uma vadia mesmo

d,

a vida é mesmo uma vadia traiçoeira. uma semana depois de decidir tentar te esquecer, sonhei contigo. com teus olhos que abrigam galáxias. com teu cabelo que tem mania de dançar com o vento. com teu sorriso que faz brotar flores no meu coração. acordei com vontade de te ligar, mandar uma mensagem, de ir aí te ver… mas lembrei que prometi a mim mesma que iria te esquecer. e é isso que vou fazer. então, tchau.

definitivamente ainda sua,
s.

Anterior.

Se passou um mês desde que eu decidi fazer greve de sexo com Harry e confesso que estava sendo mais difícil do que eu imaginava. 

Ver aquele homem chegando todo dia do trabalho e tirando aquela gravata de forma sensual, mesmo sem querer, era uma tortura. 

Era uma sexta à noite e eu estava jogada naquele sofá enquanto ele estava sabe-se lá em que cômodo da casa. Antigamente, provavelmente estaríamos transando. Que saudade. 

Desliguei a TV e subi para o quarto, encontrando Harry apenas com uma bóxer preta deitado na cama. 

— Harry — arregalei meus olhos olhando para o volume da sua cueca

— O que foi, babe ? — ele perguntou sorrindo sacana 

— Eu consigo me controlar — eu disse baixo para mim mesma — Nada — respondi tentando demonstrar frieza

— Achei que tinha algum problema em ficar apenas de cueca na nossa cama 

— Harry não me provoca — apontei para ele 

— Provocar ? Que nada, amor, só estou sentindo prazer. Você se lembra quando me disse que eu teria que me masturbar se quisesse sentir prazer ? Então 

No mesmo momento, Harry tirou sua cueca e segurou em seu membro, começando a se masturbar na minha frente. 

— Porra, Harry — eu sentia minha calcinha umedecer — Para com isso. 

— Tá ficando molhadinha, neném ? — ele dizia ofegante se masturbando cada vez mais rápido. 

— Já chega 

Fui até ele e comecei a beija-lo, um beijo feroz que entregava toda saudade que eu sentia do sexo dele. Quando tentei tocar em seu peito tatuado, ele me parou.

— Não vai ser tão fácil assim — ele sorriu malicioso se levantando, exibindo aquele pau grande e grosso 

— O que ? — perguntei sem entender

— Você não deixou eu tocar em você por um mês — ele estava procurando algo na gaveta — Agora você também não vai tocar em mim — exibiu uma gravata vermelha — Tira a roupa e deita 

Fiz como ele ordenou e me despi, me deitando naquela enorme cama sem entender quais as intenções dele comigo. 

— Como eu senti falta de ver esse corpo nu para mim — ele me olhava como um lobo faminto

— O que você vai fazer, Hazz ? 

— Primeiramente, cala boca e deixa que eu faço o resto.

Harry estava grosso e eu amava transar com ele assim, era um dos melhores sexos. 

Ele pegou minhas mãos e colocou na cabeceira da cama, amarrando fortemente com a gravata.

— Já transou amarrada ? — ele perguntou me olhando deitada

Eu nunca havia ficado daquele jeito, amarrada e nua, era uma experiência nova e eu estava ansiosa para experimentar. 

— Quero essas pernas abertas assim — ele abriu totalmente minhas pernas me fazendo corar — Por que essa vergonha ? Até parece que nunca deu para mim 

Harry passou o dedo pela minha boceta me fazendo arfar. 

— Hum… Acho que ainda não está molhada o suficiente. 

Ele se sentou de frente para mim e voltou a se masturbar, gemendo baixo demonstrando tamanho prazer que sentia. Eu poderia gozar apenas olhando ele se tocar. 

— Meu pau está latejando — ele parou os movimentos — Mas não vou gozar sem você. 

As mãos habilidosas dele voltaram para minha vagina, onde ele deu um tapa me fazendo gritar. 

— Cala boca — ele disse rude — Se gritar ou gemer, vou amordaçar você. 

— Você não tem coragem — eu dizia mole 

— Não duvide de mim s/n…

Sem nenhum aviso prévio ele enfiou dois dedos em mim me fazendo morder os lábios para não gemer. Os movimentos dele eram rápidos e por um momento eu achei que apenas os dedos dele iriam me rasgar. 

— Que delicia ver você delirando de prazer com meus dedos… É tão gostoso enfiar eles em você — ele aumentava a velocidade 

O fato de não poder gemer e nem tocar nele me deixava louca. Eu precisava arranhar aquele homem, precisava gemer o nome dele mas não podia. 

— Suas pupilas se dilataram, você quer gozar — ele me conhecia muito bem — Mas não vou deixar você gozar com meus dedos. Empina para mim! — ele ordenou 

Dei um jeito de ficar de bruços sem me soltar. Eu sentia como se tivessem chamas ardentes dentro de mim. 

Harry deu um tapa estralado no meu bumbum que certamente ficaria marcado. Ele começou a beijar minhas costas com delicadeza e eu sentia até os cabelos da minha nuca se arrepiarem. 

— Sentiu falta de ser comida por mim ? — ele roçava o pau dele na minha entrada

— Anda com isso, Harry, eu imploro — eu dizia ofegante e sedenta para sentir o pau dele em mim 

— Você ta encharcada, e tá deixando a cabeça do meu pau molhadinho… 

— Harry… — eu cravava minhas unhas no lençol 

Ele meteu seu pau em mim me fazendo gritar. Foi dolorido mas ainda assim foi gostoso, muito gostoso. 

— Cala boca vadia, eu disse para não gritar — deu outro tapa na minha bunda 

Harry metia forte fazendo meu corpo se chocar ao dele fazendo um barulho alto. Ele gemia baixo e eu só conseguia morder meu lábio inferior tentando me controlar, mas era impossível, Harry fodia muito bem. 

— Vai amor, pode gemer — ele acabou cedendo 

— Filho da puta — gritei 

— Que vadia malcriada… — ele aumentou os movimentos

— Caralho, Harry…

Ele soltou meus braços e me virou de frente para ele. O cabelo dele estava grudado na testa devido ao suor que escorria, e nossas respirações estavam intensas. 

— Você tá mais apertadinha que da última vez que transamos! Que delicia 

— Aaah… — eu gemia e cravava minhas unhas nas costas dele o fazendo sangrar 

— Tudo isso só porque não podia gemer ? — ele perguntou se referindo aos arranhões. 

— Vou gozar — eu sentia os tremores pelo meu corpo 

— Goza pra mim, vai — ele pediu de forma sedutora 

Me derreti sentindo os movimentos do pau dele que se intensificaram, ele iria gozar. 

— Sentiu falta de beber leitinho ? — ele tirou seu membro de dentro de mim e começou a se masturbar em direção a minha boca 

— Muito — respondi lambendo os lábios 

— Pede, vadia, diga que quer sentir meu leitinho na sua boca 

— Goza na minha boca, Harry, eu quero sentir seu gosto. 

