um grande idiota

Sei que você acha que fui embora porque eu não te amava, mas você está errada. Eu sempre te amei, desde o momento em que coloquei os olhos em você […] Passei tanto tempo acreditando que tinha recebido o que merecia quando as pessoas me deixavam que não parei para pensar que recebi o que merecia quando te encontrei. Não consegui ver que, se eu parasse de ser um grande idiota inseguro por cinco minutos, daí talvez… só talvez… eu conseguisse ficar com você.
Quero ficar com você.
Você precisa de mim tanto quanto eu preciso de você. Estamos ambos vazios um sem o outro. E levei muito tempo para perceber isso.
—  Meu Romeu.
Você é um otário, um babaca, um grande idiota. Sabia que você me tinha nas suas mãos? Eu sei que sabia, e é por isso que me mandou ir embora, né? Porque eu sei bem que ninguém gosta de alguém que tem fácil demais, ninguém quer assumir a responsabilidade de cuidar de ninguém, e foi por isso que você me deixou escorrer por entre seus dedos, como se eu fosse água,como se eu fosse pó, como se eu fosse nada. Sabia que você me fez quebrar todas as promessas que eu havia feito de nunca mais me apaixonar por ninguém? Eu prometi que jamais deixaria outra pessoa me machucar e me atingir desse jeito, eu prometi que não me permitiria chorar por ninguém, mas olha eu aqui, eu estou aos cacos. Eu demorei tanto tempo pra juntar cada pedacinho, eu procurei por mim mesma em todas as valas possíveis do universo, eu achei e juntei cada pedacinho que estava perdido e jogado por aí, eu me tornei inteira outra vez, mas só precisou de um sopro seu pra tudo desmoronar outra vez. Mais um erro, mais uma tragédia, eu não sei como me consertar outra vez, eu não sei quando vou ter forças para ir atrás de mim de novo. Mas a vida vai seguir, e eu sei que vou me levantar outra vez, e dessa vez muito mais forte e muito mais fria, e quando eu sair por aí na esperança de me encontrar em algum lugar, vou esquecer de trazer meu coração, vou deixa-lo perdido nas valas do universo, e aí não terei que me preocupar nunca mais em ter um coração partido outra vez.
—  Olha o que você fez, você quebrou a garota cara.
Como construir uma narrativa masculina

Muitas garotas têm dificuldade em descrever uma cena no ponto de vista de um cara, principalmente quando a narrativa é na primeira pessoa. Isso não é diferente quando se trata do público masculino com a narrativa feminina. Esta matéria não tem como objetivo criar uma personalidade fixa para um homem, pelo contrário, quero que vocês, leitoras, abram suas mentes para as diversas possibilidades que há por aí e quebrar os estereótipos mais comuns em fanfics e originais postados na internet. Afinal, ninguém é igual a ninguém, e isso vale tanto para as mulheres quanto para os homens.

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Sei que você acha que fui embora porque eu não te amava, mas você está errada. Eu sempre te amei, desde o momento em que coloquei os olhos em você […] Passei tanto tempo acreditando que tinha recebido o que merecia quando as pessoas me deixavam que não parei para pensar que recebi o que merecia quando te encontrei. Não consegui ver que, se eu parasse de ser um grande idiota inseguro por cinco minutos, daí talvez… só talvez… eu conseguisse ficar com você.
Quero ficar com você.
Você precisa de mim tanto quanto eu preciso de você. Estamos ambos vazios um sem o outro. E levei muito tempo para perceber isso.

Meu Romeu.

anonymous asked:

O que fazer quando você gosta do seu amigo, daí você fica com um cara, esse seu amigo fica puto e diz que gosta de você, mas não tem mais esperanças pq você ficou com um cara achando que o que você sentia pelo seu amigo não passava de coisas bobas da sua cabeça?

