spegazzini

El Calafate - Argentina

De El Chalten até El Calafate são pouco mais de duas horas de ônibus. El Calafate fica próxima da fronteira entre a Argentina e o Chile, sendo que, por conta de sua localização, é o centro da atividade turística na região, partindo de lá várias excursões para os diversos cerros, lagos e glaciares existente em seus arredores.

Chegamos em El Calafate as 15 horas, tomando um taxi da rodoviária até o Hostel no qual possuíamos reserva, o America del Sur. Como estamos viajando um dia adiantado em decorrência do Trem Patagônico estar fora de operação, não havia lugar para nós no Hostel.

A falta de lugar não foi problema, tendo o recepcionista do America del Sur rapidamente providenciado outro lugar para ficarmos, a uma quadra dali, no Hostel Marcopolo Inn.

A atendente do Marcopolo Inn foi muito atenciosa conosco, nos explicando que teríamos que ficar uma noite em um quarto privado até que liberassem três vagas em um quarto coletivo. Sem problemas, fizemos check in, pagando o mesmo preço do quarto coletivo, 180 pesos a diária, um pouco acima do pago nos outros hostels até o momento.

Deixamos nossas coisas no quarto e saímos pela cidade para nos informar sobre os passeios que faríamos nos próximos dias, já tendo em mente o famoso trekking sobre o Glaciar Perito Moreno e o passeio de barco que passa por todos os glaciares da região.

No caminho, paramos comer alguma coisa em um lugar bem interessante, chamado Borges y Alvarez Librobar. Trata-se de um bar livraria, com várias estantes repletas de livros, decorado com pôsteres de bandas de rock e outros objetos. O bar é bem agradável e tem preços não tão caros, considerado ser El Calafate uma cidade turística. Gastamos em torno de 80 pesos cada um para comer e tomar uma Amstel, bem diferente da vendida no Brasil.

Depois de nos informamos em algumas lojas da via principal de El Calafate, onde se concentram as agências e turismo, descobrimos que existe apenas uma empresa que realiza cada um dos passeios que pretendíamos fazer: A Hielo & Aventura é a empresa que possui a concessão para o trekking sobre o Glaciar Perito Moreno e a Solo Patagônia S/A a que possui a concessão da navegação para o passeio nos glaciares.

Levando em conta tal informação, bem como o fato de todas as agências de turismo venderem os passeios destas duas empresas, cobrando uma comissão, tentamos fechar diretamente com elas.

No caso do trekking sobre o Perito Moreno, passamos no escritório localizado na Avenida Libertador e fechamos direto com a Hielo & Aventura, custado o passeio o valor de 800 pesos argentinos.

Já no caso do passeio de barco pelos glaciares, nos disseram que a empresa Solo Patagônia S/A não vende os pacotes diretamente, motivo pelo qual acabamos fechado com uma empresa indicada pela dona no Hostel, a qual não me recordo o nome, mas que possui escritório ao lado da Hielo & Aventura, ao custo de 850 pesos.

O passeio de barco conseguimos fechar para o dia seguinte, tendo o trekking ficado para o próximo dia.

Considerando que passariam nos pegar as sete da manhã no Hostel, fechamos os passeios e voltamos para o Hostel. Antes, passamos no Supermercado La Anonima para comprar pão, queijo e presunto para os sanduíches que levaríamos para comer no barco, conforme fora orientado pela atendente da agência de turismo.

No Hostel, jantamos omelete e sanduíches que a dona fez para nós, ao custo de 45 pesos o omelete e 40 o sanduíche. Tomamos um pouco de vinho que compramos no La Anonima e fomos dormir.

De manha, pulamos seis horas para arrumar as malas, pois deveriamos desocupar o quarto antes de sairmos para o passeio. Tomamos o café da manha do Hostel e ficamos esperando o ônibus que passaria nos buscar.

O ônibus chegou exatamente na hora marcada. Embarcamos e partimos pra viagem de 45 minutos até Puerto Bandera, que fica nos arredores de El Calafate, as margens do Lago Argentino. Chegamos lá, pagamos a entrada no Parque Nacional Los Glaciares, de 90 pesos, e nos dirigimos ao cais para embarcarmos no catamara que nos levaria aos principais glaciares da regiao.

O catamara saiu de Puerto Bandera aproximadamente as 8 horas e 30 minutos, navegando por algumas horas pelo Brazo Norte do Lago Argentino, passando por vários icebergs, até chegar no Glaciar Upsala, onde o barco parou por algum tempo para o pessoal tirar fotos.

O Glaciar Upsala impressionou pelo seu tamanho, sendo que do barco tinhamos uma ótima vista panoramica da enorme barreira de gelo.

