar” parecia ser tão simples pro Thiago, tão bom. E eu me incomodava com aqueles olhos verdes que me puxavam bem pro fundo do poço. Eu vi que meu corpo estava mudando. Eu comecei a perceber que minha voz tinha mudado. E o coração eu nunca entendi porque continuava tão pequeno, tão miúdo, dentro de um corpo tão grande. Quase era possível que ele se perdesse lá dentro. Eu era uma criatura esquisita. Thiago dizia que eu era uma criatura esquisita. Falava sempre que eu precisava encontrar alguém pra mim… Em todas as festas que íamos juntos, ele tentava me arrumar alguém. Até que, no nosso primeiro porre, ele me perguntou de que tipo de pessoa eu gostava. Eu falei que seria fácil se apaixonar por alguém cujos olhos fossem tão lindos quanto os dele. Thiago foi embora e nunca mais falou comigo. Alguns amigos em comum disseram que o Thiago tava com medo de eu estar gostando dele e não queria me magoar, só não tava afim. Foi uma perda difícil de superar. Cheguei em casa e vi no espelho que meus olhos eram lindos, minha boca era linda, meus cabelos, meu tom de pele. E eu não sabia o que merda estava acontecendo comigo. Num acampamento da escola, conheci o Pablo. Ele era uma série mais velho do que eu, e eu só conseguia pensar que ele tinha os olhos mais lindos até do que o otário do Thiago. Eu percebia cada movimento dele tocando a bola no campo de futebol, decorei cada gota de suor que ficava em sua camisa, cada queda que eu me preocupava. Pablo e eu ficamos mais próximos do que nunca. E eu não sabia o que merda estava acontecendo comigo. Então, era isso? Gostar de alguém, era isso? E porque “isso” estava acontecendo justamente comigo? Por que com Pablo? Por que tinha que ser com ele? A gente não escolhe quem é que vai gostar. É normal. Foi o que minha mãe me disse quando eu contei pra ela que estava gostando de algo que eu não poderia gostar. Mamãe me abraçou e disse que eu estava finalmente crescendo. Quando nossos horários eram compatíveis, Pablo arrumava um jeito de me ver. Me arrepiei pela primeira vez quando ele se aproximou de mim e pude sentir de perto o frescor do chiclete de hortelã que ele sempre levava na bolsa. Por que aquilo estava acontecendo comigo? Agora eu entendia cada palavra que o Thiago falava sobre a namoradinha dele. Eu entendia as tremedeiras, a falta de ar, a sensação de que o chão pode desabar a qualquer momento, os choques térmicos… Pablo me contava dos livros que lia, dos filmes que via, das viagens que fazia. Eu sabia que o seu prato preferido era peixe com fritas, eu sabia que ele preferia pizza fria e que por ele a vida só começava após às 11h da manhã. Tomávamos sorvete juntos e ele nunca me deixava pagar. Eu achava bonito quando ele ficava envergonhado por eu dizer que o nome dele era de galã mexicano e que combinava com ele. Eu deixava as jujubas vermelhas pra ele. Sempre. Eram as minhas preferidas, mas eu queria ver Pablo feliz comendo jujubas vermelhas. Eu queria vê-lo sempre bem. E quando alguma coisa ia mal, era no meu colo que ele chorava, e eu passava a mão no cabelo preto dele, assim como mamãe passava no meu quando eu ainda estava me perguntando o motivo… Até que Pablo me beijou pela primeira vez. Eu sempre rio lendo isso, porque nossas testas trombaram e eu lembro o quanto ele ficou nervoso. E lindo. E todos os beijos treinados em travesseiros e cubos de gelo foram por água abaixo. Eu podia sentir as minhas artérias se fechando. Naquele minuto, eu coloquei a minha mão no peito de Pablo e percebi que era igual ao meu. Exatamente igual. Foi o encontro mais fantástico que tive com a minha própria alma. Não dissemos mais nada. Apenas ficamos ali, abraçados, um corpo pedindo perdão ao outro e o amor pedindo perdão ao mundo. Pablo nunca fez um pedido oficial, mas estávamos namorando. O primeiro namoro de alguém… Mamãe me peguntava quando é que eu ia levar Pablo pra casa. Ela ia fazer a lasanha de frango famosa dela. Teve uma conversa séria sobre sexo comigo. Minhas bochechas ficavam vermelhas só de pensar. Mamãe, eu disse, vamos com calma. Eu lembro que guardei o bilhete do cinema na primeira vez em que fui com Pablo ao cinema. Uma idiotice… Mas era idiotice adolescente. Então era normal. Todos da escola comentavam. Perdi alguns amigos por causa de Pablo. Mas tudo bem… Aprendi a não ligar muito pra essas coisas. Eu não sabia o motivo de ter acontecido comigo, mas se aconteceu, e eu conheci o Pablo, acho que valia a pena. Doeu quando tive vergonha de beijar ele de novo. Não que já não tivéssemos nos beijado outras vezes, é claro, éramos namorados. Mas eu evitava beijar ele em público e, às vezes, ele notava. O transporte público é público e eu pago. O amor não é público, pensei. Eu entendia, sério, mas era