tempestad

Amo-te. Vejo nascer e pôr-dos-sóis, dias acabados e noites insones passarem há mais de um ano, grandes ócios e tempestades, ressacas marítimas e sóis à pino. Tua pele queimada do verão de devaneios em Veneza, os passeios pelos campos e videiras, brisa amadeirada de teu perfume ricocheteia meu rosto corado, invade-me pulmões e alma. Enrosco meu corpo ao teu: pertenço-te em princípio, nunca pertenci de tal forma à segundo. Meus dedos serpenteiam por teu pescoço, ligam tuas pequenas estrelas em constelações de nosso universo particular. A noite traz a bruma e resta-nos a cor púrpura e artificial, tingindo teus olhos, na penumbra, ao negro. Vê-me com ternura e ânsia, vejo-te sacro, apenas meu, imponderável amor. Possessor de minha psique, num contrato incorruptível, demonizo-te: castiga-me arrancando o sono, permaneço noites em claro, tua falta consome meu corpo em febre infernal, o cansaço me carrega aos sonhos onde teus dedos acalentam minha pele, como fosse porcelana delicada e bonita aos teus olhos. Torno-me criatura de aspecto frágil, envolta em ti, pertenço-te de todas as formas concebíveis. Cada fração de segundo que faz de mim tua deusa, todas as crenças despencam por terra. Somos apenas nós e o universo, entidades pertencentes um ao outro. Teu corpo, teu gosto, tua voz: deliro. Morro por instantes em tua posse, adormeço cansada. Fui tua, sou tua. Não quero e não pertenço ao que não está contaminado de você, tusso o ar límpido para fora de meus pulmões. Debato-me ao ser arrancada de teus braços, meu berço de vida e morte. Vejo teus olhos fecharem, adormece e envolvo seu corpo ao meu, acalento teu rosto e cabelos. Meu menino, mio bambino. Sou eternamente encantada pelo teu sorriso bobo, tuas filosofias, teus medos, teus risos pertencendo-me, teus olhares pertencendo aos meus. Eu serei, apenas serei, em tuas condições, serei. Amo-te como nunca amei outro, amo somente a você e tua imensidão, como amo a imensidão dos céus e mares. Julga-me não merecedora de minhas preces?

to c., from j.

Sempre haverá tempestade em nossas vidas, que vamos pensar que é o nosso fim, ou que nosso barco vai afundar, que não tem mais jeito. Mas não devemos esquecer que no meio da tempestade, no meio desse mar revolto, Jesus está dentro do nosso barco, tomando controle de tudo, e Ele não dorme, Ele está cuidando de nós a todo tempo nos mínimos detalhes.
—  Falando sobre Deus, Alef Santos.