tentastic

Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humor?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.

—  Carlos Drummond de Andrade.

Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.

Carlos Drummond de Andrade - Consolo na praia

(Foto: João Machado)

Aquí no hay de otra. Ya me tocaste, ya me tentaste, ya te metiste en mi, ya eres parte de mi alma, ya no puedes salir, salir es igual a morir, eres mi pieza faltante, eres mi tripulante, eres mi mejor amiga, eres mi compañera, eres mi otra costilla, eres mi delirio, eres mi poesía, eres la isla desconocida, eres mi paz, eres mi sombra, eres mi verdad, eres la muerte más tranquila, eres la herida más ligera, eres mi confianza entera, eres mi caída más segura, eres mi luz y que mi oscuridad alumbra.
—  Ya me tentaste, Joseph Kapone
Eu continuo indo ao rio para orar, porque eu preciso de algo que possa lavar a dor e no máximo, eu estou a dormir com todos estes demônios longe. Mas o seu fantasma, o seu fantasma me mantém acordada, meus amigos descobriram você, sim, eles viram o que está dentro de ti, tu tentaste esconder um outro tu, mas a tua maldade está a chegar através desses olhos encostados à parede eles observam cada movimento que eu faço, a luz brilhante que vive na sombra o teu coração frio faz o teu espírito agitar. Eu tive de atravessar o inferno para provar que não sou uma santa e encontrar o diabo só para saber o nome dele, e foi quando o meu amor ardia, sim, ele ainda queima. Cada vez que eu acho que você se foi eu me viro e você está rastejando, e eu o deixo sob a minha pele, porque eu amo viver no pecado. Oh, você nunca me disse o verdadeiro amor ia magoar, a verdadeira dor eu não mereço, a verdade é que eu nunca aprendi. Levante-se o fantasma, pare a assombração, baby, levante-se o fantasma não mais assombração, baby. Eu continuo indo para o rio…
—  Ella Henderson.
Dispa-se. Retire a maquiagem e mostre-me as olheiras que a última noite mal dormida na qual chorou como uma criança ao se desprender do colo da mãe deixou. Dispa-se. Saia de trás dessa barreira que criastes para fingires uma força que não tem. Dispa-se. Deixe o efeito do álcool se esvair e então fique de frente ao espelho encarando a face que por sequelas da bebedeira está tão acabada, sinta a pulsação das suas veias aumentar a medida que tu lembras de tudo aquilo que por meio da bebida tentaste esquecer. Dispa-se. Permita a si mesma desabar sobre teus joelhos e implorar por um consolo que; talvez nunca vá chegar.
—  Dispa-se, Ana Emília Moro
Tu fora meu vício particular, levemente adocicada de lábios finos e silenciosos, em ti eu achei um abrigo, por poucos segundos é verdade, mas tive conforto no pouco em que residi em ti. Que deselegância a tua, não oferecera-me um espaço no quarto de hóspedes, apenas um espaço no sofá, minhas costas lhe amaldiçoam quando tu estás em minha frente. E quando virei-me em direção a porta, tu não tentaste impedir-me, nem ao menos se despediu, pois tu sabias se eu te olhasse pediria um novo lugar para ficar e você não me negaria. Agora, resta-me por entre essas linhas costurar o desenho de teus olhos, cansados abençoados com olheiras, já que teu corpo ronda a mim, você é meu fantasma particular a debochar de meu amar, teu nome pesa sobre meus ombros em forma de cicatriz, queimado e marcado como um gado, esta é a condição da qual encontro-me. E o que faço com o amor que quando fui lhe presentear, tu esquivou-se de forma voraz, ter a rajadas do vento contra mim é difícil de acostumar, já que teus beijos sempre estavam lá para esquentar-me. Cigarros são alçados por entre meus dedos, fazendo da fumaça pedido de socorro para mais um poeta rancoroso, bebendo doses e mais doses para esquecer somente a ti, ao virar os goles ácidos, imagino que as bordas desses copos sejam teus lábios ansiosos tocando os meus, para um beijo longo e demorado. Olho para o lado e vejo você, por todas as janelas e outdoors da cidade, tu assombras-me até mesmo quando não quer. Somos eternos amantes em cartas nunca enviadas, em histórias fictícias, quem sabe, poderíamos ser feliz, depende da mão que cria o enredo, por que a realidade, nos reserva apenas a distância com uma pitada de nostalgia. Castelos de areia ruíram pelas fortes ventanias vindas do mar. Escrevo-te por que não me restas mais nada a fazer, alguns dizem que sou masoquista por querer sofrer, “o melhor a se fazer é esquecer”. Mas ainda tenho frases engasgadas em mim, elas estão semimortas, respirando pela ajuda de aparelhos, mas ainda sim estão vivas e pulsantes. Canções estratégicas, dizem-me apenas que a eleita é você, de olhos castanhos de faróis hipnotizadores, lábios doces e uma incógnita misteriosa, cintura em forma de capa de revista sintetizada por alguém, mas você não é assim, é o teu natural, cintura de interrogação, bem como teu coração. Tu estás em falta comigo no passado preencha as minhas dúvidas e as lacunas e quem sabe ainda haverá espaço para ti…
—  De Todos Os Vícios Que Eu Poderia Ter Amar-te Foi O Mais Devastador De Todos Eles - Pierrot Ruivo