Harry jogou a cabeça para trás e se desfez na minha boca. Seu corpo caiu soado sobre mim e eu sentia as batidas fortes do coração dele. 

— Que saudade do seu sexo — ele disse rouco — dá próxima quero você rebolando gostoso para mim

— Você acabou comigo 

— Eu machuquei você ? — ele perguntava com a cabeça no meu ombro 

— Sim, mas foi bom — sorri de lado 

— Isso que irá acontecer se fizer outra greve de sexo comigo.

— Vou adorar ser castigada assim — mordi o lóbulo da orelha dele 

— É uma vadia mesmo… — ele riu

Hoje fui estuprada. Subiram em cima de mim, invadiram meu corpo e eu não pude fazer nada. Não precisou apontar uma arma para a minha cabeça. Eu já estava apavorada. Não precisou me esfolar ou esmurrar. A violência me atingiu por dentro. Depois que ele terminou e foi embora, fiquei alguns minutos com a cara no chão, tentando me lembrar do rosto do agressor. Eu não sei o seu nome, não sei o que faz da vida. Mas eu sei quem me estuprou. Quem me estuprou foi a pessoa que disse que quando uma mulher diz “não” na verdade, está querendo dizer “sim”. Não porque esse sujeito, só por dizer isso, seja um estuprador em potencial. Não. Mas porque é esse tipo de pessoa que valida e reforça a ação do cara que abusou do meu corpo. Então, quem me estuprou também foi quem achou que, se eu estava sozinha na rua, na balada ou em qualquer outro lugar do planeta, é porque eu estava a disposição. Quem me estuprou foram aqueles que passaram a acreditar que toda mulher alimenta a fantasia de ser estuprada. Quem me estuprou foi o cara que disse que alguns estupradores merecem um abraço. Foi quem fez graça com as mulheres sendo assediadas no transporte público. Foi todo mundo que riu dessa piada e que defendeu o direito de fazer piadas sobre esse momento de puro horror. Quem me estuprou foram as propagandas que repetidas vezes insinuaram que mulher é mercadoria. Que pode ser consumida e abusada. Que existe somente para fazer o apetite sexual do público. Quem me estuprou foi o padre que disse que, se isso aconteceu, foi porque eu consenti. Foi também o padre que disse que um estuprador até pode ser perdoado, mas uma mulher que aborta não. Quem me estuprou foram aquelas pessoas que, mesmo depois disso insistem que a culpada sou eu. Que eu pedi para isso acontecer. Que eu estava querendo. Que a roupa era curta demais. Que bebi demais. Que sou uma vadia. Percebo que mesmo se esse cara existisse, mesmo se ele nunca tivesse cruzado o meu caminho, eu não estaria a salvo. Porque não foi só aquele cara que me estuprou. Foi uma cultura inteira. Esse texto é fictício. Eu não foi estuprada hoje. Mas certamente outras mulheres foram.
Hoje fui estuprada. Subiram em cima de mim, invadiram meu corpo e eu não pude fazer nada. Não precisou apontar uma arma para a minha cabeça. Eu já estava apavorada. Não precisou me esfolar ou esmurrar. A violência me atingiu por dentro. Depois que ele terminou e foi embora, fiquei alguns minutos com a cara no chão, tentando me lembrar do rosto do agressor. Eu não sei o seu nome, não sei o que faz da vida. Mas eu sei quem me estuprou. Quem me estuprou foi a pessoa que disse que quando uma mulher diz “não” na verdade, está querendo dizer “sim”. Não porque esse sujeito, só por dizer isso, seja um estuprador em potencial. Não. Mas porque é esse tipo de pessoa que valida e reforça a ação do cara que abusou do meu corpo. Então, quem me estuprou também foi quem achou que, se eu estava sozinha na rua, na balada ou em qualquer outro lugar do planeta, é porque eu estava a disposição. Quem me estuprou foram aqueles que passaram a acreditar que toda mulher alimenta a fantasia de ser estuprada. Quem me estuprou foi o cara que disse que alguns estupradores merecem um abraço. Foi quem fez graça com as mulheres sendo assediadas no transporte público. Foi todo mundo que riu dessa piada e que defendeu o direito de fazer piadas sobre esse momento de puro horror. Quem me estuprou foram as propagandas que repetidas vezes insinuaram que mulher é mercadoria. Que pode ser consumida e abusada. Que existe somente para fazer o apetite sexual do público. Quem me estuprou foi o padre que disse que, se isso aconteceu, foi porque eu consenti. Foi também o padre que disse que um estuprador até pode ser perdoado, mas uma mulher que aborta não. Quem me estuprou foram aquelas pessoas que, mesmo depois disso insistem que a culpada sou eu. Que eu pedi para isso acontecer. Que eu estava querendo. Que a roupa era curta demais. Que bebi demais. Que sou uma vadia. Percebo que mesmo se esse cara existisse, mesmo se ele nunca tivesse cruzado o meu caminho, eu não estaria a salvo. Porque não foi só aquele cara que me estuprou. Foi uma cultura inteira. Esse texto é fictício. Eu não foi estuprada hoje. Mas certamente outras mulheres foram.
Hoje foi estuprada. Subiram em cima de mim, invadiram meu corpo e eu não pude fazer nada. Não precisou apontar uma arma para a minha cabeça. Eu já estava apavorada. Não precisou me esfolar ou esmurrar. A violência me atingiu por dentro. Depois que ele terminou e foi embora, fiquei alguns minutos com a cara no chão, tentando me lembrar do rosto do agressor. Eu não sei o seu nome, não sei o que faz da vida. Mas eu sei quem me estuprou. Quem me estuprou foi a pessoa que disse que quando uma mulher diz "não" na verdade está querendo dizer "sim". Não porque esse sujeito, só por dizer isso, seja um estuprador em potencial. Não. Mas porque é esse tipo de pessoa que valida e reforça a ação do cara que abusou do meu corpo. Então, quem me estuprou também foi quem achou que, se eu estava sozinha na rua, na balada ou em qualquer outro lugar do planeta, é porque eu estava à disposição. Quem me estuprou foram aqueles que passaram a acreditar que toda mulher alimenta a fantasia de ser estuprada. Quem me estuprou foi o cara que disse que alguns estupradores merecem um abraço. Foi quem fez graça com as mulheres sendo assediadas no transporte público. Foi todo mundo que riu dessa piada e que defendeu o direito de fazer piadas sobre esse momento de puro horror. Quem me estuprou foram as propagandas que repetidas vezes insinuaram que mulher é mercadoria. Que pode ser consumida e abusada. Que existe somente para fazer o apetite sexual do público. Quem me estuprou foi o padre que disse que, se isso aconteceu, foi porque eu consenti. Foi também o padre que disse que um estuprador até pode ser perdoado, mas uma mulher que aborta não. Quem me estuprou foram aquelas pessoas que, mesmo depois disso insistem que a culpada sou eu. Que eu pedi para isso acontecer. Que eu estava querendo. Que a roupa era curta demais. Que bebi demais. Que sou uma vadia. Percebo que mesmo se esse cara existisse, mesmo se ele nunca tivesse cruzado o meu caminho, eu não estaria a salvo. Porque não foi só aquele cara que me estuprou. Foi uma cultura inteira. Esse texto é fictício. Eu não fui estuprada hoje. Mas certamente outras mulheres foram.
HOJE FUI ESTUPRADA. Subiram em cima de mim, invadiram meu corpo e eu não pude fazer nada. Não precisou apontar uma arma para a minha cabeça. Eu já estava apavorada. Não precisou me esfolar ou esmurrar. A violência me atingiu por dentro. Depois que ele terminou e foi embora, fiquei alguns minutos com a cara no chão, tentando me lembrar do rosto do agressor. Eu não sei o seu nome, não sei o que faz da vida. Mas eu sei quem me estuprou. Quem me estuprou foi a pessoa que disse que quando uma mulher diz “não” na verdade, está querendo dizer “sim”. Não porque esse sujeito, só por dizer isso, seja um estuprador em potencial. Não. Mas porque é esse tipo de pessoa que valida e reforça a ação do cara que abusou do meu corpo. Então, quem me estuprou também foi quem achou que, se eu estava sozinha na rua, na balada ou em qualquer outro lugar do planeta, é porque eu estava a disposição. Quem me estuprou foram aqueles que passaram a acreditar que toda mulher alimenta a fantasia de ser estuprada. Quem me estuprou foi o cara que disse que alguns estupradores merecem um abraço. Foi quem fez graça com as mulheres sendo assediadas no transporte público. Foi todo mundo que riu dessa piada e que defendeu o direito de fazer piadas sobre esse momento de puro horror. Quem me estuprou foram as propagandas que repetidas vezes insinuaram que mulher é mercadoria. Que pode ser consumida e abusada. Que existe somente para fazer o apetite sexual do público. Quem me estuprou foi o padre que disse que, se isso aconteceu, foi porque eu consenti. Foi também o padre que disse que um estuprador até pode ser perdoado, mas uma mulher que aborta não. Quem me estuprou foram aquelas pessoas que, mesmo depois disso insistem que a culpada sou eu. Que eu pedi para isso acontecer. Que eu estava querendo. Que a roupa era curta demais. Que bebi demais. Que sou uma vadia. Percebo que mesmo se esse cara existisse, mesmo se ele nunca tivesse cruzado o meu caminho, eu não estaria a salvo. Porque não foi só aquele cara que me estuprou. Foi uma cultura inteira. Esse texto é fictício. Eu não fui estuprada hoje. Mas certamente outras mulheres foram.
—  Colombian-a
O Toque de uma Paixão