dolorido. Eu só fechava os olhos e lembrava da sensação que tive quando vi aquele beijo de novela e quando percebi que mamãe não se importava com ele. Quando beijei a primeira pessoa que disse que gostava de mim. Eu lembro que senti nojo, vergonha e revolta, tudo ao mesmo tempo. Eu pensei que nunca deixamos de ser pequenos, todos, assustados com a vida, com as crianças rosas e azuis, com a cruz, a seta e o círculo, com esse tipo de coisa. Eu também já senti nojo de mim. Por ser um ser humano e participar de todos esses medos. Talvez não os mesmos, claro, mas mesmo assim, eu também tinha meus medos. Medo, principalmente, de não ser capaz de impedir Pablo de ir embora. De não ser suficiente. Eu e ele terminamos quando passou um grupo de conhecidos do curso de inglês e eu disse que ele era só um amigo. Pablo me acusou de imaturidade… Concordei com ele. Fui pra casa chorando e me sentindo a pior pessoa do mundo. Lembrei de tudo o que ele fez por mim e me senti um lixo. Mamãe disse que era normal… Já que o seu amor é tão especial, mamãe disse, prove-o. E eu pensei: Como vou provar que amo Pablo? Aí eu comprei um livro do Leminski (Pablo adorava poesia, eu achava uma bobagem), e escrevi na contracapa:
“ISTO DE QUERER SER EXATAMENTE O QUE A GENTE É AINDA VAI NOS LEVAR ALÉM”. Pablo, eu te amo além do que sou.
Não tive coragem de levar o maldito livro pra escola. Deixei em cima da minha escrivaninha… Quando eu voltei, mamãe estava sentada no sofá, com os seus olhos de abismo, seu cabelo desgrenhado, e com o vestido que ganhou de mim todo manchado de lágrimas.
Eu disse: Mãe, o que houve?
Aí vi. O livro na mão dela. Era isso o que tinha havido.
Olhei pro outro lado e vi que minha mala estava arrumada. Mamãe se virou pra mim e disse: “Eu quero que você suma da minha frente em menos de 24h. Eu quero que você saia e esqueça que um dia teve mãe. Quero que você engula essa sua safadeza, sua promiscuidade de merda, quero que você se dane! Ouviu? Quero que você vá pro inferno, você e seu prostituto de merda, seu veado!”
Não me sustentei em pé. Não senti quando caí e abracei meus joelhos. Lembrei do riso do Pablo. Lembrei das cantigas que mamãe cantava pra mim, das minhas fotos de crisma. Lembrei de como o Pablo ficava bonito naquela camiseta azul que eu dei pra ele. Lembrei das vezes em que mamãe deixou o maior pedaço de bolo pra mim. Pablo também fazia isso. Lembrei do carinho que ela fazia no meu cabelo. Lembrei de como eu adorava ver Pablo desenhar. Lembrei do acampamento em que o vi pela primeira vez. E me vi. Me vi em seu corpo. Me amei porque o amei. Lembrei do porta-joias que dei pra minha mãe no Dia das Mães e ela dizia que eu era o melhor presente dela. Lembrei de quando choveu no meu aniversário de seis ano, estragando a decoração, e lembro de como a mamãe pintou as paredes da casa pra ficar mais ou menos parecido com o mini picadeiro encharcado lá fora. Lembrei do maldito ingresso do cinema guardado no fundo do meu armário.
Por que comigo?
Lembrei também das vezes em que o Pablo chorou por minha causa. E agora mamãe chorava também. Pablo sabia que eu não era só dele. Ele sabia que eu também pertencia ao universo que eu fingia que não me ignorava. Eu pertencia também ao pecado que eu não acreditava ser verdade. Eu também pertencia ao inferno, à doença, a vida nos guetos, nos boeiros. E Pablo chorava porque sabia que eu nunca sairia de lá completamente curado pra poder amá-lo da forma certa. Se é que existe uma forma certa.
Levantei do chão duas horas depois. Minha mãe continuava imóvel. Chorando em silêncio. Silêncio era tudo o que ela poderia me oferecer agora.
Recebi uma mensagem no celular… Era da irmã de Pablo. Ele estava num hospital. Foi atacado na praça por um grupo enquanto jogava bola. Pablo, eu sinto muito. Eu sinto muito mesmo. Por nós dois. Eu também não sei o que merda foi que aconteceu.
E agora, na cobertura do prédio, as sirenes da polícia ficam cada vez mais distantes. Minha mãe está lá embaixo. Rezando por mim. Ela me odeia.
Agora, na cobertura do prédio, quando toda essa porcaria está prestes a acabar… No meu último suspiro, eu percebo que tentei amar pela primeira vez e não consegui.
E, também pela primeira vez, eu era igual a todo mundo.
Ninguém sabia amar.
Era normal. Infelizmente, era normal.
—  Cinzentos, “Mamãe disse que era normal”.
Hoje eu vi uns olhos
tão lindos, tão escuros
que pensei que a noite
morava naquele rosto…
Mas, os dois pedacinhos
da noite, eram tristes…
Por que seria?…
Mal de amor - Pensei
Mas os olhinhos negros
passaram, assim como
as nuvens no céu:
Chegam, deixam-se admirar
e fogem sem um adeus,
sem um sorriso…
Deixam apenas
uma saudade pequenina
que se junta às outras
Saudades!
—  Olhos, Eneida.