Depois do Glaciar Upsala, o catamara navegou por mais algum tempo, desta vez pelo Canal Spegazzini, até chegar ao Glaciar Spegazzini, segunda parada. O Glaciar Spegazzini é o mais alto do Parque Nacional Los Glaciares.

Depois de mais um tempo parados para fotos, o catamara voltou a navegar, desta vez pelo Canal de Los Tempranos, até chegar na grande estrela do passeio, a parede de ruptura do Glaciar Perito Moreno.

O Glaciar Perito Moreno se estende por uma superfície de aproximadamente 250 quilômetros quadrados, sendo sua área maior do que a da Ciudad Autonoma de Buenos Aires, conforme informado a bordo.

Nesta parada, sacamos várias fotos, tomando uma rodada de Quilmes enquanto apreciávamos o glaciar.

A zona de ruptura, da qual o catamara se aproximou, é o local em que o glaciar termina, em meio ao Lago Argentino. O glaciar é formado pela neve que precipita na Cordilheira dos Andes, que vai se sobrepondo a camadas mais antigas até formar blocos de gelo. Segundo nos foi informado, o tempo médio para que a neve que precipita na Cordilheira dos Andes chegue até a zona de ruptura na forma de gelo é de aproximadamente 300 anos, momento em que se desprende e cai nas águas do Lago Argentino.

Uma curiosidade é que o Glaciar Perito Moreno é um dos únicos do mundo e o único de toda a Cordilheira dos Andes que se encontra estável, ou seja, nao está diminuindo por conta do aquecimento global. Segundo nos foi dito, esta estabilidade decorre das características da regiao do glaciar.

Outro ponto curioso é o nome do glaciar. Desde Bariloche, onde entramos na Patagônia Argentina, vinhamos observando que existem diversos locais batizados como Perito Moreno, como ruas, avenidas, pracas, prédios, e até mesmo uma cidade no caminho entre El Bolson e El Chalten.

O nome faz referência a Francisco Pascasio Moreno, explorador argentino que dirigiu diversas viagens à Patagônia durante o século XIX, enquanto ela ainda era considerada uma terra de ninguém, fixando marcos e elaborando mapas da regiao. O “perito” em seu nome lhe foi atribuido pelo seu extenso conhecimento nas mais diversas ciências.

Depois de tirarmos algumas fotos, fomos presentados por uma senhora com um copo de uísque com gelo do glaciar que recebeu de sua agência de turismo, vez que ela nao bebia. Durante a volta para Puerto Bandera, subimos até a parte mais alta do catamara e, bem na caruda, batemos na porta da cabine do capitao e pedimos se poderíamos entrar e tirar algumas fotos. Diante do positivo, entramos e tiramos fotos no timao do barco e uma foto com o capitao, que só nao ficou melhor por conta da minha cara de louco.

Durante toda a viagem, conversamos com um senhor holandês que estava sentado na mesma fileira que nós. Este senhor tinha uma vontade incrível de aprender português, pois visitaria o Brasil nos próximos dias. Foi muito legal a longa conversa que tivemos, ficando ele muito feliz quando o ensinávamos uma palavra nova. Tratava-se ele de um psicólogo muito bem instruído, com o qual conversamos sobre a política brasileira, a situacao do país, bem como sobre como as coisas funcionam na Holanda.

No barco, conhecemos também um brasileiro de Curitiba, aposentado na Sanepar, com o qual conversamos muito. Era um senhor bem extrovertido, nos disse que estava viajando por que “a véia merecia, tá me aguentado já fazem 40 anos”. Aficcionado pelo Coritiba, nos disse que ia a todos os jogos, pois “tem que sair né, se ficar em casa é só pra brigar com a muié”. Ficou indignado quando nos dissemos quanto estavamos gastando para viajar, nos dizendo que estava fazendo uma viagem bem menor ao custo de 15 mil dólares por casal.

Chegamos de volta a Puerto Bandera aproximadamente as 16 horas, subindo no onibus para a volta a Calafate. Chegamos no Hostel umas cinco e pouco para tomar banho e sair comer algo. Chamamos um táxi o perguntamos para o taxista nos levar a algum lugar bom e barato que servisse um prato conhecido como Cordeiro Patagônico, o qual vínhamos ouvindo falar já fazia um tempo.

Ele nos levou a um lugar chamado El Cambalache. O local é bem simples, com ótimos precos. O problema é que a hora que chegamos a cozinha já tinha fechado, só saindo pizza. Sem escolha, pedimos uma pizza e meia e uma pepsi dois litros.

Depois, caminhamos até a Avenida Libertador, distante umas três quadras, e fomos até o único cassino da cidade, onde nos disseram que teria um show de rock e que a entrada eram módicos 5 pesos.

