tio kevin

Capitulo 44 - FINK (Feelings I Never Know)

(Pov Clara)

Senti algo vibrando embaixo do meu travesseiro e sentei na cama assustada. Meus olhos embaçados de manhã não me ajudam muito, foquei em Vanessa com as costas nuas, deitada de bruços com a coberta apenas da cintura para baixo e sorri, toda vez que fazíamos amor ela dormia nessa posição. O som da vibração voltou a me incomodar, puxei a coberta para cobrir meus seios e peguei o celular com muita relutância e impaciência

– Alô - disse em um longo bocejo espreguiçando-me

– Clara? Sou eu, Angel - sua voz saía rápida em um sussurro e eu estreitei os olhos, porque ela estava falando assim? – Sua mãe acabou de chegar no hotel

– Quem? - praticamente gritei e Vanessa se mexeu do meu lado, batendo me meus joelhos para que eu ficasse quieta, acariciei suas costas e ela se aquietou novamente

– Sua mãe, Sinu Aguilar, sócia do Michael, um metro e setenta e poucos, cabelo curto e loiro - ela disse tudo muito rápido em um tom debochado – Ela acabou de chegar no saguão, veio fazer uma surpresa e está doida pra te ver

– Angel, pelo amor de Deus, dá uma segurada nela, você não disse que eu estou na Vanessa, né? Você não.. -nem cheguei a completar a frase e ela já se alterou do outro lado da linha

– Claro que não - ela quase gritou dessa vez praguejando-se por falar alto e chamar atenção – Eu não sou idiota Clara, disse pra ela que você foi dar seu passeio matinal na praia, agora você se vira que eu não vou mentir mais

– Eu te amo Angel - disse e ela suspirou nervosa desligando o telefone

Eu estava doida de saudades da minha mãe mas ela apareceu em uma péssima hora. Eu acho que Vanessa não estava pronta para contar pra ela, e não estamos em um momento perfeito em nosso relacionamento. Sem contar a sua reação, que eu não quero nem imaginar qual vai ser.

– Van, acorda - chacoalhei seu braço delicadamente algumas vezes e ela grunhiu – Vamos Vanessa - eu chacoalhei mais forte e ela tencionou as costas dando a entender que já tinha acordado – Angel ligou.. - mal completei a frase e ela me deu um fraco tapa em minha mão fazendo meu celular cair na cama

– Você disse que teríamos o fim de semana inteiro - ela disse com a voz embargada de sono e virou o rosto em minha direção, e eu ri de sua cara inchada e os olhos pequenos de sono

– Minha mãe está aqui - disse de uma só vez e ela arregalou os olhos

– O quê? - ela se sentou na cama enrolando a coberta em volta do corpo

– Minha mãe acabou de chegar aqui, e está mais precisamente do outro lado da rua, no saguão do hotel do seu pai, louca para me ver

– Meu Deus - Vanessa passou as mãos pelo rosto tentando expulsar o sono

– Angel está dando uma segurada nela mas tenho que ir

– A Angel não falou da gente, né? - ela perguntou bocejando, ela estava tão calma que acho que era culpa do sono

– Claro que não - dei-lhe um tapa fraco na cabeça e ela riu – Ela disse que eu estou caminhando na praia

– Então troca de roupa que eu te levo lá no hotel - ela voltou a se deitar, espreguiçando-se

– Vou tomar um banho - disse e ela segurou meu braço

-Clara, se você caminhou na praia você não pode estar com cheiro de sabonete, você tem que estar suada

– Claro, muito convincente eu chegar lá com seu cheiro impregnado em mim - disse irritada e ela sorriu largo

– Se você for de banho tomado, ela vai desconfiar -ela tencionou os músculos e soltou um suspiro – Além do mais ela não me conhece para saber que esse cheiro é meu

Sem dizer nada puxei a coberta enrolando-me nela e me levantei, Vanessa riu e se cobriu com o lençol, fui até o armário para procurar uma roupa

– Pega uma roupa pra mim também por favor - ela se sentou na cama tampando os seios com o lençol e eu ri. Peguei uma regata vermelha estampada e um short e joguei na cama para ela – Também preciso de roupa íntima - ela disse como se fosse óbvio e eu dei língua para ela, abri a primeira gaveta e puxei um sutiã qualquer, mas quando ia pegar a calcinha uma coisa me chamou atenção – Vai demorar muito, Clara?

