trancafiadas

As histórias se perdem ao decorrer da nossa jornada. Tanta gente passa pela nossa vida, tantas coisas acontecem. São muitos os tropeços, mas também temos uma vasta coleção de vitórias. A cada novo amanhecer, temos a certeza de poder reescrever a nossa história e dar a ela um novo sentido. Talvez hoje não demos o devido valor aos nossos amigos e nem mesmo aos nossos pais, pela correria na qual temos nos encontrado ultimamente. A vida passa tão depressa que não somos capazes de observá-la com atenção. Hoje, infelizmente, o mundo do status e do poder têm nos mantido escravos das coisas supérfluas e sem sentido, da ilusão boba que o mundo tem nos passado. Crianças cada vez mais ausentes de sentimentos, trancafiadas dentro de suas casas com os seus aparelhos eletrônicos, egoístas. Jovens com pensamentos suicidas por não terem atenção dos chamados “crushs”, sentindo-se incapazes de ser alguém na vida por não terem o mais moderno dos celulares, tornando- se cada vez menos humanos. Estamos perdendo a essência da vida. Estamos enterrando o romantismo para dar vida as noites passageira. São tempos difíceis, onde não existe mais simplicidade e autenticidade, pessoas fogem da realidade para um mundo de ilusão. Onde a moda é: postar, curtir. Todo mundo quer aparecer, de frente, de perfil, sorrindo ou triste. Propagandeando a sua conquista por que encontrou o seu tal amor para mil vidas, satisfeito por exibir um status de “relacionamento sério” ou triste por que fulano te abandonou, enfim, todo mundo tem que gritar o que sente. E então você chega a conclusão que o mundo mudou e que ser #igualtodomundo não é pra você. E sente saudade, muita saudade do tempo em que as coisas eram reais, verdadeiras e simples.
—  Isabela Queiroz & Giulia S.
Eu guardo as minhas dores à sete chaves. Eu me escondo pra não demonstrar fraqueza. Eu choro baixinho na madrugada para ninguém me ouvir. Passo as horas dos dias trancafiada no quarto, tentando ter paz. Torno-me agressiva e descuidada. Eu me escondo, porque eu sofro.
—  Antônia, 1881.
  • Eu em Hogwarts: maS CHAPÉU SELETOR, EU NÃO SOU TROUXA EU SÓ PAREÇO TROUXA
  • eu em Divergente: Ah, então pra escolher minha facção, é só cortar a minha mão delicadam- HEMORRAGIA AQUI SOCORR *sem facção*
  • Eu no Acampamento Meio-Sangue: Galera, me deixa entrar já falei que não sou um monstro, é sÓ A MINHA CARA
  • Eu em jogos vorazes: *primeira a morrer, ninguém nem lembra meu nome*
  • Eu em delírio: *lendo um livro* AI MEU DEUS EU AMO ESSE PERSONAG- *levada por guardas e trancafiada* merda
  • Eu em the maze runner: *corro por dois metros* *desisto* *morro*
  • Eu em a seleção: *desculpe, não aceitamos criaturas que não são humanas, nasça novamente*

eu sou esse ser inconstante
constante
que se perde no próprio bairro no próprio corpo na própria mente na própria alma
eu sou esse ser que gosta de repetir palavras e dane-se
que tem medo de mudanças mas não consegue viver na rotina
que odeia incerteza e nunca tem certeza de nada
que berra mas é extremamente silenciosa
quieta
com a cara fechada
eu sou
impaciente
de poucos amigos de nenhum amigo
sozinha
eu não tenho para onde ir muito menos pra onde voltar
eu to presa
trancafiada
exilada
em mim

sereia de vidro

sou pássaro confinado nos medos.
anatomia fraturada ao meio, dividida em relutância e tormento.
sou a agonia de quem se espera o dia seguinte, 
movimentando os pés no chão e roendo as unhas.
um ideal de fraqueza e vulnerabilidade escondida por trás da redoma. de ferro.
lágrimas congeladas no temor da garganta, 
paz trancafiada no peito.
tenho em mim o mesmo que Júpiter, Saturno, Urano e Netuno possuem: gás. sou volúvel.
o alívio de quem passou despercebida e não sabe ser. fujo sabendo que aonde vou, me encontro. 
todos os caminhos a seguir me parecem difíceis, pois sofrer é sempre uma possibilidade.
fantasma do cotidiano. não me encontro nas casualidades.
sou feito mercúrio: fluído. 
incertezas da manhã, ansiedade da noite. pesa em mim a dor de outros.
eu já não mais sonho, durmo na realidade racionalista.
sou flor de plástico, guardada na gaveta de quem não sabe me notar.
sou fênix: morro em autocombustão e renasço na dor.
meu pesar pesa feito elefantes, tropeço e caio no abismo.
minha escada não tem fim, persisto e continuo sendo de vidro. 