Chegamos no cassino, pagamos os 5 pesos, deixamos os casacos na chapelaria e entramos. Que armadilha, rock porra nenhuma! Tava tocando algum tipo de salsa, com uns 4 casais dancando. Ficamos lá uns 20 minutos, tempo de terminar as cervejas que pedimos, para entao voltarmos para o Hostel.

Na manha seguinte, acordamos as 9 horas, tomamos café e ficamos esperando a van que nos buscaria para irmos ao trekking sobre o Glaciar Perito Moreno. Ela chegou um pouco depois da hora marcada, tendo passado em mais alguns hotéis para após transferir-nos para um ônibus que nos levaria até o glaciar.

O passeio que compramos incluia, além do trekking, uma caminhada pelas passarelas que cercam o glaciar. Chegamos no centro de visitantes, depois de pagarmos mais 90 pesos de entrada no Parque Nacional Los Glaciares, e fomos para as passarelas. De lá, pudemos apreciar alguns pequenos desprendimentos de gelo, que geram um barulho muito alto e caem nas águas do lago.

Voltamos para o centro de visitantes, onde comemos uns sanduíches, ficando entao esperando o onibus voltar para nos levar para um pequeno porto que tem dentro do parque nacional, de onde iríamos para o glaciar.

Ao chegarmos no porto, embargamos em um barco bem menor do que aquele do dia anterior, navegando por cerca de vinte minuto até chegarmos na face oeste do Glaciar Perito Moreno.

Do outro lado nao há sequer porto, parando o barco em um barranco de pedras onde o pessoal desembarcou. Dali, caminhamos até um refúgio onde deixamos nossas mochilas e recebemos luvas, comecando uma caminhada de meio hora até o comeco do glaciar. Durante o caminho, presenciamos uma cena realmente incrível: Um enorme bloco de gelo se desprendeu do glaciar, gerando ondas enormes no lago. Tinha um pessoal no início do glaciar, voltando do trekking, que teve que sair correndo para nao ser atingido pelas águas geladas que invadiram a terra.

Até mesmo nós, que estavamos bem longe do lugar da queda, vimos as ondas muito próximas de nós. Eu comecei a filmar logo depois da queda, acompanhando toda a movimentacao do lago. Depois que acabou, me dei conta que só tinha aberto o aplicativo da câmera, sem apertar no botao para filmar. Merda.

Depois de um tempo de caminhada pela beira do lago, chegamos em outra cabana, desta vez ao lado do glaciar. A vista dali era incrível, estávamos aos pés do Perito Moreno, que é muito mais alto do que parece.

O vento já soprava muito mais frio. Ali, colocamos “grampones” nas botas, para podermos caminhar sobre o gelo, partindo para o trekking.

A sensacao de caminhar sobre o gelo é incrível. Você se sente como uma formiga dentro de um freezer. O solo é duro, devendo se pisar com firmeza para que os “grampones” finquem no gelo, evitando uma queda.

Caminhamos no gelo por mais ou menos uma hora e meia, subindo e descendo, passando por fendas profundas e córregos de água puríssima.

Paramos em um dos córregos para encher as garrafas de água, momento em que o guia nos disse que tinha certeza que nunca tinhamos tomado uma água tao pura quanto aquela. Ele estava coberto de razao, a gelidez e a pureza da água do glaciar sao incríveis.

Depois da caminhada, já próximos a cabana onde colocamos os “grampones”, mas ainda sobre o gelo, chegamos a um local onde haviam duas mesas de ferro, com alfajores e duas garradas de uísque. Ali, tomamos uísque com gelo do glaciar por um tempo, até comecarmos a voltar, após tirarmos os “grampones” e sentir os pés leves novamente..

De volta ao refúgio, comemos uns sanduíches que levamos na mochila e pegamos o barco, para após entrar no ônibus e voltarmos para o Hostel. Nesta noite, comemos uma pizza de mussarela que a dona do Hostel fez, ao custo de 100 pesos, e fomos dormir mortos de cansados.

De manha, pulamos cedo pois nosso onibus para Puerto Natales saia as oito horas. Fizemos check out no Hostel, pagamos a comida e a bebida que consumimos, bem como a lavanderia, chamando um táxi para irmos até a rodoviária.

A viagem até Puerto Natales, com previsao de 5 horas, passou um pouco do tempo por causa da burocracia na fronteira com o Chile. A fronteira chilena é realmente muito segura. Enquanto carimbávamos os passaportes, os policiais fizeram um arrastao no ônibus e nas bagagens, utilizando até mesmo caes farejadores pra encontrar drogas.

Tudo limpo, continuamos viagem por mais uns 50 minutos até chegarmos a Puerto Natales, onde está muito mais frio que em El Calafate, ficando o relato daqui para a próxima postagem.


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