Seu “amigo” é um grande idiota .
Agora ele deveria trabalhar num Circo pq pelas coisas que você falou ele gosta mesmo é de palhaçada .
Ele não tem que ficar Puto até pq ele não tem nada contigo , se ele gostasse mesmo de você ele lutaria por você não ficaria procurando palhaçada pq você ficou com outro cara , ava ainda bem que dessas não acontece comigo pq na real se é comigo eu mando logo se f#*@€ , Grr 😒

— Mas amar não é isso também?
— O que?
— Dividir até a dor?
— E com quem devo compartilhá-la? Eu sempre estive sozinho..
— Comigo, você é idiota? Eu estou aqui com você.
— Talvez eu seja um grande idiota, mas eu tenho sentimentos..
— É o que parece.. Vai me contar o porquê de estar assim? 
— … Ahhh.. ahh.. não posso dizer, eu não posso.. não consigo..
— Desse jeito, eu não vou conseguir te entender.
— Eu sei, mas.. é só que…
— O que?
— Eu tenho medo, medo de que tudo dê errado novamente..
— E o que é esse “errado”?
— Todos que chegaram à mim, acabaram saindo pela porta…
— Eu sou mais dramática, entro pela janela, não se preocupe.
—  Guilherme Teruel - A Primavera de Abril.
Você é o maior idiota que eu conheço. Um completo babaca para ser bem sincera, mas algo em você é tão penetrante que me atrai. Você tem a minha atenção como nenhum desses moleques tem. Sou meio desleixada com essas coisas, quando eu acabo gostando simplesmente fujo por medo de acabar despedaçada, porque eu posso ter a maior sorte no jogo, mas no amor… não tenho nenhuma. Você me deixa leve, você me deixa feliz com a vida com apenas um olhar, com apenas um “oh meu amor”. Sei que todo mundo fala que não devemos nos entregar de mão beijada para nenhum cara, mas você me tem de mão beijada mesmo eu não dizendo. Todos já perceberam que você muda ao meu lado, que apenas nós dois nos conhecemos verdadeiramente. O seu sorriso é o mais lindo e sua boca parece que foi desenhada para ser perfeitamente encaixada na minha. Devo admitir que eu sou e sempre vou ser completamente e loucamente apaixonada por você, por cada detalhe seu, por cada sorriso, por cada olhar, por suas mãos, por seus braços, por cada molécula sua eu sou apaixonada. Por mais que minha boca diga não, meu corpo se manifesta te desejando. Já disse que eu sei que você um grande idiota, mas um grande idiota que conseguiu me ganhar com esse papo furado, com essas cantadas bestas e com esse seu jeito sem jeito que me encanta. Agora larga de bobeira e me beija que mesmo eu sabendo que to errando em te querer, ainda sei que você é o melhor acerto para o meu coração.
—   Marcela Baldez.
Eu não queria sofrer e nem fazer você sofrer, eu só queria paz quando tudo era guerra, eu só queria luz nos dias cinzentos, mas eu fui um grande idiota e deixei tudo ir embora, eu deixei você ir embora. Eu queria deixar claro que se algum dia você quiser voltar, eu estarei lá esperando, de braços abertos, de coração aberto, pronto pra te amar de novo, pronto pra tentar te fazer feliz novamente.
—  Gabriel Almeida.
Como se ficar sem pessoas fosse algo solitário

Ridículos.
Quem disse que a ausência das pessoas nos tornam sozinhos? Um grande idiota que não sabia desfrutar de sua própria companhia. Que nunca nos enganemos que presenças preenchem vazios, mas que nunca nos conformemos de que sozinhos o tempo todo, somos melhores. Temos nós, tendo isso, temos tudo. Não devemos dedicar importância menor para o caso de que poucos sabem sobre a nossa vida, ganhos e perdas… Ou até mesmo sobre a nossa existência; assim as traições são menores… Essas que nascem de fofocas, quando nos esquecemos que tudo que os outros sabem, é porque contamos pra alguém (mesmo sendo esta a mais confiável, aparentemente). Tudo é menos arriscado quando se tem menos pessoas por perto, mas tudo torna-se pacato quando não sabemos fazer disto um tempo de conhecimento, tempo para descobrir como lidar com um grande tesouro, o nosso “eu”.
— Prefira Borboletas