Capítulo 111 :

 LUA

 — O que?

— Você está diferente. Seus olhos estão diferentes. Você está feliz, e isso me faz feliz em saber que está refazendo a sua vida, mesmo que esse recomeço não esteja sendo ao meu lado.

— Eu estou vivendo uma nova fase. Isso está me fazendo muito bem.

— Você e aquele playboyzinho ainda estão saindo?

— Não estamos “saindo”, Estamos namorando.

— É… Ele conseguiu o que eu tentei por anos. Tiro o meu chapéu para ele — ele retirou o chapéu e segurou-o se curvando em reverência.

— Lua quero que você seja feliz.

Escutá-lo dizer tudo isso me deixa aliviada e ao mesmo tempo satisfeita.

Sempre fomos grandes amigos e isso é importante para mim.

— Você se supera. Sempre foi forte e determinado. Nunca deixou ser derrotado, principalmente por uma vadia sem coração — mesmo sabendo que a vadia sou eu, sorrimos e ele me abraçou.

— Lua aos poucos estou me conformando com tudo isso. Aprendi que cedo ou tarde, essa ferida no meu coração irá cicatrizar e a dor cessará. É só dar tempo ao tempo.

— Alex, me perdoe por ser a causadora dessa ferida. Não foi a minha intenção.

— Perdoo. Você não tem culpa — seus olhos entristeceram.

— Mas não pense que estou fora do mercado por que uma morena me fisgou de jeito. Tenho novidades! Conheci uma pessoa — ele praticamente sussurrou.

— Que legal! É sério? Quero dizer, é um relacionamento?

— Ainda não, mas pretendo levar adiante.

— Então, se te faz feliz, siga adiante — nos abraçamos por um longo

tempo. Mas acabei me afastando para ele não confundir as coisas.

— O que é essa gororoba aí? — apontei para a frigideira.

— Gororoba do Alex!

— Lua… Experimenta esse molho de iguarias silvestres — pegou um pouco com uma colher de sopa e trouxe até a minha boca. Assoprei primeiro para depois engolir.

— Espetacular! Realmente uma delícia.

— Modifiquei o molho que acompanha o camarão grelhado por esse.

— Que delícia.

— Sabia que você iria gostar.

— Ah! Em falar em modificações, sua feijoada ontem à noite, foi o prato mais pedido.

— Sério?

— É.

— Só boas notícias — sorrimos.

Então, mãos na massa! Assim, meu dia iniciou. Foi bastante corrido, quando chegou o horário do almoço, ficamos loucos naquela cozinha trepidante exalando variados aromas diferentes. Alex ficou só nas sobremesas e eu me dediquei aos pescados. Quando foi mais ou menos 15h o fluxo de clientes diminuiu. Então, deixei a cozinha nas mãos dos cozinheiros e seus ajudantes. Segui para o escritório, livrei-me de toda a roupa e vesti as minhas roupas frescas. Deixei o ar condicionado em clima de montanha, bem gelado. Quando começo a ler os meus e-mails, escuto batidinhas discretas na porta.

— Oi! Pode entrar.

— Sua vaca! Abandonou-me mesmo. Trocou a amiga por duas bolas e um pau — e que pau!

— Oi Fê! — Ela está estonteante, em uma bermuda jeans marmorizada de cós alto, uma blusa croped solta na cor preta escrito na frente “delicius”.

Para completar o look seus sapatos são de um vermelho brilhante e ganham toda a atenção dos meus olhos.

— Oi nada. Levanta esse traseiro e vem abraçar sua amiga — nos abraçamos e ela não parava de reclamar.

— Você está linda! Como foi a viagem até a Espanha?

— Acreditem! Ela foi até a Espanha para conhecer todas as casas de swing que existe por lá.

