subcelebridades

No calor da sociedade

Há algo de muito errado quando os ricos de um país, quando aqueles que ostentam toda pompa em vestes garbosas, são os mesmos que deveriam servir ao público, mas praticam o desserviço com canetas compradas, com canetas nervosas e corações sombrios, marginais que ditam a margem, supõem-se acima do bem e do mal, comprando notas na coluna social para a filha feia ser subcelebridade regional.

São tantas monarquias, esse Estado vaidoso, orgulhoso e cruel, haja rei para tanta barriga e trono para tanta dinastia, haja sonífero para dar sono e estômago para chegar ao âmago, haja consciência para parar de fingir e não se curvar a esses falsos donos, haja deuses para tanto céu - há de chegar o dia.

Mas, ainda assim, quem está fora quer entrar, quem está dentro cala a verdade e não pensa em sair, já a andorinha solitária num inverno tenebroso paga o pato pela epidemia do silêncio, essa gripe aviária da ilusão, a doutrina da omissão, do “quem quiser que se foda”, vira caça, pobre pária deslocado em uma pátria pobre, tanta riqueza, de mentiras ditas com sinceridade, de tão poucos valores, de doutos esnobes, de atos de ofício no calor da sociedade, de vermes corruptos sob a alcunha de doutores.

- Transtorno Poético -