tempo escuro

Fui até a geladeira para pegar uma garrafa de cerveja e logo após me sentei na cama. Naquele momento, o tempo me definia: frio, escuro e vazio.
— 

Início de sobrevivência sem você. (Desmoralizado).

estamos juntos nessa

eu já quis desistir
eu já quis me ausentar [desse corpo, dessa vida]
eu já desanimei
eu já quis abrir mão de tudo
já me olhei no espelho e não me reconheci, esfreguei meu rosto com força só para encher as minhas mãos de lágrimas e ter mais um motivo para me odiar
olhos vermelhos, olheiras e a fraqueza estampada em minha testa, lembrando-me que eu não era o suficiente - e nem queria ser - esse era o meu estado [o meu estado por dentro era mil vezes pior]
eu já não soube para onde ir, já me escondi, me excluí
me tranquei em meu quarto e fechei as janelas
eu já perdi todas as razões para continuar
já ri de quando diziam “vai passar”
eu cheguei a ser apenas um eco do que um dia eu havia sido
eu era um pedido de socorro e um medo cruel de ser resgatada ao mesmo tempo
um tiro no escuro
mas hoje eu estou aqui, inteira, reconstruída, caquinho por caquinho
todas as minhas células foram renovadas, com o tempo e com a vontade de melhorar
aquela vontade que volta e meia acendia uma chama dentro de mim em meio a uma faísca e outra
a esperança renasceu
eu me levantei
e agora eu grito por mim e por você: tudo vai ficar bem
encontre no céu razões para acordar
encontre nas flores razões para viver
encontre no canto dos pássaros razões para se fortalecer
para começar a acreditar em você nunca é tarde

Se eu tivesse que pensar em uma metáfora que te descrevesse, eu diria: uma luz no fim do túnel. Bobo, eu sei, mas verdadeiro. Finalmente uma luz que não fosse um caminhão prestes a me atropelar e, em milésimos de segundos, me atirar ao chão. Uma luz que de tão sutil me atiçou a vista e me provocou curiosidade. Que de tão bonita me fez chegar perto. E que de tão perto me fez arriscar. Te toquei… e tudo ao meu redor se iluminou. Se eu tivesse que inventar uma metáfora agora, eu diria que você acendeu o meu sorriso fosco e aqueceu as pontas dos meus dedos gelados. E tudo virou um jogo de luz e sombras, que não mais me apavoravam. Você levou embora meus pesadelos e afastou o meu medo do escuro. Você trouxe presença ao meu caminho, de forma que eu nunca mais me senti só. Admito que, quando lá no fundo você me surgiu, os meus olhos duvidaram: depois de muito tempo no escuro, a gente endurece. Mas você, com toda a sua luz quente, derreteu tudo o que havia petrificado em mim. Assim, aquecida e iluminada eu pude olhar ao meu redor e me enxergar de uma maneira que há muito não enxergava. Vi que também existia uma faísca bem dentro de mim. Foi então que você me tomou pela mão e me levou adiante. Me mostrou que o mundo é bem maior do que eu podia ver na escuridão. E eu te segurei com todo o cuidado do mundo para que você nunca perdesse o brilho e se perdesse de mim. Se eu pudesse inventar uma metáfora, eu diria que, neste momento, desejo iluminar suas noites tanto quanto você ilumina as minhas. E se você estivesse bem aqui na minha frente, bastaria sorrir para que eu pudesse te entender sem metáfora alguma: a minha luz provém da tua.
—  Rio-doce
Então eu decidi me sentir culpada pela ultima vez, abandonei esperanças, vida social, cachorro, peixe, família, e fui viver. O sol ardeu nos meus olhos, depois de tanto tempo no escuro, vivendo um tipo de amor que consome, doente, cego, estático, cru. Amor pra ser amor tem que deixar marcas, e cicatriz não é marca. É sinal. Sinal de que alguma coisa deu errado, mas você sobreviveu. E a gente deu muito errado, deu erradíssimo, compreendeu agora? Eu passei mil e quinhentas vidas achando que o problema da nossa não-relação era eu. Que a culpa era minha, que a falta era minha, que os erros eram meus, tudo era meu. Você não era, entende agora? A gente nunca foi nada, eu sempre enxerguei isso, mas a esperança nas mãos erradas é um desastre, todo mundo sabe. Após meses ensaiando nosso discurso de despedida eu sufoquei com as palavras, e pude ver um filete de luz no fim do túnel, a esperança em deixar de viver com migalhas e passar a existir com porções generosas de carinho. De desamor eu só acumulei fraturas, resultado das rasteiras que você, a vida, o universo colocaram a prova em cada segundo que estivemos juntos. Eu acabei me acostumando a te usar apenas como uma muleta emocional, porque o amor, o amor mesmo já foi a óbito, faltava só a coragem pra lacrar a sepultura. E acontece que depois de passar muito tempo no escuro, você acaba achando que não merece alguns raios de sol, que a terra ficou estéril, que o zumbido no ouvido nunca vai passar. E aí passa. Assim, do nada. A gente treme as pernas umas duas vezes, mas começa a andar outra vez, e aprende a viver mais quinhentas mil vidas. Se reinventa, se recomeça, se precisa de novo e não para. Mesmo que o caminho continue escuro, que o cabelo esteja seco, que as curvas sejam só curvas, que o sorriso seja amarelo, que os olhos ainda estejam tristes, que a vida ainda seja oca. Quando a gente decide sair de um funeral, o luto passa. E a vontade de continuar morta, também.
—  Ciceero M com Morbidavel.
E eu andava envergonhado por estar bravo com Deus. Por isso eu não tinha Lhe dado todo meu fardo. Carregava-o sozinho. E estava me afogando com o peso. Significou tanto para mim receber permissão para lutar com Deus. Ser relembrado que, assim como eu sempre estarei presente para a Emma, não importa o que ela tenha feito, pois as ações dela não me farão amá-la menos, Deus se sente desse modo em relação a nós. Os tempos escuros em nossas vidas não acontecem porque Deus nos deixou, mas porque nós nos afastamos. E a alegria que Ele vivencia quando retornamos é… inimaginável.
—  826 notas de amor para Emma.
sobre quando você percebe que se acostumou ao caos:

eu sempre fui atormentada pelos meus demônios. bem antes de entender o que isso significa, na verdade. quando entendi, quase desmoronei. nunca tinha notado essa neblina que costumava me cobrir, e, por esse motivo, nunca tinha me importado com ela. o problema é que, depois de perceber que ela existia, não conseguia me desvencilhar e ver as coisas com clareza. eu estava completamente encoberta por ela. com o tempo, porém, acabei conseguindo me libertar. cheguei a pensar que estava completamente livre, mas não: eu tinha me acostumado à dor, só isso. já estava há tanto tempo no escuro que meus olhos se adaptaram. o caos continuava lá, e a única diferença é que não era mais uma neblina: era uma sombra, que me seguia por onde quer que eu fosse, mas estávamos separadas. não me consumia, não me envolvia, não me cegava. mas existia. e sempre vai existir. 

vrv

Devaneios de uma garota suicida

 É como um quarto escuro durante a noite. Algumas vezes, a luz se infiltra pelas frestas da janela e nos traz um pouco de luz. Na maior parte do tempo, apenas escuro.

  É como uma gaiola. Somos pássaros encarcerados. Presos entre barras. Enxergamos a luz, os caminhos, as pessoas, as cores. Porém, ainda estamos enjaulados. Alguns acorrentados ao sentimento de culpa, outros no ódio - na maior parte do tempo, de nós mesmos. Todos submersos em dor. Aquela que consome e engole. Revira as entranhas.

  Dá vontade de chorar, mas o choro trava na garganta. As lágrimas? Secaram antes mesmo que eu tivesse tempo de assimilar que chorava. A solidão é companheira. A escuridão cresce a cada dia. Afoga. Tudo me puxa para baixo, como a gravidade me atraindo ao inferno. Pés, pernas, tronco, braços. Atirada no chão, ajoelhada, abraçando a mim mesma. Implorando por clemência, sempre implorando. “Por favor; por favor. Só quero morrer.” - sussurrando para o vento, para a noite ou para seja lá o que puder me ouvir.