Simulei uma ligação para ti. 
Alô? É… Eu gostaria de falar algo, por favor, só me ouve, não sei quando terei esses minutos de coragem novamente… Eu sei que é tarde e sei que me pediu para apagar o seu número. Não sei se estava dormindo ou estava na sua cama com outro alguém. Se a segunda alternativa for positiva, diga que foi engano. Eu só queria dizer que estou arrependido, por tudo. Pelos gritos, pelas acusações, pelo pedido de término. Eu reconheço que, quando quero, eu consigo ser um grande idiota. E reconheço, também, que não sou bom suficiente para te fazer ficar, por isso fingi tão bem não me importar com a sua ida… Por favor, não desliga, só um minuto… Talvez, agora, você esteja me achando mais imbecil ainda por te ligar depois de falar tudo aquilo que te magoou, mas confesso que fui fraco. Meus amigos me disseram que te ligar seria mais um sinal de fraqueza, mas só os céus sabem de onde arranquei forças para discar teu número sem saber o que me esperava do outro lado da linha. Mas agora estou aqui, estou te falando o que sinto e o quão arrependido estou. Não encare essa ligação como um pedido para voltar, apenas um pedido de desculpa. Um sincero pedido de desculpa. Eu assumo totalmente o meu erro. Fale o que quiser de mim, eu assino em baixo e aceito calado o meu direito de permanecer calado. Só não tente calar o meu coração que pulsa ao ouvir na rua o quanto você está bem. O quanto você está melhor sem mim. Porque, sem você, eu só me arruíno mais e mais… Só para terminar: não importa o que sua ausência destrua em meu peito, o amor e a saudade continuarão intactas. E, mais uma vez, me desculpa por tudo… 
Apertei o botão desligar e chorei ouvindo o eco do número não discado.
—  Jadson Lemos. 
Não se sinta digno das minhas lágrimas, de estar em meus pensamentos e minhas lembranças, não se sinta por ser meu aperto no peito e as borboletas no meu estômago, só se sinta um idiota, um grande e completo idiota. É nisso que preciso acreditar.
—  Clara Brandão
Oi, estou escrevendo para você só para dizer que ainda não te esqueci, que ainda não superei meu amor por você. Te acho um grande idiota, isso é verdade, mas eu sou ainda mais, porque sempre sorrio ao me lembrar de você, e, ás vezes, me pego imaginando você voltando pra mim, dizendo que sentiu minha falta e que percebeu que ninguém pode ocupar meu lugar.
  É assim que me sinto em relação à você, ninguém pode ocupar seu lugar, ninguém pode preencher o vazio que você deixou em mim, por isso, e por te amar, eu queria que você voltasse, queria que soubesse que eu te amo, que não existe ninguém como você, queria sentir seus braços me protegendo de novo, queria ouvir você dizer que me ama outra vez… queria ter coragem para te enviar isso, para te falar sobre como me sinto. Queria você comigo e mais nada.
Não tenho lembranças boas para contar sobre minha adolescência. Não tive um amor para quebra meu coração. Não fiz loucuras. Não bebi. Não fumei. Não fiz sexo. Não fui a festas escondido dos meus pai. Eu fiz tudo certinho… Eu era infeliz demais para ir a festas, me odiava demais para amar alguém. Estranho demais para ter amigos… Eu fui um grande idiota… Enquanto a maioria dos jovens estavam trasando em algum beco daquela madrugada eu estava me perguntando se valia realmente a pena viver… Pensando bem, nem tenho nada a perder… Estraguei tudo.
—  22.06.2014
Eu não sei o que está acontecendo comigo. Eu não sei se devo te esquecer ou se devo te agarrar e te dar um beijo. É tudo tão confuso. Uma hora você dizia que me amava, dizia que eu era o cara que você precisava para a vida inteira, mas agora, você nem faz o favor de olhar para mim, sempre arranja desculpas só para não falar comigo. Talvez eu fui um grande idiota por ter confiado demais no seu tal “amor”. Talvez você só me queria para ter uma diversão, tirar essa carência que você sentia. Ou talvez você gostava de mim, talvez o que você sentia era amor. Viu o que você faz? Está me deixando confuso. Eu não consigo pensar.
—  Obrigado por fuder o meu psicológico
Capitulo 40 - FINK (Feelings I Never Know)