“Não vou mais chorar”. Eu que havia prometido nunca mais fazer isto, mas agora estou aqui, jogada nesta cama, com a porta trancada, com o rosto inchado, os olhos vermelhos de tanto chorar… Viro noites e mais noites relembrando tudo que aconteceu e deixou de acontecer também. Eu tentei diversas vezes convencer-me de que eu iria te esquecer, que iria conseguir superar isso. Mais infelizmente não é fácil esquecer teus beijos, teu sorriso, teus abraços, não é fácil esquecer você, preciso admitir. Teu cheiro ainda me persegue, o vento ainda insiste em me trazer um pouco de você, olho em diversos rostos tentando encontrar o teu novamente, nem que seja apenas mais uma vez, eu fico a relembrar o som da sua voz, da tua risada tola, do jeito bobo quando estava com ciúmes. Prometi a mim mesma, diversas e diversas vezes que não iria mais chorar quando ligasse o rádio e ouvir a nossa musica tocar. Eu vou contra todas as promessas que fiz a mim mesma, mesmo assim nada vai me deixar esquecer dos momentos que passamos juntos. Lembro perfeitamente de quando te vi pela primeira vez, de quando ríamos juntos, quando falávamos nossas coisas sem sentidos, das piadas bobas que tu me contavas. Não vou esquecer-me das mensagens antes de dormir, das ligações de madrugada, das conversas sem fim e das promessas, promessas que por sua vez não foram cumpridas, promessas de um tal amor  - nunca soube se realmente existiu -  que iria durar pra sempre, mas que eu nem você fomos capazes de manter-la, principalmente a que mais prometeste… “Nosso amor vai ser eterno, eu prometo te minha pequena”, você se lembra dela? Todos os dias prometias isto, ainda não lembraste? É, realmente acho que esqueceu dela, percebi tua menor hesitação ao dizer – por mais que tua entoação de brincadeira tentasse disfarçar – que não lembrava mais de tal. Talvez não foi possível cumpri-la, porque as coisas tenham sido complicadas demais ou difíceis, eu entendo, nunca fui uma pessoa fácil de se lidar, não querendo me fazer de vitima, de a injustiçada, mas tu poderias ter insistido mais, não era tão complexo assim, enfim, digo-te hoje, que eu queria cumprir as tais promessas – pelo menos as minhas -  ou melhor, queria fazer com que aquele tal de “para sempre” durasse mais um pouco, mais um pouco a cada instante, um pouco mais a cada minuto, a cada hora, cada dia, sempre […] Meu problema é este, insistir, sempre fui eu o problema, se não me fiz esquecer-te, é porque sempre achei que tu voltarias, baterias em minha porta e tudo voltaria ao que era antes, que bobeira a minha, enfim, que seja eterno, mas um eterna como mais uma lembrança que tu tem lembras do nada e ri, e vê que te fez aprender, que seja só isso, que poupe-me lagrimas, pois não vou mais chorar […] Fernanda e Júlia (trancafiadas)

Querido Futuro Namorado

Então, acho que ando precisando de um clichê sabe, quero dizer, aquele clichê que a gente insiste em dizer que não é, e acaba sendo, como, quero que tu chegues por trás e comece a me fazer cócegas, quero que tu “disputes” comigo o controle, pois eu quero ver meu seriado e você futebol, quero que tu fiques roubando minhas batatinhas na lanchonete, quando as tuas acabarem, quero que quando eu estejas magoada, tu me puxes pela cintura e me fale das mais encantadoras palavras tentando fazer eu me desculpar, enquanto eu tento me soltar dos teus braços. Quero que tu me abraces tão forte até estalar minhas costas e eu ficar reclamando, quero que tu peças pra eu tirar meus saltos do meio do teu quarto, pois de manhã, tu havias machucado o pé ao pisar em um deles, quero que tu me ligues de madrugada só pra me contar uma piada ridícula que teu amigo bêbado te contou há pouco tempo, desejo que quando estejamos no tédio assistindo TV, você pegue o travesseiro e comecei uma ‘guerra’, desejo que quando eu estiver estudando e você ao meu lado, você pegue meu corretivo e comece a passar em mim e quando eu perceber, eu levantar brava e começarmos a nos lambuzar de corretivo enquanto gargalhamos alto. Quero que quanto eu estejas conversando com meu amigo no corredor do colégio, você chegue me abraçando, e eu olhar com “uma cara” para meu amigo, quero que quando estejamos andando até a  cozinha, meio abraçados e nos beijando e vejamos sua mãe e voltemos a ser pessoas mais santas e comportadas, quero que comecemos a ‘brigar’ pra ver quem vai ser o player 1 e você ficar em cima de mim tentando tirar da minha mão enquanto eu te mordo, quero que tu fiques me provocando dizendo que irão perder, quando o meu e o seu time estiverem jogando contra, quero que tu me supliques pra desligar o som quando a modinha do momento que você odeia, estiver tocando, quero que tu rias meio debochado da minha piada terrível,  que tu arrotes após ter bebido um refrigerante só pra me ver  te olhando com cara de “nojo”, te chamar de porco e logo após rirmos juntos, quero que eu jogues pipoca em ti e te chamar de idiota e bobo quando estivermos assistindo um filme de terror e você me der um susto na pior parte. Quero que me faças ouvir milhares de vezes as músicas que tu gostas, e eu tentar tira-la e tu colocar, e eu ficar com raiva, mas daqui a pouco até já começando a compartilhar esse gosto, quero que mande-me um sms atrás do outro me impedindo de dormir, chame minha atenção no msn se eu demorar para responder, e eu faça o mesmo contigo, só pra te provocar, que beijes minha testa antes de dormir. Quero poder chamar-te de meu. Pode ser clichê eu sei, mas será o nosso clichê e quero que isto baste. Fernanda e Mari (trancafiadas)