  Sangrando por dentro; sangrando por fora. A dor me mantém acordada. De noite, quando durmo, acordo entre um pesadelo e outro. Sempre suada, com lágrimas pelas bochechas, tremendo. Sempre achando que nunca mais voltarei a sentir nada. Sempre voltando àquele imenso buraco escuro no meio, bem no meio de meu ser. Àquele buraco em minha alma.

- Giulia Bittencourt.

Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido cívico, que não deve confundir-se nunca com a caridade. É um tempo escuro, mas chegará, certamente, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra. Talvez estejamos a percorrer um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser. Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada… alguma coisa não funciona. Talvez um dia!
—  José Saramago, ‘La Verdade (1994)’
E lá fora, o mundo desmorona. O tempo é escuro, frio e a chuva é constante, e lá estava ela, observando o carro que passava e jorrava água na criança que brincava com as poças de água como se fosse o paraíso, o casal apaixonado que viviam aquele clichê de beijar na chuva no momento, a mulher que lutava contra o vento, e ela? com seu chocolate quente e um de muitos dos seus livros sobre ficção, imaginava o dia em que o mundo seria tão melhor quanto aquele dia.
—  Naiara.
Acho que sonhei com você e queria te dizer. Eu não lembro como foi, mas acordei bem, feliz, vendo o céu lá fora colorido depois de muito tempo no escuro — ele está nublado. Mas não tenho o seu telefone para te ligar e contar tudo o que tenho imaginado, e é até melhor. Dentro de mim existe milhares de medos bobos e um desses é contar o que sinto e não me levarem a sério. Você, portanto, não pode saber que estou me tornando uma dependente de seu sorriso, usaria ele como arma toda a vez que eu ameaçasse ir embora. E eu ficaria em todas as vezes.
—  Os porquês de Amélia Roswell.
O mal e o remédio estão em nós. A mesma espécie humana que agora nos indigna, indignou-se antes e indignar-se-á amanhã. Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido cívico, que não deve confundir-se nunca com a caridade. É um tempo escuro, mas chegará, certamente, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra. Talvez estejamos a percorrer um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser. Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada… alguma coisa não funciona. Talvez um dia!
—  José Saramago, in ‘La Verdade (1994)’.
Mas eu não posso te culpar. Você passou tanto tempo trancado no porão escuro da vida que não sabe mais como lidar com coisas coloridas. Viveu todo esse tempo imerso na dor e agora não consegue voltar a superfície de um sentimento bonito, limpo, puro. Eu não acho que você seja uma pessoa ruim. Eu acho que você desaprendeu a lidar com o amor. É isso.
—  Allie para Noah.
Tem tanta coisa passando pela minha cabeça agora, coisas que só chegam à gente em madrugadas solitárias. Coisas tal como a solidão. Me pego me perguntando “desde quando sou assim tão só?”, me perguntado o que eu fiz de errado para ter afastado todos da minha volta. São nessas noites silenciosas que olho para os lados e não vejo ninguém, e realizo que talvez essa tem sido a minha vida a muito tempo. No escuro. Confusa. Sozinha.
—  Mariana Barcelos
Não sei dizer o que se passava na minha cabeça enquanto chorava, apenas que tudo parecia, ao mesmo tempo, melancólico, escuro, detestável, infeliz e miserável.
—  A Lista Negra.
Eu tenho quase duas décadas e nunca fiz nada de relevante na minha vida, sinto como se tivesse passado todo esse tempo em um quarto escuro esperando que alguém viesse e ascendesse a luz.
—  Isso soa como um festival de pancadas, não quero ser visto, lembrado como “apenas mais um”… -Ebriático
O mal e o remédio estão em nós. A mesma espécie humana que agora nos indigna, indignou-se antes e indignar-se-á amanhã. Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido cívico, que não deve confundir-se nunca com a caridade. É um tempo escuro, mas chegará, certamente, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra. Talvez estejamos a percorrer um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser. Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada… alguma coisa não funciona. Talvez um dia.
—  José Saramago.
A vida é uma dádiva
E se tempos escuros assombram a sua vida
É só esperar uma raio de sol aparecer
Nada dura para sempre.
—  Mais do que meu amigo, Victor Hugo