– Pra mim você não usa essas coisas, né? - peguei a calcinha fio dental preta de renda e estendi nas mãos, Vanessa jogou a cabeça para trás e soltou uma alta gargalhada. Revirei os olhos e joguei uma calcinha qualquer para ela

– Vou preparar alguma coisa para você comer, tá? - ela disse já vestida terminando de abotoar o short, enquanto eu ainda estava enrolada na coberta olhando as roupas dela. Eu assenti e ela veio até mim me dando um beijo na testa – Tá nervosa? - ela disse com as mãos em minha cintura

– Um pouco - mordi o lábios e ela riu

– A gente não precisa falar agora, espera alguns dias - assenti e ela segurou meu rosto me dando um beijo lento e terno

– Desculpa por não passar o fim de semana com você - disse rindo desanimada, desentrelaçando nossos dedos assim que paramos na porta do hotel

– Sem problemas - ela beijou minha testa e me puxou para um abraço, logo afundei meu rosto em seu pescoço – Decidiu se vai contar pra ela?

– Já - disse sem tirar o rosto de seu pescoço – Acho melhor preparar o terreno antes, entende? - ela assentiu – É melhor esperar alguns dias

– Mande um beijo para a minha sogra - ela disse se afastando do abraço e rindo

– Pra onde você vai? - perguntei triste e ela fez uma cara engraçada imitando meu bico de frustração

– Casa do Drew, qualquer coisa me liga, tá? - assenti e ela olhou para os lados e me roubou um selinho, me fazendo rir e seguiu em direção ao seu apartamento para pegar o carro

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(Pov Vanessa)

Toquei o interfone seguidas vezes e sorri sem mostrar os dentes para uma das câmeras no portão gradeado de Drew. Revirei os olhos e cruzei os braços perante a demora e só depois de alguns minutos vejo Drew correndo em direção ao portão, descalço e sem camisa com o bermudão largo, segurando um controle e rapidamente abriu o portão com um largo sorriso

– Hey Van, desculpa a demora, hoje é folga de quase todos os empregados ou seja, eu sou o chofer de hoje

– Uau, ele tem um empregado para cada cômodo da casa - disse debochada mas ele estreitou os olhos forçando o riso

– Engraçada como sempre

– Eu sei - sorri e ele abriu os braços e eu o abracei, senti seus braços descerem para minha cintura – Drew, olha essa mão

Eu não consegui falar mais nada porque ele já tinha me impulsionado para cima, agora estava me carregando nos braços

– ME LARGA - eu gritava feito louca enquanto ele corria pelo enorme gramado da mansão até a entrada – ME LARGA, SEU IDIOTA

– Crianças, sem correr pela casa - ouvi a voz aguda de sua mãe e ele me botou no chão com um largo sorriso, e eu arregalei os olhos

– Tia Kris? - quase gritei e ela soltou uma risada gostosa do sofá

Saí correndo em sua direção e me joguei no sofá com a cabeça em seu colo, ela prontamente acariciou meus cabelos e me puxou para um abraço apertado.

Kristina nunca estava em casa, nunca. Ela e o tio Kevin sempre estavam viajando em negócios e Drew sempre foi muito acostumado a ficar em casa com o irmão e os empregados. Eu e ele somos melhores amigos desde que eu estava na barriga da minha mãe, pois Kristina é minha madrinha e Drew com três anos acompanhou cada etapa de minha gestação, sendo prontamente meu primeiro amigo de infância.

Quando tínhamos cinco ou seis anos, tia Kristina sempre tirava férias nos levava para acampar em uma cachoeira no verão. Ela era praticamente minha segunda mãe. Com o passar do tempo ela começou a trabalhar cada vez mais, com mais viagens de serviço, de modo que era raro vê-la em casa, coisa de uma vez em cada três meses, e quando isso acontecia Drew não saía de casa para ficar o dia inteiro com ela.

Foi ela quem me ajudou no começo da descoberta sobre a minha sexualidade, eu não tinha coragem de contar aos meus pais, e ela me ajudou a explicar e ajudou-os a entender.