A Muralha

“Construímos muralhas por todos os lados 
para que o olhar não sofresse de imensidão”

— Tiago Fabris Rendelli

Ergueram uma muralha no horizonte
de nosso coração enraizado.
Por todos os lados
as pedras tapam
a imensidão furtada
de tuas raízes soníferas.
Onde estará a vastidão do mundo
já que tu és tão pequeno?
Tu és tu mesmo quando repousas
o peso da miséria na piedade de terceiros?
Tu és tu mesmo quando
persegues o crepúsculo de tua hora
numa ânsia nem do dia nem da noite?
Quando rodeias em dança
a cabeça do Batista
festejando o esquartejamento
dos santos no século?
Quando te vingas dos pássaros
que escrevem no céu
teu nome conjugado
com a morte?
Quando vais ao mercado
ofertar teu sexo de máquina por
bananas nanicas?
Quando beijas alguém não por paixão
mas para povoar, num desespero,
teu atiçado desejo miserável?
Tu és tu mesmo quando o sono
quebra teu dente
e numa fome de sonâmbulo
te empanturras das fatias lazarentas
de teu espírito moderno?
Tu és tu mesmo
quando te omites de ti?
Quando te afugentas da febre
que amanhece tua alma trancafiada?

[Fresta]
(Que paixões cantam os pássaros
para além desses muros?
De que brincam as crianças
que correm por essa vastidão?
Quais as novas cores
desse céu de aquarela?
Que desenhos rabiscam
as nuvens de lá?)

Ide! Eu sou a Dinamite
A dilacerar teus estreitos limites
A predar a pedra
que edifica tua ninharia
A lançar veredas
que te lavem os olhos.

Se Creres, hás de despertar
e levantar quando ouvires:
“— Lázaro, vem para fora”.

(Pedro Spigolon, “Espanto)

Permaneço sozinha dentro de mim, trancafiada a um isolamento sem solução. Desconheço as estrelas, desconheço o universo que me cerca. Eu apenas sei quem sou. E isso é desesperador, ser somente eu, e ninguém mais. Minhas ruas são becos sem saída, não tem como se encontrar. Só como se perder.
Olhe para o céu, acima de nós, estrelas brilham, anunciam com toda sua luz uma esperança? Um novo sonho que vem nascendo em mim? Talvez ambos. Estou tão confusa, dispersa, meus pensamentos não se conectam, se batem. Um conflito em mim. Deixo para lá, ou para cá?
“Cá” entre nós, isso é algo que não sei responder. Desculpa por sempre perder as respostas, por sempre me perder, por ter te perdido naquela rua de mim.
Quem sabe o fim, seja um novo começo. E as minhas ruas, sejam esse tal fim.
—  Loucura-me

“Eu não quero passar o resto da minha juventude trancada neste quarto, chorando por pessoas fúteis que não merece nem uma gota das minhas lágrimas. Não quero perder todas as oportunidade boas da minha vida por causa de babaquices da sociedade. Não quero e não posso. Eu preciso me reerguer, preciso parar de correr atrás de quem não me da nem um pouco de atenção, que diz que esta com saudade mas não da nem um passo pra me procurar. Preciso tratar as pessoas com indiferença, como elas me tratam. Preciso parar de me iludir com sorrisos, gestos, palavras. Ta na hora deu mostrar pra essas pessoas que não sou mais aquela garotinha ingênua de antes, que engolia piadinhas sobre mim ou sobre a minha aparência. Esta na hora delas verem que a garotinha cresceu, aprendeu a se lidar com falsidades e criancices… Que deixou de ser boba, que deixou mais ainda de se importar com o que dizem sobre ela, que aprendeu há não se levar mais pelas opiniões de alguém. Agora me sinto mais forte para encarar toda essa sociedade que me repreende, para encarar a todos que um dia me colocaram lá em baixo, que um dia me fizeram chorar, que um dia me disseram que eu nunca iria vencer, está bem mais que na hora de seguir em frente e deixar apenas isso no passado, esquecer essas decepções, magoas, tristezas, lembranças ruins, que me torturam, já chega, agora é tempo de descobrir coisas novas, conhecer pessoas novas, e sair dessa rotina monótona, quero coisas diferentes, quero que algo surpreendente aconteça na minha vida, quero seguir caminhos diferentes, quero viver uma nova experiência a cada dia […]” - Júlia feat. Gabriela (trancafiadas).

