thaisdacunha

E eu não tinha nada, mas mesmo assim achava ter tudo. Tinha amigos que nem se quer preenchiam uma mão, mas sempre dizia que tinha tudo. Tinha amizade com uns garotos onde eu jogava bola com eles todas terças e dizia que tinha tudo. Ficava trancada no meu quarto 22 horas por dia, sim, 22 porque 2 horas da terças e quintas eu passava jogando bola e nos demais dias da semana eu passava na minha vó. Nunca fui um modelo de menina e na minha 6º série me apelidaram de menina macho por eu andar apenas com meninos e fazia coisas que meninos faziam. Fazer o que, nunca me encantei por brincadeiras de meninas. Pentear Barbie não era pra mim, eu gostava mesmo e de passar o dia em cima de uma arvore, gostava de jogar futebol e deixar metade do meu dedão no asfalto, gostava de descer o morro da minha casa com uma bicicleta sem freio rezando pra que desse tudo certo no final e que a minha mãe não aparecesse na frente de casa e não me visse descendo o morro com aquela velocidade porque era castigo de no mínimo uma semana sem nem colocar meu nariz pra fora. Gostava mesmo é de brincar de taco na beira da rua e não se importar se eu iria quebrar a minha unha ou se eu iria despentear meu cabelo correndo ou pulando. Só não fazia tudo isso porque não tinha ninguém pra fazer comigo, ninguém nunca gostou do que eu gostei. Nunca gostei de brincar de cazinha ou brincar de comidinha por isso continuaram me chamando de menino macho até a 8ª serie e eles só pararam porque certo dia me viram beijando um menino na rua, então eles aliviaram um pouco mas assim que eu terminei com ele os comentários ressurgiram do nada e ficaram até o 2º grau se eu não me engano. Nunca precisei mostrar minha preferência sexual pra ninguém, mas confesso que aqueles tipos de comentários me deixaram muito tristes. Ao longo de tudo isso tive quatro amigas que eu achava que eram verdadeiras porque elas me ajudaram quando eu mais precisei e antes que você se faça a pergunta onde que eu precisei te conto: meu pai era alcoólatra chegava em casa e batia na minha mãe, eu não gostava das meninas escrotas que havia no meu antigo colégio e me lembro que pelo menos uma vez ao mês elas ameaçavam me bater, não é que eu tenha medo, só que não gostava delas no meu pé o tempo todo e como eu não era nem um pouco popular era muito fácil de perceber que eu iria apanhar de todas aquelas meninas, mas como eu sempre fui briguenta não me importava com isso. Sempre teve uma desarmonia nas pessoas que diziam ser minha família mas eu sempre discordei disso porque em uma família não havia o que havia na minha, assim eu evitava de ver ele, procurava vê-los em uma data excepcionalmente comemorativa ou em um funeral. Só. Dai então eu decidi adotar como membro da minha família aquelas quatro garotas que até então sempre estiveram do meu lado porque sim elas de alguma forma, de sangue ou não, elas eram da minha família porque família pra mim era aquilo. Era. Basicamente é isso que eu tive que enfrentar por um longo tempo. Depois quando tudo estava se ajeitando aquelas quatro amigas que pra mim não eram simples amigas, mas anjos que resolveram partir, elas me deixaram. Fiquei sem rumo, sem destino, fiquei sozinha apenas contando com a sorte. Foram tempos difíceis. Não tinha ninguém mais ao meu lado e então resolvi adotar um gato. Isso foi quando eu já tinha vinte e um anos. Ele não tinha um nome porque eu não era muito bom em dar nomes pros meus animais. Me lembro que quando eu tinha oito anos meu pai me deu um cachorro e eu chamei ele de Toby. Nome nada criativo não é mesmo? Mas mesmo assim eu acho que ele gostava, mas um dia meu pai chegou bêbado em casa e sem querer querendo passou com o carro em cima da cabeça dele fazendo com que os olhos dele saltassem pra fora e metade do cérebro dele aparecesse, mas ta passou. Contava tudo pro meu gato, ele era a única coisa que eu confiava literalmente. Ele é e sempre será meu anjinho. Com o passar do tempo percebi que desde o inicio eu nunca tive nada. Sempre achei que tinha tudo porque eu jogava bola durante 2 horas as terças e quintas, tinha quatro amigas que me apunhalaram pelas costas e tinha meu vídeo game no meu quarto. Aquilo pra mim era meu tudo. Mas depois de muito pensar cheguei a conclusão que aquilo dali não era o nada, era literalmente o nada. Mas tudo passa, minha tristeza e solidão vão acabar um dia. Um dia. Eu nunca soube quando iria achar alguém que realmente me amasse e que realmente iria se importar comigo. Eu estava distante de tudo e de todos, acho que comecei a criar algum tipo de barreira entre mim e o mundo porque, ninguém nunca se aproximava. Eu vi pessoas indo e vindo, vidas que chegavam e iam embora, ouvi cochichos e novas histórias, mas nada era relacionado a mim. Sempre me senti sozinha, mas antes eu pelo menos tinha aqueles meninos e uma bola de futebol. Mas hoje eu só tenho a mim mesma. Mas eu sempre acreditei que isso ia passar, está demorando, mas eu ainda tenho fé. Já pensei em mudar minhas atitudes, mas prefiro ser sozinha do que ter falsidade em volta de mim, do mesmo jeito que era há alguns anos atrás. Um dia a gente aprende. Por isso continuo, um dia vai dar certo,então hoje estamos aqui, apenas eu e minha fé.
—  Thais da Cunha & Fernanda Eliza
Ele gostava de nirvana e de leed zepelin. Gostava de rock e acima de tudo andar de skate. Ele gostava de mim. Eu nunca dei bola pra ele. nunca. Ele fazia tudo que eu queria e mesmo assim eu nao dei valor pra ele. Ele me fazia feliz porém eu nao enxergava isso, ele ja foi meu, mas por um descuido eu deixei o que era meu ir embora. Agora ele ja nao gosta de mim, eu fiz ele sofrer sem mesmo querer, ele ta me fazendo sofrer agora mas acho que ele nao sabe disso, ele seguiu a vida dele e eu ainda estou parada no tempo, nao culpo ele por ter seguido, acho que ele fez o certo e eu que sou burra o suficiente pra nao ter reparado nas coisas antes, por ter deixado ele ir embora e por ter parado no tempo. Nao o culpo de nada porque nessa historia era eu a culpada de tudo, acho que agora eu o amo, acho que é tarde de mais, porém eu só percebi isso agora. Ele hoje tem odio de mim e eu nao sei mais o que fazer. Acho que eu sinto a falta dele de mais e eu nao queria que ele tivesse seguido em frente, mas ele nao iria ficar me esperando pra sempre. Porém agora o mais prudente é conviver com isso e com o tempo esquece-lo. Ele me esqueceu, porque que eu nao posso esquecer ele?
—  acho que eu amo ele. Thais da Cunha

Mas se você tivesse insistido um pouco mais eu te falava tudo que eu estava sentido. Se você tivesse me perguntado mais uma vez eu juro que teria contado tudo;Tudo que me incomoda. Tudo aquilo que tira minhas noites de sono. Te contaria tudo aquilo que jamais ninguém escutou eu dizer. Você iria mais fundo do que qualquer outra pessoa já conseguiu ir. Você me conheceria mais do que já me conhece, e talvez por consequência disso, você me teria mais do que você já me tem.

- Mas se você tivesse insistido um pouco mais….