Sobre o amor

Houve uma época em que eu pensava que as pessoas deviam ter um gatilho na garganta: quando pronunciasse — eu te amo —, mentindo, o gatilho disparava e elas explodiam. Era uma defesa intolerante contra os levianos e que refletia sem dúvida uma enorme insegurança de seu inventor. Insegurança e inexperiência. Com o passar dos anos a idéia foi abandonada, a vida revelou-me sua complexidade, suas nuanças. Aprendi que não é tão fácil dizer eu te amo sem pelo menos achar que ama e, quando a pessoa mente, a outra percebe, e se não percebe é porque não quer perceber, isto é: quer acreditar na mentira. Claro, tem gente que quer ouvir essa expressão mesmo sabendo que é mentira. O mentiroso, nesses casos, não merece punição alguma.

Por aí já se vê como esse negócio de amor é complicado e de contornos imprecisos. Pode-se dizer, no entanto, que o amor é um sentimento radical — falo do amor-paixão — e é isso que aumenta a complicação. Como pode uma coisa ambígua e duvidosa ganhar a fúria das tempestades? Mas essa é a natureza do amor, comparável à do vento: fluido e arrasador. É como o vento, também às vezes doce, brando, claro, bailando alegre em torno de seu oculto núcleo de fogo.

O amor é, portanto, na sua origem, liberação e aventura. Por definição, anti-burguês. O próprio da vida burguesa não é o amor, é o casamento, que é o amor institucionalizado, disciplinado, integrado na sociedade. O casamento é um contrato: duas pessoas se conhecem, se gostam, se sentem atraídas uma pela outra e decidem viver juntas. Isso poderia ser uma Coisa simples, mas não é, pois há que se inserir na ordem social, definir direitos e deveres perante os homens e até perante Deus. Carimbado e abençoado, o novo casal inicia sua vida entre beijos e sorrisos. E risos e risinhos dos maledicentes. Por maior que tenha sido a paixão inicial, o impulso que os levou à pretoria ou ao altar (ou a ambos), a simples assinatura do contrato já muda tudo. Com o casamento o amor sai do marginalismo, da atmosfera romântica que o envolvia, para entrar nos trilhos da institucionalidade. Torna-se grave. Agora é construir um lar, gerar filhos, criá-los, educá-los até que, adultos, abandonem a casa para fazer sua própria vida. Ou seja: se corre tudo bem, corre tudo mal. Mas, não radicalizemos: há exceções — e dessas exceções vive a nossa irrenunciável esperança.