Chris’s POV

Apenas um telefonema de Celo bastou para eu compreender a situação em que estava. Eu tinha que pagar tudo em menos de três meses, e eu só tinha esse tempo porque a ideia de Clara deu certo e as crianças conseguiram um bom dinheiro, convencendo Celo a me dar mais tempo.

Por falar em Clara, eu ainda não tive tempo para organizar meus pensamentos. A ideia de Clara, tão pura e ingênua se envolvendo com a minha irmã parece tão grotesca que me convenço a acreditar que é mentira.

Quando soube fiquei desolado, busquei consolo nas drogas e nas crianças, minha Clara tinha se apaixonado pela minha irmã, a vadia da Vanessa sempre consegue a garota. Mas com o passar dos dias, tudo fez sentido, o medo de Clara de ficar perto de mim, as mensagens de Vanessa que sempre tomavam sua atenção, o convite recusado para o baile, as faltas na faculdade, tudo estava ligado e eu fui um grande idiota por não desconfiar.

Tudo que eu queria agora era dar um tiro em Vanessa, mas eu não podia, porque se tinha alguém que estava impedindo Celo de tentar algo contra minha pequena, era ela. Ele sabia que Clara era importante pra ela, tão quanto como pra mim, por isso não tinha feito nada.

Ainda.

Eu tenho que tirar essa história a limpo, e manter Clara em casa, segura e em companhia de alguém, ela não pode ficar sozinha em hipótese alguma, eu não iria deixar nada acontecer com ela, nem que eu tivesse que morrer por ela.

Estacionei minha moto em frente ao hotel e coloquei o capuz sobre a cabeça na tentativa de não chamar atenção de nenhum funcionário que me conheça. Passei a mão pelo rosto ao passar pela porta giratória e de cabeça baixa me dirigi até o elevador

– Com licença senhor, o que deseja? - uma mão em meu ombro impediu que eu entrasse no elevador e eu me xinguei mil vezes por ser tão burro ao ponto de achar que ninguém iria desconfiar de um garoto de capuz no saguão de um hotel cinco estrelas.

– Sou eu, Chris - tirei o capuz e Jack me fitou surpreso

– Desculpe senhor Mesquita, mas o senhor também não tem autorização para entrar aqui - fitei-o curioso, ótimo, meu pai me proibiu de entrar em seu próprio hotel, isso que é família unida

– Eu só preciso de meia hora com a Clara, por favor, pode me monitorar pelas câmeras, eu vou pro oitavo e desço em no máximo meia hora

– Eu não sei, eu não sou autorizado - ele disse receoso passando a mão pelo rosto

– Por favor, sou eu, Chris, não vou fazer nada demais eu juro, só preciso falar com ela

– Eu..

– Meia hora - eu o interrompi – Se você marcar meia hora e eu não tiver descido, você pode avisar pro meu pai que eu subi sem sua autorização

– Tudo bem - ele finalmente cedeu e eu sorri grato – Meia hora, contando de a partir de agora - ele soltou meu ombro e eu entrei no elevador que rapidamente me levou para o oitavo andar

Sacudi a cabeça antes de bater na porta do quarto e ajeitei o casaco, tentando parecer mais apresentável. Em menos de dois minutos a porta foi aberta e Clara arregalou os olhos numa cara surpresa

– O que você está fazendo aqui? - perguntou um tanto quanto assustada

– Tenho que conversar com você - entrei no quarto sem ao menos pedir permissão e ela se sentou na bancada me olhando receosa – Porque não me contou que está com a minha irmã? - ela soltou um longo suspiro antes de responder

– Como você ficou sabendo disso? - ela perguntou como se estivesse cansada do assunto

– Eu só fiquei sabendo, mas isso não importa, porque não me contou? - perguntei impaciente dando voltas pela sala do quarto de hotel

– Decidimos não contar pra ninguém e isso não importa mais porque não estamos mais juntas

– Como assim não estão mais juntas?