Ela fez uma espécie de laboratório. Realmente, levou a sério o que eu te disse. Ela está abrindo um clube de swing no Recreio dos Bandeirantes. É…

Eu sei, ela é doida, mas é minha amiga.

— Sente-se e me conte tudo.

— Amiga… O povo de lá, gosta muito de sexo — imagino.

Ela contou todos os detalhes e suas pérolas ao vivenciar de perto esse mundo do qual de certa forma ela já faz parte. Só que dessa vez, realmente me impressionou a capacidade dela ir além do normal.

— Meu Deus! Não acredito. Você não fez isso. Não creio. É mentira.

— Pasmem ela é guerreira.

— Luinha… Eu fiz e gostei. Gostei muito.

Tá com ciúmes?”
“Não”
“Tem certeza?”
“Aham”
“Você parece com ciúmes”
“SUA AMIGUINHA PARECE UMA VADIA, MAS MESMO ASSIM EU NÃO FICO FALANDO
Cap 32

Meu maior temor, meu pior pesadelo, havia enfim, se tornado realidade.

Minha cabeça parecia estar dentro de um liquidificador quando meu olhar encontrou o dela. Os dedos de Clara se fecharam com força entre os meus, como se ela soubesse que eu seria capaz de desfalecer a qualquer segundo. Porém, sua força foi inútil; minhas pernas vacilaram perigosamente para baixo, mas num último esforço, eu me mantive de pé, disfarçando meu equilíbrio prejudicado. Eu tinha que ficar consciente. Eu não podia me permitir ser tão fraca, não num momento como aquele, por mais que tudo que eu quisesse fosse simplesmente apagar.

- Vanessa? – a voz falha de Pepa pronunciou meu nome, fazendo jus à sua expressão perplexa. – O que… O que você tá fazendo aqui?

Meus pulmões pareciam completamente vazios, causando-me uma falta de ar insuportável, porém era como se eu os fosse explodir se inspirasse. Tudo ao meu redor girava a uma velocidade alucinante, fazendo com que apenas Pepa se mantivesse parada à minha frente enquanto todo o resto rodopiava, transformando-se em borrões coloridos e desnorteando-me por completo.

- Clara, o que está acontecendo? – ela voltou a falar, demorando a desviar seu olhar do meu para encarar a amiga. – Alguém pode me explicar o que…

Sua voz, já um pouco mais alta que o habitual, subitamente cessou quando ela finalmente encontrou a resposta muda às suas dúvidas. O assombro percorreu seu rosto por alguns segundos, fazendo-a soltar todo o seu ar de uma única vez e contorcer seus traços em uma compreensão indesejada.

Meus dedos, firmemente entrelaçados aos de Clara, a fizeram entender o que estava acontecendo todo o tempo, bem debaixo de seu nariz.

- Pepa, calma. – Clara pediu, com a voz determinada, porém assim que ela fez menção de continuar, foi bruscamente interrompida.

Calma? – Pepa exclamou, encarando-a com olhos vidrados e gradativamente homicidas. – Por que eu deveria ficar calma ao ver você de mãos dadas com a minha namorada?

- Porque não é ela quem está segurando minha mão. – pude ouvir minha própria voz dizer, estrangulada, fazendo com que Pepa transferisse seu olhar colérico até mim. – Eu estou segurando a mão dela.

Seus olhos castanhos continuaram me fitando com horror por alguns segundos, como se testassem minha capacidade de encará-la. Não consegui fitá-la por muito tempo, e logo voltei a olhar para o chão, sentindo mais lágrimas se formarem. Após minhas recentes descobertas sobre Pepa, meus sentimentos por ela haviam mudado da água para o vinho, mas ainda assim não era daquele jeito que as coisas deveriam estar acontecendo. Clara não deveria ter sido envolvida em nenhum momento de meu acerto de contas com Pepa.

- Então… Você acabou de dizer que está me traindo, Vanessa? – Pepa perguntou entre dentes, e eu fechei os olhos, me sentindo um monstro ao ouvir sua voz trêmula sintetizar nossa situação. – E ainda por cima com a minha melhor amiga?

- Não aja como se ela fosse a única errada nessa história. – Clara interveio, com a voz grave, e um soluço baixo escapou por entre meus lábios. – Suas atitudes também não foram das mais nobres com ela.

- Não foram das mais nobres? – Pepa repetiu, e mesmo sem olhá-la, senti a ironia em seu tom. – Por acaso eu fui uma má namorada? Por acaso eu deixei de dar o que ela queria em algum momento?

- Você não pode estar falando sério. – sussurrei, sem conseguir conter minha raiva diante de sua postura, fechando meus olhos com mais força. – Esconder uma noiva por todos esses meses lhe parece uma atitude nobre?

- Noiva? Que noiva? – Pepa questionou, tentando isentar-se da culpa, e Clara logo fracassou suas expectativas.

- Ela nos ouviu conversando sobre a Lucy agora pouco, não adianta tentar negar. Assuma seus erros, Ferreira, assim como estamos assumindo o nosso.

- Isso não muda nada. – Pepa disse após alguns segundos de silêncio, e eu senti uma dor lancinante percorrer todo o meu corpo ao ouvir sua confissão. – Ela não sabia de nada antes de me trair, e aposto que não pensou duas vezes antes de me apunhalar pelas costas, não é, sua vadia?

- Cala a boca. – Clara rosnou, com a respiração cada vez mais pesada, e eu ergui meus olhos vermelhos e molhados até encontrar os de Pepa.

- Cala a boca você, Aguilar! – ela retrucou num volume alto, aproximando-se de mim com um olhar neurótico, e parou a um passo de distância. – Ela é uma vadia mesmo, e é assim que vadias merecem ser tratadas!

Antes que Clara pudesse abrir a boca mais uma vez, a mão forte de Pepa voou na direção de meu rosto, dando-me um tapa ardido e doloroso que me fez cair a alguns passos de distância das duas.

- Qual é o seu problema, sua escrota? – Clara exclamou, empurrando Pepa pelo peito, e eu prendi um grito de dor, engolindo meu choro desesperado e sentindo gosto de sangue em minha boca. O lado agredido de meu rosto pareceu inchar e latejar imediatamente, e toda a dor só aumentava a cada segundo, porém eu não ousei fechar meus olhos ou derrubar uma lágrima. Eu havia errado e merecia um castigo por isso.

- Sua puta! – Pepa xingou, apontando para mim, e eu me levantei rapidamente, vendo Clara avançar cada vez mais para cima dela. – Vadia, piranha, vagabunda!

- Você mentiu pra mim desde o começo, Pepa. – falei, balançando negativamente a cabeça e encarando-a com tristeza, ainda sem acreditar que ela havia realmente sido capaz daquilo. – Você sempre me enganou… Por quê?

