sorriso dourado

“Quando o mundo não tinha cor, a vida se fez luz em Oxum
A água correu solta pelos caminhos e dourava as sementes
que logo floresceram felicidade, sorrisos e afetos dourados.
Quando tudo era nada, tudo que restava era a fértil esperança de de que tudo melhorasse e que as possibilidades brotassem na terra, como gotas de amor que brotam das pedras.
Eu via o mundo de longe, calculava os passos e trajetos
Imaginava a travessia e só tinha certeza que a luz do fim do túnel tinha nome, era ela…
A luz que embalava minha certeza de vida, era Oxum.”

(Roger Cipó)

Eu queria que tu soubesse que foi uma das melhores coisas que Deus me deu, queria que você soubesse que além disso, você é um dos meus motivos pra sorrir, Deus é tão justo, perfeito e único de colocar na minha vida uma melhor amiga “virtual” tão perfeita como você Carolinne de Lima, é tão ruim nunca dar certo de poder te ver, é tão ruim te ter longe, é um vazio que só quando a gente se ver vai ser preenchido. Você é tão linda, me faz tão bem, sempre tá se importando, se preocupando comigo, me fazendo sorrir, sabe eu queria ser boa o suficiente pra você como você é pra mim, e se eu sou chata, ciumenta, dou rt em tudo seu, te menciono, te irrito, te chamo no chat umas 5 vezes por dia, é porque simplesmente eu não consigo ficar sem falar com você, por que a vida me tirou pessoas e eu não entendi porque, mas era porque Deus estava preparando uma pessoa melhor, e era você, você pra ser uma pessoa tão boa assim pra mim.
Eu te amo tanto, tanto tanto, você é a melhor amiga do mundo, é a minha menininha de cabelo dourado, do sorriso lindo, das irônias e do “pede pra fulana” “vai com a sua amiguinha” que eu mais amo, você é daquelas chances que a vida não me daria duas vezes, e eu só te peço uma coisa : quando a vida te der mil motivos pra desistir do nosso laço de amizade, não desiste tá? por favor, mesmo que eu te dê todos os motivos do mundo, não desiste de mim, mesmo eu sendo falha assim, e tão arrogante as vezes.
Mas você, é… VOCÊ me fez melhor, me fez uma pessoa mais calma, mais carinhosa, e me fez enxergar outro lado de mim mesma.
Carolinne de Lima Rodrigues, eu te amo muito, tanto que até doe. E te quero sempre bem viu amizinha? desculpa quando eu erro seu nome, eu sou confusa e destrambelhada mesmo…
E me desculpa se eu não sou a melhor amiga que você pediu pra Deus as vezes, mas é meu jeito, e com jeitos e trejeitos você me fez assim, uma pessoa melhor.
Obrigada por tudo, alguns acreditam em anjos eu acredito em amizade, e se um dia me perguntarem porque eu acredito tanto em sentimento a distância, é porque você existe na minha vida.
Eu te amo minha princesa perfeita, minha macaquinha, filha de cruz credo, bichinho do mato, mas minhaaaa hahaha, te amo 4ever my love ♥=
Capitulo 3 - Medo de amar é...

Apertei os olhos pra ver se enxergava quem me chamava naquele carro, afinal, eu não conhecia ninguém que tivesse um carro daqueles e mesmo que eu quisesse tinha mais água do que nitidez nos meus óculos.

— Menina! - eu vi ela descendo do carro com um guarda-chuva.

Correu até aonde eu estava e me colocou embaixo do guarda chuva naquele espaço minúsculo entre os nossos corpos. Estremeci. Conseguia sentir a respiração quente dela misturando com o hálito doce, aquela boca me chamava, mas tive que sair do transe.


— Eu não sabia que você tinha escutado meu nome - foi a única coisa que eu consegui falar.


Ela sorriu. Senti que ia desmaiar a qualquer momento. Meu corpo tremia e eu não sabia se era da presença dela ou do frio que eu estava sentindo.


— Escutei sim. - ela sorriu — não entendi o porque você ter me falado, mas eu escutei. - ela falava e aquela vozinha dela parecia tão infantil quanto o menino que estava com ela no cinema.

O menino. Olhei para o carro e vi por uma fresta, a cabeça dele balançando lá dentro. Devia estar impaciente.


— Escuta Vanessa - ela disse mais uma vez e eu não cansava de escutar ela falar — vou deixar esse guarda-chuvas com você… Eu preciso ir antes que meu filho comece a chorar.


— Tudo bem, obrigada! É a primeira vez que eu vejo alguém sendo gentil comigo. - eu disse acompanhando ela até a porta do motorista.


— Magina! - ela disse — e não se preocupe com o guarda chuva, pode ficar pra você - fechou a porta do carro e saiu

Andei algumas quadras até o ponto de ônibus. Não conseguia tirar da cabeça a maneira que ela pronunciava meu nome. Era até engraçado.. Eu nunca senti dessa forma com nenhuma menina, então porquê será que essa mulher conseguiu mexer com meus pensamentos?!

Sei lá… Só sei que eu precisava tirar ela da cabeça, não por ela ser uma mulher mas por ela ter um filho e provavelmente um marido. Ela nem deve ter percebido a maneira que eu olhei e admirei a blusa que estava semi transparente… Mostrando o delicado sutiã de renda preto.

