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(Devaneios)

Você já pensou nos sentimentos do mundo? Nas constelações que residem em cada um de nós? Nas esperanças moídas do cético que atravessa a avenida sem sequer olhar os lados. O quanto doeu recordar os póstumos sonhos nascidos aos quinze e olhar o excesso de sensatez que o aguarda. Os sonhos de menina daquela senhora bondosa, o sorriso travesso que o ranzinza da rua de baixo perdeu em alguma curva. Você consegue olhar as casas no horizonte e não temer por todas as vidas que anseiam serem transformadas, e ainda assim ser capaz de pensar que há esperança em cada telha, escondida nas frestas, quase com medo de ser descoberta e tornar-se pó. As luzes acesas podem ser fios de esperança que aguardam o interfone tocar. A casa silencia, os cães caminham inquietos do lado de fora. Nada acontece, mas quem sabe do amanhã? A luz não se apaga nem ao amanhecer. 

G.

05/01/2015