– Eu contei pra ela sobre a ONG, sobre as vezes que passei a tarde lá, contigo, e ela não gostou, eu menti pra ela e isso quebrou a confiança que ela tinha em mim - percebi que ela falava tudo com muita relutância como se a cada palavra ela engolisse um quilo de terra – Ela terminou comigo já faz duas semanas

– Eu não sabia de nada

– Sinal que estávamos fazendo direito - ela disse seca e eu sorri fraco

– Eu não queria isso pra você - disse me aproximando acariciando seu rosto, ela fechou os olhos e respirou fundo mas logo se afastou

– Mas eu quis, e faria tudo novamente, menos decepcioná-la

– Tá dizendo que se arrepende de ter ido comigo pra ONG? De ter feito tudo o que fez?

– Pra quem sabe ler, um pingo é uma letra

– O que você tá fazendo aqui? - Wesley entrou de braços cruzados e o cenho franzido

– Eu só vim conversar, relaxa

– Relaxa é o caralho, vai embora - ele esbravejou ficando completamente vermelho e eu abaixei a cabeça vendo Clara sorrir grata pela presença dele

Então é assim? Tudo bem, eu vou embora.

– Wesley, sei que não quer me ouvir, mas não deixa ela sozinha, não deixa ela sair sozinha

– E você acha que eu tô aqui pra que? agora vaza - ele disse escancarando a porta para que eu passasse

Bufei e segui pelo corredor até a porta do elevador, em menos de cinco minutos eu estava no saguão sob o olhar acolhedor de Jack que deve ter visto Wesley chegando por uma das câmeras

– Sinto muito pela sua garota - franzi o cenho confuso, do que ele estava falando? – Faz um tempo que esse Stromberg fica por aí, eles estão passando a maior parte do tempo juntos - ele fez gestos com a mão e eu sorri fraco, ele achava que eu havia perdido Clara pro Wesley

– É, eu também sinto, deixa pra lá - ele me lançou um olhar cúmplice e eu fui andando até a portaria do hotel

Respirei fundo o ar pesado da maresia e me senti aliviado por saber que sozinha ela não estava e que tinha companhia o tempo todo.

Segui andando até minha moto quando vejo um vulto rápido e sinto a gola de minha camisa ser apertada e o forte impacto de minhas costas com a parede, mas o sol me impedia de ver o rosto da pessoa. Grunhi de dor.

– Porque estão seguindo a Clara? -a voz rouca de minha irmã me atingiu em cheio

– Quem está seguindo a Clara? Do que você está falando? - ela puxou mais a gola da minha camisa forçando-me a encarar a praia

– Aqueles caras ali - ela disse baixo se referindo a alguns garotos sentados em bancos de areia, eles estavam de tocaia, olhando o hotel toda hora – Quando ela sai, eles também saem, e quando ela fica, eles não arredam o pé dali

– Eu não sei do que você está falando, para de ser paranoica - disse nervoso e ela riu sarcástica

– Eu não sei quem você está devendo mas ela não tem nada a ver com isso, você dá seu jeito de tirar esses otários da cola dela, porque se alguma coisa acontecer com ela, eu não respondo por mim - ela me apertou mais contra a parede fazendo com que minhas costas se chocassem com força fora do normal no muro de concreto.

Desde quando ela era forte assim? Será que ficar com garotas deixou ela com força de homem?