- Porque eu amo você! – ela exclamou, com a testa pesadamente franzida, e duas grossas lágrimas caíram de seus olhos. – Eu amo você, sua maldita! Como você foi capaz de fazer isso comigo?

- Você me ama? – repeti, cerrando os olhos e sentindo minha barreira invisível contra as lágrimas aos poucos ceder. – Se me amasse de verdade, teria me contado.

- Foi exatamente por isso que eu nunca te contei! – ela disse, contorcendo o rosto em tristeza e deixando ainda mais nítido que estava chorando. – Eu sabia que você jamais aceitaria ficar comigo se soubesse!

- E por isso a enganou? Você realmente achou que esse seu plano funcionaria para sempre? – Clara perguntou com fúria na voz, ainda mantendo uma postura ameaçadora diante de Pepa. – Foi muita imaturidade sua, Fernanda!

- Quem é você pra me falar de maturidade, Clara? – Pepa retrucou, encarando-a com ódio e dando um passo em sua direção. – Olha o que você foi capaz de fazer comigo!

- Nada que você não merecesse! – Clara cuspiu, e assim que o punho de Pepa avançou na direção dela, um grito de pavor escapou por minha garganta.

Não!

Lancei-me na direção de Clara, segurando em seu braço e puxando-a para trás antes que fosse golpeada. Por pouco o punho de Pepa não a acertou, e eu segurei firme no braço de Clara para que ela não tentasse revidar a agressão.

- Eu vou matar você! – Pepa a ameaçou, avançando em nossa direção, e antes que ela se aproximasse muito, Clara, cega de ódio, desvencilhou-se de mim e a empurrou novamente, dessa vez derrubando-a no chão.

- Some da minha frente antes que eu te mate! – ela urrou, mantendo contato visual com Pepa por alguns segundos até que esta se levantou e desviou seu olhar repleto de ira até o meu.

- Eu ainda não acabei com você. – ela murmurou, novamente apontando em minha direção, e o tom psicopata em sua voz me arrepiou da cabeça aos pés. – Pode esperar… Nós ainda vamos acertar nossas contas.

- Some daqui, Ferreira! – Clara gritou, apontando para as escadas, e após mais alguns segundos me encarando, Pepa deu meia volta e desceu rapidamente os degraus. Clara e eu continuamos paralisadas por um tempo, apenas encarando o espaço vazio antes ocupado por Pepa, sem saber como reagir. Minhas pernas tremiam assustadoramente, e assim que minha mente compreendeu que a ameaça imediata de perigo já havia ido embora, a dor física e emocional começou a se manifestar com toda a sua intensidade, fazendo com que meus joelhos cedessem ao meu peso. Porém, antes que eu caísse, as mãos de Clara envolveram meus braços com firmeza, mantendo-me de pé.

- Calma, calma. – ela soprou, puxando-me para si e afundando-me em seu abraço. – Vai ficar tudo bem, eu prometo.

Tentei abrir a boca para dizer que não, mas não consegui. Eu sabia que nada ficaria bem dali em diante, e que todas as minhas certezas seriam apenas lembranças muito em breve. Pepa faria de minha vida um inferno, espalharia para quem quisesse ouvir o que aconteceu entre nós, mancharia minha imagem e me prejudicaria de todas as maneiras que lhe fossem possíveis.

- Vem, vamos cuidar de você. – Clara sussurrou, desfazendo nosso abraço e me guiando até a porta do laboratório outra vez. Ela rapidamente destrancou-a para que entrássemos, e logo em seguida voltou a trancá-la, dando-nos total segurança. Meu corpo estava completamente mole, inerte, sem forças para realizar qualquer movimento.

A dor em meu rosto ficava mais forte a cada segundo, mas na realidade era sua causa moral quem a fazia latejar. Eu já havia tido vários pesadelos com aquele momento, mas nunca imaginei que eles fossem se concretizar daquela maneira tão inesperada e cruel.

- Senta aqui. – ela pediu, erguendo-me do chão e colocando-me sobre a bancada. Seus olhos pairaram sobre o lado agredido de meu rosto por alguns segundos, e um suspiro escapou por entre seus lábios, denunciando que os dedos de Pepa provavelmente haviam ficado marcados ali. Nada que eu não merecesse.

- Eu sou um monstro. – solucei, sem sequer conseguir encará-la, e ela colocou suas mãos delicadamente em meu rosto, sem tocar a parte afetada. – Ela tem razão em tudo que disse sobre mim.

- Não, Vanessa, ela está errada. – Clara sussurrou, erguendo meu rosto sutilmente para que eu não tivesse como fugir de seu olhar. – Você sempre se preocupou com ela, apesar de tudo, enquanto ela te enganou de propósito por todo esse tempo… Pra mim, ela é o monstro, não você.

Balancei negativamente a cabeça e fechei os olhos com força, sem conseguir respirar e sentindo meu choro se intensificar a cada vez que os olhos de Pepa voltavam à minha mente.

- Me escuta. – ela insistiu, enxugando minhas lágrimas com cuidado e me olhando com determinação. – Se existe alguma culpada nessa história toda, essa pessoa sou eu. Se você está nessa situação hoje, a culpa é inteiramente minha. Eu te persuadi a ficar comigo, eu fui inescrupulosa ao te querer pra mim mesmo sabendo que você já estava com ela…

- Não, Clarinha. – gemi baixinho, segurando suas mãos e erguendo meus olhos até os dela. – Eu sou a culpada…

- Claro que não! – ela persistiu, aproximando seu corpo do meu e franzindo levemente a testa, como se estivesse sofrendo comigo. – Se você quiser, eu posso ir atrás dela e dizer que foi tudo culpa minha, e que eu te chantageei para poder ficar com você…

- Você não vai fazer um absurdo desses. – a interrompi, horrorizada com seus pensamentos errôneos. – Não há nada que possamos fazer… Nada vai mudar o que aconteceu.

Ela apenas me encarou, soltando um suspiro derrotado, e seu olhar triste sustentou o meu por alguns segundos, até que seus braços envolveram minha cintura delicadamente. Afundei meu rosto em seu peito, sentindo as lágrimas caírem livremente por ele, e fechei fortemente os olhos, sentindo meu coração se contorcer de dor. Ergui meu rosto para poder observar o dela, e minha bochecha machucada roçou seu peito com certa força, fazendo com que uma dor pulsante encolhesse meu corpo de imediato.

- É melhor eu pegar algo gelado pra colocar aí. - Clara disse, se afastando de mim, e eu pude ver tristeza em seus olhos ao fitar meu rosto dolorido. Respirei fundo, encarando o espaço vazio onde antes ela estava por um tempo, mas que logo foi ocupado por seu corpo novamente.

Clara sorriu fraco, porém sem alegria nenhuma, e me estendeu uma luva de plástico com alguns cubos de gelo dentro e uma carinha feliz desenhada nela. Fitei o sorriso disforme que ela havia improvisado sem que eu sequer me desse conta, e mesmo me sentindo horrível, um sorrisinho triste surgiu em meu rosto.

