thalita

Ela já não sorria como antes, agora o seu sorriso e todas aquelas piadinhas não passavam de disfarces para o que ela estava sentindo. O que ela estava sentindo? Nem ela mesma sabia explicar, era uma mistura de saudade, com medo e solidão. Algo confuso se passava por aquele resto de coração que ela tinha no peito.Ela já não respondia quando perguntavam se ela estava bem, talvez porque já estava cansada de mentir dizendo que estava bem. Ela simplesmente sorria, na esperança que alguém a salvasse daquilo tudo. Dava aquele sorriso forçado, falso, programado que implorava por ajuda, só que ninguém percebia, ninguém se importava. Ela não dizia a ninguém que estava mal, muito menos dizia o que lhe havia acontecido, mas o fato era que estava cansada. Estava cansada de acreditar nas pessoas, de acreditar em promessas que nunca seriam cumpridas, de acreditar que as coisas poderiam mudar. Ela já não confiava em ninguém, não ouvia ninguém. Perto dos outros agia como se nada estivesse acontecendo, mas quando entrava em seu quarto, quando era só ela e suas dores,ela desmoronava. Ela literalmente se jogava na cama, na esperança de abrir os olhos e tudo não ter passado de um pesadelo. Bela atriz ela era, fazia todo mundo acreditar naquela menina feliz. Sua mãe já estava reclamando, ela nunca saia daquele quarto, sua mãe também não percebia a tamanha tristeza que sua filha carregava nos olhos. Ah, mas quantos segredos ela sussurrou para aquele travesseiro? Eu acho que ele a entendia, por isso nunca saia de lá. Ninguém entendia isso. Ninguém procurava entender. é por isso ela havia se fechado, trancado, como um cofre. Não deixaria ninguém descobrir o segredo, não deixaria ninguém invadir aquele lugar tão escuro onde ela guardava tudo. Estava magoada, e naturalmente, estava com medo de que alguém reabrisse aquela ferida. Ela não tinha motivos pra acreditar em mais ninguém. Depois desse turbilhão de pensamentos, ela ainda anda por aí, com o mesmo sorriso programado, com as mesmas piadinhas bobas, e com o mesmo coração estraçalhado de sempre. Ela aínda anda por aí com aquela máscara que faz todo mundo acreditar que tá tudo bem. Ela ainda anda por aí, a procura do remédio que fecha cicatrizes na alma. Ela já estava desacreditada, tadinha. Perdeu a esperança de tudo, até dela mesma. Uns dizem que ela é feliz, que aquilo é tudo drama. Outros dizem que ela precisa de ajuda, mas ninguém se dispõe a ajudar. Ela diz que está viva só por viver e já deixa um aviso prévio, todas as noites: “Se amanhã, meu corpo não se levantar, não se assuste. Afinal, minha alma já está morta a muito tempo.” Pobre menina. Thalita&Aline