– Porque está tão preocupada se você terminou com ela? - disse com dificuldade e ela me largou bruscamente

-Do que você está falando? - ela falou entre dentes e estreitou os olhos

– Eu sei de tudo, e sei que você terminou com ela e agora ela está lá em cima chorando as pitangas desde que você fez isso

– Você não tem direito de opinar sobre isso - ela me encarou fria e disse secamente

– Você a magoou e agora quer opinar na segurança dela? - disse num só fôlego e ela me empurrou contra a parede novamente fazendo-me soltar um grunhido de dor, o que a fez sorrir fraco

– Eu sou Vanessa Mesquita e eu opino no que eu quiser, quando eu quiser e vou falar só mais uma vez, some com esses caras de perto dela antes que eu mande sumir com você - ela disse franzindo o cenho e saiu andando sem olhar pra trás

************************

(Pov Clara)

Entrei em minha sala e todos os olhares se voltaram para mim e o Sr. Pats meu velho professor de estatísticas arregalou os grandes olhos castanhos ao me ver.

Merda.

– Senhorita Aguilar, cheguei a pensar que tinha saído da faculdade

– Eu precisei me ausentar por alguns problemas pessoais - ele olhou para a classe e acenou com a cabeça para que eu me retirasse da sala, vindo atrás de mim logo em seguida e eu não estava entendendo porra nenhuma

– Clara, você perdeu alguns exames essa semana e ficou em pendência em uma matéria, na minha matéria, e eu sinto muito mas não poderá voltar para a turma enquanto não recuperar os pontos

– O quê? - eu o fitei incrédula – Como assim?

– Você precisa de sete pontos em uma semana

– E como eu faço isso? Professor, eu não posso perder essa matrícula, eu teria que voltar para o México - ele coçou a barba grisalha e me olhou com certa relutância

– Isso não é certo, mas como você é uma aluna esforçada, tudo bem - disse passando as mãos pelo jaleco e tirando um envelope – Aqui está uma lista de exercícios e no final uma proposta de relatório, tudo junto vale exatamente sete pontos, você tem dois dias para me entregar os exercícios e uma semana para fazer o relatório

– E como eu vou fazer isso se eu não entendo a matéria? - ele olhou para os lados receoso verificando se alguém passava pelo corredor

– O pessoal que está no sexto período em relações internacionais tem aulas de estatísticas também, as estatísticas deles são muito mais profundas do que a de psicologia, então isso aqui pra eles é fichinha, eu vou te dar autorização para mudar de prédio por uma semana e arrumar um tutor em uma turma de sexto período, daqui a uma semana quero isso na minha mão, se você não tiver gabaritado, sinto muito - ele me entregou o envelope e eu assenti entendendo a mensagem, ele estava me deixando trapacear, não era permitido mudar de prédio sem mudar de curso, mas ele queria me ajudar. Abri um sorriso grato e ele assentiu antes de entrar na sala.

Praticamente voei em direção ao prédio ao lado, em passos largos eu atravessei a distância em no máximo três minutos. Parei na portaria com uma grande cara de songa monga fitando o prédio. Eu ia bater de sala em sala perguntando em que período aquela turma estava? Soltei um alto grunhido de frustração e mordi os lábios com força tentando pensar em alguma coisa.

Foi então que uma luz brilhou na minha cabeça, obrigada meu Jesus maravilhoso.

Lembrei de uma vez na ONG, onde Chris me mostrou suas apostilas da faculdade, sexto período, e se ele era da mesma classe que Vanessa, ela também era.

Isso está me saindo melhor do que eu pensava.

*************************

(Pov Vanessa)

Sempre fui a pessoa menos estudiosa da face da terra mas desde que terminei com Clara eu precisava de algo para encher minha mente e como eu não quis saber de festas ou outras garotas, só me sobrou os livros.

A Srta Mendes saiu de sala deixando-nos com uma grande lista de exercícios que eu terminei em menos de dez minutos, era incrível como toda a matéria passou a fazer sentido pra mim.

Abaixei a cabeça e escondi o rosto em meus braços, era um saco sentar sozinha. Agora Normani sentava com o Arin CDF, acho que ele tinha mais paciência pra explicar do que eu.