Conheci uma mulher que costumava dizer: não há amor que resista ao tanque de lavar (ou à máquina, mesmo), ao espanador e ao bife com fritas. Ela possivelmente exagerava, mas com razão, porque tinha uns olhos ávidos e brilhantes e um coração ansioso. Ouvia o vento rumorejar nas árvores do parque, à tarde incendiando as nuvens e imaginava quanta vida, quanta aventura estaria se desenrolando naquele momento nos bares, nos cafés, nos bairros distantes. À sua volta certamente não acontecia nada: as pessoas em suas respectivas casas estavam apenas morando, sofrendo uma vida igual à sua. Essa inquietação bovariana prepara o caminho da aventura, que nem sempre acontece. Mas dificilmente deixa de acontecer. Pode não acontecer a aventura sonhada, o amor louco, o sonho que arrebata e funda o paraíso na terra. Acontece o vulgar adultério - o assim chamado -, que é quase sempre decepcionante, condenado, amargo e que se transforma numa espécie de vingança contra a mediocridade da vida. É como uma droga que se toma para curar a ansiedade e reajustar-se ao status quo. Estou curada, ela então se diz — e volta ao bife com fritas.

Mas às vezes não é assim. Às vezes o sonho vem, baixa das nuvens em fogo e pousa aos teus pés um candelabro cintilante. Dura uma tarde? Uma semana? Um mês? Pode durar um ano, dois até, desde que as dificuldades sejam de proporção suficiente para manter vivo o desafio e não tão duras que acovardem os amantes. Para isso, o fundamental é saber que tudo vai acabar. O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade, como falou um poeta maior. E enxugados os olhos, aberta a janela, lá estão as mesmas nuvens rolando lentas e sem barulho pelo céu deserto de anjos. O alívio se confunde com o vazio, e você agora prefere morrer.

A barra é pesada. Quem conheceu o delírio dificilmente se habitua à antiga banalidade. Foi Gogol, no Inspetor Geral quem captou a decepção desse despertar. O falso inspetor mergulhara na fascinante impostura que lhe possibilitou uma vida de sonho: homenagens, bajulações, dinheiro e até o amor da mulher e da filha do prefeito. Eis senão quando chega o criado, trazendo-lhe o chapéu e o capote ordinário, signos da sua vida real, e lhe diz que está na hora de ir-se pois o verdadeiro inspetor está para chegar. Ele se assusta: mas então está tudo acabado? Não era verdade o sonho? E assim é: a mais delirante paixão, terminada, deixa esse sabor de impostura na boca, como se a felicidade não pudesse ser verdade. E no entanto o foi, e tanto que é impossível continuar vivendo agora, sem ela, normalmente. Ou, como diz Chico Buarque: sofrendo normalmente.

Evaporado o fantasma, reaparece em sua banal realidade o guarda­roupa, a cômoda, a camisa usada na cadeira, os chinelos. E tUdo impregnado da ausência do sonho, que é agora uma agulha escondida em cada objeto, e te fere, inesperadamente, quando abres a gaveta, o livro. E te fere não porque ali esteja o sonho ainda, mas exatamente porque já não está: esteve. Sais para o trabalho, que é preciso esquecer, afundar no dia-a-dia, na rotina do dia, tolerar o passar das horas, a conversa burra, o cafezinho, as notícias do jornal. Edifícios, ruas, avenidas, lojas, cinema, aeroportos, ônibus, carrocinhas de sorvete: o mundo é um incomensurável amontoado de inutilidades. E de repente o táxi que te leva por uma rua onde a memória do sonho paira como um perfume. Que fazer? Desviar-se dessas ruas, ocultar os objetos ou, pelo contrário, expor-se a tudo, sofrer tudo de uma vez e habituar­se? Mais dia menos dia toda a lembrança se apaga e te surpreendes gargalhando, a vida vibrando outra vez, nova, na garganta, sem culpa nem desculpa. E chegas a pensar: quantas manhãs como esta perdi burramente! O amor é uma doença como outra qualquer.

