sobrevivem

E ali dentro, cada um vive sua própria vida. Ela foi dormir chorando à noite passada. Aquele lá, o da esquerda, já olhou para baixo e quase sucumbiu à força dos sentimentos contidos dentro de si. Aquela menina ali, já sentou na sacada e se perguntou por andava seu pai. Aquele bebê, ainda não sabe nem o que é uma janela. Mas ali dentro, todos sobrevivem as suas vidas. E chega até ser engraçado, saber que existe milhares de pessoas por aí e algumas vezes só uma parede de concreto separa a nossa dor. O endereço não é o mesmo, mas a gente sabe que é igual de alguma forma. Porém, mesmo assim a gente se esconde e finge um faz de conta. Ah, ele é negro, eu sou gordo, ela é metida, aquele é melhor. Aonde foi parar os espelhos que víamos quando os outros também eram humanos?
—  Paragrafias.
Amar de longe não é fácil. É complicado não acordar com aquele cheiro, aquele calor do corpo, aquele abraço. É doloroso não ter aquela voz no ouvido, aquele colo, aquela risada boa e boba. Pode ser logo ali, naquela cidade que fica a quarenta e cinco minutos de avião. Pode ser lá longe, em outro país. Pode ser em outro estado. Pode ser do outro lado do oceano. Não importa: a saudade arde. Mas serve para nos mostrar como o outro é importante. Serve para mostrar como pequenas coisas fazem falta. A saudade faz a gente prestar mais atenção no outro. E, principalmente, a saudade mostra o que é de verdade. Porque só os amores guerreiros sobrevivem ao tempo e à distância.
—  Clarissa Corrêa.
O problema é que nem mesmo eu venho me reconhecendo mais. A vida tá passando tão rápido que devo estar ocupado demais tentando resolvê-la ao invés de me dar o trabalho de lidar comigo mesmo. Mas sabe qual é o meu maior medo perante a isto? De me perder, de me deixar para lá e acabar como essas pessoas que apenas sobrevivem, que reclamam o tempo inteiro sobre o quão infelizes são em suas vidinhas medíocres.
—  Júnior Souza.
Acho que sou anormal, é o que dizem. Só porque depois de tantas decepções, tantos tombos, eu continuo a acreditar nas pessoas. Ainda acredito que haja pessoas como eu, que queira fazer alguém feliz e que se doa na amizade ou no relacionamento. Falando isso em voz alta, vejo o quanto insana eu sou, mas dizem também que os insanos vivem, os “normais” apenas sobrevivem!
—  AnaRita -
Você se sente sozinho, perdido, abandonado, como se nada nesse mundo pudesse preencher o vazio no teu peito. Como se os dias fossem apenas mais uma das milhares coisas que te torturam, te machucam. Como se ninguém se importasse, como se todos não te enxergassem. Invisível, é como você se sente ao andar na rua, ao caminhar no shopping, ao ficar sozinho no intervalo da escola. Eu sei como é se sentir vazio. Sei como é pensar na morte todos os dias. Sei como é ser alvo de piadas, deboches, ser motivo de vergonha, ser chamado de inútil, imprestável, insignificante. Você não pode se render a esses pensamentos, não pode deixar com que essas pessoas tenham o gosto de te ver desistir. Você tem que se levantar e lutar, porque só os que lutam sobrevivem. Você tem que mostrar pra eles que por mais que tentem nos derrubar, nós sempre teremos uns aos outros para nos levantar.
—  Se eu ouvisse isso me ajudaria, espero que te ajude também. Setembro Amarelo.
Amor

Você tem preconceito
Com essas quatro letrinhas
Mas você amor
Ama
Foi treinado
Para o não
Não aos sentimentos
Não a fraqueza
Mas meu amor
Você sente
O amor
Te deixando fraco
Embriagado
E isso
Quebra a cara
De todos os idiotas
Que te ensinaram
A língua
Não
Vivem
Eles apenas sobrevivem
Atrapalhando a vida
Alheia
Porque lhes falta
Amor
Então meu amor
Voce deve amar
Dizer o amor
Para as pessoas
Porque assim
Você vai ser melhor
Que os idiotas do
Não ao amor

- Samara Gunutzmann

Num belo dia você acorda e percebe que todo aquele sofrimento que carregou durante meses ou anos, foi apenas um teste. Um teste de sobrevivência. “A sobrevivência do mais apto”, como diria Spencer. O mais apto luta por melhores condições, conquista os seus anseios. O mais apto sobrevive a correria do dia-a-dia, as angustias em família. O mais apto carrega sonhos e planos ainda não alcançados, pedaços de um coração destroçado. Os mais aptos sobrevivem aos ataques alheios da vida e logo percebem que dificuldades não são um mero acaso.
—  Dani Farias