Enquanto aguardava o ônibus no ponto, já sabendo que a cidade devia estar um caos e que provavelmente demoraria um século a minha condução escutei de novo:


— Vanessa! - dessa vez era o Junior e reconheci pela lata velha que ele costumava dirigir.

Junior trabalhava comigo e Thais na bilheteria mas diferente da gente, já cursava faculdade e seu horário de trabalho no cinema era flexível por causa disso. Muito simpático e carismático, conquistou a confiança do Sr. Pedro e por isso era o único homem a trabalhar no meio de tantas mulheres.
Muito bonito e charmoso, também conquistava corações de meninas e mulheres que passavam pela bilheteria, sempre sendo “Dom Juan”
gostava do efeito causado nas meninas.


— Vanessa! - ele gritou mais uma vez e abriu a porta do carro.


Sai correndo e entrei na lata velha dele. Estava com a roupa úmida, mas não tão molhada quanto quando Clara me ajudou.


— Oi Jú! Obrigada - disse colocando o cinto e fechando a porta.


— Magina pequena! Não sei porquê você não me esperou… Ainda mais com essa chuva. - disse ele bagunçando meus cabelos.


Júnior sempre fazia isso, tratava eu e a Thais como se fôssemos criança, como se ele fosse muito mais velho que a gente, sendo que só tinha uns 3 anos de diferença… Eu achava ele lindo assim como todas, mas a Thais é mega caída por ele e odiava quando ele nos tratava assim.


— Desculpa pai - disse ironicamente revirando os olhos e vi ele gargalhar.


— Você só tem essa cara de santa hein Vanessa… Não quero nem ver o que você esconde por baixo desses óculos. - ele disse ainda rindo.


— Melhor nós irmos porque o caminho é longe… Ainda mais com essa chuva - disse desviando do assunto.


O apartamento que Junior dividia com os colegas ficava há uns 10 minutos da minha casa…então era comum ele me dar uma carona até em casa.

O caminho foi tenso por causa da chuva mas com as brincadeiras de Junior quase não percebemos que demoramos 2 horas pra chegar em casa.


— Obrigada Jú! - disse descendo do carro. — Só você pra me tirar dessas enrascadas!


— Que isso pequena! Não precisa agradecer… Um dia você vai me pagar todos esses favores - piscou e sorriu de lado


— Cala a boca seu mané! — disse já na janela ao seu lado — te vejo por aí.


Ele arrancou o carro e saiu. Só o Júnior mesmo… Era um cara bacana.

Entrei em casa e escutei a TV ligada.


— Mããããe! - chamei mas ninguém respondeu


Fui andando devagar até a sala de TV e vi minha mãe deitada no sofá. Engraçado… Apesar de ser tarde, eu nunca tinha visto ela dormindo no sofá daquela maneira.


— Mãe! - sussurrei e ela abriu os olhos. — Oi mãe!! Está tudo bem? - perguntei já sentindo uma preocupação atencipada.


— Oi filha - ela disse ainda sonolenta — já chegou? - ela perguntou tranquila.


— Como se eu já cheguei dona Solange?! Já são quase meia noite! O que a senhora está fazendo dormindo no sofá? - perguntei e ela levantou em um pulo.


— Meia noite?! Meu Deus!! Dormi demais!! Minha filha tenho que terminar a encomenda de amanhã, os salgadinhos não irão se enrolar sozinhos! - levantou do sofá e foi até a cozinha, eu acompanhei seu passos.


— Mãe… Agora que estou trabalhando, a senhora não precisa mais fazer esses bicos. — eu disse é ela levantou os olhos e sorriu


— Van, por mais que eu saiba do sacrifício que você está fazendo minha filha… Eu quero que esse dinheiro que você ganha seja pra ser desfrutado da maneira que você achar melhor querida. - enquanto falava se sentou à mesa e começou a enrolar os salgadinhos.


— Mas mãe - eu tentei rebater mas não adiantou


— Nada de “mas” Vanessa… Eu sou a mãe, eu devo cuidar da sua educação e você me obedeça - ela disse seria — Seu jantar está no forno querida - tornou a falar docemente comigo.


— Tudo bem mãe. Vou comer e venho ajudar a senhora - disse já vendo que ela iria revidar — e não adianta resmungar dona Solange! Eu vou te ajudar sim!


Esquentei meu jantar e comi conversando com minha mãe. Sabia que a noite seria longa, mesmo comigo ajudando…

Foram mais de 3 mil salgadinhos enrolados. Eu olhava para o rosto da minha mãe e via os sinais de cansaço. Ela era uma boa mãe, sempre me deu tudo que podia e quando não podia se desdobrava para conseguir me dar. Minha infância foi muito diferente das crianças que eu cresci. Minha mãe sempre batalhou horas e horas, como doméstica, caixa de supermercado, passadeira, cobradora de ônibus… Fora os bicos que ela fazia, e esse dos salgadinhos era o mais rentável deles, todo mundo adorava e voltava por eles e foi assim que minha mãe conseguiu a exclusividade pra fazer os salgados do Buffet infantil em Moema, um dos bairros nobres de São Paulo.

— Boa noite mãe - disse enquanto ela terminava de guardar os salgados semi prontos na geladeira


— Boa noite filha, doces sonhos minha menina - me deu um beijo no topo da cabeça e eu lembrei do meu mais doce sonho que teria essa noite, de sorriso infantil e olhos dourados: Clara