Rapidamente fiquei imersa em pensamentos, principalmente no estranho ocorrido de hoje de manhã, recebi uma estranha mensagem do meu querido irmão que dizia precisamente para eu ficar o mais próximo de Clara que eu conseguisse, para o bem dela. Óbvio que isso me fez rir até meus olhos lacrimejarem, mas depois de um tempo eu fiquei com isso preso na mente, porque ele mandou isso pra mim se ele já sabia de tudo?

Ouvi um barulho e senti um leve empurrão como se alguém tivesse se sentado na cadeira vazia ao meu lado. Ótimo, algum infeliz veio me pedir as respostas do trabalho. Levantei meu rosto com relutância, e quem me dera que fosse alguém me pedindo resposta, fosse Clara.

– Que diabos você está fazendo aqui, garota? - perguntei seca e ela abriu um pequeno sorriso tímido. Que saudades daquele sorriso.

– Mudança de prédio por uma semana - ela arrastou um envelope até a minha mesa onde havia um recado de seu professor de estatísticas no verso, e com um prendedor de papel, um pequeno papel que autorizava a mudança de prédio temporária

– Tecnicamente você não respondeu a minha pergunta

– Repeti em estatísticas mas meu professor me deu uma chance e disse que eu tenho uma semana para devolver isso aqui completamente feito - ela retirou uma grossa apostila do envelope e eu a folheei, mais de cinquenta exercícios discursivos – No total, tudo vale sete pontos que são a quantidade exata de pontos que eu fiquei em pendência, ele me mandou conseguir um tutor - ela falava devagar pois prestava atenção na minha folha de exercícios sobre a mesa

– Boa sorte para conseguir um - debrucei sobre a mesa com intuito de levantar mas ela prendeu meu braço fazendo-me sentar novamente

– Já encontrei - ela abriu outro largo sorriso e eu estava me perguntando porque ela estava sendo tão doce e educada se eu estava sendo um poço de ignorância, não só com ela, mas com todo mundo

– Tá me pedindo ajuda na matéria? - ela assentiu com um olhar manhoso, eu conhecia bem aquela cara – Desculpa cara, mas eu não consigo nem ajudar a Mani que estuda essa matéria comigo, imagina você que tem estatísticas diferentes

– Vanessa - ela me lançou um olhar pidão e eu fechei os olhos xingando mentalmente, estava prestes a dizer não e sair da minha mesa mas lembrei da porra da mensagem de Chris, aquilo não fazia sentido mas eu não ia abusar da sorte.

Bufei e passei as mãos pelo rosto por um longo tempo antes de soltar um alto suspiro

– Tá - disse simplesmente e ela soltou um grunhido de empolgação

Abri a grossa apostila enquanto mordia um lápis lendo atentamente a primeira questão

– Clara, você tentou fazer isso antes de me pedir ajuda? - ela negou com a cabeça e eu revirei os olhos, claro que ela não tinha tentado - Leia a primeira pergunta - ela assentiu e leu – Agora me diga onze aplicações das estatísticas, lembrando que existem milhares, ele só quer onze

– Experimentação zootécnica, medicina, eleições, indústrias, pesquisas, experimentação agrícola - ela mordeu os lábios indicando que não lembrava as outras e eu ri fraco

– Mercado de valores, crédito, telecomunicações, meteorologia e IBGE - disse rápido e ela assentiu

– Eu ia dizer todas essas também

– Claro que ia - ela passou a resposta a limpo e voltamos para a segunda questão

O sinal bateu indicando o intervalo e já estávamos na quarta página de exercícios. Clara não compreendia uma linha sequer da matéria, então eu tinha que explicá-la para depois auxiliá-la com uma resposta coerente

– Se importa de passar o intervalo aqui? - ela perguntou com medo da minha resposta

– Acho melhor irmos lá pra casa, você não vai pra aula mesmo e eu não tenho nada demais, lá é mais tranquilo pra te explicar - disse e ela abriu um largo sorriso assentindo

******************

(Pov Clara)

Foi o momento mais tenso de toda a minha vida. O elevador do prédio de Vanessa não se move, se arrasta feito uma lesma e ela mora no vigésimo terceiro andar, ficamos todo esse tempo olhando pro chão ou uma para a cara da outra sem dizer uma única palavra. Isso estava me irritando profundamente.