E é verdade. Uma doença ou pelo menos uma anormalidade. Como pode acontecer que, subitamente, num mundo cheio de pessoas, alguém meta na cabeça que só existe fulano ou fulana, que é impossível viver sem essa pessoa? E reparando bem, tirando o rosto que era lindo, o corpo não era lá essas coisas… Na cama era regular, mas no papo um saco, e mentia, dizia tolices, e pensar que quase morro!…

Isso dizes agora, comendo um bife com fritas diante do espetáculo vesperal dos cúmulos e nimbos. Em paz com a vida. Ou não.

—  Ferreira Gullar

Irmão da melhor amiga.

Amigas durante uns 4 anos, temos muita intimidade. Conversamos sobre tudo, inclusive e principalmente sobre experiências sexuais. Certo dia durante uma aula, algumas amigas ao nosso redor falam sobre Juliano, irmão dela. Até que eu resolvo chama-la de cunhada. Ela, claro, chegou em casa e foi correndo contar para o irmão o acontecido. Ele, por sua vez não perdeu tempo, me chamou no facebook e disse: “Então tens chamado a Cláudia de cunhada?” Nossa conversa rendeu muitas indiretas e insinuações e logo me vi completamente molhada por uma simples conversa. Ele, loiro, alto, grandão, com uns braços enormes, olhos azuis, e daquele tipo cafajeste que a gente faz tudo por ele. Conversa vai, conversa vem, ficamos de “marcar algo qualquer dia!”. Acabou que não marcamos nada, mas continuávamos conversando regularmente, com muuuuita safadeza.

Certo dia, tínhamos um trabalho pra fazer sobre qualquer coisa e Cláudia viria a minha casa. Na maior parte do tempo estou sempre sozinha em casa, o que já me rendeu inúmeros orgasmos. Cláudia me ligou quando estava perto daqui para que eu abrisse a porta. Assim que desliguei o celular fui para a porta espera-la. E foi então que eu vi um carro já visto muitas vezes antes parando na frente da minha casa aparentemente para deixa-la, no entanto duas criaturas desceram do carro. Sim, Cláudia e Juliano desceram do carro e vieram em minha direção. Naquele instante mil pensamentos sacanas vieram a minha mente. Óbvio que não iria deixa-lo ir embora tão cedo né… Em menos de 1 min os dois estavam na minha sala. Os cumprimentei com um beijo, claro que o dele foi mais demorado e envolvente, já que me abraçou e “sem querer” deixou a mão deslizar pelas minhas costas repousando um pouco acima da minha bunda. Cláudia obviamente estava com tudo esquematizado, me deu uma piscadinha e disse “Amiga, vou lá no teu quarto, preciso usar seu computador, ta?” Eu prontamente assenti e disse a senha para ela. Me voltando a Juliano, disse pra ele ficar a vontade, fiz todas as boas maneiras de uma anfitriã. Ele prontamente sentou no sofá e me chamou para sentar ao lado dele. Sentei perto o suficiente para sentir seu perfume e ele logo passou a mão pelas minhas costas me puxando pra perto. Até tentamos conversar, mas não resistimos, assim que nos olhamos começamos a nos beijar. Os beijos eram acompanhados de várias caricias e malícias, com muita pegada. Tudo muito intenso, aquela altura eu já estava pingando e ele completamente excitado.

Não demorou muito até que ele arrancou minha blusa atirando-a para longe fazendo o mesmo com a dele. E assim ficamos nos excitando por pouquíssimo tempo, já que não aguentávamos de tanto tesão. Foi então que ele me propôs ir para o meu quarto. Eu, prontamente gritei para Cláudia ir para o outro quarto.

Subindo as escadas, eu indo na frente e o puxando pela mão, e degrau que outro parando e empinando mais a bunda, ele instintivamente me puxando para perto para que eu pudesse sentir seu membro, cada vez mais volumoso na bermuda. Com nossos corpos colados, ele chupava meu pescoço e nos olhava no espelho que tinha no final da escadaria, e me dizendo o quanto eu ficava gostosa com aquele short curtíssimo e colado que deixava a mostra a poupa da bunda.