– Como você está, meu anjo? - ela disse acariciando meus cabelos

– Eu estou bem, e você? - afundei meu rosto em seu pescoço e ela riu

– Estava morrendo de saudades, já ia mandar Drew te ligar - ela disse e ele se acomodou no chão, sentado no tapete

– Vanessa está namorando - ele disse e ela se afastou de súbito, me olhando incrédula

– Você traiu meu filho? - ela colocou a mão no peito se fingindo de indignada

– Ele me traiu primeiro - levantei as mãos em minha defesa e ela chutou Drew no tapete

– Como você pode? Eu criei um safado - ela disse e começamos a rir – Quer dizer que meus filhos estão namorando? Espero que o Trent também não me apareça com uma namoradinha

– Drew está enrolando a menina, ele não pediu em namoro ainda, desde o começo das aulas

– Você o que? - ela começou a dar seguidos chutes no Drew e eu comecei a rir – Já era pra ter pedido em namoro

– Eu vou pedir, eu quero te apresentar primeiro - ele disse ajeitando o cabelo

– Mas e você, minha princesa? - ela se virou pra mim – Quem é o sortudo?

– É sortuda, mãe - ele disse em meio a uma gargalhada

– Ih gente, esqueci que com a Vanessa tem bônus - ela bateu na perna e eu comecei a rir – Mas é namoro mesmo ou é o de sempre? - ela perguntou desconfiada

– É namoro de verdade, eu preparei um noite especial toda a luz de velas, só pra pedi-la em namoro - disse orgulhosa e ela sorriu

– E como ela é? - ela se balançou no sofá animada e Drew riu

– Aqui - estendi meu celular, já que Clara era a tela de bloqueio e ela sorriu fazendo um “awn”

– Ela é linda, agora eu entendi como ela conseguiu te amarrar

– É.. -disse pensativa – Eu não achava que ia namorar sério um dia

– Quero ver quando a mãe dela souber - Drew começou a rir mas eu fiquei séria – Cara, que foi? você sempre ri disso

– A mãe dela chegou hoje

– Qual é o problema com a mãe dela? - Kristina perguntou prendendo-me em seus braços novamente

– Ela é homofóbica, não sabemos como contar - disse triste e ela afagou minha cabeça por alguns minutos

– Sabe de uma coisa? - eu ergui o olhar para ela e Drew também – Eu ainda não acredito que você traiu o meu filho - deixei uma alta risada escapar, esse era o melhor de Kristina, sempre que o assunto era incomodo para alguém, ela mudava, ela fazia tudo para todos se sentirem bem – Aquele casamento não significou nada para você?

– É verdade! - Drew exclamou rindo dando um tapa na própria perna – Van, você lembra do seu aniversário de seis anos? Que a gente achou que tinha se perdido na trilha da cachoeira mas a minha mãe estava bem atrás?

– E você pediu pra casar comigo? Ai meu Deus, eu lembro - comecei a rir e Kristina também

– Vocês acharam que não tinha ninguém seguindo vocês na trilha - ela ria com vontade e Drew agora estava deitado no chão rindo

– “Vamos ser como o papai e a mamãe, vamos ficar juntos até o infinito e além” -Drew disse tentando imitar sua voz com nove anos – “Vanessa Mesquita, você quer casar comigo de verdade?”

– Foi o nosso primeiro beijo - Eu e Drew gritamos ao mesmo tempo em meio a gargalhadas

– Foi tão bonitinho - Kristina disse apertando as minhas bochechas – Eu tenho a foto do beijinho de vocês até hoje, Camille riu tanto

– Ei, vocês lembram do meu aniversário de dezesseis? - Drew perguntou se balançando em animação

– Foi um lual na praia - saí do colo de Kristina e me sentei em meio a excitação do assunto

– Sim -Kristina começou a rir – Eu, Camille e os pais de vocês combinamos que iríamos juntar os dois - ela disse em meio a risadas

– Todo mundo me empurrava pra Vanessa, pior que eu gostava dela mesmo - Drew ria tanto que estava vermelho – Daí o tio Michael disse para eu levar um refrigerante pra ela, e quando cheguei na lancha estava tudo programado

– Sim, eu me senti aquelas meninas prometidas porque quando eu olhei pra areia do outro lado da praia, estava a senhora, a minha mãe, o tio Kevin e o meu pai comemorando o nosso beijo - disse rindo e Drew me puxou do sofá para os seus braços