Por que deixaste assim? Criada para suportar a dor e traição, desde cedo, venho cumprindo meus deveres. Ausentei-me na aula sobre ser feliz?Desde quando você se foi, as coisas se tornaram mais tristes, menos coloridas. Pensei em virar artista, colorir o mundo outra vez. Mas para isso eu precisava de cores na minha vida, o que claramente perdera. Depois pensei que poderia desenhar em preto e branco, como muitos, em uma tentativa de descarregar meus pêsames. Mas não fazia sentido colocar mais tristeza no mundo, como se minhas lágrimas não bastassem. Pensei em ser atriz, quem sabe vivendo vidas alheias e criadas por especialistas pudesse ser menos doloroso. Não que eu tenha falhado, só achei que não valia a pena perder meu tempo vivendo outra vida. Aí pensei em dançar, mas só passou pela cabeça. Eu, justo eu, a garota de passos tortos e jeito desconcertado… Não. Pensei que poderia ser advogada, é. Funcionaria, sabe, sempre gostei de questões jurídicas, mas sempre tem aquela história de resolver antes o seu problema, depois os dos outros. E isso incluiria psicologia, também. (Na verdade, pensava era em me tratar em uma clínica, ou se internar em um hospício de vez) Mas aí, querido amor, eu decidi. Decidi fazer o que adoro. Ou odeio, na maioria das vezes. Decidi fazer aquilo que me faz sentir. Por mais doloroso que seja, me faz sentir você. Resolvi escrever porque assim resgato lembranças que tentavam escapar em dias de tensão e loucura. Procuro lembrar seu amor, sua ternura e seus carinhos. Quero-te de volta. Preciso-te. E procuro saciar essa vontade cega em meus textos. É, em todos aqueles textos que estão transbordando de sentimentos, de mágoas, que estão tão transbordados de você. Eu tento até negar, mas a verdade é que os meus malditos textos são feitos de somente uma coisa: você. É, você, você, você. Estou cheia de tanto você. Pena que eu não possa me desgrudar desse sentimento, desse amor doentio que não serve para absolutamente nada. Você é como um chiclete: grudou em mim e não se solta mais. Queria eu poder dizer que a partir de hoje vou julgá-lo como um chiclete velho, que não tem mais gosto. Mas essa não é a verdade. Eu ainda preciso de você. Ainda preciso desse sentimento que me deixa acordada por muito tempo pensando em ti, aquele em que, ainda hoje, tento encontrar o lado bom. - Amanda e Luiza, (trancafiadas)

Antes de tudo, quando você abrir esta carta, não pense que é para te perdoar. Eu quero respostas. Imagine se eu tivesse ido. Eu podia ter conhecido pessoas diferentes, lugares diferentes e até comidas diferentes. Poderia ter me apaixonado, feito amigos e criado laços. Eu seria bastante feliz, quem sabe. Iria estar segura com outras pessoas, e não me importaria mais com você. Se eu tivesse ido, me esqueceria. Me esqueceria de todos os beijos, os abraços e os carinhos. Me esqueceria de tudo que foi  bom. E do que foi ruim, também. Às vezes penso que deveria ter ido mesmo, sim. Mas não é óbvio? Não importa onde eu estou, e com quem eu estou. Você sempre da um jeito de estar lá. Lá, dentro do meu coração. Calma aí, você deve estar pensando que isso é uma carta de amor. Não, não. Eu fiquei, é verdade. Eu fiquei, porque queria você assim, ao meu lado. Bem pertinho, em corpos. Queria, precisava – tanto faz. Eu fiquei, e vivi bons momentos com você. Não vou negar que você fez bem para mim, de um jeito que ninguém mais faria. É, você fez. Não faz mais. Você deixou de me fazer bem no momento em que partiu. Você foi embora, como se eu não tivesse aberto mão de um futuro por você. Você não se privou de nada por mim. E agora, você deve estar pensando que lhe escrevo pedindo para voltar. Também não, isso seria como me render e gritar que eu não vivo sem você. Eu gostaria de saber por que me deixou aqui. Eu gostaria de te entender, saber onde você jogou todo aquele amor que dizia sentir, e por que fez isso. Meu coração não decide se quer te amar, já sofreu tanto que está começando a pensar com cautela antes de se abrir para alguém. Aliás, é claro que eu não poderia me esquecer dessa parte: você foi bom pra mim. Foi bom em vários sentidos. Esse amor doentio também foi muito ruim, é óbvio. Você me fez sofrer, me fez chorar, me fez te perseguir, me fez me sentir sozinha e me fez sentir coisas inexplicáveis que eu jamais imaginara sentir em toda a minha vida. Mas você também me fez sorrir ao lembrar de você, me fez ter boas noites de sono em que eu sonhava com você, me fez acreditar em tantas coisas, me fez sonhar com um futuro junto à você… Contudo, não é exatamente disso que eu estou falando. Você também me fez ficar forte. Me fez aprender que eu não vou encontrar príncipe encantado algum, e que sempre vai havar um sapo idiota para brincar com o meu ingênuo coração. Amanda e Luiza (trancafiadas).

