tom e elis

Sabe, eu gosto de coisas incomuns. Chamam-me de antigo ou falam que eu tenho uma alma velha em um corpo jovem. Talvez seja verdade. É que eu gosto de Tom Jobim, Ray Charles e Elis Regina. Leio Lispector, Bukowski. Escrevo umas bobagens por aí e tem gente que gosta. Acabo me afogando no café, e ora ou outra no vinho, escutando um bom e velho Blues. Gosto de amar, e isso, você sabe como ninguém. Meu coração é nobre e estou sempre disposto à ajudar. Sou pensativo e gosto de estar sozinho, como também, clamo por um afago, um carinho. Enquanto a sociedade em que vivemos grita por desapego, eu grito por quem fica, mesmo sabendo que no fim, todos vão embora. Mesmo sabendo que o “ficar” é inquilino que acaba encontrando uma moradia melhor. Eu sou antigo, mas não estou por fora do que acontece no mundo. Eu sei muito bem, não sou cego, infelizmente. É exatamente por isso, que eu prefiro continuar com minha alma “velha”. Por enquanto que o mundo vai se modernizando, e se destruindo; eu vou virando relíquia, rabiscando poesias e acabando-me no café.
—  Kenedy Vinicios.
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Ela chora

Um temporal desabava lá fora e ela não se importava, pois dentro dela sempre houve nuvens de chuva carregadas. Rompeu o portão da sua casa, andou ensopada até seu quarto, trancou a porta e a casa sempre parecia mais bela quando todos dormiam.
Sentou na velha escrivaninha de madeira, acendeu uma ou duas velas para o quarto ficar mais acolhedor, olhou e viu que tudo ficava mais belo iluminado pelo fogo, ela podia ver seus livros, Bukowski, Machado de Assis, Kerouac e também seu amado Dom Quixote, todos ali, olhando para ela com aquele olhar de alento e ternura, homens que entendiam o seu doer solitário.
Sentou, sabia o que deveria fazer, chamou Tom com sua “ Luiza ” e Elis com sua “ Fascinação ”. Ela explodiu em pequenos espasmos, as lágrimas foram caindo no chão de madeira, o choro era pelo chorar, porque era poético, porque sua alma ficava mais bela quando as lágrimas desciam em seu balé, porque precisava, porque admirava as lágrimas rolando e com isso sabia que ainda existia pureza dentro dela.
Quando o peso ficava insuportável, fracassos, amores improváveis, desilusões mais do que diárias, ela tinha esse pequeno ritual, abraçado pelas vozes, pelos imortais, que ali estavam com suas letras, e a noite ficava banhada de chuva, dentro de um quarto à luz de velas.
Como é poético o chorar só.


zack magiezi