Ana, crianças como nós não sobrevivem. Essa história de porto e cais pra gente não existe, somos barcos de provável naufrágio sem previsão de socorro.
Essa obsessão por ser de verdade e sentir de verdade é revolucionária, sobretudo perigosa. Não vamos ter resgate.
Se continuarmos a acordar e sermos exatamente quem sabemos ser sem experimentar dessa piscina de maquiagem para esconder o que se é, vão revogar ou pedir reboque.
Não vamos deixar, por isso crianças como nós morrem cedo, não hesitam.
Ferida quando se coloca o dedo cura mais rápido
Abismo foi feito pra gente pular
A dor é pra ser sentida
Indignação é pra ser gritada
E ninguém nos cala a boca…
Berramos o amor até não haver mais oxigenação.

Ribossomos, crianças como nós

Terra de sentimentos bons. Pensamentos variáveis. Aromas e sons. Rachaduras incontáveis de um barro endurecido, causado pela falta de chuva. Um pequeno desespero, faz lembrar o sertanejo. O retrato da vida dura, do trabalho ao emprego. Uma enorme ditadura. O sorriso de quem ama, as cores do sertão. O clima mais que árido, sem um pé de plantação. Mas, sobrevivem com ânimo, de uma esperança de chuva. Com a leve ajuda do sol, pois apesar do calor, eles amam a região. Do céu sempre azul e o marrom do meu sertão!
—  Marcos Soares.
Deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos.Elas importam mais do que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós. São como monumentos que as pessoas erguem em honra dos heróis depois que eles morrem. Como as piramides que os egípcios construíam para homenagear os faraós. Só que, em vez de pedra,são feitas de lembranças que as pessoas tem de você.
—  Extraordinário R.J PALACIO
Amar de longe não é fácil. É complicado não acordar com aquele cheiro, aquele calor do corpo, aquele abraço. É doloroso não ter aquela voz no ouvido, aquele colo, aquela risada boa e boba. Pode ser logo ali, naquela cidade que fica a quarenta e cinco minutos de avião. Pode ser lá longe, em outro país. Pode ser em outro estado. Pode ser do outro lado do oceano.
Não importa: a saudade arde. Mas serve para nos mostrar como o outro é importante. Serve para mostrar como pequenas coisas fazem falta. A saudade faz a gente prestar mais atenção no outro. E, principalmente, a saudade mostra o que é de verdade. Porque só os amores guerreiros sobrevivem ao tempo e à distância.

Dia desses me peguei pensando em você. Não esses clichês que todo mundo imagina. Pensei na realidade mesmo. No teu mau humor de segunda feira. Em você vestida com aquela blusa velha. No teu cheiro depois de um dia todo de trabalho. Na tua voz me contando os problemas que teve durante o dia. E sabe o que mais me impressionou? Depois de imaginar isso tudo eu ainda continuo te querendo. Te amando. Desejando. Talvez os amores mais bonitos sejam esses. Que sobrevivem ao caos. A rotina. A vida.

Tenho 20 anos agora. Curso publicidade e propaganda, vou para o último ano. Não tenho muito a ideia do que fazer no ano subsequente ao término facultativo, só sei que respirarei - talvez um ar mais poluído, cheio de gases tóxicos e vidas de pessoas que estão mais corcundas devido ao uso das tecnologias; porque ficam em pé por horas nos transportes públicos e sobrevivem. 

20 anos e o pânico de pisar na rua e ser atropelado por um carro, alguém muito apressado, o mundo hostilizado por causa das asperezas que carrego, carregamos. É justo que alguém numa idade tão crucial sofra ainda mais com o martírio de não saber como se relacionar, de lidar consigo mesmo, correr a mais de vinte quilômetros por hora, escorrer obra-de-arte nestes dias mornos de 38º na cidade de São Paulo?

Ser professor universitário ou viver uma vida publicitária, resignada a uma cadeira por 8 horas/dia para ganhar 2 mil pilas por mês? Estudar bastante para enlouquecer e ver a vida passar rápida demais ou tranquilizar-me e preferir estar saudável, vivendo uma vida mais ou menos normal? 