Que tal começar a entender toda essa euforia de poder amar alguém? Se manter em ordem e pelo menos me concertar de amores retrasados, tentar juntar todos os meus destroços e deixar assim, limpa a minha vida para mais alguma visita inesperada. Acreditamos que a gente se acerta com o tempo, mas na verdade, a gente nunca consegue se reconstituir por inteira. Nunca conseguimos realmente esquecer tudo aquilo e seguir em frente. Sempre resta um pouquinho de sentimento, sentimento esse que a gente insiste em dizer que não existe. Sempre sobram aquelas lembranças que tentamos esquecer. E o engraçado disso tudo é que não conseguimos quase nada após um amor desastrado e sem derivados de apelidos, sem diminutivos de palavrões, sem carinho, sem aquele eu e você. Dúvida… o meu coração que é fraco ou a minha vida que é fútil? Eu venho me visto tão cá pra lá, tão sem controle que até parece que um outro alguém estranho do portão lá fora me controla. Vida corrida, rotina monótona, tudo tá assim. Poderia dizer que tá tudo assim desde que você foi embora. É, eu realmente não gosto de admitir, mas chega uma hora que você cansa. Cansa de ter tanta esperança com algo que não vai acontecer. Quando tudo acaba, você pensa que vai esquecer no dia seguinte. Mas não é assim que funciona, não é assim como a gente pensa. É algo que te consome, que joga a culpa toda em cima de você. O que eu mais quero agora é poder me sentir livre de novo, sem essa sensação de estar sendo controlada pelas pessoas, estar sendo domada por um simples sentimento. Digo que para você sobreviver ao amor, você precisa de apenas uma coisa: auto-controle. É, o controle para não se entregar tão facilmente, não mergulhar de cabeça mesmo sabendo nadar. Controle para poder amar apenas se souber que a outra pessoa ama também, controle para não cometer todos esses erros, controle para não acabar se ferindo, se machucando. Quem dera se esse auto-controle tivesse sido atribuído a mim… Eu não estaria aqui, jamais teria escrito sequer uma frase para alguém como você. Acontece que eu realmente não tenho esse auto-controle necessário, e por isso acabo me vendo no chão toda vez que me entrego. E agora estou presa à você, dependendo disso. Isso me deixou vulnerável, fácil de ser atacada. E predadores é o que não falta. - Amanda e Talissa, (trancafiadas). 

“Nestes anos e mais anos que passei trancada neste quarto aprendi tanta coisa. Sim, fui muito ingênua com muitas as pessoas e até com o meu próprio eu, mas com um certo tempo aprendemos a crescer e não se importar com o que dizem e com o que acham de nós. Depois de tantos tropeços, decepções acabamos que tomando vergonha na cara e passamos a ter uma cabeça mais formada. Antes eu acredita em cada “eu te amo” que me diziam, hoje não acredito em todos e duvido da maioria. Aprendi que as pessoas não são do modo que pensamos e nem do jeito que elas dizem. Que minha melhor amiga sou eu e mais ninguém. Aprendi que não é todo mundo que quer o nosso bem, que só está ao nosso lado por interesse em algo. Aprendi a parar de correr atrás de pessoas inúteis que só me fez sofrer. Aprendi que o amor não é aquele sentimento tão bom quanto as pessoas dizem. Passei todos os anos sendo humilhada, fingindo sorrisos, sendo chamada de estranha… É foram anos difíceis, muito difíceis mais bons por um objetivo. E também certas mudanças são necessárias, por mais que eu seja egocêntrica e pessimista, eu aprendi a lidar comigo mesma. Sonhos? Esses tais foram se despachando a medida que o meu ego foi se esvaindo pelas minhas respirações. Desejos? Acabaram que enterrados num fundo qualquer aqui dentro de mim, aliás, temos que nos satisfazer com o que temos em mão. Eu tive que cair muito pra poder ver que nem tudo o que eu queremos é do nosso jeito, me machuquei por demais para saber que nem todo “Ah esquece, estou bem.” é verdadeiro, e eu não falo isso da boca pra fora. Talvez se eu puder criar agora a coragem de sair deste quarto que tanto me aflige de uma sociedade que muda constantemente assim como as nuvens saem dos lugares toda hora, eu possa coloca em prática tudo o que eu consegui adquirir. Por mais que me derrube mais e outra vez, eu tenho que tentar agora enxergar que, todos precisam de mudanças pra poder viver. Sejam elas as mais drásticas até as mais simples […] aprendi comigo mesma que eu sou uma metamorfose. E que amanhã… bem, amanhã é outro dia.“ Júlia (suicida-oculta) e Talissa (desvairar-me). Trancafiadas

