texto tenso

E ela aproveitou aquela noite como se não houvesse amanhã. Balançou os cabelos ruivos, fazendo com que batesse no rosto de outras meninas. Contraiu seu corpo, sentiu o gosto amargo das bebidas descer pela sua garganta (coisas que chegavam aos lábios de minuto em minuto), se perdeu no corpo de outras pessoas, misturou sabores das línguas. Seu coração martelava na mesma batida que a música, frenética. Entregou-se a pessoas que não conhecia. Homens, mulheres, indecisos. Não importava. Tendo o corpo fundido ao seu, fazendo-a sentir alguma coisa, nem que fosse um beliscão sequer, já era alguma coisa. Ela queria sentir tudo. A loucura que viajava em sua mente, o prazer avassalador, o suor embutido nos outros corpos devido a droga que usavam para poderem ficarem frenéticos como ela. Perdeu seus sapatos, um brinco de ouro. O piercing do umbigo desenroscara e se perdera no meio de tantos pés. Aproveitou aquela noite como nunca e não se arrependeu. O que ela não sabia era que aquela noite seria a sua última noite. Após o último beijo que trocara com alguém, ela amanheceu na beira da praia. Estuprada, drogada, morta. Mas apesar disso, com um sorriso no rosto, como quem dissesse: Eu não me arrependi. (seteminutosnoparaiso)