Não quero vivências ordinárias, mas também não quero colocar as mãos em minha boca e parafrasear munch em O grito. Porque se quero gritar, que seja de felicidade aguda por poder ver os prédios imensos num dia ameno. Se quero gritar, que seja de fome por sentimentos insaciáveis como adrenalina de amar; e raiva, por causa da falta do amor. Se o grito existir, que seja por arder a vontade abrupta de correr, deitar no meio da rua e escrever quinhentos e quatro poemas num dia só; se esse som inócuo quiser extravasar meu peito, que seja por dor de gente que sente demais. Não por demagogia ou porque é bonito. Mas porque demonstra que há uma vida sendo vivida forte, firme e voraz. 

Quem não se adapta à rispidez dos dias calmos, quem não reproduz a quentura de si no outro, quem não compartilha o momento agonizante de esperar algo que não vem. 

Que a liberdade seja nossa própria substância. 

E a dúvida permanece. Passar por processos seletivos para chegar à tão aguardada vaga de emprego ou permanecer anônimo, sem ter dinheiro para comer naquele restaurante peruano, gastar 400 reais numa blusa de marca ou não ter para onde ir no fim do ano a não ser para a casa daquela amiga que ficou e estabeleceu moradia?

Às vezes me vejo numa rua sem saída. Não que, com grana, você terá todos esses benefícios ou se dará ao luxo de ter uma vida melhor, baseada nos parâmetros do que colocam pra gente como “bom” ou “ruim”. E nestes momentos você pensa num Van Gogh da vida, que só foi reconhecido depois que morreu. Numa Frida Kahlo, que permaneceu anônima em sua arte até estar bem doente, quando foi aclamada nos EUA. Você pensa nos que ‘fracassaram’. Naqueles que se assentaram sobre o manto desconhecido de uma vida subversiva e letal. 

Quantos escritores fracassam por dia? E quantos que, apegados ao fracasso, escrevem livros melhores do que Machado de Assis escreveu algum dia? Quantas artistas estão vivendo o grosso da cidade, respirando e pirando a poluição paulistana, enquanto se cortam com a dúvida: continuar ou seguir em frente? 


Sigo em frente. Tenho 20 e não gosto de comida peruana.

Mas é verdade. A vida é para os fortes, os fracos não sobrevivem nesse mundo cruel. Estamos lutando contra a correnteza, os homens a cada dia que se passa apenas destroem a natureza. O natural é o peixe nadar, o pássaro voar e o ser humano apenas correr e caminhar.  Mas isso já não é o suficiente, enquanto não destruir tudo eles nunca ficaram contentes. Fontes que se esgotam e mesmo assim não são poupadas, a água está acabando e mesmo assim acreditam que não se pode fazer nada. Mas eu ainda tenho esperança. Esperança de que possa acontecer uma mudança. Algo bem inesperado mas que com um pouco de fé poderemos ser contemplados.
—  Relatos de Oliva.
Por que culpam o amor por tantos estragos? Ele é apenas um sentimento manuseado por alguém — ou algo. Quando estamos armados e erramos o alvo na hora do tiro, a culpa é da arma ou de quem atira? O que sentimos segue essa linha de raciocínio, somos o alvo, mas alguns tiros não nos acertam — outros passam até longe demais. Mas a bala não perdeu a velocidade nem a ferocidade, fez outra vítima. Atingiu outro ser, outro coração, em qualquer outra dimensão, perdida, longe de nossos olhos e entendimento. Não podemos nos suicidar com o amor de outrem, mas podemos morrer por outra bala que nos atinge. O problema está aí: só queremos sentir o que nos convém. Quando gritamos ao mundo que ninguém nos ama, o ninguém tem nome, endereço e cpf cravado na nossa agenda. Por isso existe tantas pessoas sofrendo, pois sobrevivem a um tiro no peito e querem morrer com um tiro de raspão.
—  Jadson Lemos. 
Estamos no século 21, meu caro. O século onde a depressão reina, a solidão já é rotina. Estamos numa sociedade dividida entre aqueles que sobrevivem e os que vivem, no século onde somos todos diferentemente iguais, “inalteráveis”. Estamos num sistema onde a inteligência aumenta a cada dia, mas o intelecto não floresce. Os números estão exacerbados nas contas que chegam nas nossas residências e a cada dia aumentando mais e mais, porém, o número das represas que abastecem-nos está diminuindo instantaneamente. O número de casos de suicídios aumentam a cada dia, mas o número pessoas oferecendo abraços nas ruas, dando bom dia, sorrindo, está diminuindo, extinto. O número de jovens nas universidades está cada ano maior, entretanto, o número de profissionais qualificados está sempre mais reduzido. Então, meu caro, seja diferente. Mude o mundo, mas comece por você.
—  Mude o mundo, mas comece por você. Laura Bastos.