“E esse meu humor? Essa minha vontade de viver? Onde mesmo que deixei minhas motivações? Aquela bagunça que mais parecia o meu quarto, consegui mesmo me organizar? O tempo passa e toda essa abstinência de me ter bem morreu, estou-me sentindo inerte, fria, intacta. Talvez um monstro, que ninguém ousa a chegar perto por medo de eu machuca-los. Me sinto dependente de algo que nem existe, de sentimentos expostos ao nada e aceito por aqueles que nunca quis um sorriso meu. Sou um brinquedo que passa de mãos em mãos, que faz as pessoas se sentirem bem e depois de momentos proporcionados me deixam em um canto sem vida, até outra vir e achar. Perdida talvez, mas não é necessário me ter tão desapropriada para aguentar dia pós dias nesse estado. Onde foi mesmo todo o egoísmo, orgulho e calculismo? Onde foi que eu levei a sujeira da minha cabeça? Debaixo do tapete só encontro recordações remoídas, no armário apenas sentimentos cobiçados e raros. E em mim? O que resta mesmo? Todas as noites me deparo a pensar numa solução para esta desmotivação que me cobre por inteiro. Contemplo as estrelas tão distantes e a lua tão brilhante que me ilumina o rosto com seus raios fazendo sobressair as minhas escuras e salientes olheiras. O chão do meu pequeno e escuro quarto está coberto de papéis amassados, onde eu coloco os meus sentimentos escritos com a tinta da minha velha e rústica caneta. Dentro de mim ouvem-se gritos escandalosos que pedem por carinho e atenção. O meu coração está vazio de amor, a adrenalina e a vontade de viver saíram do meu corpo faz tempo, perderam-se neste exato mundo de dementes. Como dizem por aí que o amor pode estar em qualquer esquina, já saí do meu porto seguro e vaguei por qualquer tipo de rua e becos sem saída e virei nas mais diferentes esquinas com os olhos a percorrerem o que me rodeava. Apenas encontrei um pouco de nostalgia que me possuiu mas um pouco a minha pobre e entristecida alma. Ele é a minha cura, o meu remédio mais eficaz e a minha salvação. Ele não é nenhum moço encantador bem-parecido. Ele personifica a perfeição. Ele é a motivação. Ele chama-se Deus.“ desvairar-me mais p-erfumada | trancafiadas

“Então aqui estamos. É, olhe para nós. Tanto mudou, tanto passou, tanto machucou, tanto curou, e ainda estamos juntos. Nossa amizade se tornou algo muito maior do que eu jamais poderia imaginar. Lembro-me de muitos momentos, mas ainda assim, não de todos, e isso não basta para mim. Preciso tê-los aqui, tão tangíveis como se acontecessem neste momento. Segredos, lágrimas, mentiras, verdades, separações, medos, risadas despreocupadas, problemas, bobeiras, desejos, promessas. Como podem pedir-nos que deixemos tudo isso para trás e sigamos em frente? Como podem dizer-nos que acabará em breve? Como podem banalizar nossas lágrimas? Vocês fizeram-me quem sou. Reconstruíram essa garota aqui dentro, quando eu já não conseguia mais. Fotografias guardadas ao fundo da gaveta me dão um sufocante aperto no peito, gostaria de poder viver todos aqueles momentos as vezes que assim desejasse. Recordo-me quando eu não era suficientemente forte para conter as lágrimas e desatava num pesado choro no ombro de qualquer um de vós, e passado uns dez ou quinze minutos já estava a soltar grandiosas risadas descontroladas. Estarei eternamente grata pela vossa enorme paciência, sempre conseguiram ouvir os meus dramas amorosos e familiares com a maior das atenções tentando fazer os possíveis para me aconselhar e me ver com um genuíno sorriso. Sinto ainda hoje aquele friozinho na barriga e a adrenalina a correr-me pelas veias, tal como me sentia quando quebrávamos as regras e nos lançávamos para o radical. Tantas loucuras cometemos juntos, tantos sermões de uma ou mais horas ouvimos por parte dos nossos pais quando éramos descobertos. A nossa amizade encontra-se numa corda bamba, a inseguridade que transporto no peito é grandiosa e compulsiva. Todas as noites rezo pela nossa amizade e prometo que farei os possíveis para ela não ter fim. Isto tudo porque esta amizade é a mais pura e perfeita que algum dia poderei ter em toda a minha vida.- Catarina (p-erfumada) + Mari (melancolica-mente) | Trancafiadas

