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VIOLÊNCIA É A TARIFA! - São Paulo, 14/01/2016.
Foto: Mídia NINJA.

Leia o manifesto do Movimento Passe Livre São Paulo:

“Em 2013,a população mobilizada barrou o aumento da tarifa. De lá para cá, ao invés de respeitar a conquista histórica do povo, a Prefeitura e Governo do Estado aumentaram em 80 centavos a tarifa, 26% em relação aos R$3,00! Pelo segundo ano seguido o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad deram as mãos e aumentaram juntos as passagens de trens, metrôs, ônibus urbanos e interurbanos.

Esse aumento absurdo prejudica principalmente a população mais pobre. Estudos do IPEA sugerem que mais de 400 mil pessoas podem ser excluídas do transporte público só na cidade de São Paulo por não poder pagar a tarifa. Esse aumento só interessa aos empresários do transporte, que mantém seus lucros milionários. O valor da tarifa, assim como sua própria existência, é uma decisão política, que nada tem haver com a inflação. É a decisão de fazer a população arcar com a farra dos ricos pagando não só com a delapidação dos seus salários, mas também com seu sofrimento cotidiano nos ônibus e trens lotados! Não aguentamos mais!

O direito à cidade é a pauta básica do MPL. Ontem vimos que ainda há muito pelo que lutar. A cidade esteve sitiada pela polícia militar numa verdadeira operação de guerra contra a população, que se reunia para lutar contra mais um aumento de tarifa. As barreiras policiais são mais uma das inúmeras catracas que enfrentamos todos os dias. Elas impediam que a população participasse da manifestação, revistando e prendendo pessoas que tentavam passar pelo bloqueio policial para chegar até o ato.

Foi instalado um clima de terror impedindo nosso direito democrático de manifestação. A tática orquestrada pela Polícia em 12/01 era obrigar a manifestação a descer pela Consolação, onde tinha sido armada um verdadeiro matadouro, com policias da tropa de choque espalhadas ao longo do percurso.

Ao denunciarmos esta situação, e insistir em nosso trajeto original, o ato foi reprimido antes mesmo que ele começasse, situação que nunca ocorreu em um ato organizado pelo MPL. A PM cercou o ato completamente, nos impediu de seguir nosso trajeto, quis impor um trajeto que levava a manifestação para a praça de guerra montada no centro da cidade, e quando o ato tentou sair, sem descumprir nada do que havia sido informado ao Comando da Polícia, massacrou os manifestantes com bombas de estilhaço, de gás lacimogênio, balas de borrachas, spray de pimenta e porrada.

A PM continuou perseguindo os manifestantes após a implosão do ato, deixando dezenas de feridos, com fraturas expostas pelos estilhaços de bombas, atropelando manifestantes com motos, novamente atirando com bala de borracha nos olhos das pessoas. Além dos vários detidos durante o ato na manobra conhecida como Calderão de Hamburgo, proibida em diversos países, a PM encaminhou 16 detidos as Delegacias, e 2 seguiram presos: um adolescente espera decisão da Vara da Infância para ser liberado ou encaminhado à Fundação Casa, e um maior de idade que acaba de ser liberado na audiência de custódia.

As cenas de terror que vivenciamos não foram despreparo da Polícia: são parte de uma estratégia de endurecimento da repressão. O Secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, defendeu a ação e fez uma estranha coletiva às 21h, quando a população que resistia ainda era reprimida no centro, defendendo que os movimentos sociais não tem direito de decidir o trajeto de seus atos. E a repressão que assistimos ontem não foi isolada. A SSP mostrou que está disposta a trabalhar na ilegalidade para combater os protestos e defender as catracas: na segunda-feira, a Polícia Militar fez uma ofensiva contra os manifestantes, divulgando em tom de ameaça uma série de imagens de pessoas que teriam agredido um policial militar infiltrado durante protesto após terem presenciado o mesmo policial à paisana dando golpes em um manifestante.

Após a divulgação dessas imagens, SEM NENHUM MANDADO DE PRISÃO, a Polícia Militar foi na casa de duas pessoas que dizem que nem sequer participavam da manifestação, e supostamente teriam sido identificadas nessas imagens, e de forma absolutamente ilegal as levou presas para o 3o DP. A partir daí uma série de coações e ilegalidades se seguiram, diferentemente da versão apresentada pela polícia militar, eles foram obrigados a ir para a delegacia.

Como comprova o boletim de ocorrência, a chegada ao DP ocorreu as 20:13. Na delegacia, uma série de abusos ocorreu, a começar pelo fato de que as pessoas estavam detidas ilegalmente sem ordem judicial, e sem que aquilo configurasse um flagrante. No 3o DP, argumentou-se que essas prisões estariam dentro de um boletim de ocorrência por roubo registrado no 2o DP na sexta-feira, dia 08/01, mais de 72 horas antes. Para buscar legitimar essa atuação absolutamente ilegal da polícia militar, o delegado da polícia civil conseguiu um mandado judicial decretando a prisão temporária dessas três pessoas em plena madrugada, que foi emitido às 01:48, ou seja, muito depois da PM ter prendido as pessoas em suas próprias casas.

Os dois seguem presos temporariamente, tendo sido a prisão decretada por um prazo de 5 dias. Além disso, outra pessoa foi presa em flagrante na sexta-feira, também no 2o DP, acusada de roubo da mochila do policial infiltrado. Ao todo, nesse momento, ao menos 5 pessoas seguem presas em virtude das manifestações contra o aumento da passagem.

Ao invés de discutir o transporte, o governo mostra que o único diálogo é a repressão. E a única prioridade também: os tanques blindados para conter as manifestações custaram R$30 milhões de dinheiro público, e cada uma das centenas de bombas lançadas contra a população chega a custar R$800. A munição que nos ataca é tarifa zero, bancada pelos impostos, mas a tarifa do transporte não! Não vamos nos intimidar! Resistiremos até o fim de todas as catracas!

R$3,80 NUNCA!

Movimento Passe Livre - SP

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+ http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,pm-explodiu-uma-bomba-a-cada-sete-segundos-na-paulista,10000006953
+ http://www.jornalggn.com.br/noticia/tatica-usada-em-protesto-e-condenada-pelo-proprio-manual-da-pm
+ http://m.huffpost.com/br/entry/8969030 — emTeatro Municipal De Sao Paulo.

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Tickets are still available for Sharon’s Fall Tour. We hope you enjoy this live performance of Tarifa filmed by Valerie Toumayan at Cafe De Le Danse in Paris, France. See you soon.