– Vocês fariam um lindo casal, sempre fizeram - Kristina disse cessando as risadas – Eu já sei! - ela exclamou – Vamos para o meu quarto, para eu pegar as fotos de quando vocês eram crianças e adolescentes

– A época que a gente namorou, que nojo Drew - empurrei ele enquanto levantávamos

– Eu nunca namorei você, sai daqui - ele me empurrou de volta e nós seguimos Kristina enquanto ríamos

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(Pov Clara)

– Eu não sei onde estava com a cabeça de te deixar vir para os Estados Unidos, eu morro de saudade de você - minha mãe passou os braços em volta dos meus ombros me puxando para o que parecia ser o centésimo abraço do dia

– Eu também senti a sua falta, mãe, você está me sufocando - disse com dificuldade e ela riu enxugando mais algumas lágrimas

– Angel, você cuidou do meu bebê? - minha mãe perguntou segurando a mão de Angel que estava do outro lado da bancada picando alguns legumes

– Fiz o melhor que pude - ela deu um sorriso de lado e eu a via cada vez mais apreensiva com a situação

– Michael me falou que você arrumou um namoradinho - ela disse para Angel que corou e sorriu tímida – Ele trabalha aqui, não é? - ela assentiu – Fico feliz por você, Michael me disse que ele é um bom garoto

– Ele é uma gracinha mãe - disse enquanto minha mãe ainda me abraçava – Tão forte que parece um brutamontes

– Ele é amigo da Vanessa - Angel disse e na mesma hora mordeu o lábio se arrependendo

– Vanessa filha do Michael? - minha mãe perguntou interessada

– Sim, somos melhores amigas - Angel disse sorrindo e quase decepou o dedo com o facão

– Ouvi dizer que ela é muito bonita - assenti e soltei um suspiro – Mas e você, filha? Arrumou um namorado também? - Angel se engasgou com a saliva e começou a tossir

– Namorado? - minha mãe assentiu animada – Namorado, do do? - disse rindo e minha mãe riu revirando os olhos, a essa altura Angel já estava rezando as ave marias

– É, Clara, namorado

– Ah, namorado eu não arrumei nenhum não - disse rindo forçado e ela me olhou receosa

– É verdade tia, ela não arrumou nenhum garoto - Angel sorriu forçado

– Que desperdício, Clara! Achei que você iria voltar com um gatão de Miami, daqueles de filme mesmo - minha mãe deu um tapinha em meu braço e eu sorri

– É, eu também achei mas estava enganada

– Ainda mais andando com Vanessa - ela disse e eu e Angel nos olhamos confusas – Michael sempre falou que ela dá muito trabalho em relação a isso de “pegação” - ela fez aspas com as mãos e eu Angel rimos nervosas – Como ela é?

– Ela é uma pessoa muito boa, sabe? - Angel disse com um sorriso, ela realmente estava tentando ajudar- tem lá o seu jeito difícil e meio grosso, mas é uma amiga para todas as horas

– Aquele tipo de menina que toda sogra pede à Deus - disse e minha mãe soltou uma risada negando com a cabeça, Angel me deu um olhar de repreensão

– Ela faz o quê? Ela trabalha ou faz faculdade? Ela não leva vocês pra lugares ruins não, né? Deus que me livre saber que vocês estão trilhando maus caminhos - minha mãe fez o sinal da cruz e eu senti vontade de me jogar da janela porque eu sabia muito bem que tipo de caminho ela estava falando

– Ela faz faculdade de relações internacionais, é uma ótima aluna, uma das melhores do prédio - disse com um meio sorriso e minha mãe assentiu impressionada – É ela quem vai assumir o lugar de Michael futuramente, ela é um amor, mãe! O tipo de pessoa que vale a pena conhecer, ela também joga vôlei.

– Que bacana, parece ser realmente uma boa companhia - minha mãe disse enquanto bebia o copo de suco posto na bancada – Estou louca para conhecê-la


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Amorinhaaaaaaasss!!!

Quem acha que Sinu vai ter um ataque do coracao levanta à mãããããoooooo!!!!!

õ/

Haushsushsusshsuhshssusu

Beijinhos