O pior é que tá frio, e não é só o clima lá fora.
E pensa que eu nunca observei os casais no parque da cidade? Pensa que eu nunca quis formar um parecido com um daqueles? Pensa que eu nunca pensei em ouvir tua banda preferida, só na esperança de começar a gostar dela? Pensa o que? Pensa que eu nunca tentei? Nunca me esforcei? Esse tipo de coisa não acontece de uma hora para outra, nem do dia para a noite, elas talvez nem aconteçam, se é que você me entende. O barulho que há lá fora é ensurdecedor, mas o que tem aqui dentro consegue ser pior que qualquer um, é de te fazer perder a cabeça, pouco a pouco, te enlouquecer. Eu já morri de amor, morri de saudade, morri de vontade, e durante todas essas mortes, esse barulho me incomodou. Ele me dizia uma coisa que não tinha como ouvir, me dizia coisas que não tinha como definir. Fracassei todas as vezes que tentei entender, todas as vezes que parei para ouvir, mesmo em meio a tanto barulho. Eu nunca gostei da sensação do incerto, ou até mesmo do errado. E agora você tem a resposta do porquê eu nunca me apaixonei verdadeiramente por ninguém. Amores platônicos? Tive vários, mas nenhum que fosse suficiente o meu esforço. E faz tanto tempo, tanto tempo que tá tudo fora do lugar, que eu sinto como se tudo o que eu fiz, foi errado; eu estava errada em não amar? Não dizem que amar é sinônimo de “se foder”? E se eu fiz isso como uma “forma de proteção”? Não podem me culpar por ter amor próprio e auto-proteção. Caso eu não faça isso, quem me garante que no fim das contas eu vou terminar bem? Quem me garante que eu não vou ter o coração quebrado por um idiota qualquer? Olhe, não sei se você entende a minha preocupação. Minha preocupação em querer estar sempre na melhor, apenas para não gastar meu precioso tempo chorando. Não quero gastar meus band-aids emocionais porque um garoto qualquer por ai não me deu o valor que eu mereço. Como já disse antes, essa vontade de estar com alguém de um jeito tão prazeroso como desses casais que eu vejo na rua, se você quer saber, essa vontade é enorme. É grande demais, entende? Eu quero estar com alguém, mas eu preciso saber se essa pessoa quer estar comigo. E agora que eu percebo que tá faltando algo, eu me torturo dizendo que não é isso. Que não é essa obsessão por ter um amor correspondido. Por isso eu estou aqui, vivendo de minhas escritas. Minhas escrituras. Não torturando a dor, não cutucando a ferida - e sim usando essa técnica como uma tática de auto-proteção, novamente. Não posso negar que eu sinto que preciso daquilo. Daqueles abraços, de todo aquele carinho. É como se tivesse um vento forte batendo no meu rosto, e eu não tivesse jeito nenhum de me proteger. Porque tá frio aqui dentro, aqui dentro do meu coração. Aqui nesse lugar onde deveria ter alguém, preenchendo todo esse espaço. Alguém que também tivesse um espaço que eu preenchesse. É como se, toda vez que eu vesse um casal feliz, aos beijos e aos abraços, esse frio me invadisse. Não é um frio comum, se é que você me entende. E o pior é que tá frio, e não é só o clima lá fora.
—  Amanda e Maria Beatriz, (trancafiadas).