Não perdendo mais tempo chegamos ao meu quarto, onde ele foi logo arrancando o resto de minha roupa. Nem eu nem ele aguentava mais, então ele colocou minha calcinha para o lado, e ainda brincou comigo, passando a cabecinha de seu pau delicada e estrategicamente por toda a minha bucetinha, que a essa altura pingava. Eu já não aguentando mais, implorei para que me penetrasse, queria sentir todo aquele grande membro dentro de mim de uma vez por todas. Implorei para que me fodesse todinha. E foi o que ele fez, majestosamente. Eu gemia, gritava, pedia pra ele me bater, pra me foder cada vez mais, e ele me mandava calar a boca já que a irmãzinha estava no outro quarto, eu o fitei e disse que tinha certeza que não haveria problemas, pois ela sabia muito bem como era. Ele então, deu de ombros e me pôs de quatro, enquanto me fodia forte e me batia eu rebolava cada vez mais louca de tesão. Já havia gozado múltiplas vezes, foi então que ele me perguntou se podia gozar dentro de mim, disse que ele podia fazer o que bem entendesse. Quando disse isso, ele ficou completamente louco, me fodeu demais, e a cada passo que ele metia mais forte, eu ficava mais louca na cama e pedia mais. Ambos gozamos de novo, dessa vez ele me puxou pelos cabelos me forçando a ficar sentada na cama enquanto ele de pé colocava todo seu generoso membro dentro da minha boca, eu como sou louca por boquete não pensei duas vezes e comecei a chupa-lo. Não demorou muito para que ele me desse a recompensa por um trabalho bem feito. Gozou na minha boca, e eu amando tudo engoli e só parei de chupa-lo quando ele me puxou pra cima dele enquanto deitamos na cama. Nós dois exaustos deitamos e ficamos um bom tempo conversando e olhando pro teto. Sabíamos que no momento em que ficássemos olho a olho de novo, não aguentaríamos e partiríamos para o próximo round. Não deu outra, ficamos assim o resto da tarde. E minha amizade com Cláudia depois disso, só aumentou mais ainda, e até hoje quando ela vem aqui, ele se oferece para traze-la.  

Sábado Song Harry Styles – Just a Little Bit of Your Heart

*Esse imagine é pedido da Moni, e eu não pude negar, afinal de contas eu amo essa música, amo o Styles e essa música fez parte de um momento bem complicado pra mim, então espero que gostem, sou péssima em songs…

           O barulho das botas batendo contra o assoalho de madeira denunciaram que ele havia acabado de entrar em casa, eu nem sabia onde ele esteve, não o perguntava e sinceramente não precisava saber, bastava eu ter a ideia de que era com ela que ele esteve, o cheiro doce de perfume feminino impregnado no casaco não deixava dúvidas disso… Mas eu continuava sendo boba…

           Assisti a sombra de Harry passar pela sala e ir subir as escadas devagar, ele provavelmente tentaria se livrar de qualquer vestígio dela, ele me daria agora só um pouquinho de seu coração. Subi atrás dele e ao empurrar a porta do quarto o encontrei sentado na cama, ao me notar ali um sorriso curto e simples surgiu em seu rosto me fazendo suspirar e esquecer o que ele estava fazendo algum tempo atrás:

- Como você esta (s/n)? – ele perguntou baixo e foi até mim acariciando meu rosto.

- Eu estou… Bem… - sussurrei omitindo a enorme rachadura que se formava em meu peito.

- Que bom – ele beijou minha testa com calma e se afastou devagar.

- Sabe Harry… Isso não é fácil – eu soltei o ar devagar e mordi o lábio ao ser encarada pelo moreno a minha frente.

- O que não é fácil?

- Nada… Eu só disse, o que todos costumam dizer… - suspirei.

- Só você mesmo (s/a)… - deu uma risada fraca e entrou no banheiro trancando a porta.

- Não é fácil saber que não sou sua única – minha voz saiu falha e eu me deitei encolhida na cama.