– Vamos esperar até você se acalmar um pouco e eu te levo pra casa, está bem? – ela murmurou, afastando algumas mechas de cabelo de meu rosto, e eu assenti fracamente.

Coloquei a luva sobre meu rosto e fechei os olhos ao sentir o efeito da baixa temperatura em contato com minha pele.

- Estou com medo de ir pra casa. – sussurrei após longos segundos de silêncio, vendo-a me olhar em dúvida. – Não vou conseguir esconder de minha mãe.

- Quer ir pra minha então? – ela perguntou baixo, inclinando um pouco a cabeça para o lado, e eu pensei por alguns segundos antes de negar fracamente. – Por que não? Vai ser bom poder cuidar de você.

- Eu estou bem. – murmurei, desviando meu olhar do dela e engolindo a tristeza presa em minha garganta com toda a força que encontrei, para que ela não se preocupasse tanto comigo. – Só preciso ficar sozinha um pouco.

- Tudo bem… Mas por que você mente pra mim? – ela indagou, ajeitando carinhosamente meus cabelos para que eles se comportassem atrás de minha orelha e fazendo minhas lágrimas silenciosas voltarem a cair. – Tudo que eu quero é cuidar de você agora.

- Eu não gosto de compartilhar minhas dores. – falei com a voz contida, voltando a encarar seus olhos, agora ainda mais escuros que de costume. – Prefiro assim… Não quero que as pessoas sintam pena de mim.

- Eu não sinto pena de você. – Clara disse, encarando-me com seriedade. – Eu gosto de sentir o que você sente… Mesmo que seja dor. Sabe, isso me faz bem. Me faz sentir um pouco menos fria por dentro.

Soltei um suspiro fraco, e fechei meus olhos por um momento antes de voltar a fitá-la. Ela não podia ser real.

- Você não é fria por dentro. – a corrigi baixo, entrelaçando meus dedos nos dela inconscientemente e sentindo meu rosto completamente lavado de lágrimas.

- Eu era. – ela suspirou, olhando para nossas mãos unidas, e havia um certo tom de confissão em sua voz. – Mas você tem me ajudado bastante nisso.

Minha mão havia relaxado inconscientemente, e o contato repentino de sua pele quente contra a minha já um pouco mais gelada me arrepiou de leve conforme ela voltava a ajeitar a luva sobre meu rosto com um sorrisinho compreensivo, porém ainda muito triste. Tudo que consegui fazer foi continuar chorando silenciosamente e apertar seus dedos entre os meus.

- Digamos que você é minha pequena faísca de felicidade. – ela murmurou com a voz e o olhar baixos. – E eu não vou deixar que suas lágrimas te apaguem.

Não consegui responder nada, sentindo mais lágrimas se formarem, porém dessa vez, havia um mísero fio de alegria nelas. Clara soltou um risinho de deboche, envergonhada, e eu selei nossos lábios com carinho, segurando seu rosto com a mão livre e acariciando sua pele com meus polegares. Ela chegou mais perto, envolvendo minha mão que segurava a luva para que ela não saísse do lugar, e afastou nossos lábios, mantendo seu rosto muito próximo.

- Não vai embora, por favor… Não agora. – funguei, sendo involuntariamente infantil, e ela deu um sorriso adorável. – Eu preciso muito de você, agora mais do que nunca.

- Eu não estava indo a lugar algum. – ela soprou contra meus lábios enquanto eu a abraçava pelo pescoço com o braço desocupado. – Nem agora, nem depois.

Sem, palavras diante das dela, levei alguns segundos para conseguir sorrir fraco, admirada com sua atitude. Pela milésima vez naquele dia.

- Desse jeito eu não vou parar de chorar. – confessei, respirando fundo e contendo minhas emoções afloradas.

- Ah, não, chega de chorar. – ela pediu fazendo uma careta, e se afastou de mim. – Vem, eu vou te levar pra casa. Você precisa descansar.

Concordando e agradecendo-a mentalmente, assenti, descendo da bancada com uma certa ajuda dela, e lhe entreguei a luva já morna para que ela a jogasse fora. Enquanto ela o fazia, fitei a porta do laboratório, sentindo meu coração acelerar só de pensar em sair. Tudo o que eu queria no momento era distância daquele lugar, porém a ideia de atravessar aquela porta novamente me parecia extremamente assustadora.

- Van? – a voz de Clara me acordou de meu rápido devaneio, e quando a olhei, vi que ela já estava parada perto da porta, com minha mochila em suas costas. – Tudo bem?

Confirmei rapidamente, soltando um suspiro baixo, e ela abriu a porta do laboratório, saindo primeiro e esperando que eu o fizesse para trancar a sala. Descemos as escadas o mais normalmente possível, apesar da leve tremedeira em minhas pernas, e caminhamos até a rua em silêncio, deparando-nos com o Porsche de Clara do outro lado da rua. A vaga de Pepa, que sempre estacionava a poucos metros dali, estava vazia, o que significava que ela já havia ido embora. Repreendi minha própria mente ao retornar suas atenções para ela, e desviei meu olhar do espaço vazio no acostamento. Entrei no carro pelo lado do carona, sem me preocupar muito por estar sendo vista, já que não havia mais ninguém na porta do colégio a não ser as poucas pessoas que passavam pela rua, e pus o cinto de segurança.

Clara fez o mesmo em silêncio, colocando minha mochila no banco traseiro, e logo arrancou com o carro, ganhando velocidade facilmente e fazendo com que uma leve brisa batesse em meu rosto quando abriu um pouco meu vidro. Abaixei meus olhos até que eles fitassem meus joelhos e inconscientemente me perdi no silêncio do carro, absorta numa espécie de retrospectiva de todos os acontecimentos recentes.

A dor voltou a me preencher aos poucos, subindo por minhas pernas e dominando meu interior, como um veneno letal escalando meu corpo.

Fechei meus olhos com força, tentando evitar que as lágrimas neles caíssem, mas foi em vão. Virei meu rosto para a janela, sem querer que Clara percebesse minha recaída, porém assim que o fiz, sua mão envolveu a minha. Me mantive imóvel, sentindo-a apertar de leve meus dedos entre os seus, e um soluço baixo escapou por entre meus lábios.

- Eu não gosto de te ver chorando. – ela murmurou, com a voz baixa e compreensiva. – Mas acho que pra quem guarda tantas preocupações só pra si… Faz bem desmoronar de vez em quando.