– Uh - ela pigarreou antes de abrir a porta – Não repara a bagunça, eu ando estudando demais, meio sem tempo - ela disse abrindo a porta e minha boca se abriu em um perfeito “o” quando reparei no estado do apartamento.

Vanessa era uma das pessoas mais organizadas da face da Terra, arrumava suas roupas por cor e seu apartamento era um declínio da perfeição, tudo na mais perfeita ordem mas agora ele estava de pernas para o ar. Boi rolava no sofá no meio do edredom de Vanessa, o que indica que ela está dormindo por ali, vários filmes infantis jogados no chão como Monstros S.A, Toy Story, Valente, Wall-E, alguns cadernos pelo chão e dezenas de livros na bancada da cozinha.

– O que aconteceu aqui? - perguntei incrédula e ela soltou uma risada fraca

– Estudos e mais estudos - entrei passo por passo no apartamento e caminhei até o sofá fazendo carinho na barriga do Boi

– Eu não sabia que você estudava Monstros S.A. - disse debochada enquanto ela carregava alguns livros para a estante no fundo do apartamento

– Ando estudando a Teoria Pixar, pra passar o tempo, é muito interessante

Vanessa ficou algum tempo ajeitando o apartamento enquanto eu fiquei escorada na parede de vidro, olhando a cidade e tentando afastar as lembranças que vinham quando eu olhava para qualquer canto do apartamento, todos os nossos melhores momentos foram ali.

– Acho que já da pra estudarmos - ela sentou na banquinho da bancada agora livre e me chamou

Pela parede de vidro eu via a cidade escurecer e eu ainda estava ali com ela, que pacientemente me explicava toda a matéria. Pra falar a verdade eu já estava de saco cheio e não conseguia prestar atenção em uma só palavra. Estávamos as duas debruçadas sobre a mesa, ela estava quase com a cara enfiada na apostila palestrando sobre a questão. Meus olhos estavam presos nos seus lábios rosados e carnudos que se moviam pacientemente falando sobre a questão, mas eu não escutava uma palavra. Eu encarava cada traço de seu rosto e sentia meu peito apertar sem nenhum motivo, desci meus olhos para seu pescoço e notei que o cordão que eu lhe dera ainda estava ali, o cordão da concha. Abri um sorriso involuntário ao saber que ela não tirou, então corri os olhos pelo apartamento voltando a reparar nas fotos, as nossas fotos ainda estavam ali.

Agora eu sorria feito uma idiota.

– Entendeu? - ela perguntou atenciosa levantando os olhos do livro e me encarando, um sorriso tímido se abriu em seu rosto automaticamente quando seus olhos se encontraram com os meus – Do que você está rindo?

– Eu..

– Você não entendeu né? - ela me interrompeu e eu assenti e ela continuou me encarando – Você não estava prestando atenção, certo?

– Certo - disse com uma cara triste e ela passou levemente a mão na minha bochecha, me fazendo fechar os olhos e deitar a cabeça em sua mão

Como eu sentia falta do seu toque

– O que foi, meu amor? - ela disse mas logo se repreendeu com um olhar severo para o chão – Desculpe

– Não precisa se desculpar, eu gosto assim, de estar perto, não houve nada, é só que.. - não completei a frase e ela assentiu com um olhar triste

– Eu sei como é

– Eu sinto sua falta - sussurrei e ela suspirou

– Vamos voltar pros livros, tá bom? Já está tarde, daqui a pouco você tem que ir embora - ela disse e eu assenti engolindo o enorme nó que se formou em minha garganta