Eu continuava sendo tão boba…

           Após alguns minutos, a porta do banheiro se abriu e o cheiro gostoso de quando ele saia do banho invadiu o quarto deixando o ambiente menos torturador, Harry apagou as luzes e se deitou ao meu lado me puxando para perto devagar:

- Boa noite (s/n) – ele sussurrou e me deu um selinho fraco me fazendo suspirar.

- Harry… - chamei baixo e ele fez um som baixo com a boca – Tudo que eu te peço… É um pouquinho do seu coração – os olhos dele se abriram devagar me encarando.

- Por que ta falando isso babe?

- Porque eu sei que não sou sua única… - soltei o ar devagar ele fechou os olhos por uns instantes digerindo a informação – Mas pelo menos, sou alguma… Certo?

- Certo – a voz dele ficou mais rouca e ele me puxou mais colando nossos corpos.

- Ouvi dizer que um pouco de amor é melhor do que nenhum – mordi o lábio fraco e a mão dele começou a subir e descer lentamente por minhas costas – Só um pouquinho do seu coração é o que eu quero… Só um pouquinho do seu coração…

- Ta ok… Você o tem – soltou e eu sorri fraco.

- But I’ll still be a fool… - cantarolei baixo e vi um sorriso curto se formar em seu rosto – ‘Cause i’m a fool for you…

mel/

Universos particulares

Nesses tempos corriqueiros, afazeres forçados, sorrisos amostrados, faz-se simpatia momentânea. Coisas que afugentam gente doída, que foge das altas conversas com várias batidas sonoras como pano de fundo. Umas mesinhas de bar e umas latas de cerveja. Quando não se é com quem se quer que seja, acaba em peça de teatro. Mas em conversas paralelas há algo de proveito que merece atenção despretensiosa. Banalidades pessoais, alguns ticos de sofrimentos para o lado do sensível. Conversa que maltrata o peito e permite lágrimas matutinas.

Pude notar na véspera, envolto de gente do bem, aroma da juventude, gritaria. Sentado num canto rindo à toa, a sanidade já cambaleando, consequência de poucos copos nas mãos. Teu sorriso num retrato perfeito. Tradicionalismo das artes plásticas, eu voltei no tempo. Sentado noutro canto da alforria, compartilhavas ao ar uns sorrisos bonitos e uns piscares de olhos já pouco lentos. Não me deixo ser piegas diante das tais situações, mas parece-me que fui feito para isto.

Quanto tempo não te observava, discreto, com copo descartável entre os dentes, eu não lembro. Meses seguiram-se depois do último carnaval, efervescência dos calores encontrados. Já faz tanto tempo… Sinto tanto pelas distâncias e pelos desencontros. Esses universos particulares que nunca se chocaram antes causam-me agonia. Poderia, por horas, naquela quina de parede onde te encontravas, reparar-te a tal ponto de levar-te para um lugar que fosse só meu. Até derramo uns terços de lágrimas; impossibilidades são as grandes causadoras destas divagações. Eu só gosto de olhar assim, de longe. Dou-te uns poderes emblemáticos, volto décadas e mais décadas só para ter o prazer da imaginação de enfrentar o mundo ao teu encalço, figurar nossos enlaces, apalpares de mãos… fissurar teus olhos deliberados, debruçar-me em tuas roupas cheias de adornos, moço outrora respeitado, que vive no berço de sentimentos mal olhados.

O dia insistiu nos primeiros raios solares. Roupas úmidas de madrugada que embola, hora da despedida. Te vi rápido, mais precisamente o teu sorriso. Retrato último que carreguei debaixo dos braços. Nas insônias que me acompanham, boto crença no encolhimento do universo, esperando que, num dia próspero, tu colidas em minha alma.

Uns queriam um emprego melhor; outros, um emprego. Uns queriam uma refeição mais farta; outros, apenas uma refeição. Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver. Uns queriam ter pais mais esclarecidos; outros, apenas ter pais. Uns queriam ter olhos claros; outros, apenas enxergar. Uns queriam ter voz bonita; outros apenas falar. Uns queriam o silêncio; outros, ouvir. Uns queriam um sapato novo; outros, ter pés. Uns queriam um carro; outros, andar. Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.
—  Chico Xavier