Funguei baixo, sentindo meu choro se intensificar com suas palavras, e fitei nossas mãos unidas por alguns segundos, sem saber como encará-la. O carro parou num sinal vermelho e Clara acariciou as costas de minha mão com seu polegar, suspirando baixo e fitando vagamente algum ponto à frente. Eu sabia que ela também havia sido duramente afetada por tudo que havia acontecido, e sabia que levaria algum tempo até que absorvêssemos todas aquelas emoções. Ergui meus olhos vermelhos até ela, me sentindo a pior pessoa do mundo por fazer duas pessoas sofrerem por atitudes erradas minhas, cujas consequências amargas somente eu deveria sentir, e a vi me olhar de volta, séria e inexpressiva. Apenas digerindo os fatos.

E por todo o trajeto até minha casa, prosseguimos naquele mesmo silêncio. Não havia muito mais a ser dito; nossas mentes e corações estavam entorpecidos e doloridos demais para que soubéssemos o que dizer uma a outra.

- Obrigada pela carona. – murmurei quando ela estacionou em frente à minha casa.

- Se precisar conversar… Bem, você tem meu número, e em hipóteses mais drásticas, sabe meu endereço. – ela sorriu fraco, erguendo meu rosto até que pudesse me encarar. – E não se preocupe com o horário, eu adoraria acordar pra falar com você.

- Obrigada. – repeti, sem saber o que mais dizer. Ela estava sendo totalmente carinhosa e preocupada comigo… O que mais eu poderia fazer naquele momento a não ser agradecê-la?

- E cuide do seu rosto… Já está bem melhor, mas ainda deve estar doendo. – Clara recomendou, analisando a parte levemente inchada de minha bochecha, e logo em seguida desviando seu olhar até o meu como se ver a fraca vermelhidão em minha pele lhe transferisse minha dor. – Me desculpa por não ter evitado isso.

- Eu não aceito que você me peça desculpas por isso. – falei, engolindo minha crescente e incessante vontade de chorar. – Eu mereci.

- Se alguém aqui merece apanhar, sou eu. – Clara negou com a voz grave, encarando-me com seriedade. – Mas não vou falar disso agora… Você deve estar com a cabeça explodindo.

- Eu estou bem, Clarinha. – suspirei, mas ao vê-la me repreender com o olhar, reformulei minha frase. – Eu vou ficar bem. Não se preocupe.

- Eu odeio quando você mente. – ela fechou os olhos por alguns segundos, respirando fundo, porém logo voltou a me olhar e aproximou seu rosto do meu, dando-me um selinho. – Descanse bastante, e cuide direitinho desse rosto, porque ele é meu, entendeu?

Assenti fraco, sentindo a respiração dela se misturar à minha, e com um carinho gostoso em meu queixo, ela voltou a unir nossos lábios, dessa vez aprofundando o beijo e fazendo-me esquecer qualquer dor por alguns segundos.

- Eu te amo. – Clara soprou baixinho, após incontáveis segundos apenas sentindo a respiração uma da outra. – Não se esqueça disso.

- Eu não vou esquecer. – falei, abrindo meus olhos e encontrando os dela muito próximos. Ela sorriu fraco e voltou lentamente à sua posição ereta em seu banco, pegando minha mochila no banco de trás. Saí do carro, ajeitando as alças da mochila em meus ombros e caminhando lentamente até minha casa. Não olhei para trás; vê-la ir embora não costumava me fazer bem, mesmo sabendo que não poderíamos estar mais unidas do que naquele momento.

Tranquei a porta atrás de mim e me deparei com a casa vazia. Mamãe estava trabalhando, o que era bom e ruim ao mesmo tempo. A solidão me asfixiava em certos momentos. O silêncio me ensurdeceu de imediato, mergulhando-me na agonizante realidade. As lágrimas voltaram aos meus olhos, tão dolorosas quanto antes, e tudo que pude fazer foi subir correndo as escadas, trancar-me em meu quarto e atirar-me em minha cama, enterrando meu rosto no travesseiro.

Eu era um turbilhão de sentimentos angustiantes por dentro. Revolta, remorso, culpa, dor. Mas principalmente medo.

Eu estava com muito, muito, muito medo. Tanto medo que eu tinha até medo de explodir por sentir tanto medo. Um medo monstruoso estava presente em cada milímetro de mim.

E meu medo não era somente por mim. Havia outra pessoa pela qual eu tinha medo, talvez até mais medo por ela do que por mim mesma.

Eu sabia que Pepa daria um jeito de me separar de Clara… O jeito mais cruel e sádico possível.

E era justamente por isso que eu tinha medo. Muito, muito medo do que ainda estava por vir.

Gente, só um aviso antes do imagine. Ele tem alguns palavrões e está um pouco mais pesado do que os outros tá? Era só pra avisar mesmo antes de vocês começarem a ler. 

Harry Styles, um médico muito renomado em Londres, era muito conhecido por todos e era chefe de um dos maiores hospitais da cidade. Ele sabia do charme que tinha e usava isso sempre a seu favor pra conseguir todas as garotas que ele quisesse. Mas, tinha uma que ele estava tentando levar para sua cama há muito tempo, mas ela se fazia de difícil, apesar de ele já ter flagrado ela várias vezes olhando para o corpo dele.

Você era uma médica residente no hospital do Dr. Styles e já sabia da fama que ele tinha, mas tinha que confessar que ele era muito gostoso e estava ficando cada vez mais difícil dizer não para as cantadas e propostas que ele te fazia.

Sexta-feira, mais um plantão havia acabado e você estava indo para a sua sala quando uma das enfermeiras chegou ao seu lado e disse:

- Dr. Styles está querendo falar com você, disse que é um assunto urgente sobre um paciente seu – ela disse e você estranhou, mas decidiu ver o que ele queria.

- Tudo bem, obrigada e até amanhã – você disse sorrindo educadamente e se encaminhando até a sala do Dr. Styles.

Assim que parou em frente à porta da sala dele, deu duas batidas e pediu licença.

- Pode entrar (S/N) – ele disse e você entrou fechando a porta atrás de si – e tranque a porta, não quero ser interrompido. – você fez o que ele pediu.

- Queria falar comigo? – você perguntou e se virou para encará-lo.

- Sim, queria te perguntar uma coisa – ele disse e saiu de trás da mesa que separava vocês.

- Pode perguntar Dr. Algum problema? – você disse um pouco preocupada achando que alguma coisa tivesse acontecido com o seu paciente.

- Na verdade tem sim – ele disse e parou na sua frente, bem próximo a você.

- E qual é o problema? – você perguntou.

- O problema (S/N) é que desde que você entrou aqui eu quero te levar pra minha cama, mas você nunca aceita e eu queria saber até onde vai essa sua marra? – ele perguntou dessa vez colocando o seu cabelo de lado e beijando o seu pescoço.

- Sabe Doutor – você disse enquanto ele distribuía beijos por seu pescoço – no começo eu achei que o senhor nunca olharia pra mim, mas sempre te achei muito gostoso e acho que posso te fazer esse favor – você disse e ele deu uma mordida no seu pescoço.