Ando cansada deste teatro que tornou-se minha vida. Pessoas vestidas de palhaços; de sorrisos falsos estampados na cara. Suas vidas são feitas por um roteiro, que eu chamaria de rotina. É sempre a mesma mesmice, todos magoando uns aos outros. É meu caro, a dor virou rotina na vida destas pessoas. Por quê? Simples, ”se foder“ está no roteiro deste teatro. Então você me pergunta: e qual é o seu papel nisso tudo? Ainda não descobri. Ás vezes acho que sou uma telespectadora; assistindo todo este horror. Outras vezes acho que sou uma atriz; vivenciando todo este horror. Mas sei, sei que não sou uma telespectadora, e muito menos uma atriz. Me machuco e sou sim capaz de machucar. Telespectadora? Temo que não. Atriz? Sem chance, se me ferir não será fingimento. Então quem sou? Diga-me, eu lhe imploro (…) Não contente, minha vida resolveu tornar-se um poço de tristezas também. A inocência se fora dando lugar à dor e seus componentes; dando lugar à este teatro. As cortinas se abriram, me deixando desprotegida; confusa. "O que está acontecendo? Que sentimento estranho é este que toma conta de meu peito?” Eram as perguntas mais frequentes. Logo, me acostumei. Fiquei quieta, mesmo com a dor incomodando-me. Minha voz não seria ouvida por ninguém. Meus lamentos seriam feitos em vão. Então pra quê gritar e espernear se ninguém ligará? Aprendi a sofrer sozinha; calada. Soa doloroso, não? Sofrer deste modo, com ninguém disposto à ajudá-la. Sim, no começo é difícil, mas a gente sobrevive. É tudo questão de costume. Escrevo esse texto porquê ainda não me acostumei com a encenação que tornou-se minha vida, mas um dia irei; sei que irei. Não é como dizem, toda dor passa? Sinto que as minhas palavras são muito mais valorizadas do que os meus sentimentos, pois ninguém nunca parou para me perguntar sobre o que estou sentido e se estou realmente sofrendo. Talvez o tempo ajude, talvez não. Preciso parar de ficar aqui assistindo tudo de camarote e fazer alguma coisa mudar. É, se eu seguisse os meus próprios conselhos. Sempre falo que o dia será diferente, mas acaba sendo a mesma coisa que o outro. A mesma rotina, mesmos lugares, mesmas pessoas tentando me perturbar. Acabo chegando a conclusão que a única “errada” na história sou eu. Por que todos são tão diferentes de mim? Todos com máscaras, prontos para trocá-las a cada minuto, e eu aqui, com a mesma cara de monotonia. Sim, algo está errado por aqui. Acho que sou eu. Sempre acredito que o mundo é um conto de fadas e que todas as pessoas são amáveis e compreensivas. Mas na verdade o mundo é uma história de terror, em busca de alguém para colocar a culpa de todas as tragédias. Estamos em plena guerra, um tentando derrubar o outro para se sentir melhor. A troco do quê? De uma glória momentânea, ser o centro das atenções (…) Ai ai, se existisse remédio para fazer problemas desaparecem, acho que todas as farmácias sairiam lucrando. Não sou a única que tenho problemas. Que tento esconder tudo o que sinto. Algumas pessoas têm um jeito frio de ser, por já terem passado por problemas, outras, porque apenas querem ser diferente. E eu? Bem, acho que irei continuar assistindo toda essa tragédia em busca de alguma resposta clara que me faça entender a graça de todos se sentirem assim. Desse jeito igualado, contínuo.“  –  Isadora + Letícia (trancafiadas)

Chega a ser cansativo. Você vive todos os dias, na mesma rotina, praticamente os mesmos momentos. São as mesmas pessoas de sempre, a mesma mãe, o mesmo pai, o mesmo irmão ou irmã. Aquela mesma vizinha chata e resmungona, aquele mesmo garoto que fica te olhando ou aquela garota que te fita todas as vezes sem motivo nenhum. Sempre cheio de regras a ser seguidas, leis a serem cumpridas, tarefas a serem realizadas, mas pra que tudo isso? É segunda a sexta, escola ou trabalho, faculdade ou cursinho. Os mesmos professores, o mesmo chefe, a mesma coisa, e na real? A mesma vida! Você vive tudo, de cabo a rabo e espera que no final não vire uma lembrança guardada no fundo de um baú qualquer. Você espera ansiosa de que nada vire fumaça e suma, de que aquele dia… Ah sim! Aquele dia vai ser diferente. Porque tu vai levantar da cama, vai sorrir e falar “Hoje é, hoje vai ser totalmente desigual aos outros dias". Confiante demais, não? Mas você não se importa, continua a persistir com as mesmas expectativas. Apesar de saber que irá se decepcionar, sua esperança não acaba. Gostas de imaginar sua vida como um filme. Um filme surpreendente. Várias possibilidades passam por sua mente, não é mesmo? Devaneios e mais devaneios. Mas nunca uma atitude para concretizá-los. Você até pensa em mudar, porém algo te desanima. Algo te puxa para baixo. Te irrita. Te atormenta. Te faz repensar sobre esta hipótese sobre mudar. Mas digo, mudar; mudar mesmo -não comer tal almoço diferente na segunda feira-. Revirar toda essa rotina de ponta cabeça. Fazer uma coisa louca a cada dia. Correr, fugir, gritar, chorar, espernear, rir. Tudo que deixe tuas emoções à flor da pele. Qualquer coisa que lhe faça lembrar os mínimos detalhes, que lhe faça pensar: ‘Nossa, como minha adolescência foi boa!’