- Favor? Você sabe muito bem que eu posso conseguir qualquer mulher que eu quiser. Mas, no momento estou louco pra te ouvir gritar o meu nome enquanto eu te como em cima dessa mesa – ele disse te puxando para colar o corpo de vocês.

- Ah é? Quero ver do que você é capaz. Será que consegue mesmo satisfazer uma mulher? – você disse o provocando.

- O que? Você está duvidando? – ele perguntou e você assentiu – Então vou te mostrar do que sou capaz.

Assim que terminou de dizer isso ele pegou em seus cabelos e logo te colocou sentada sobre a mesa dele que por incrível que pareça estava vazia. Ele era bruto e isso te excitava ainda mais, você nunca gostou de coisas muito calminhas, você gostava de sentir a pegada dos homens na cama.

Logo ele estava te beijando e as mãos dele estavam em seu jaleco, que foi aberto brutalmente por ele, ele não se importava com nada, queria apenas te deixar nua logo.

- Você é tão gostosa Doutora – ele disse e logo tirou a sua blusa.

Você estava apenas de sutiã e calça em cima da mesa do diretor do hospital e um dos médicos mais gostosos que você já havia visto. Ele estava com seu costumeiro jaleco branco e por baixo dele, usava uma camisa social branca e uma calça social preta, o que ele não sabia era que ver ele todo dia com aquela roupa social te deixava louca.

Logo ele já estava apenas com a calça social e você estava sem sua calça, apenas de sutiã e calcinha. Ele mandou você ajoelhar na frente dele e disse:

- Agora eu quero ver do que você é capaz de fazer – ele disse e abriu a calça e abaixando a cueca, livrando seu membro daquela peça que incomodava vocês dois.

Você pegou o membro dele com uma das mãos e começou a masturbá-lo. Ele jogou a cabeça pra trás e agarrou seus cabelos.

- Se com a mão é assim, imagina com a boca – ele disse – Chupa meu pau (S/N), chupa – ele disse te olhando com aqueles olhos verdes hipnotizantes e você logo o obedeceu.

Começou passando a língua na glande do pênis dele e logo passou a língua por toda a extensão do membro dele.

- Caralho (S/N), que boca gostosa. Chupa, vai – ele dizia e empurrava sua cabeça contra o abdômen dele, te fazendo engasgar algumas vezes.

Você chupava com vontade o pênis dele e ele estava cada vez mais louco, ele é quem ditava o ritmo das coisas, ele puxava seu cabelo de vez em quando, te deixando ainda mais louca.

- Ajoelhada enquanto chupa meu pau sua safada? Dentro do hospital, mas é muito safada mesmo né? – ele dizia com a respiração ofegante.

Depois de um tempo ele estava quase gozando quando te pegou pelo braço e te mandou sentar-se à mesa com as pernas abertas de frente pra ele. Você logicamente obedeceu imediatamente.

- Agora vou te comer sua safada – ele disse e pegou um preservativo do bolso da calça.

Ele colocou em seu membro completamente ereto e rígido e se posicionou entre suas pernas.

- Vai logo com isso antes que eu enlouqueça de vez – você disse ofegante, devido aos beijos que ele te dava.

 - Tá doida pra dar pra mim né vadia? – ele perguntou dando um tapa em seu rosto.

- Queria comer uma das médicas do seu hospital Doutor? Então faz isso direito – você disse o provocando.

- Quanto mais você me provoca mais me deixa com vontade de te foder inteirinha – ele disse e roçou a cabeça de seu membro na entrada de sua vagina.

- É? E está esperando o que pra me foder? Anda logo com isso – você disse desesperada pra sentir ele dentro de você.

- Você é uma vagabunda mesmo né? Esse tempo todo estava louca pra dar pra mim e se fazia de difícil, mas agora você vai aprender a não me provocar – ele disse e te penetrou profundamente, te fazendo dar um grito.

- Isso, grita pra todo mundo saber que eu estou te comendo em cima da minha mesa – ele disse te penetrando forte – Grita vadia.

- Vai Doutor, me come – você implorava por ele.

Suas pernas circularam a cintura dele e você empurrava seu quadril de encontro com o pênis dele, querendo ainda mais contato.

- Vadia, vou te fazer ter o melhor orgasmo da sua vida – ele dizia e te penetrava ainda mais fundo – A médica recatada agora está dando mim. O que vão pensar de você doutora? – ele disse enquanto você gemia um pouco alto demais, mas ele sempre abafava os gemidos com beijos.

- Foda-se o que vão pensar de mim, só me come seu vagabundo – você disse enlouquecendo com aquilo tudo.

- Vou te comer, vou te comer inteirinha sua puta gostosa – ele disse e você o sentiu atingir seu ponto G.

Deu um gemido alto e ele não se preocupou em conte-lo. Suas mãos foram parar nas costas dele e você arranhava sem dó, com certeza sangraria, mas o que importava agora era só o que estava acontecendo entre vocês naquele momento.

- Ai caralho, mete porra – você dizia descontrolada – Eu vou gozar – você disse sentindo o orgasmo chegar.

- Goza então, goza pra mim vai – ele disse e você fechou os olhos enquanto ele te penetrava mais rápido do que antes.

- Vai seu filho da puta, mete em mim caralho – você disse e logo em seguida sentiu o orgasmo atingir seu corpo.

Ele deu mais algumas estocadas e logo gozou também.

- Essa foi a melhor transa da minha vida – ele disse caindo com o corpo sobre o seu.

- É, você realmente sabe satisfazer uma mulher – você disse e ele saiu de cima de você.

- Eu adoraria te fazer enlouquecer ainda mais, mas dessa vez te quero na minha cama – ele disse e te deu um beijo pra acabar ainda mais com o seu fôlego.

- Uma proposta tentadora Doutor, acho que posso pensar no seu caso – você disse levantando da mesa e vestindo suas roupas.

- Você é mesmo uma vadia, vou te comer mais vezes do que pensa safada – ele disse terminando de vestir a camisa e te dando um tapa na bunda.

- Ah é? Vou adorar te ver em ação novamente – você disse e ajeitou seu cabelo antes de destrancar a porta e verificar se tinha alguém no corredor.

Era final de plantão, então não tinham muitos médicos por ali e por sorte a sala do Doutor Styles era no final de um corredor que quase ninguém andava, então isso era bom, pois assim ninguém desconfiaria do que tinha acontecido ali.

Mas, de uma coisa você tinha certeza. Doutor Styles era o melhor médico e homem que você já havia transado.

" Tá com ciúmes? " " Não " " Tem certeza? " " Aham " " Vc parece com ciúmes " " SUA AMIGUINHA PARECE UMA VADIA, MAS MESMO ASSIM EU NÃO FICO FALANDO "